Aquivos por Autor: admin

Tu que buscas companhia… e eu que busco quem quiser…

Estamos no final do ano lectivo ou pelo menos seria suposto que o ano escolar estivesse a acabar para que se desse início à época de exames. Não é isso que está a suceder e pelo andar da carruagem não me parece que o assunto vá ficar por aqui. Este conflito entre professores e governo não vai terminar tão cedo e vai deixar o sistema num caos e os professores ainda mais cansados. Este caos e este cansaço irão reflectir-se no próximo ano lectivo. Disso não tenho dúvidas. Como também não tenho dúvidas que os alunos serão prejudicados nas suas vidas devido à não resolução da sua situação escolar e todos terão que esperar para fazerem as suas candidaturas ao ensino superior. Os professores já perderam tudo o que tinham a perder e com esta situação de greve às avaliações só irão perder mais dinheiro. Ok. O dinheiro é importante e não sabemos a vida de cada um  mas, ao longo de todos estes anos em que fomos perdendo imenso dinheiro, o que fez mais mossa foi a perda de dignidade que a profissão sofreu. Para a maioria dos portugueses, ser professor é sinónimo de privilégio. Os portugueses têm uma ideia errada de quanto se ganha e como se progride na carreira docente. Bastava que perdessem um pouco do seu precioso tempo para consultarem as informações existentes sobre o assunto para perceberem que são manipulados por quem tem interesse nisso.

Não é por acaso que existe um grau de violência física sobre os professores tão elevado.

Não é por acaso que um qualquer pai deste país se acha no direito de enfiar duas lambadas num professor só porque sim.

Não é por acaso que as Associações de Pais têm o poder que têm actualmente e são, quase sempre, motivo de desestabilização nas escolas.

Não é por acaso que o dito cujo… peso no orçamento, tantas vezes apregoado pelo governo e que incute nos portugueses a ideia de privilégio dos professores, não refere que, ao mesmo tempo que se actualizam os escalões de vencimento com as progressões, trinta por cento desse dinheiro fique logo retido na fonte por via do IRS, onze por cento vai para a Caixa geral de Aposentações e três e meio por cento vai para ADSE.

Não é por acaso que eu não entendo onde está o privilégio de, ao fim de vinte e oito anos de serviço, trazer para casa à volta de 1440 euros.

Não é por acaso!

Eu, como muitos outros, continuo a gostar de ser professor. Ainda acredito que posso acrescentar qualquer coisinha de positivo aos meus alunos. Mas a profissão está a mudar. Estamos cada vez mais inundados em papeis e em tarefas burocráticas e um simplex na educação seria muito benvindo… Não me parece que tal venha a suceder. Pelo contrário.

O partido socialista, chamando os bois pelo nome, foi o principal responsável por toda a campanha difamatória da dignidade dos professores quando, no tempo do ingiiinheiiro, lá foi parar a famigerada lurdinhas que conseguiu arrasar completamente com a profissão, sob o pretexto de terminar com os tais privilégios… Não podemos esquecer que, para além das barbaridades que cuspia constantemente, foi com ela que surgiu a figura do director. Os directores passaram a ser eleitos pela comunidade e não pelos seus pares, trazendo pela primeira vez a política para as escolas. Nunca tal tinha sucedido e assistiu-se em muitas escolas portuguesas à promoção daqueles que, pela afinidade política, mais garantias dessem aos poderes instituídos.

A meritocracia, termo tantas vezes atirado para o ar e utilizado para denegrir todos aqueles que trabalham para a República Portuguesa, deixou de ser o principal requisito para a nomeação daqueles que comandam os destinos de uma escola.

As escolas mudaram.

A profissão mudou.

Os alunos mudaram.

Tanto assunto para ser debatido e eu, como professor, não consigo ter um momento de reflexão sobre isto tudo. Porque estou cansado. Porque sei que o ano lectivo não vai terminar tão cedo e todos precisamos de sossego.

A volta.

Fui dar uma volta. Foi uma volta grande, por assim dizer. Uma volta que durou sensivelmente um ano. Foi um ano em que não tive disponibilidade mental para fazer uso deste espaço virtual que comecei em 2007. Sim, já lá vão uns anitos e gostaria de retomar as publicações, de uma forma regular. Durante este ano, em que fui dar uma volta, ainda publiquei umas baboseiras de vez em quando, umas músicas aqui e umas cenas acolá.

Depois seguiu-se um período em que fiquei com o blogue cheio de vírus. Sim, há pessoas que vivem no espaço virtual para tirarem proveito das maldades que fazem… grande novidade… mas maldade é mesmo o termo, apesar de vagamente infantil e pouco adequado para uma pessoa como eu, já entradote…

Enfim.

Lá consegui ter o blogue concertado, com mudança de prestador de serviço de alojamento, e agora cá estou eu de novo, para as curvas. Curvas, curvas é uma expressão que já me saiu cara, algumas vezes, muitas vezes mesmo, devido ao conteúdo das curvas… que não são toleradas em algumas redes sociais… por isso, e de momento, o que se apresenta é… arte.

Sem título, porque não encontro um…

Eu não gosto mesmo nada de me repetir. Mas apesar de ter essa consciência, lá vou acabando por me repetir. É uma pena. Porque sempre me achei especial e, no final das contas acertadas, não o sou. O que é realmente uma pena.

Confesso que já andava a suspeitar há uns tempos. Uns tempos gordos. Mas acabava sempre por tentar não perceber o que se ia passando. É verdade. Foi assim que me apercebi que não era realmente especial. Todos aqueles que não são especiais descobrem essa triste verdade quando começam a tentar não perceber o que se passa. É assim a vida. E a minha é esta! A de um comum mortal!

Feita a introdução, vamos ao que interessa. Quer dizer… ao que me interessa.

E o que é que me interessa?

Muita coisa? Pouca coisa?

Hoje interessa-me pouca coisa!

Não quero saber do mundo. Das notícias. Disto ou daquilo.

Hoje, à noite, é a altura da alienação. Não quero saber de mais nada!

Estou a ouvir música e a pensar na vida. No que andamos aqui a fazer. Na morte. Na relatividade das coisas. Nas prioridades das pessoas.

E a pensar que esta vida é uma inutilidade mas que não pode ser esse o caminho. Que o caminho tem um ritmo e que necessário percorrê-lo.

Assim seja.

 

E agora?

Faz muito tempo que não escrevo nada. Há tanto tempo que até me tinha esquecido que ainda pago o alojamento do blogue. Mas tem sido assim. Sem vontade de escrever porque acabo sempre por não ter tempo para nada. Desde que comecei a dar aulas de História de Arte (oficialmente com um nome diferente) que fui perdendo a vontade de escrever. Ando cansado das letras, das palavras. Não quer dizer que tenha passado este tempo todo amorfo, bem pelo contrário, pois ainda tenho muitos momentos de energia total mas depois… acabo por não registar nada e assim se vai deixando o estaminé ao abandono…

Estou a ficar velho.

Começo a perceber que o tempo se vai esgotando e que a vida merece ser vivida com intensidade. Enfim, um chorrilho de lugares comuns… que não acrescenta nada, nem a mim nem a quem dá cá um salto… Mas não deixa de ser a minha realidade.

A ver vamos.