Arquivo da Categoria: A autogestão do tacto.

A vida é uma perfeita palermice. Já repararam?

Mas afinal, o que é que andamos aqui a fazer. Já sabemos que vamos todos morrer. Todos nós sabemos que o caminho é sempre o mesmo. Quero dizer, vai dar sempre ao mesmo sítio, não é verdade? E no entanto… cá andamos nós à procura. Não se sabe lá muito bem do quê. Nascemos e vamos crescendo, por ali fora, por um caminho desconhecido, até começarmos a ter alguma consciência do que é a vida. E alguma é mesmo a palavra certa porque na realidade apenas tentamos não andar aos encontrões, às pisadelas e às cotoveladas por esse mundo fora. Digamos que não é fácil. Mas que tentamos, lá isso é verdade. Quem é que nunca se pôs em frente ao espelho, pelas sete da manhã, depois de tomar o belo do banho matinal, a questionar o mundo e a afirmar convictamente que o dia vai ser mesmo do outro mundo? Com convicção! Bem, eu não quero parecer convencido e expert em estatística mas quer-me parecer que uma grande parte dos seres humanos que fui conhecendo ao longo da minha vida, pelo menos uma vez na vida, pensaram assim, nem que fosse apenas quando acordaram com alguém ao lado que… não perceberam lá muito bem como apareceu… por ali… São cenas que acontecem. Mas voltando atrás, porque senão a coisa vai descambar em conteúdo sexual pouco explícito e dúbio, o que não é nada aconselhável.

O que importa, mesmo, e apesar de ser completamente inexplicável. O que importa mesmo é que acreditemos que o dia de amanhã vai ser mesmo do outro mundo. Não interessa mesmo nada que todos saibamos que vamos morrer da mesma maneira. Não adianta nada, mesmo nada. Com o tempo vamos aceitando os dogmas que são da nossa conveniência. O meu verdadeiro dogma não tem nada a ver com a religião. Aliás, a religião é uma cena que me aborrece profundamente. Não consigo perceber como não se consegue viver para além da religião. Quero dizer. Não consigo perceber como foi possível o ser humano chegar ao ponto de viver em função ou condicionado, como quiserem chamar, pela religião. Bem sei que é uma conversa para mangas, as mangas da túnica de Jesus… larguitas…

Mas Jesus não é para aqui chamado.

Ao longo da minha vida fui percebendo que cada ser humano aprende a encontrar o caminho que é mais conveniente para si. Mais aconchegante. Onde se sente mais confortável. É legítimo. Ou não é? Claro que é. Aliás, tenho a ligeira impressão de que ninguém é melhor do que… o outro… E se eu não tenho a capacidade mental para aceitar os dogmas religiosos das outras pessoas não poderei pensar que, só por isso, sou muito melhor do que elas.

Continuo a parecer um adolescente tardio.

Mas é o que dá trabalhar o dia inteiro. Chega-se a casa cansado. Com vontade de nem sequer ouvir uma mosca das pequeninas. Mas a vida não é bem assim, pelo menos para quem não acredita em dogmas religiosos…

Vou deixar para depois porque não sei… ainda… o assunto…

Final de tarde, a ouvir Gus Gus e a pensar na vida. O ingrediente necessário porque pensar na vida custa e não há nada como um belo sheik para soltar tudo aquilo que temos de mais primitivo dentro de nós. Assim, de repente, parece assustador. Será que o rapaz é mesmo primitivo? Assustador? Pensam vocês, que se limitam a ler estas palavras sem me conhecerem de lado nenhum… já que presunção e água benta eu posso distribuir como quero e, assim, achar que tenho outras pessoas para além dos meus amigos chegados que perdem o seu tempo a ler estes textozinhos do coração… e esses sabem que eu sou tudo isso e mais alguma coisa.

Devia estar a fazer outras coisas. Devia estar a elaborar um teste para História da Arte mas… não me apetece. Está meio feito e amanhã ainda é dia, por isso, e como os dias estão a crescer vou pensar que a vida são dois dias, dos grandes.

E volto a olhar para trás.

Para a minha vida.

Para onde eu fui olhar. Tenho sempre um embaraço enorme de falar sobre a minha vida. Acho mesmo que é um daqueles complexos judaico-cristão que me meteram na cabeça quando eu era pequenino. Deve ter ficado gravado cá dentro. É preciso muito azar porque, logo eu, que não tenho nada a ver com a moral judaico-cristã… Mas não consigo olhar para trás sem me sentir inibido. E não consigo mesmo perceber porquê. Os meus pais nunca foram de missas e quando eu fugi da catequese e o padre foi lá a casa queixar-se eles nem sequer me repreenderam à frente do mano da batina… e nunca mais me disseram para eu ir receber os ensinamentos… porque sabiam que eu queria mesmo era ir ver os jogos do Ramaldense, sim, esse clube mítico da cidade do Porto onde começou a jogar o Humberto Coelho… No Ramaldense os jogos eram sempre animados, muita sarrafada e muito vernáculo. Muito melhor que a cena do mano da batina. Adorava ir ver aqueles jogos. Estamos a falar de há muitas décadas atrás, era eu ganapo, que andava na rua e brincava na rua. Esta era a parte infinitivamente (esta palavra não me parece muito acertada mas é o que se arranja…) superior aos tempos de hoje. Podíamos não ter nada de jeito, uns sapatos para o ano inteiro, uns calções pelo joelho, umas camisolas daquelas que não lembram ao diabo e um cabelinho cortado à se te apanho… (sim, começa por um efe…) e andávamos à guna nos eléctricos e à fruta nas quintas do Porto… digamos que foi uma infância sem grandes coisas, sempre encardido e com as unhas cheias de terra… mas com um sorriso enorme. Foram outros tempos, nem melhores nem piores do que os actuais. Foram os meus tempos.

Acho que o problema é outro.

Tenho vivido a vida de uma forma intensa. A minha vida. É a única que eu tenho. É intensa para mim. Que posso fazer? Pode ser tudo o que os outros quiserem mas para mim é a minha realidade. Acho que é assim para toda a gente. Temos a mania que somos especiais. Que temos qualquer coisa de je ne sais pas quoi…? e que os outros não têm… no meu caso sei que os outros têm mas que eu também tenho. Que se vai fazer? Parece uma verdadeira contradição com os ditos cujos preconceitos judaico-cristãos mas, no meu caso, não são porque eu tenho a consciência do que sou, só não gosto de o mostrar… a tal parvoíce JC…

Mas é uma parvoíce própria da minha geração. Sim, sou daquela geração que estava imediatamente abaixo daquela que governou o país durante estes quarenta e tal anos e que não teve a possibilidade de lá chegar porque aquela malta toda agarrou-se ao poder e de lá nunca mais saíram. Se eu pensar de uma forma meramente egoísta, facilmente chego à conclusão que ainda bem que tal não sucedeu, que não tive hipótese. A maior parte dessa malta que se apoderou do país sem estar minimamente preparada deu cabo disto tudo. Não é inveja. É apenas a constatação de um facto. Este país é um país de corruptos devido a esta classe política que nos (des)governa e a minha geração assistiu sempre a tudo isto de bancada, por isso estou de consciência tranquila, pobre mas de consciência mais do que tranquila.

E não é por isso que sou melhor.

Nem pior.

Afinal, eu é mais bolos.

O título é o menos importante.

Começo a olhar para trás. Não é por cima do ombro porque não devo nada a ninguém. É mesmo para o que ficou para trás. Do que vivi e não vivi. E é bom olhar para trás.

A minha vida é como tantas outras. Somos tantos, mas tantos que até me custa estar para aqui a escrever como se fosse o único ser humano neste raio de planeta. Não sou mesmo e mais vale continuar a escrever sem pensar nisso. É assim e pronto (na Póvoa de Varzim diz-se prontos, mas isso agora também não interessa nada) mais vale fazer de conta que este assunto não passa de um dogma. Sim, tal e qual aqueles que a igreja Católica Apostólica Romana nos foi impingindo ao longo destes séculos de existência DC.

Aliás, acho mesmo que todo o ser humano faz de conta que é único. Original e inigualável. Sem sombra de dúvida. Afinal andamos todos cá para isso. Para sermos reconhecidos pelos outros seres humanos. Quem não gosta de uma palmadinha nas costas? De um afago do ego? De uma relação sexual com direito a cigarro no final e a olhar para as estrelas? Quem? Pois é! Todos! E o mais incrível é que também vamos todos para o mesmo local aprazível. Independentemente da raça, credo, clube (claro que quem for do fêcêpê tem direito a um extra…) idade, do tipo de bigode, descontos de irs, tamanho daquilo, se o rabo é gostoso, nada disso interessa. Vamos mesmo para o espaço. O espaço é um termo fofo. Não chateia ninguém. Ninguém sabe o que se lá passa. Pode ser bom ou mau. Pode ser frio ou quentinho. Às vezes tem luz outras vezes é escuro. Pronto. É como nós quisermos pensar que seja. Portanto, fica ao critério de cada um. Se formos optimistas e com verdadeiro sentido positivista vamos achar que o espaço é realmente o local ideal para nós. Se não formos assim, positivistas, também não me interessa mesmo nada e quem for assim que se desenrasque porque eu não quero saber de pessoas negativistas…

Mas voltando ao início.

Olhar para trás nesta fase da minha vida é fantástico. Eu sei que muita gente odeia esta palavra, e eu estou incluído, mas não consigo encontrar outra. Tenho pena mas não consigo. Posso acrescentar que a cena fantástica é na minha cabeça e que, se calhar, mais ninguém vai ter paciência para tentar perceber este fenómeno fantástico… por isso a coisa fica entre nós.

Assim, de repente (na Póvoa escreve-se derrepente mas eu adoro a Póvoa de Varzim…) dá-me a nítida sensação que as pessoas vão achar que estamos na presença de mais um maluquinho, e eu adoro a palavra maluquinho tal como adoro a Póvoa de Varzim, que está a libertar os seus sentimentos, tal e qual um adolescente do final do século vinte… que vive os seus dias perfeitos a achar que o mundo é um local bem frequentado… E eu fui um desses adolescentes.

Nasci em 1961. Aquele ano que se lê de pernas para o ar ou da maneira normal e que dá sempre o mesmo… sim é um ano longínquo mas bonito e especial. Porquê? Porque eu nasci em 1961. Bem sei que nasci na companhia de muitos outros milhões de seres humanos mas, todos esses, não interessam ao menino Jesus ( na Póvoa diz-se Alfredo mas isso não interessa nada agora…) e por isso acho que sou um velhinho (como diz o meu fofinho colega de trabalho) que necessita de algum sheik especial, como eu.

E continuando a achar que a minha vida merece ser contada… fico a pensar que posso escrever sobre o assunto… um dia destes…

Provavelmente…

Nove meses se passaram, mais coisa menos coisa, desde que escrevi por estas bandas. Tem sido recorrente. Ao longo dos dois últimos anos não tenho tido disponibilidade mental para escrever, seja lá o que for. Não é que tenha deixado de pensar nas coisas, no mundo, mas fui perdendo o hábito e agora estou como o tolo no meio da ponte… acabo com isto ou continuo?

Logo se verá!

Para já vou escrevendo e no final do texto… Logo se verá!

É uma coisa que eu gosto de fazer. Empurrar com a barriga para a frente e resolver o que tenho que resolver quando me apetecer. Eu sei. É um defeito! Mas, se fosse só esse… seria bem mais feliz. Não é que não seja feliz. O que me aborrece é chegar a esta idade (quase sessenta anos), perceber que o caminho ainda está longe e que a minha condição de ser humano é apenas sofrível. Tenho a sensação que o tempo me começa a fugir. E não, não é nenhuma crise de meia idade (avançada)… é antes ter a noção de que ainda perco muito tempo com coisas e assuntos que não interessam nem ao menino Jesus. Esse mesmo. O que nasceu de uma senhora virgem (e não se zanguem comigo porque não fui eu que criei essa história… é assim e não se fala mais no assunto). Já dizia o tal senhor que nos devemos amar. Na parte da multiplicação… acho que devemos ter mais calma… aprender a contar pelos dedos…

Lá está. A mania de contextualizar tudo e de querer ter um discurso coerente leva-me ao devaneio. Não o sexual, que seria bem mais engraçado, mas àquele devaneio que só nos faz perder tempo nesta vida. E acreditem que eu sou bem objectivo. Agora imaginem se eu não fosse objectivo. Em vez destas catorze linhas de introdução já estariam escritas umas vinte e oito ou coisa que o valha. O interesse no raio das linhas seria o que cada um lhes quisesse dar mas, assim, eu sempre posso aligeirar o sofrimento da leitura.

É verdade. Vou fazer aquilo que toda a gente gosta de fazer.

Já perceberam?

Claro!

Vou falar da minha vida!

Quem não tem um espelho em casa? Daqueles bonitos. Daqueles que são quase como que uma alma gémea e para o qual falamos baixinho (não vá a pessoa que acorda todos os dias do outro lado da cama ouvir) e nos convencemos que somos mesmo do outro mundo…

Passamos a vida a querer ser ouvidos.

E eu não sou diferente…

Quer dizer, não exageremos porque como eu não há mais ninguém!

Eu sei. Por vezes comporto-me como um verdadeiro adolescente tardio. Já sem borbulhas mas com a mesma vontade… daquilo… da eterna descoberta… daquilo… de poder falar… daquilo…

Obalhamedeus!

Eu comecei o texto a pensar que ia escrever sobre a minha próxima viagem… e estou a escrever sobre… aquilo… a pensar… naquilo… e com a consciência de que devo concentrar-me naqueloutro…

Ajudai-me senhor que eu quero voltar a trilhar o caminho.

Sim, eu vou fazer uma viagem.

Vou a Cracóvia. Cumprir uma vontade com muitos anos. Não foi difícil convencer os personagens que habitam cá por casa. Muito pelo contrário. Sempre quiseram poder lá ir. O morcão era mesmo eu que não me decidia a marcar tudo (mas o morcão, por ser demasiado objectivo, fazia contas à vida e só agora é que foi possível marcar e pagar tudo…) mas lá vamos nós.

Está-se mesmo a ver o que lá vamos fazer… Não vai ser só divertimento. Claro que vamos lá para visitarmos os campos de extermínio nazis porque é bom que nunca esqueçamos o que é que aquelas pessoas fizeram. Sim. Eram pessoas como nós, que foram levadas num movimento colectivo de anormalidade e histeria e que deixaram vir ao de cima o que de pior tinham dentro delas. A não esquecer!

Este é o lado sério da cumbersa… O meu lado sério. Que é pequeno. Todo o resto do meu ser não é sério. Não é para ser levado a sério. Só me dá vontade de rir. Mas que posso eu fazer? Já lá vão cinquenta e sete linhas de pura objectividade…

Tentando.

Segunda feira, da parte da tarde, é quando eu tenho sossego. Estou no escritório. Pareço um homem a fazer o que quer. As adolescentes estão a estudar? enfiadas nos respectivos quartos. A minha rica senhora (sim, um termo que já não utilizava há já algum tempo) está a trabalhar e eu? eu aqui a escrever palermices. Com prazer.

Por falar em prazer. Já deu para perceber que as imagens não são as do costume… acabaram-se as imagens sobre… aquilo… por falar… naquilo…

A imagem, senhores, a imagem…

A semana passada li uma pequena notícia, acho eu que foi no Público online, que dava conta dos resultados de uma sondagem feita recentemente. Qual era a sondagem? Qual? Essa mesma! Era mesmo sobre a contagem do tempo de serviço dos professores. Queriam saber se o povo português concorda com a contagem do tempo de serviço para efeitos de progressão de serviço, mais concretamente sobre os nove anos, quatro meses e dois dias! Assim, a frio! Sem contextualização de qualquer espécie! Aliás, contextualização? Muitos devem ter-se questionado acerca de uma eventual contextualização sobre este assunto… mas para quê? A pergunta era bem clara… e SETENTA por cento da população portuguesa respondeu que NÃO, não senhora, os professores não devem ser tratados de forma diferente.

Apesar de não ser bem esta a pergunta, esta ideia foi o mote da caixa de comentários… Ok, já todos sabemos que as caixas de comentários são verdadeiros antros de estupidez, cretinice e inveja… e não digo isto por causa dos resultados e respectivos comentários serem no sentido oposto que eu acho que deveriam seguir. Apenas sei do que estou a falar pois, quando tenho algum tempo, entretenho-me a ler o que nas caixas de comentários deste país à beira mar plantado se vai escrevendo… e acreditem que é hilariante pois espelham o que realmente se passa na cabecinha de muita gente.

E SETENTA por cento é muita gente, são quase o equivalente aos sete milhões de portugueses que professam a mesma ideia, a mesma fé… onde é que eu já ouvi qualquer coisa semelhante…? (piadinha fácil e trista sobre benfiquistas e digna de uma caixa de comentários…). Seguindo com o assunto, todos sabemos que as sondagens são altamente manipuláveis e que valem o que valem mas, neste caso, não devemos andar muito longe da verdade, ou seja, não me admiro nada que esta malta toda pense assim e que esteja contra a classe docente. Já não é de agora. É como aquele anúncio do brandy Constantino “A fama que vem de longa…” coisa para os mais velhos saberem…

Esta atitude contra a classe docente tem-se vindo a enraizar na sociedade portuguesa faz muito tempo. Começou tudo com as “férias”… Ah e tal, os professores têm “férias” no Natal, depois têm “férias” na Páscoa e acabam em beleza com as “férias grandes”… Quem anda nesta vida, sabe perfeitamente que não é nada assim e quem tem realmente férias são… os alunos… esses mesmos personagens que são a razão de ser professor. Sem eles, não são precisos professores, certo? Por outro lado, são também os alunos, os tais que precisam mesmo de férias, que ficam em casa, sozinhos, sem nada para fazer e que deixam os pais à beira de um ataque de nervos porque não sabem como resolver o problema. Seria mesmo bom que em vez de estarem em casa, vá-se lá saber a fazerem o quê… os mantivessem nas escolas, sossegaditos e sem aborrecer ninguém… Mas não pode ser…

E a animosidade começou por aí. Depois passou para os altos ordenados que os professores auferiam que, na realidade, não são como as pessoas acham e só no final da carreira têm valores acima da média. Nos tempos que correm, a maior parte dos professores do quadro não vão, sequer, ficar perto do topo da carreira precisamente por causa do tempo que esteve congelado não contar para a progressão. Mas voltando à questão remuneratória, as pessoas esquecem-se que grande parte dos professores tem ou teve que percorrer centenas de quilómetros para poder trabalhar, muitas vezes com duas casas para pagar porque a distância entre a sua habitação e o local de trabalho é enorme e têm mesmo que por lá ficar… com prejuízos enormes em termos familiares, emocionais e monetários pois não têm qualquer tipo de subsídios ou ajudas… fossem eles deputados ou juízes…

A imagem construída acerca dos professores foi sofrendo acrescentos… diversificados… e, na minha opinião, plantados por determinados interesses instalados na profissão. A classe docente sempre foi conhecida por não ser unida, demasiadas cabeças pensantes que não conseguem perceber qual o rumo a tomar perante os desafios que ao longo dos tempos foram surgindo.. Já todos nós conhecemos aquela expressão “Em terra de cegos, quem tem olho é rei”… Foi mais ou menos isto que sucedeu. Cada um virado para seu lado e quem ganha força? Quem? Precisamente! O homem do bigode que agora tem barba! Paulatinamente foi levando a água ao seu moinho, defendendo os interesses de uns quantos e com uma agenda política bem definida, não necessariamente de acordo com as necessidades e aspirações da classe docente. Fazer carreira sindicalista tem destas coisas… e o poder sobe à cabeça…

Os sindicatos são extremamente importantes no conjunto mas não podem ser incompetentes. Porque o são! Têm uma data de pessoas a trabalhar, sem componente lectiva, como é o caso do homem do bigode que agora tem barba, e não fazem o trabalho como deve ser. Passando por cima de anos e anos de baboseira sindical, não faz sentido para ninguém o que se tem registado durante as pretensas reuniões com o ME, nomeadamente a última, em que saíram de lá sem qualquer alternativa ou outra proposta que não fosse a de irmos todos de férias e depois, em setembro, logo se veria… Não foram capazes de apresentar uma conta real sobre o custo das progressões, por quantos anos se deveria dividir a dita cuja da progressão? Eu não me revejo neste tipo de posições. Como eu, a maior parte dos professores com quem vou trocando ideias. Muito mais agora que surgiu um novo sindicato, alternativo a este mecanismo instalado e que veio dar um abanão como já não se via há muito tempo. Esta malta nova, deste novo sindicato, tem um discurso diferente, menos cassete e mais objectividade e pretende dar uma outra imagem, uma nova imagem, dos professores.

Vamos esperar para ver, até porque hoje era suposto acontecer mais uma reunião institucional…

  • Nota: eu não sou filiado no STOP ou em qualquer outro organismo.

A volta.

Fui dar uma volta. Foi uma volta grande, por assim dizer. Uma volta que durou sensivelmente um ano. Foi um ano em que não tive disponibilidade mental para fazer uso deste espaço virtual que comecei em 2007. Sim, já lá vão uns anitos e gostaria de retomar as publicações, de uma forma regular. Durante este ano, em que fui dar uma volta, ainda publiquei umas baboseiras de vez em quando, umas músicas aqui e umas cenas acolá.

Depois seguiu-se um período em que fiquei com o blogue cheio de vírus. Sim, há pessoas que vivem no espaço virtual para tirarem proveito das maldades que fazem… grande novidade… mas maldade é mesmo o termo, apesar de vagamente infantil e pouco adequado para uma pessoa como eu, já entradote…

Enfim.

Lá consegui ter o blogue concertado, com mudança de prestador de serviço de alojamento, e agora cá estou eu de novo, para as curvas. Curvas, curvas é uma expressão que já me saiu cara, algumas vezes, muitas vezes mesmo, devido ao conteúdo das curvas… que não são toleradas em algumas redes sociais… por isso, e de momento, o que se apresenta é… arte.

E agora?

Faz muito tempo que não escrevo nada. Há tanto tempo que até me tinha esquecido que ainda pago o alojamento do blogue. Mas tem sido assim. Sem vontade de escrever porque acabo sempre por não ter tempo para nada. Desde que comecei a dar aulas de História de Arte (oficialmente com um nome diferente) que fui perdendo a vontade de escrever. Ando cansado das letras, das palavras. Não quer dizer que tenha passado este tempo todo amorfo, bem pelo contrário, pois ainda tenho muitos momentos de energia total mas depois… acabo por não registar nada e assim se vai deixando o estaminé ao abandono…

Estou a ficar velho.

Começo a perceber que o tempo se vai esgotando e que a vida merece ser vivida com intensidade. Enfim, um chorrilho de lugares comuns… que não acrescenta nada, nem a mim nem a quem dá cá um salto… Mas não deixa de ser a minha realidade.

A ver vamos.

Primeiro. Primeiro de muitas coisas. Tal como eu!

Já ninguém festeja o Primeiro de Maio. Pelo menos é essa a ideia que eu tenho. A malta nova não quer saber de nada disso. Eu até percebo. O Primeiro de Maio da minha altura era muito politizado e as pessoas levavam aquilo a peito. Foi uma época vivida em Portugal. Já lá vai. Hoje tudo parece normal. Parecem normais os salários pagos nos grandes hipermercados. Salários pagos à míngua, sem qualquer tipo de preocupação social. Sem quererem saber das vidas das pessoas que lá trabalham. Salários pagos pelo mínimo. Eu não consigo ter inveja de quem tem dinheiro. De quem consegue lutar pela sua empresa e tirar rendimento disso. Nem sequer consigo perceber as pessoas que são idiotas ao ponto de acharem que os patrões são todos iguais… uma treta que já deu frutos e que não é necessário relembrar… Também não é necessário relembrar aquela cambada de empregadores que achavam que todo o trabalhador estava ali para… sabotar… A coisa mudou. Eu quero acreditar que a coisa mudou. Quero acreditar que os papeis estão cada vez mais definidos. A empresa, o trabalhador e o patrão são um todo que deve caminhar num sentido, num único sentido e se um deles não estiver focado… vai tudo pelo cano abaixo.

Mas que raio de treta é esta? Vinda deste tipo, um funcionário público?

Sim, sou um funcionário público porque sou um professor e quem me paga no final do mês é o pai de nós todos… o Estado. Mas esse aspecto não me tira lucidez. Eu faço parte de uma camada da população portuguesa que presta serviço numa área fundamental para o país. Se há mais áreas fundamentais? Claro que sim. A saúde. A Justiça. A segurança. Tudo aquilo que o bom cidadão, pai de família (ia a dizer benfiquista… mas esses não são exemplo para ninguém…) que acha que essas áreas são obrigações fundamentais do Estado Português proporcionar aos seus cidadãos… mas que na hora de as pagar acha que é um exagero e que todos os funcionários públicos são uns chulos, cheios de mordomias. Foi uma palavra feia. Eu sei. Chamar chulo a alguém é pesado. Ouvir a “palabrinha” dirigida a quem de direito… ainda é mais pesado. E nem sequer é necessário vir com a desculpa de que há muita boa gente que é íntegra, honesta, e que existem muitos funcionários públicos que dão o seu melhor… mas… Bons funcionários existem em qualquer sector da vida portuguesa. Públicos ou privados!

Mas o discurso oficial não é esse. O discurso oficial é que o funcionalismo público é o causador de todos os males de Portugal. Ninguém tem dúvidas acerca desta ideia, pois não? Todos estamos lembrados do personagem que começou esta clivagem entre o privado e o público, certo? Um personagem menor que ainda não percebeu que o caminho da porta está mesmo à frente dos seus olhinhos cheios daquele nome que caracterizam as pessoas que não enxergam nada ao longe… O que é certo é que este personagem deve ter qualquer coisa de paranormal, porque levou as pessoas a acreditarem nele. Justiça lhe seja feita! Assim foi e a ideia ficou na mente do portuguesinho. Esse mesmo portuguesinho que é o primeiro a reclamar com a falta de pessoal e de serviços…

Felizmente não somos todos iguais. Há quem ache que o funcionalismo público é necessário. Eu também acho! Como também acho que não foi a despesa do Estado com os funcionários públicos que nos levou à bancarrota. Se pensarmos melhor no assunto, conseguimos perceber que muitas das despesas… que estamos a ter e a pagar se devem a roubos nos bancos ou má gestão bancária. Gestão feita por privados. Má gestão de privados que nos deixaram com dívidas privadas para todos pagarem. É normal? Não me parece! Como também não me parece normal que toda a população ache que isso é normal. E mais normal, para toda a população, é achar que a culpa disto tudo é dos funcionários públicos, que são uns privilegiados e só têm direitos…

Eu tenho uma vida de merda! Sou funcionário público, como já tinha referido, mas não tenho vantagem nenhuma nisso. As minhas expectativas foram completamente frustradas. Iniciei uma carreira docente com as perspectivas de subida como todos os outros. Endividei-me tendo em conta essa mesma subida de carreira. Logo a seguir foram cortadas as perspectivas de subida na carreira… mais ou menos em 2007… e as aventuras em que me meti (compra de casa) ficaram mais complicadas para pagar. Como não há uma sem duas nem três, os aumentos para os funcionários públicos deixaram de existir a partir de 2009… ou seja, até hoje, nunca mais fui aumentado! E agora vem o número três, o mágico. Como se não bastasse a não progressão na carreira, a falta de aumentos… ainda chegaram as taxas… aquelas pequenas importâncias que nos foram descontadas todos os meses para financiar qualquer coisa que ninguém percebeu… E no meio disto tudo, o que tínhamos todos de ouvir? Sim, lembram-se? Pois é, os funcionártios públicos é que eram os culpados da situação do país… Pelo facto do país estar na bancarrota…

Vou dizer uma asneira.

PUTA QUE OS PARIU!

Não é que eu tenha muitos problemas em dizer asneiras. Não tenho. Aliás gosto de as pronunciar quando deve ser e quando são merecidas mas, escrever um texto com asneiras… pode sempre ser interpretado como sendo proveniente de mais um qualquer funcionário público… sem qualquer pingo de atitude… um verdadeiro aproveitado do Estado português… e eu não gosto.

Pegando naquele pequeno trocadilho, aliás e há leões, gosto de mandar tudo para o caralho, mas quando me apetece.

Não, eu não vi a luz!

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Hoje ouvi uma coisa que me deixou envergonhado. Chamaram-me queixinhas. Pus-me a pensar no porquê e acabei por perceber que ultimamente tenho andado a queixar-me da vida. Logo eu que nunca me queixava de nada. Mas reconheço que o meu discurso tem sido esse, o de um perfeito queixinhas. Foi uma falha no discurso comunicativo pois não era isso que eu queria transmitir. O que eu queria mesmo que se soubesse é que está na hora de eu me saber valorizar. Que está na hora de olhar para mim, para aquilo que eu sou e o que pretendo fazer. Cansei-me da ideia que as pessoas têm que é minha obrigação ouvi-las, que tenho de estar pronto para as compreender e quando tal não acontece acharem que eu posso estar a cometer uma barbaridade inadmissível.

Estou farto!

Farto de aturar pessoas chatas!

Farto de conversas da chacha (só consigo aguentar se a conversa da chacha for dividida por todos os presentes e a coisa descambar para a bandalheira).

Farto de ouvir pessoas que começam as frases com o pronome pessoal eu. Em vez de contar até dez para ignorar de seguida, agora tenho uma lenga lenga que reza assim: eu, tu, ele, nós, vós, eles e de seguido é que ignoro. Dá-me mais segurança e não me sinto tão egoista…

Enfim, estou farto.

Já pensei mudar de profissão. Muito sinceramente. Ando a matar o resto dos meus neurónios com papeladas. Pouco me sobra para o que é importante. É frustrante. Estou enfiado até às orelhas num sistema que não me deixa respirar e cada vez mais me sinto a afundar.

Mas tenho outras coisas boas na minha vida.

À minha volta.

Que me dão segurança.

Que me dão amor.

E essas, podem ter as conversas de chacha que quiserem e podem até começar todas as conversas pelo tal pronome pessoal que eu não me aborreço.