Temos noção de que isto acontecia noutros tempos, certo?

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Sinto-me aborrecido quando vejo um filme (pequeno, é certo) de cariz pornográfico, em que as moças (jovens ou menos jovens) têm uns seios que mais parecem uns misseis iranianos terra-terra. Não é que me chateie muito que as moças façam esse tipo de intervenções no seu próprio corpo. Cada um é livre de fazer o que mais lhe apetecer e convir. Ponto. E se lhes apetecer desenvolver um projecto de um amigo clitóris com três polegadas de pretenso diâmetro, para mim também está bem. Eu gosto de pensar que trabalho com conceitos, por isso, tudo é possível. Ponto. O que me chateia mesmo é que quando as tais moças se deitam (num sofá, numa pele de animal esquartejado em frente à lareira, ou no que quer que seja) aqueles belos mamilos fiquem irreconhecíveis e percam o fulgor que nos fizeram acreditar que tinham. Ponto.

Que galo.

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Está-me cá a parecer que ultimamente os meus posts têm vindo a cair de produção e de qualidade (esta da qualidade é… duvidosa…). Estava eu em frente ao monitor, a pensar no que iria escrever (tal e qual há dois dias atrás), quando dou por mim a acordar com uma valente cabeçada no tampo da secretária. Adormeci. Adormeci a pensar no que ia escrever. Isto não é normal. Mas pelo menos teve uma coisa boa. Parece que acordei para a vida.

Um post à lá Adília Lopes.

zebras

Ter filhos é muito engraçado. Ter filhos é ter de ouvir música, a estas horas, de auscultadores para que não acordem do sono dos Deuses. Ter filhos é não descambar e eu tenho tendência para descambar. Um dilêma, pois, na minha cabeça. Gostava de poder dispensar este tipo de dilêmas. Gostava e pronto. Mas acabo por me deixar enredar. Que posso fazer, então?

Gostava de conseguir manter a calma. É importante manter a calma. Já fui mais capaz. Tinha uma técnica que consistia em contar até dez e depois voltar à realidade. Coisa simples. Muito simples, até. São as coisas simples as mais difíceis de conseguir alcançar. Hoje em dia tenho dificuldade em contar até dez. Porque estou cansado. Porque não tenho espaço. Porque não consigo respirar e porque não consigo deixar de andar triste. Poderia até dizer que é triste dizer isto, mas não tem piada. Ando triste faz tempo. Muito tempo.

Às vezes acontece-me.

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Chegar a sexta feira assim, despido da trabalheira que o trabalho dá, deixa-me mais tranquilo. Tranquilo mas com o receio de me repetir. É que tenho a ligeira impressão que na passada sexta feira já para aqui vim aliviar o meu stress. É só uma ligeira impressão. Não há início de fim de semana idêntico e este, claro está, começou diferente. Começou despido. Não só da tal trabalheira, mas também de tudo o que me pode afligir neste momento. Simplesmente não vou querer saber. Estou sentado na minha bela (não, não é a Scarabeo…) secretária, a ouvir um (também belo) trance psicadélico, bebendo um (não diria belo, mas antes intenso) brandy de Jerez e a pensar que a vida merece ser vivida. É sabido que a vida, por vezes, se torna tortuosa aos olhos de quem a vive e que, também por vezes, nos deixamos levar por uma onda pálida, sem espuma e sem a força necessária para nos atirar para a frente.

Talvez daqui por umas horas consiga vir aqui acabar este texto.

Começou na Grécia.

Tragédia é a representação de uma acção elevada,

de alguma extensão e completa,

em linguagem adornada,

distribuídos os adornos por todas as partes,

com actores actuando e não narrando;

e que, despertando piedade e temor,

tem por resultado a catarse dessas emoções.

(Aristóteles, Poética, VI – 26)

Necessidade de respirar.

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Belo fim de semana prolongado. Ao fim de muitas semanas completamente desamparado, tornei a ver a luz do dia. Pode parecer um pouco estranho, mas ver a luz do dia não é para todos ou, pelo menos, não se vislumbra facilmente, quando se quer. Sem segundas intenções, posso afirmar que viver em proximidade e em cumplicidade, não é fácil, por vezes é demasiado difícil. Mas tirando tudo isso, foi um belo de um fim de semana. Jantar no casino de Chaves, em boa companhia, para ver mais um espectáculo (desta vez foi fracote… era sobre a Madona…), com boa conversa, bom tinto e longe das minhocas. É tão raro conseguir uns momentos longe das minhocas que, quando o conseguimos, damos pulos de alegria, para não dizer de contentamento. As pessoas, seres humanos mesmo, precisam do seu espaço e com elas…

Postezinho enganador, o outro!

uvas

O mais engraçado nisto dos blogues é o sentido que se pode dar às coisas. Cada um diz de sua verdade, é certo, e cada um argumenta conforme pode. Muitas das vezes escrevemos sobre assuntos que são para nós de uma evidência absoluta (pelo menos no momento…), mas ao escrevermos esquecemos quem está do outro lado e a comunicação torna-se ambígua. Umas vezes sucede por pura incapacidade, outras vezes surge propositadamente ou com intencionalidade. Foi o que me sucedeu hoje. Da parte da manhã publiquei um textozinho com uma imagem de uma jovem moçoila numa posição que indiciava um determinado tipo de comportamento (ou acção, se assim o preferirem). Percebo e aceito que o texto induzisse  no sentido da imagem, mas não era nada disso que eu queria dizer. Estava mesmo era a falar de um velho Ballantines que, noutros tempos, adorava beber de golada, pela manhãzinha.