Aquivos por Autor: admin

E agora?

Faz muito tempo que não escrevo nada. Há tanto tempo que até me tinha esquecido que ainda pago o alojamento do blogue. Mas tem sido assim. Sem vontade de escrever porque acabo sempre por não ter tempo para nada. Desde que comecei a dar aulas de História de Arte (oficialmente com um nome diferente) que fui perdendo a vontade de escrever. Ando cansado das letras, das palavras. Não quer dizer que tenha passado este tempo todo amorfo, bem pelo contrário, pois ainda tenho muitos momentos de energia total mas depois… acabo por não registar nada e assim se vai deixando o estaminé ao abandono…

Estou a ficar velho.

Começo a perceber que o tempo se vai esgotando e que a vida merece ser vivida com intensidade. Enfim, um chorrilho de lugares comuns… que não acrescenta nada, nem a mim nem a quem dá cá um salto… Mas não deixa de ser a minha realidade.

A ver vamos.

O segundo dos três efes…

Dizia-me a minha senhora ontem à noite: este fim de semana vamos estar mais perto do tempo da outra senhora. Da outra senhora? Perguntei eu. Sim, das apregoadelas  do antigamente. E quais eram as apregoadelas? Perguntei eu, que não estava a perceber onde ela queria chegar… Então, Fátima; Fado; Futebol. Sim, isso eu sei, respondi eu, mas onde é que isso encaixa neste momento específico? Só estou a ver Fátima… porque é demasiado evidente e nos está a entrar pelos olhos dentro… e já não tenho paciência para voltar ao assunto…

Então meu querido? Não estás a ver que este sábado também vais ter o Festival da Eurovisão? Não é bem fado mas é a “música” como factor de alienação. És um tontito… Já não te lembras de assistir ao Festival da canção naquelas televisões a preto e branco…? Pois tens razão, meu amor. Só que naquele tempo as canções tinham mais qualidade. Ainda me lembro de algumas… mas olha, desde que acabou o tempo da outra senhora até aos dias de hoje, não me lembro de nenhuma. Espera, lembro-me de uma que dizia que o balão subia… Mais nada!

Mas também tenho que ser sincero. A minha vida levou outros caminhos. Enveredou por outros sheiks e foram raras as vezes que perdi tempo com Festivais da Eurovisão… por isso não sei muito bem se, pelo meio, apareceu alguma canção jeitosa… se calhar apareceu… E este ano temos uma canção que anda nas bocas do mundo português e, pelos vistos, pelas estrangeiras também… Tive que ver a eliminatória pois estavam todos a ver lá em casa. Não me custou nada ver, pelo contrário, recuei até à minha meninice… Mas ouvi e vi aquilo com todo o meu empenhamento possível. E fiquei de boca aberta. Como foi possível?  Eu não me revejo minimamente naquilo… mas, vendo bem, também não tenho nada que me rever naquilo… Cada um gosta do que quer e a mais não é obrigado. Eu não gostei de nada. Quer dizer, se o Festival fosse transmitido pela RÁDIO eu poderia concordar com a maioria do povo português que afirma que a canção é muito bonita e o intérprete desempenha muito bem o seu papel, isto é, cantou bem. Mas infelizmente não vai ser transmitido pela RÁDIO e parece-me que vamos ter de ver o espectáculo. Apraz-me confessar que não sou um ser humano preconceituoso, que não faço juízos de valor só pelo aspecto ou pelas palermices que saem da nossa boca em momentos de maior tensão. Mas também sei que, para este tipo de concursos existe um determinado tipo de enquadramento, com expectativas e formas de funcionamento. Acho que o nosso portuguesinho quis quebrar com tudo isso, está no seu pleno direito mas eu tenho que confessar que não achei nada disso aconteceu. Aquilo que apercebi foi uma postura muito forçada e sem piada. Eu até gosto de freak show mas este nosso representante nem é uma coisa nem outra. Consegue parecer mal amanhado, como se diz na minha terra, e muito polido ao mesmo tempo. Nem consigo encontrar palavras para descrever um personagem que se propôs a representar o seu país num concurso muito específico… Mas parece que vai ganhar! Oxalá ganhe pois é esse o maior desejo do povo português! Para mim é indiferente!

 

Quando Portugal Ardeu, de Miguel Carvalho.

Quando tomei conhecimento da sua existência quis logo comprar o livro. Ainda esperei uns dias para conseguir o guito necessário mas lá o comprei. Levou-me para um período da minha adolescência, vivida na cidade do Porto, a acompanhar os acontecimentos intensos daquela época. Ao longo destes anos todos sempre me interroguei acerca do facto dos bombistas da direita nunca terem sido presos, ao contrário dos bombistas da esquerda. Este livro dá muitas pistas e explicações e só o posso recomendar a todos aqueles que se interessam por este período conturbado da história portuguesa.

 

Sinopse

Quem foram as primeiras vítimas mortais da democracia? Por que razão foram assassinados Padre Max, Rosinda Teixeira e Joaquim Ferreira Torres? Quem protegia e que segredos escondia a rede bombista de extrema-direita? Como enfrentou o cônsul dos EUA no Porto o PREC? O que relatam os diários do norueguês baleado no Verão Quente de 1975? Como é que a Igreja mobilizou e abençoou a luta contra o comunismo? O que sabia a PJ sobre o terrorismo político e tudo o que nunca chegou a julgamento? Com recurso a centenas de documentos, entrevistas e testemunhos inéditos, esta investigação jornalística traz à luz do dia histórias secretas ou esquecidas do pós-25 de Abril. Quando Portugal ardeu e esteve à beira da guerra civil.

O primeiro dos três efes…

Pois bem, anda o país em modo religioso. Nada que me deixe atordoado. Já vem de longe e, pelos vistos, tende a agravar… Benditos sejam aqueles que acreditam nas ditas “visões” como já alguém do meio lhes chamou… Desta vez a coisa tem-se manifestado com mais força porque vem cá o chefe e é preciso recebê-lo a rigor, pese embora o dito representante de Deus na terra não vá muito ao futebol com a história das “visões” e do negócio que anda à volta do assunto… Também há a novidade da tolerância de ponto para os funcionários do Estado Português, sim esse mesmo Estado que patrocina e paga uma parte das despesas que a vinda do chefe acarreta… só em polícias e fronteiras fechadas vai um dinheirão…

Para mim vai ser um fim de semana prolongado, a ver umas séries e a ler mais um pouco porque o tempo não vai estar para passeios ao ar livre… e tenho cá um pressentimento que aquelas velas todas se vão apagar coma chuva e o vento previsto…

Primeiro. Primeiro de muitas coisas. Tal como eu!

Já ninguém festeja o Primeiro de Maio. Pelo menos é essa a ideia que eu tenho. A malta nova não quer saber de nada disso. Eu até percebo. O Primeiro de Maio da minha altura era muito politizado e as pessoas levavam aquilo a peito. Foi uma época vivida em Portugal. Já lá vai. Hoje tudo parece normal. Parecem normais os salários pagos nos grandes hipermercados. Salários pagos à míngua, sem qualquer tipo de preocupação social. Sem quererem saber das vidas das pessoas que lá trabalham. Salários pagos pelo mínimo. Eu não consigo ter inveja de quem tem dinheiro. De quem consegue lutar pela sua empresa e tirar rendimento disso. Nem sequer consigo perceber as pessoas que são idiotas ao ponto de acharem que os patrões são todos iguais… uma treta que já deu frutos e que não é necessário relembrar… Também não é necessário relembrar aquela cambada de empregadores que achavam que todo o trabalhador estava ali para… sabotar… A coisa mudou. Eu quero acreditar que a coisa mudou. Quero acreditar que os papeis estão cada vez mais definidos. A empresa, o trabalhador e o patrão são um todo que deve caminhar num sentido, num único sentido e se um deles não estiver focado… vai tudo pelo cano abaixo.

Mas que raio de treta é esta? Vinda deste tipo, um funcionário público?

Sim, sou um funcionário público porque sou um professor e quem me paga no final do mês é o pai de nós todos… o Estado. Mas esse aspecto não me tira lucidez. Eu faço parte de uma camada da população portuguesa que presta serviço numa área fundamental para o país. Se há mais áreas fundamentais? Claro que sim. A saúde. A Justiça. A segurança. Tudo aquilo que o bom cidadão, pai de família (ia a dizer benfiquista… mas esses não são exemplo para ninguém…) que acha que essas áreas são obrigações fundamentais do Estado Português proporcionar aos seus cidadãos… mas que na hora de as pagar acha que é um exagero e que todos os funcionários públicos são uns chulos, cheios de mordomias. Foi uma palavra feia. Eu sei. Chamar chulo a alguém é pesado. Ouvir a “palabrinha” dirigida a quem de direito… ainda é mais pesado. E nem sequer é necessário vir com a desculpa de que há muita boa gente que é íntegra, honesta, e que existem muitos funcionários públicos que dão o seu melhor… mas… Bons funcionários existem em qualquer sector da vida portuguesa. Públicos ou privados!

Mas o discurso oficial não é esse. O discurso oficial é que o funcionalismo público é o causador de todos os males de Portugal. Ninguém tem dúvidas acerca desta ideia, pois não? Todos estamos lembrados do personagem que começou esta clivagem entre o privado e o público, certo? Um personagem menor que ainda não percebeu que o caminho da porta está mesmo à frente dos seus olhinhos cheios daquele nome que caracterizam as pessoas que não enxergam nada ao longe… O que é certo é que este personagem deve ter qualquer coisa de paranormal, porque levou as pessoas a acreditarem nele. Justiça lhe seja feita! Assim foi e a ideia ficou na mente do portuguesinho. Esse mesmo portuguesinho que é o primeiro a reclamar com a falta de pessoal e de serviços…

Felizmente não somos todos iguais. Há quem ache que o funcionalismo público é necessário. Eu também acho! Como também acho que não foi a despesa do Estado com os funcionários públicos que nos levou à bancarrota. Se pensarmos melhor no assunto, conseguimos perceber que muitas das despesas… que estamos a ter e a pagar se devem a roubos nos bancos ou má gestão bancária. Gestão feita por privados. Má gestão de privados que nos deixaram com dívidas privadas para todos pagarem. É normal? Não me parece! Como também não me parece normal que toda a população ache que isso é normal. E mais normal, para toda a população, é achar que a culpa disto tudo é dos funcionários públicos, que são uns privilegiados e só têm direitos…

Eu tenho uma vida de merda! Sou funcionário público, como já tinha referido, mas não tenho vantagem nenhuma nisso. As minhas expectativas foram completamente frustradas. Iniciei uma carreira docente com as perspectivas de subida como todos os outros. Endividei-me tendo em conta essa mesma subida de carreira. Logo a seguir foram cortadas as perspectivas de subida na carreira… mais ou menos em 2007… e as aventuras em que me meti (compra de casa) ficaram mais complicadas para pagar. Como não há uma sem duas nem três, os aumentos para os funcionários públicos deixaram de existir a partir de 2009… ou seja, até hoje, nunca mais fui aumentado! E agora vem o número três, o mágico. Como se não bastasse a não progressão na carreira, a falta de aumentos… ainda chegaram as taxas… aquelas pequenas importâncias que nos foram descontadas todos os meses para financiar qualquer coisa que ninguém percebeu… E no meio disto tudo, o que tínhamos todos de ouvir? Sim, lembram-se? Pois é, os funcionártios públicos é que eram os culpados da situação do país… Pelo facto do país estar na bancarrota…

Vou dizer uma asneira.

PUTA QUE OS PARIU!

Não é que eu tenha muitos problemas em dizer asneiras. Não tenho. Aliás gosto de as pronunciar quando deve ser e quando são merecidas mas, escrever um texto com asneiras… pode sempre ser interpretado como sendo proveniente de mais um qualquer funcionário público… sem qualquer pingo de atitude… um verdadeiro aproveitado do Estado português… e eu não gosto.

Pegando naquele pequeno trocadilho, aliás e há leões, gosto de mandar tudo para o caralho, mas quando me apetece.

Já agora, sugestões? Não há? Vá lá, façam um esforcinho…

Nem sei por onde começar. Depois de vários meses sem escrever neste blogue, eis que se faz luz. Não foi nenhuma epifania ou algo do género… foi mais porque me chegou a casa a factura da empresa onde o blogue está alojado… e foi assim que me lembrei que o dito cujo existia… e cá estou eu.

Durante estes meses em que não quis saber disto para nada andei com outras taras e manias. Nada de especial. As minhas taras e manias são perfeitamente aceitáveis e compreensíveis. Mas souberam-me bem. Andei a ler, a desenhar um pouco, a trabalhar porque tem de ser, a beber uns copos e a ver séries, muitas séries. Se me arrependo? Não, claro que não. Gostei do que andei a fazer. Talvez tenha perdido algum tempo com as redes sociais, mais do que o devido e que me deram canseira…

Mas voltando às séries de televisão, andei um pouco obcecado e a aproveitar todos os minutinhos para poder ver mais um episódio. Comecei pelos Vikings e foi de rajada. De seguida BlackList e foi um ver se te avias. Narcos apareceu por acaso e também foi sufocante. Agora ando a ver Bull, Westworld e a Guerra dos Tronos e o tempo não chega. Nem sei muito bem porque é que estou aqui a escrever este texto em vez de estar…lá…no sofá…a ver mais um episódio…

Como estou sem capacidade de escrita, ainda mais do que o costume, vou ficar por aqui mas com a certeza de que volto… nem que seja para vos aconselhar sobre quais as séries que devem ver…