Aquivos por Autor: admin

12 anos de frustração! Sim, 12 anos!

Não sei quem é o autor. É uma das milhentas fotografias que nos chegam sem sabermos muito bem como…

Começar um texto com um título daqueles e depois aparecer uma imagem destas…vai dar a ideia que a minha frustração é de natureza sexual… Não é. A fotografia de cariz sexual faz parte deste blogue pessoal. Apenas isso. Apesar de que ultimamente nem escrevo, nem publico fotografias. Uma tristeza, digamos assim. O que me vai valendo é o belo sheik

Quem se der ao trabalho de carregar no link do sheik vai perceber que vai aterrar no Burning Man, neste caso de 2018. E é aí que tudo começa, porque era lá que eu gostaria de ter estado, a dançar como se não houvesse amanhã. Sim, eu adoro estas festas e sim, eu adoro dançar. Também sei que já não tenho vinte anos e que já não trepo pelas paredes… foi um tempo bonito da minha vida. Mas continuo a achar um piadão a estas festas, a estes ambientes… e a pensar que também poderia lá estar, numa versão mais slow motion, digamos assim… mas a divertir-me.

Mas isso agora, não interessa nada.

Não é por isso que ando frustrado há doze anos.

As razões são outras.

Já pensaram que, alguma vez na vossa vida, fizeram a escolha errada? E que essa escolha teve consequências pesadas para a vossa vida? Do género: arrependimento total? Daquele género de arrependimento que quase sai da pele, de dentro do corpo, e nos faz querer dizer: puta que pariu que eu não nasci para isto? Já? Pois bem me parecia. Tal e qual eu!

Eu não nasci para levar a vida que levo. E não tem a ver com o facto de ter uma família. A minha família, eu adoro, e não trocaria por nada. Tem a ver com a minha vida profissional. Sinto que estou atolado, até ao pescoço. Sinto que não foi nada disto que eu perspectivei quando decidi ser professor. Eu não fui para professor com a ideia de me tornar milionário. Tomei a decisão de apostar nesta profissão porque sou uma pessoa expansiva, com conhecimentos e, acima de tudo, com a certeza de que poderia acrescentar alguma coisa positiva aos seres humanos que estariam à minha frente numa qualquer sala de aula. Esta pode ser uma visão meio apalermada daquilo que eu penso e estou consciente de corro o risco de ser mal interpretado por algum ser humano mais retorcido mas, não quero saber, literalmente. Não sou hipócrita ao ponto de não assumir que esta profissão deveria ser bem paga. Deveria ser bem paga, mesmo. É, também, uma profissão que deveria ter reconhecimento social. O reconhecimento social não se traduz por palmadinhas nas costas e reverências irracionais. Não é nada disso que os professores procuram. Os professores não são mais do que os outros seres humanos. Gostam de ser reconhecidos pelo papel que desempenham numa sociedade. É normal que não gostem de ser insultados, agredidos ou humilhados. Ninguém gosta! Qual é a dúvida?

Professor é um ser humano normal, gosta de coisas normais. Como estas! Certo? Consequentemente, necessariamente…

Agora, depois do devaneio, vem a parte em que eu me queixo, a sério, destes políticos portugueses, que decidem a vida das pessoas deste país e que, na maioria das vezes, decidem mal, muito mal, com consequências nefastas para o futuro das outras gerações…porque a deles está mais do que assegurada. Sim, esta cambada de profissionais da política, arruinou os recursos existentes em proveito próprio. Digam-me um, digam-me um… político que esteve na esfera do poder e que, actualmente, esteja a passar dificuldades… Não encontram nenhum, pois não? Bem me parecia! Esta cambada de personagens que se apoderou dos centros de decisão, após o dia da liberdade, não estava minimamente preparada e… as mordomias estavam mesmo ali… à mão… vai daí… deram cabo disto tudo. Mas esses são outros quinhentos!

Focando, novamente, na ideia inicial.

Escola.

Professores.

Alunos.

Operacionais educativos.

Não necessariamente por esta ordem.

Uma comunidade educativa nunca é igual a outra. Cada uma tem as suas características. Para o bem e para o mal. É difícil perceber isto? As regras absolutas que nos impingem desvirtuam o objectivo inicial. Eu gosto da minha escola. Gosto das “características” dos alunos que por lá pairam. Mas estou cansado. Eles, os alunos, não têm culpa do meu cansaço. Eu também não. É o peso dos anos numa profissão. Os alunos são tão diferentes e os professores são tão iguais ao que eram.

É tão difícil perceber esta nova dinâmica.

E o que é que os iluminados decidem?

Burocratizar.

Sim, burocratizar.

Sistematizar tudo aquilo que não deve ser sistematizado.

A anulação do factor humano é o objectivo.

A quantificação é o valor supremo…

Enfim, essa seria a razão inicial destas palavras mas até nisso eu acho que não me devo alongar porque estou farto da conversa da treta…

Pronto, não me apetece escrever mais nada.

Porque estou cansado e amanhã tenho aulas de apoio para exame e não consigo arranjar mais energia para continuar com o raio do texto da… frustração…

Fiquem bem. Ouçam o belo do sheik. Façam aquilo que até os bichinhos gostam de fazer e sejam felizes com elas, eles, misturados ou não…

Ah,

E digam lá se não são umas belas mamas?

Eu gostei…

Texto sem imagens. Sim. Sem imagens.

Quatro dias se passaram. Quatro dias? Nos tempos que correm é uma distância temporal muito curta para o meu gosto. Escrever o que quer que seja com a distância temporal de quatro dias é um risco enorme. Corro mesmo o risco de ainda parecer mais inócuo do que aquilo que já sou. Alturas houve em que achava que devia escrever todos os dias. Palermices de um cinquentão decadente. Com o tempo fui aprendendo que não adianta escrever seja o que for. Ninguém vai ler. Por isso, e como percebi que escrever é um assunto pessoal, passei a ter o meu tempo…pessoal. De acordo com as minhas vontades.

Com as minhas vontades?

Quero dizer! Com as vontades que posso partilhar neste espaço. Não vou, nem posso, descambar porque sou professor numa escola pública e, noblesse oblige. Mas a minha sorte é que ninguém vem cá ler… ou, pelo menos, quem vier cá espreitar sabe ao que vem… no entanto… não posso posso falar dos meus desejos sexuais mais íntimos ou das vontades escondidas. Não seria compreendido. Todos sabemos disso. Eu bem queria acreditar que não receberia qualquer tipo de crítica se me pusesse para aqui a falar da intensidade muscular que o sexo anal exige ou da dificuldade em respirar quando o sexo oral é mais intenso do que o costume. São assuntos susceptíveis de más interpretações. Todos sabemos que o sexo oral faz parte da rotina de qualquer adulto mas não fica nada bem imaginar que determinada pessoa que conhecemos muito bem tem como prática habitual o sexo oral.

Sexo oral:

“Sexo oral consiste em toda a atividade sexual no qual ocorre estímulo dos genitais com a boca, a língua e com a garganta. Quando é feito no homem normalmente é chamada felação/Fellatio e quando é feito na mulher se chama cunilíngua/Cunnilingus.”

Como será que vamos cumprimentar essa pessoa?

Tenho um amigo (e não vou especificar se era grande amigo ou amigo normal, ele vai saber) que tinha umas cenas regulares com um outro amigo, que não eu…

Pás… pás… pás… aquilo era sempre a aviar mas quando chegava à hora do sexo oral… a coisa corria sempre mal porque a tal companhia regular, era casado, e tinha filhos, e não queria chegar a casa e ter que beijar os filhos com a mesma boca que tinha andado na desgraça do sexo oral…

Não é delicioso?

Já se imaginaram?

Pois.

Somos todos tão diferentes…

Mas dentro da diferença todos nós, como verdadeiros sucedâneos da cultura judaico cristã temos que nos resguardar das cenas… somos todos muito modernos quando a coisa toca na bunda dos outros…

O sexo é um verdadeiro não assunto. Andamos todos a pensar nesse assunto, o do sexo, mas parece que ninguém se sente “confortável” para se meter de bruços e tratar do verdadeiro… assunto…

E eu nem percebo muito bem porque é que estou a perder tempo com este não assunto. No fim de contas, o que eu quero mesmo é ir acabar de fazer uma bela de uma francesinha, com um molho super picante, que me vai levar ao céu e, quem sabe, às estrelas.

Ainda faltam oito anos!

O ano lectivo está a chegar ao fim. Mais um! À minha conta, são quase trinta. Não são muitos, não são poucos, são alguns… são bastantes menina. Há muito boa gentinha que tem mais, muitos mais, anos de serviço no ensino. Eu comecei tarde. Trabalhei noutros sítios antes de vir para o ensino, foi o que me valeu e me deu a sanidade mental para me meter nesta embrulhada. Fui atleta a tempo inteiro. Fui fiel de armazém. Fui emigrante na restauração. Fui actor numa companhia de teatro com muita itinerância (Os Comediantes). Fui escriturário numa secretaria de uns Bombeiros Voluntários. Fui estudante trabalhador. Fui vivendo intensamente. E, finalmente, tornei-me um professor. Foram cinco anos de formação superior mais dois anos de formação específica, num estágio com aulas na faculdade e outras aulas assistidas. Fiquei com a certeza que a minha aprendizagem foi consistente. E assim comecei o meu percurso no ensino. Cheio de vontade.

Há trinta anos atrás era tudo muito diferente. Para o bem e para o mal.

Eu era muito menos sonhador do que sou hoje. Naquela altura a tarefa era muito menos exigente. Não estou a falar pedagogicamente ou dos conteúdos que tínhamos que ensinar. Nada disso. Estou a falar da matéria prima. Os alunos eram mais, como hei-de dizer, mais sumarentos. Eram seres humanos mais completos e a relação era mais intensa. Não quero cair no erro de dizer que eram melhores. Seria uma palermice. Apenas eram muito diferentes dos alunos que hoje nos aparecem nas salas de aula. Acima de tudo sinto falta do sentido crítico. Hoje a coisa é muito esbatida. Aparece um ou outro que sai do padrão normalizado a que esta juventude nos tem vindo a habituar. São mesmo diferentes. E é por isso que eu acho que estou muito mais sonhador. Continuo a acreditar que vou conseguir chegar a meia dúzia deles. Sim, eu sei. Pode parecer muita presunção da minha parte achar que sou um ser humano especial e que tenho uma capacidade extrasensorial… que vai fazer chegar a luz aos ditos cujos… Mas, digam lá o que quiserem, eu acho mesmo que, para eles, tenho que acrescentar alguma coisa. Se não for assim, se não acreditar que tal é possível, mais vale ir para um retiro espiritual, para o meio das freiras, nossas amigas, e pensar no sentido da vida.

Isso sou eu.

Mas como eu há muitos mais.

Muitos mais professores que não se limitam a passar conhecimento.

O ensino é muito mais do que isso.

Seria uma longa conversa…

Voltemos ao início do texto.

O ano lectivo está a chegar ao fim. Foi um longo ano. Um ano de aulas, de exposição, de discussão, de muito trabalho, de tudo aquilo que uma disciplina como a minha implica. Mas também foi um ano marcado pela falta de reconhecimento que esta profissão merece. Eu não necessito que me digam que sou muito importante para a sociedade porque eu sei que a importância é sempre relativa e há sempre os imprescindíveis… mas foi apenas o culminar do não reconhecimento. Tem sido um percurso desencorajante. As expectativas iniciais de quem começa esta carreira. A colagem a uma imagem de boa vida. De quem passa a vida em férias. Dos ordenados altíssimos mas que na realidade não são mais do que normais. As agressões de que os professores são vítimas. Os insultos de pais e alunos. A falta de condições de trabalho. Todo este emaranhado de ruído à volta dos profissionais da educação cansam-me. Muito.

A sociedade, ou pelo menos aqueles que não fazem a mínima ideia de como funciona a educação em Portugal, acham que o caminho não se faz com os professores. Um dia vão perceber.

O Belhinho (gosta de imagens… duvidosas…?)

O Belhinho gosta de oubire sheik. Sheik do bom. Porque o Belhinho é bom.

Aliás, o Belhinho gosta de muitas outras coisas. Tudo coisas boas, diga-se de passagem.

O Belhinho gosta de pessoas bem humoradas. Porquê? Porque o Belhinho gosta de se rir. Rir é um bom remédio. Quem não se ri, não é filho de boa gente. Então, imaginem, quem não se ri de si próprio, é que não é mesmo filho de gente excelente.

O Belhinho acha que é excepção. Quer dizer, tem a certeza de que é filho de boa gente mas… não tem a certeza quanto à parte de se rir de si próprio. O Belhinho é orgulhoso. E ser orgulhoso não ajuda lá muito na evolução do verdadeiro ser humano. Também não é difícil perceber que o Belhinho acha que é um ser humano acima do verdadeiro ser humano. São manias do Belhinho, que acha mesmo que é um daqueles… como se diz?… um eleito, por assim dizer!

O Belhinho é um parvo.

Passa a vida a falar de si.

Quem quer saber do Belhinho?

Ninguém!

A vida é madrasta!

Podíamos todos gostar uns dos outros. Não era fantástico? Mas não é bem assim!

E é por isso que o Belhinho gosta do belo Sheik. Um belo Sheik acompanhado por tudo aquilo que o transporta para outra dimensão. E o Belhinho é como o Jardel. Na terceira pessoa. Como se fosse imortal.

Mas não é!

O Belhinho está mais para lá do que para cá!

O Belhinho está cansado da vida.

O Belhinho está cansado de trabalhar.

O Belhinho está cansado da sua vida.

O Belhinho vai mais longe.

O Belhinho está cansado do seu destino.

O Belhinho gosta de reviver a puberdade.

Belhinho?

Já chega de Belhinho para a frente e para trás.

Com tanta coisa a acontecer neste mundo… por favor…

Também aconteceu que o Belhinho realizou um desejo muito antigo, muito desejado mas que, por artes e magias só agora foi possível.

Passando para uma outra dimensão.

O Belhinho tem uma família. Uma família linda. Linda no sentido de que a nossa família é sempre a mais linda deste mundo. Para mim é suficiente que assim seja. Neste caso, a família do Belhinho tem mais um ser humano do sexo oposto, que não tem nada de Belhinha, e mais duas criaturas, do sexo feminino, adolescentes e a arrastar a asa para a parvoíce. Nada de mais. É a tal família.

E o Belhinho foi com a maravilhosa família cumprir um… posso dizer? Desejo? Não foi um desejo individual. Toda a família queria realizar o… tal do desejo…

O caralho do Belhinho está a escrever este desajeitado texto sobre um caralho de um velho desejo, ainda por cima a ouvir ABBA. Pode não parecer uma boa ideia, principalmente porque o texto mete caralhadas e o Belhinho não é personagem para meter umas caralhadas pelo meio.

Pronto, já passou, a parte das caralhadas. Daqui em diante o nível vai ser mais elevado, com toda a certeza.

E vendo bem. O Belhinho quer lá saber dos desejos. Da família e dos seus próprios. O Belhinho quer viver a vida que lhe resta. Escrever uma data de palermices. Ouvir o que lhe apetece. Dançar com a energia que ainda acontece. Beber o que cai do céu e pensar que o dia de amanhã pode ser o… primeiro dia das nossas vidas!

E o tal desejo?

Fica para outro dia, que se faz tarde.

A vida é uma perfeita palermice. Já repararam?

Mas afinal, o que é que andamos aqui a fazer. Já sabemos que vamos todos morrer. Todos nós sabemos que o caminho é sempre o mesmo. Quero dizer, vai dar sempre ao mesmo sítio, não é verdade? E no entanto… cá andamos nós à procura. Não se sabe lá muito bem do quê. Nascemos e vamos crescendo, por ali fora, por um caminho desconhecido, até começarmos a ter alguma consciência do que é a vida. E alguma é mesmo a palavra certa porque na realidade apenas tentamos não andar aos encontrões, às pisadelas e às cotoveladas por esse mundo fora. Digamos que não é fácil. Mas que tentamos, lá isso é verdade. Quem é que nunca se pôs em frente ao espelho, pelas sete da manhã, depois de tomar o belo do banho matinal, a questionar o mundo e a afirmar convictamente que o dia vai ser mesmo do outro mundo? Com convicção! Bem, eu não quero parecer convencido e expert em estatística mas quer-me parecer que uma grande parte dos seres humanos que fui conhecendo ao longo da minha vida, pelo menos uma vez na vida, pensaram assim, nem que fosse apenas quando acordaram com alguém ao lado que… não perceberam lá muito bem como apareceu… por ali… São cenas que acontecem. Mas voltando atrás, porque senão a coisa vai descambar em conteúdo sexual pouco explícito e dúbio, o que não é nada aconselhável.

O que importa, mesmo, e apesar de ser completamente inexplicável. O que importa mesmo é que acreditemos que o dia de amanhã vai ser mesmo do outro mundo. Não interessa mesmo nada que todos saibamos que vamos morrer da mesma maneira. Não adianta nada, mesmo nada. Com o tempo vamos aceitando os dogmas que são da nossa conveniência. O meu verdadeiro dogma não tem nada a ver com a religião. Aliás, a religião é uma cena que me aborrece profundamente. Não consigo perceber como não se consegue viver para além da religião. Quero dizer. Não consigo perceber como foi possível o ser humano chegar ao ponto de viver em função ou condicionado, como quiserem chamar, pela religião. Bem sei que é uma conversa para mangas, as mangas da túnica de Jesus… larguitas…

Mas Jesus não é para aqui chamado.

Ao longo da minha vida fui percebendo que cada ser humano aprende a encontrar o caminho que é mais conveniente para si. Mais aconchegante. Onde se sente mais confortável. É legítimo. Ou não é? Claro que é. Aliás, tenho a ligeira impressão de que ninguém é melhor do que… o outro… E se eu não tenho a capacidade mental para aceitar os dogmas religiosos das outras pessoas não poderei pensar que, só por isso, sou muito melhor do que elas.

Continuo a parecer um adolescente tardio.

Mas é o que dá trabalhar o dia inteiro. Chega-se a casa cansado. Com vontade de nem sequer ouvir uma mosca das pequeninas. Mas a vida não é bem assim, pelo menos para quem não acredita em dogmas religiosos…

Quando a vida anda para trás.

Começar um texto com uma negação, seja ela qual for, não me parece o mais adequado mas, mesmo assim, não posso deixar de realçar que a minha vida não anda assim tanto para trás. Tenhamos saúde e boa disposição e tudo o mais são penars, como dizia o outro. Claro que em momentos menos bons todo o ser humano tem tendência para achar que a sua vida é um repositório de coisas más. Na realidade não será bem assim. Tendemos a exagerar. Principalmente quando as coisas correm mal com o nosso bem estar. E o que é o bem estar? Quando se leva uma vida modesta, como é o meu caso, em que os pequenos prazeres são feitos de pequenos nadas… que me vão deixando à tona… mas que se vão perdendo… e me deixam desesperado…

Caramba! Caramba! Caramba! É uma palavra que quase já não se usa e que pode passar por meio idiota, então repetida três vezes, mas… que traduz o meu estado de espírito! A de um perfeito idiota a olhar para a vida com os olhitos daquele boi que olha para um palácio, só que menos encorpado.

Por vezes tenho a nítida sensação de que continuo um verdadeiro adolescente, tardio, mas adolescente. Não consigo controlar as minhas emoções e vivo tudo na flor da pele. Levo sempre tudo muito a peito. Sinto tudo com muita intensidade e, obalhamedeus, já não há paciência para pessoas assim. Mas eu continuo um personagem de excessos. Se falo, falo em excesso. Se danço, danço em excesso. Se penso naquilo, penso em excesso. Se é para comer coisas boas, é para comer em excesso. Se bebo, bebo em excesso. Se me entrego, entrego-me em excesso. Qualquer dia morro. Não tem nada que saber. Dizem os cientistas que os exageros fazem mal. À saúde. Dizem eles. Que devemos ter cuidado, a partir de uma certa idade. Dizem eles. Que devemos ouvir o belo sheik dentro dos limites aconselhados. Aconselhados? E então as vibrações a mexerem com o corpo? Dizem eles. Se abrir uma cena escocesa tente não passar de metade. Metade? Ok. Mas para quê? Para ficar a meio? E depois? O devaneio? Onde é que ele vai parar?

Não gosto de pensar assim.

É uma coisa que me aborrece.

Vou deixar para depois porque não sei… ainda… o assunto…

Final de tarde, a ouvir Gus Gus e a pensar na vida. O ingrediente necessário porque pensar na vida custa e não há nada como um belo sheik para soltar tudo aquilo que temos de mais primitivo dentro de nós. Assim, de repente, parece assustador. Será que o rapaz é mesmo primitivo? Assustador? Pensam vocês, que se limitam a ler estas palavras sem me conhecerem de lado nenhum… já que presunção e água benta eu posso distribuir como quero e, assim, achar que tenho outras pessoas para além dos meus amigos chegados que perdem o seu tempo a ler estes textozinhos do coração… e esses sabem que eu sou tudo isso e mais alguma coisa.

Devia estar a fazer outras coisas. Devia estar a elaborar um teste para História da Arte mas… não me apetece. Está meio feito e amanhã ainda é dia, por isso, e como os dias estão a crescer vou pensar que a vida são dois dias, dos grandes.

E volto a olhar para trás.

Para a minha vida.

Para onde eu fui olhar. Tenho sempre um embaraço enorme de falar sobre a minha vida. Acho mesmo que é um daqueles complexos judaico-cristão que me meteram na cabeça quando eu era pequenino. Deve ter ficado gravado cá dentro. É preciso muito azar porque, logo eu, que não tenho nada a ver com a moral judaico-cristã… Mas não consigo olhar para trás sem me sentir inibido. E não consigo mesmo perceber porquê. Os meus pais nunca foram de missas e quando eu fugi da catequese e o padre foi lá a casa queixar-se eles nem sequer me repreenderam à frente do mano da batina… e nunca mais me disseram para eu ir receber os ensinamentos… porque sabiam que eu queria mesmo era ir ver os jogos do Ramaldense, sim, esse clube mítico da cidade do Porto onde começou a jogar o Humberto Coelho… No Ramaldense os jogos eram sempre animados, muita sarrafada e muito vernáculo. Muito melhor que a cena do mano da batina. Adorava ir ver aqueles jogos. Estamos a falar de há muitas décadas atrás, era eu ganapo, que andava na rua e brincava na rua. Esta era a parte infinitivamente (esta palavra não me parece muito acertada mas é o que se arranja…) superior aos tempos de hoje. Podíamos não ter nada de jeito, uns sapatos para o ano inteiro, uns calções pelo joelho, umas camisolas daquelas que não lembram ao diabo e um cabelinho cortado à se te apanho… (sim, começa por um efe…) e andávamos à guna nos eléctricos e à fruta nas quintas do Porto… digamos que foi uma infância sem grandes coisas, sempre encardido e com as unhas cheias de terra… mas com um sorriso enorme. Foram outros tempos, nem melhores nem piores do que os actuais. Foram os meus tempos.

Acho que o problema é outro.

Tenho vivido a vida de uma forma intensa. A minha vida. É a única que eu tenho. É intensa para mim. Que posso fazer? Pode ser tudo o que os outros quiserem mas para mim é a minha realidade. Acho que é assim para toda a gente. Temos a mania que somos especiais. Que temos qualquer coisa de je ne sais pas quoi…? e que os outros não têm… no meu caso sei que os outros têm mas que eu também tenho. Que se vai fazer? Parece uma verdadeira contradição com os ditos cujos preconceitos judaico-cristãos mas, no meu caso, não são porque eu tenho a consciência do que sou, só não gosto de o mostrar… a tal parvoíce JC…

Mas é uma parvoíce própria da minha geração. Sim, sou daquela geração que estava imediatamente abaixo daquela que governou o país durante estes quarenta e tal anos e que não teve a possibilidade de lá chegar porque aquela malta toda agarrou-se ao poder e de lá nunca mais saíram. Se eu pensar de uma forma meramente egoísta, facilmente chego à conclusão que ainda bem que tal não sucedeu, que não tive hipótese. A maior parte dessa malta que se apoderou do país sem estar minimamente preparada deu cabo disto tudo. Não é inveja. É apenas a constatação de um facto. Este país é um país de corruptos devido a esta classe política que nos (des)governa e a minha geração assistiu sempre a tudo isto de bancada, por isso estou de consciência tranquila, pobre mas de consciência mais do que tranquila.

E não é por isso que sou melhor.

Nem pior.

Afinal, eu é mais bolos.

O título é o menos importante.

Começo a olhar para trás. Não é por cima do ombro porque não devo nada a ninguém. É mesmo para o que ficou para trás. Do que vivi e não vivi. E é bom olhar para trás.

A minha vida é como tantas outras. Somos tantos, mas tantos que até me custa estar para aqui a escrever como se fosse o único ser humano neste raio de planeta. Não sou mesmo e mais vale continuar a escrever sem pensar nisso. É assim e pronto (na Póvoa de Varzim diz-se prontos, mas isso agora também não interessa nada) mais vale fazer de conta que este assunto não passa de um dogma. Sim, tal e qual aqueles que a igreja Católica Apostólica Romana nos foi impingindo ao longo destes séculos de existência DC.

Aliás, acho mesmo que todo o ser humano faz de conta que é único. Original e inigualável. Sem sombra de dúvida. Afinal andamos todos cá para isso. Para sermos reconhecidos pelos outros seres humanos. Quem não gosta de uma palmadinha nas costas? De um afago do ego? De uma relação sexual com direito a cigarro no final e a olhar para as estrelas? Quem? Pois é! Todos! E o mais incrível é que também vamos todos para o mesmo local aprazível. Independentemente da raça, credo, clube (claro que quem for do fêcêpê tem direito a um extra…) idade, do tipo de bigode, descontos de irs, tamanho daquilo, se o rabo é gostoso, nada disso interessa. Vamos mesmo para o espaço. O espaço é um termo fofo. Não chateia ninguém. Ninguém sabe o que se lá passa. Pode ser bom ou mau. Pode ser frio ou quentinho. Às vezes tem luz outras vezes é escuro. Pronto. É como nós quisermos pensar que seja. Portanto, fica ao critério de cada um. Se formos optimistas e com verdadeiro sentido positivista vamos achar que o espaço é realmente o local ideal para nós. Se não formos assim, positivistas, também não me interessa mesmo nada e quem for assim que se desenrasque porque eu não quero saber de pessoas negativistas…

Mas voltando ao início.

Olhar para trás nesta fase da minha vida é fantástico. Eu sei que muita gente odeia esta palavra, e eu estou incluído, mas não consigo encontrar outra. Tenho pena mas não consigo. Posso acrescentar que a cena fantástica é na minha cabeça e que, se calhar, mais ninguém vai ter paciência para tentar perceber este fenómeno fantástico… por isso a coisa fica entre nós.

Assim, de repente (na Póvoa escreve-se derrepente mas eu adoro a Póvoa de Varzim…) dá-me a nítida sensação que as pessoas vão achar que estamos na presença de mais um maluquinho, e eu adoro a palavra maluquinho tal como adoro a Póvoa de Varzim, que está a libertar os seus sentimentos, tal e qual um adolescente do final do século vinte… que vive os seus dias perfeitos a achar que o mundo é um local bem frequentado… E eu fui um desses adolescentes.

Nasci em 1961. Aquele ano que se lê de pernas para o ar ou da maneira normal e que dá sempre o mesmo… sim é um ano longínquo mas bonito e especial. Porquê? Porque eu nasci em 1961. Bem sei que nasci na companhia de muitos outros milhões de seres humanos mas, todos esses, não interessam ao menino Jesus ( na Póvoa diz-se Alfredo mas isso não interessa nada agora…) e por isso acho que sou um velhinho (como diz o meu fofinho colega de trabalho) que necessita de algum sheik especial, como eu.

E continuando a achar que a minha vida merece ser contada… fico a pensar que posso escrever sobre o assunto… um dia destes…

Provavelmente…

Nove meses se passaram, mais coisa menos coisa, desde que escrevi por estas bandas. Tem sido recorrente. Ao longo dos dois últimos anos não tenho tido disponibilidade mental para escrever, seja lá o que for. Não é que tenha deixado de pensar nas coisas, no mundo, mas fui perdendo o hábito e agora estou como o tolo no meio da ponte… acabo com isto ou continuo?

Logo se verá!

Para já vou escrevendo e no final do texto… Logo se verá!

É uma coisa que eu gosto de fazer. Empurrar com a barriga para a frente e resolver o que tenho que resolver quando me apetecer. Eu sei. É um defeito! Mas, se fosse só esse… seria bem mais feliz. Não é que não seja feliz. O que me aborrece é chegar a esta idade (quase sessenta anos), perceber que o caminho ainda está longe e que a minha condição de ser humano é apenas sofrível. Tenho a sensação que o tempo me começa a fugir. E não, não é nenhuma crise de meia idade (avançada)… é antes ter a noção de que ainda perco muito tempo com coisas e assuntos que não interessam nem ao menino Jesus. Esse mesmo. O que nasceu de uma senhora virgem (e não se zanguem comigo porque não fui eu que criei essa história… é assim e não se fala mais no assunto). Já dizia o tal senhor que nos devemos amar. Na parte da multiplicação… acho que devemos ter mais calma… aprender a contar pelos dedos…

Lá está. A mania de contextualizar tudo e de querer ter um discurso coerente leva-me ao devaneio. Não o sexual, que seria bem mais engraçado, mas àquele devaneio que só nos faz perder tempo nesta vida. E acreditem que eu sou bem objectivo. Agora imaginem se eu não fosse objectivo. Em vez destas catorze linhas de introdução já estariam escritas umas vinte e oito ou coisa que o valha. O interesse no raio das linhas seria o que cada um lhes quisesse dar mas, assim, eu sempre posso aligeirar o sofrimento da leitura.

É verdade. Vou fazer aquilo que toda a gente gosta de fazer.

Já perceberam?

Claro!

Vou falar da minha vida!

Quem não tem um espelho em casa? Daqueles bonitos. Daqueles que são quase como que uma alma gémea e para o qual falamos baixinho (não vá a pessoa que acorda todos os dias do outro lado da cama ouvir) e nos convencemos que somos mesmo do outro mundo…

Passamos a vida a querer ser ouvidos.

E eu não sou diferente…

Quer dizer, não exageremos porque como eu não há mais ninguém!

Eu sei. Por vezes comporto-me como um verdadeiro adolescente tardio. Já sem borbulhas mas com a mesma vontade… daquilo… da eterna descoberta… daquilo… de poder falar… daquilo…

Obalhamedeus!

Eu comecei o texto a pensar que ia escrever sobre a minha próxima viagem… e estou a escrever sobre… aquilo… a pensar… naquilo… e com a consciência de que devo concentrar-me naqueloutro…

Ajudai-me senhor que eu quero voltar a trilhar o caminho.

Sim, eu vou fazer uma viagem.

Vou a Cracóvia. Cumprir uma vontade com muitos anos. Não foi difícil convencer os personagens que habitam cá por casa. Muito pelo contrário. Sempre quiseram poder lá ir. O morcão era mesmo eu que não me decidia a marcar tudo (mas o morcão, por ser demasiado objectivo, fazia contas à vida e só agora é que foi possível marcar e pagar tudo…) mas lá vamos nós.

Está-se mesmo a ver o que lá vamos fazer… Não vai ser só divertimento. Claro que vamos lá para visitarmos os campos de extermínio nazis porque é bom que nunca esqueçamos o que é que aquelas pessoas fizeram. Sim. Eram pessoas como nós, que foram levadas num movimento colectivo de anormalidade e histeria e que deixaram vir ao de cima o que de pior tinham dentro delas. A não esquecer!

Este é o lado sério da cumbersa… O meu lado sério. Que é pequeno. Todo o resto do meu ser não é sério. Não é para ser levado a sério. Só me dá vontade de rir. Mas que posso eu fazer? Já lá vão cinquenta e sete linhas de pura objectividade…

Tentando.

Segunda feira, da parte da tarde, é quando eu tenho sossego. Estou no escritório. Pareço um homem a fazer o que quer. As adolescentes estão a estudar? enfiadas nos respectivos quartos. A minha rica senhora (sim, um termo que já não utilizava há já algum tempo) está a trabalhar e eu? eu aqui a escrever palermices. Com prazer.

Por falar em prazer. Já deu para perceber que as imagens não são as do costume… acabaram-se as imagens sobre… aquilo… por falar… naquilo…

A imagem, senhores, a imagem…

A semana passada li uma pequena notícia, acho eu que foi no Público online, que dava conta dos resultados de uma sondagem feita recentemente. Qual era a sondagem? Qual? Essa mesma! Era mesmo sobre a contagem do tempo de serviço dos professores. Queriam saber se o povo português concorda com a contagem do tempo de serviço para efeitos de progressão de serviço, mais concretamente sobre os nove anos, quatro meses e dois dias! Assim, a frio! Sem contextualização de qualquer espécie! Aliás, contextualização? Muitos devem ter-se questionado acerca de uma eventual contextualização sobre este assunto… mas para quê? A pergunta era bem clara… e SETENTA por cento da população portuguesa respondeu que NÃO, não senhora, os professores não devem ser tratados de forma diferente.

Apesar de não ser bem esta a pergunta, esta ideia foi o mote da caixa de comentários… Ok, já todos sabemos que as caixas de comentários são verdadeiros antros de estupidez, cretinice e inveja… e não digo isto por causa dos resultados e respectivos comentários serem no sentido oposto que eu acho que deveriam seguir. Apenas sei do que estou a falar pois, quando tenho algum tempo, entretenho-me a ler o que nas caixas de comentários deste país à beira mar plantado se vai escrevendo… e acreditem que é hilariante pois espelham o que realmente se passa na cabecinha de muita gente.

E SETENTA por cento é muita gente, são quase o equivalente aos sete milhões de portugueses que professam a mesma ideia, a mesma fé… onde é que eu já ouvi qualquer coisa semelhante…? (piadinha fácil e trista sobre benfiquistas e digna de uma caixa de comentários…). Seguindo com o assunto, todos sabemos que as sondagens são altamente manipuláveis e que valem o que valem mas, neste caso, não devemos andar muito longe da verdade, ou seja, não me admiro nada que esta malta toda pense assim e que esteja contra a classe docente. Já não é de agora. É como aquele anúncio do brandy Constantino “A fama que vem de longa…” coisa para os mais velhos saberem…

Esta atitude contra a classe docente tem-se vindo a enraizar na sociedade portuguesa faz muito tempo. Começou tudo com as “férias”… Ah e tal, os professores têm “férias” no Natal, depois têm “férias” na Páscoa e acabam em beleza com as “férias grandes”… Quem anda nesta vida, sabe perfeitamente que não é nada assim e quem tem realmente férias são… os alunos… esses mesmos personagens que são a razão de ser professor. Sem eles, não são precisos professores, certo? Por outro lado, são também os alunos, os tais que precisam mesmo de férias, que ficam em casa, sozinhos, sem nada para fazer e que deixam os pais à beira de um ataque de nervos porque não sabem como resolver o problema. Seria mesmo bom que em vez de estarem em casa, vá-se lá saber a fazerem o quê… os mantivessem nas escolas, sossegaditos e sem aborrecer ninguém… Mas não pode ser…

E a animosidade começou por aí. Depois passou para os altos ordenados que os professores auferiam que, na realidade, não são como as pessoas acham e só no final da carreira têm valores acima da média. Nos tempos que correm, a maior parte dos professores do quadro não vão, sequer, ficar perto do topo da carreira precisamente por causa do tempo que esteve congelado não contar para a progressão. Mas voltando à questão remuneratória, as pessoas esquecem-se que grande parte dos professores tem ou teve que percorrer centenas de quilómetros para poder trabalhar, muitas vezes com duas casas para pagar porque a distância entre a sua habitação e o local de trabalho é enorme e têm mesmo que por lá ficar… com prejuízos enormes em termos familiares, emocionais e monetários pois não têm qualquer tipo de subsídios ou ajudas… fossem eles deputados ou juízes…

A imagem construída acerca dos professores foi sofrendo acrescentos… diversificados… e, na minha opinião, plantados por determinados interesses instalados na profissão. A classe docente sempre foi conhecida por não ser unida, demasiadas cabeças pensantes que não conseguem perceber qual o rumo a tomar perante os desafios que ao longo dos tempos foram surgindo.. Já todos nós conhecemos aquela expressão “Em terra de cegos, quem tem olho é rei”… Foi mais ou menos isto que sucedeu. Cada um virado para seu lado e quem ganha força? Quem? Precisamente! O homem do bigode que agora tem barba! Paulatinamente foi levando a água ao seu moinho, defendendo os interesses de uns quantos e com uma agenda política bem definida, não necessariamente de acordo com as necessidades e aspirações da classe docente. Fazer carreira sindicalista tem destas coisas… e o poder sobe à cabeça…

Os sindicatos são extremamente importantes no conjunto mas não podem ser incompetentes. Porque o são! Têm uma data de pessoas a trabalhar, sem componente lectiva, como é o caso do homem do bigode que agora tem barba, e não fazem o trabalho como deve ser. Passando por cima de anos e anos de baboseira sindical, não faz sentido para ninguém o que se tem registado durante as pretensas reuniões com o ME, nomeadamente a última, em que saíram de lá sem qualquer alternativa ou outra proposta que não fosse a de irmos todos de férias e depois, em setembro, logo se veria… Não foram capazes de apresentar uma conta real sobre o custo das progressões, por quantos anos se deveria dividir a dita cuja da progressão? Eu não me revejo neste tipo de posições. Como eu, a maior parte dos professores com quem vou trocando ideias. Muito mais agora que surgiu um novo sindicato, alternativo a este mecanismo instalado e que veio dar um abanão como já não se via há muito tempo. Esta malta nova, deste novo sindicato, tem um discurso diferente, menos cassete e mais objectividade e pretende dar uma outra imagem, uma nova imagem, dos professores.

Vamos esperar para ver, até porque hoje era suposto acontecer mais uma reunião institucional…

  • Nota: eu não sou filiado no STOP ou em qualquer outro organismo.

Cá se fazem, cá se pagam!

É curioso.

Ouvir o PM a dizer autênticas barbaridades sobre os professores deixa-me nervoso. Com nervoso miudinho. Principalmente quando são barbaridades intencionais e, no caso, enganadoras.

Estou-me a referir às declarações do PM aquando do lançamento da obra do IP3, que afirmou que a referida obra foi uma opção do governo, em detrimento das actualizações das carreiras e vencimentos. Eu percebo que se façam opções mas acho lamentável que o PM se esqueça de referir que a opção de melhorar o IP3 está incluída, no que ao orçamento diz respeito, nas obras públicas que, por sua vez, são geridas pelo respectivo ministério e já lá estava a verba necessária para fazer a dita cuja da obra. Ora, o ministério da Educação tem o seu próprio orçamento e as verbas necessárias para actualizações e vencimentos não podem sair do ministério das obras públicas ou de outro qualquer…

Para além deste pequeno pormenor, o PM ao proferir palavras tão acirradas numa altura de conflito aberto com os professores, revelou falta de sensibilidade para lidar com o problema que tem entre mãos. Sim, tem um problema com os professores! e atirar gasolina para a fogueira… convenhamos… Tenho a certeza que ontem não houve um único professor deste país que não tenha ficado indignado com as afirmações ligeiras do principal responsável do governo português.

Estas afirmações são enganadoras e manipuladoras de uma opinião pública que já se encontra completamente intoxicada contra os professores e que me deixa com o tal nervoso miudinho. Os professores, à semelhança de outras classes profissionais que servem o estado português, são trabalhadores honestos, dedicados e merecedores do respeito devido a todas as profissões. Por muito que me esforce, continuo sem conseguir perceber toda esta raiva de que os professores são alvo. É altamente desmotivante!

Eu não me lembro do ano em que tive um aumento de remuneração, mas lembro-me que levei com uns cortes no ordenado e que me aplicaram umas taxas durante os anos da crise… Como também me lembro que congelaram as carreiras e as minhas perspectivas de vida andaram de cavalo para burro. Nada que preocupasse a sociedade portuguesa, muito pelo contrário, foram medidas amplamente aplaudidas… como se os professores fossem os culpados e os causadores do problema em que o país se encontrava. Como se os professores fossem os culpados do descalabro financeiro que os bancos portugueses criaram e que obrigaram a um desvio de verbas do estado para colmatar os buracos existentes. Essas verbas gigantescas que foram injectadas nos bancos deveriam ter sido destinadas a outros sectores da sociedade portuguesa. São os banqueiros e os reguladores do sector os verdadeiros responsáveis pelas dificuldades que o país atravessa e não os professores ou qualquer outra classe profissional que serve o estado português. Por acaso, mas só por acaso, alguém conhece algum banqueiro que tenha sido julgado e condenado pelas fraudes cometidas? Não, pois não? Tirando aquele velhinho, amigalhaço daquele personagem sinistro que se manteve na crista da onda durante trinta anos, não conheço mais nenhum e mesmo esse foi o único a levar com as culpas porque já estava com os pés para a cova e tanto fazia…

Não consigo perceber porquê…

Tu que buscas companhia… e eu que busco quem quiser…

Estamos no final do ano lectivo ou pelo menos seria suposto que o ano escolar estivesse a acabar para que se desse início à época de exames. Não é isso que está a suceder e pelo andar da carruagem não me parece que o assunto vá ficar por aqui. Este conflito entre professores e governo não vai terminar tão cedo e vai deixar o sistema num caos e os professores ainda mais cansados. Este caos e este cansaço irão reflectir-se no próximo ano lectivo. Disso não tenho dúvidas. Como também não tenho dúvidas que os alunos serão prejudicados nas suas vidas devido à não resolução da sua situação escolar e todos terão que esperar para fazerem as suas candidaturas ao ensino superior. Os professores já perderam tudo o que tinham a perder e com esta situação de greve às avaliações só irão perder mais dinheiro. Ok. O dinheiro é importante e não sabemos a vida de cada um  mas, ao longo de todos estes anos em que fomos perdendo imenso dinheiro, o que fez mais mossa foi a perda de dignidade que a profissão sofreu. Para a maioria dos portugueses, ser professor é sinónimo de privilégio. Os portugueses têm uma ideia errada de quanto se ganha e como se progride na carreira docente. Bastava que perdessem um pouco do seu precioso tempo para consultarem as informações existentes sobre o assunto para perceberem que são manipulados por quem tem interesse nisso.

Não é por acaso que existe um grau de violência física sobre os professores tão elevado.

Não é por acaso que um qualquer pai deste país se acha no direito de enfiar duas lambadas num professor só porque sim.

Não é por acaso que as Associações de Pais têm o poder que têm actualmente e são, quase sempre, motivo de desestabilização nas escolas.

Não é por acaso que o dito cujo… peso no orçamento, tantas vezes apregoado pelo governo e que incute nos portugueses a ideia de privilégio dos professores, não refere que, ao mesmo tempo que se actualizam os escalões de vencimento com as progressões, trinta por cento desse dinheiro fique logo retido na fonte por via do IRS, onze por cento vai para a Caixa geral de Aposentações e três e meio por cento vai para ADSE.

Não é por acaso que eu não entendo onde está o privilégio de, ao fim de vinte e oito anos de serviço, trazer para casa à volta de 1440 euros.

Não é por acaso!

Eu, como muitos outros, continuo a gostar de ser professor. Ainda acredito que posso acrescentar qualquer coisinha de positivo aos meus alunos. Mas a profissão está a mudar. Estamos cada vez mais inundados em papeis e em tarefas burocráticas e um simplex na educação seria muito benvindo… Não me parece que tal venha a suceder. Pelo contrário.

O partido socialista, chamando os bois pelo nome, foi o principal responsável por toda a campanha difamatória da dignidade dos professores quando, no tempo do ingiiinheiiro, lá foi parar a famigerada lurdinhas que conseguiu arrasar completamente com a profissão, sob o pretexto de terminar com os tais privilégios… Não podemos esquecer que, para além das barbaridades que cuspia constantemente, foi com ela que surgiu a figura do director. Os directores passaram a ser eleitos pela comunidade e não pelos seus pares, trazendo pela primeira vez a política para as escolas. Nunca tal tinha sucedido e assistiu-se em muitas escolas portuguesas à promoção daqueles que, pela afinidade política, mais garantias dessem aos poderes instituídos.

A meritocracia, termo tantas vezes atirado para o ar e utilizado para denegrir todos aqueles que trabalham para a República Portuguesa, deixou de ser o principal requisito para a nomeação daqueles que comandam os destinos de uma escola.

As escolas mudaram.

A profissão mudou.

Os alunos mudaram.

Tanto assunto para ser debatido e eu, como professor, não consigo ter um momento de reflexão sobre isto tudo. Porque estou cansado. Porque sei que o ano lectivo não vai terminar tão cedo e todos precisamos de sossego.