Eu gosto é disto.

Aqui há uns tempos tive um comentário de uma pessoa que eu não conheço e que dizia que este raio de blogue era uma confusão. Passo a citar:

“Aconselho vivamente o autor deste blogue a socorrer-se de um corretor de sintaxe,
que trapalhada…”

Para além de não querer perder tempo a explicar seja lá o que for, sempre posso afirmar que gosto do meu tipo de Machadês (para quem não conhece, é um treinador de futebol que fala um bocadinho diferente dos restantes) e que me estou a borrifar para a sintaxe, para a construção frásica e o diabo a quatro. Já me chega a minha rica senhora ser formada em Português, Latim e Grego… e gostar de poesia, e de autores portugueses, e de literatura, e de ser contra o Acordo Ortográfico. Não ando por aqui para me preocupar. Mas à laia de comentário, parece-me que este tipo de comentários são um bocadinho parecidos com aquelas mensagens em branco que os meus alunos enviam uns para os outros… para puxar conversa…

 

A ver o eléctrico a passar.

Já tenho idade para me deixar de experiências. Digo eu. Mas digo-o só para mim. Na sala de aula não o posso dizer em voz alta. Os alunos dos dias de hoje são muito diferentes. Arriscam pouco. Experimentam ainda menos. Limitam-se a fazer aquilo que sabem, que lhes foi impingido não se sabe muito bem por quem e têm um sentido crítico pouco apurado. Acho até que não estou a ser exagerado, pelo contrário. Raramente encontro alunos que tenham um não sei quê de adicional. Tenho a sorte de encontrar alunos que são bons meninos e boas meninas mas que são preguiçosos, que não investem neles, nas suas qualidades e defeitos. Deixam andar. E isso perturba-me. Bem, perturbar, perturbar, é uma forma de dizer, mas fico triste porque são muitos aqueles que se perdem, que passam ao lado e não têm a percepção de que devem dizer adeus.

Lá vamos cantando e rindo.

Bem sei que os portugueses são uns gastadores. Gastam aquilo que têm e o que não têm. É por isso que estamos como estamos. Também é por outras coisas mas isso agora não interessa nada. Deu no que deu e estamos a negociar uma ajuda que, dizem eles, nos vai permitir corrigir algumas coisas. Como não sou entendido nessas coisas da economia, nem me atrevo a comentar seja o que for. Por outro lado, o meu lado ressabiado leva-me a algumas conclusões disparatadas, ou não fossem elas assentes no belo do ressabianço… Uma delas diz respeito à tão apregoada admiração que o nosso querido líder pinóquio andou a fazer da Finlândia. Sim, esse país lindíssimo que fica lá para cima, muito para cima, e que, entre outras coisas, pelos vistos tem um fantástico sistema de ensino, muito invejado e apetecível pelas altas entidades portuguesas, nomeadamente o nosso QLP. Mas a Finlândia também tem outras coisas. Tem uns seres humanos, os finlandeses, que gostam de ter as ideias deles. Pelos vistos, uma das ideias que eles gostam de ter é a de não ajudarem quem precisa, mas que não merece, como é o nosso caso. Tudo bem que não são todos que não querem, mas quem manda parece que não está para aí virado e não sabemos como é que a cena vai terminar. Uma coisa estou eu certo, só não atiro o meu nokia pela janela fora porque não tenho outro e os telemóveis estão caros, mas não compro mais nenhum daquela marca, nem que a vaca tussa.

Já parávamos, não?

Com estas coisas todas de FMI, bancarrota, dívida externa, défice, subsídio de férias em títulos de tesouro e o diabo a quatro, mais o vinte e cinco de Abril, os políticos, o presidente da República, os comentadores e toda a cambada de opinion makers, já começam a cansar e começa a chegar a altura de dizermos todos: já parávamos com esta merda toda, ou não? É que o país continua. As pessoas continuam a viver, a trabalhar e a serem pessoas. Uma coisa eu dou de barato ao nosso grande e querido líder pinóquio: já chega de estarmos constantemente a realçar o lado negativo do nosso povo. É que chega mesmo. O país tem um lado talentoso, empreendedor (que não passa pela geração à rasca…), capaz de muitas coisas boas. Querem um exemplo? Ainda há uns quinze dias, mais coisa menos coisa, vi uma pequena reportagem na RTP sobre a indústria portuguesa de calçado. Quem viu os industriais do calçado e quem os vê. A promoção do calçado português está muito bem entregue a profissionais competentes que, finalmente, projectaram esta indústria a nível mundial através de campanhas publicitárias arrojadas, onde realçam a qualidade e o design português. Fiquei de boca aberta. Por isso me pergunto. Será que é só no calçado que isto acontece? Não me parece mesmo nada que assim seja.  É por estas e por outras que já chega de tanta choraminguice.

Ainda na véspera.

Vem aí uma greve da Função Pública. Basta dar uma pequena vista de olhos por alguns blogues, jornais e afins, para se perceber a facilidade com que se pode cair no populismo à lá Portas. A falta de sentido da realidade e da oportunidade dos nossos sindicalistas levam as pessoas a arranjarem facilmente um bode expiatório para toda esta crise, a culparem toda a Função Pública, e os seus trabalhadores, de tudo que de mal acontece neste país. Todos sabemos que o problema não reside nos funcionários, mas sim nos inteligentes que estruturaram os diversos serviços. Digo inteligentes porque são pagos para serem inteligentes no trabalho que desempenham, no entanto, a realidade é outra, bem diferente, em que as chefias não são as mais competentes mas sim as que têm um belo de um cartão do partido. Mas voltando atrás, não se entende o porquê de mais uma greve. Não faz sentido, numa altura em que o país está na expectativa surgirem umas greves, com o intuito de pressionarem quem? O governo demissionário? A Chanceler alemã? Quem? Digam-me quem, para ver se eu entendo. Não compreende, como também não compreendo as greves que as empresas de transportes andam a fazer. As notícias revelam uma falta de guito na ordem dos vários milhões, com a ameaça de não receberem sequer os ordenados e o que é que os outros inteligentes (sim, há inteligentes nos dois lados…) fazem? Param as máquinas, arranjam um transtorno enorme para quem deles depende e, pior de tudo, dão um prejuízo ainda maior às respectivas empresas, na esperança de não receberem, não um, nem dois, talvez três ordenados. Ora bolas, que o mundo está perdido. Foi desde que eles foram à lua, que isto ficou assim.

Cenas do quotidiano.

Como se costuma dizer: cada um sabe de si. Posto isto, convém acrescentar que existe o princípio de cada um ser responsável pelos seus actos. Passando ao prato principal, apercebi-me de uma notícia que tem andado no ar, mas que não tem tido grandes reacções. Estou-me a referir ao números apresentados hoje sobre a interrupção voluntária da gravidez. Pelos vistos, o total do ano de 2010 foi menor do que o anterior (perto de quatrocentos a menos) e, ao contrário daquilo que foi apregoado pelos defensores da vida, não houve nenhuma escalada de ivêgês por esse país fora. Sempre fui favorável à lei em vigor, mas também estou admirado, embora por outra razão. É que em tempos de crise costuma acontecer um fenómeno inexplicável, que é o aumento do número de pessoas grávidas, precisamente nas camadas mais desfavorecidas pela crise e que poderiam rejeitar levar a gravidez até ao fim. Acabo como comecei. Cada um sabe de si, mas fico muito mais tranquilo por ficar a saber que estas decisões continuam a ser tomadas conscientemente, pelo menos na sua grande maioria.

Confesso que não fiquei à rasca.

Fazendo uma pausa na minha deambulação por terras marroquinas, e apesar de não gostar mesmo nada de andar a par da actualidade, senti um apelo de algo parecido com a minha consciência… que me levou a pensar no desfile de ontem, promovido pela tal de geração à rasca. Sabendo que à partida posso correr o risco de ser mal interpretado, de ser mesmo visto como um autêntico reaccionário, acho que vale sempre a pena ver o outro lado da questão. Parece-me, e isto é apenas um parecer…, que não se sabia muito bem o que se queria. Que a tal geração não apresentou grandes soluções para os problemas reais do país. Os tempos mudaram e o trabalho já não é para toda a vida, ao contrário dos da minha geração que ainda conseguiram entrar para o Estado. Sim, porque eu entrei para o Estado, para a Educação, mas que não deixa de ser o Estado a pagar o meu ordenado. Percebo que os jovens se cansem de serem precários. Mas isso também acontece em muitos lados do mundo. Preocupa-me muito mais saber que possam existir entraves ao livre empreendedorismo. Alguém sabe das dificuldades que existem se um de nós quiser montar uma empresa? Eu confesso que não sei, mas também confesso que se quisesse montar uma empresa teria de me informar muito bem sobre todos os passos que teria de dar. Está complicado de perceber? Só queria mesmo entender porque é que tenho a nítida sensação de que se fossem oferecidos empregos a toda esta gente que se manifestou ontem, assim de repente, toda a contestação morreria. As mensagens de consumo excessivo, dos tachos só para alguns, dos desgraçados e dos desgraçadinhos terminaria logo ali e, como bons portuguesinhos, tratariam de aproveitar a melhor maneira de se orientarem por uns anitos. Quero com isto dizer que a oportunidade faz o ladrão e, como tal, não achei nada genuíno tudo aquilo que para lá vi (que foi pouco, confesso). Agora, insultem-me, que eu gosto.

Será que alguém do Ministério da Educação podia dar uma vista de olhos.

“… porque estes foram os pais que saíram da <abrilada>, em que de repente este país virou permissivo. Não houve meio termo. Dantes, as pessoas eram educadas a chicote. Depois da <abrilada>, começaram as teorias de que os meninos não podiam ser contrariados, coitadinhos, ficam traumatizados quando são castigados, que horror pôr um miúdo de castigo, isto tudo é a demissão dos pais… os pais têm muito trabalho, têm o IC19 para fazer todos os dias, duas horas para lá, duas horas para cá, e quando chegam a casa têm pouco tempo e não estão para o passar a ralhar com o miúdo. É mais fácil a atitude <toma lá e não chateies> do que estar a tentar educar. Porque educar é uma coisa para todos os dias e dá muito trabalho. Os pais estão muito demitidos da sua função de educadores.”

Leonor Levy, in Notícias Magazine.

Cigarro electrónico. Sobre o dito cujo.

São oito da manhã e aqui estou eu a escrever sobre o cigarro electrónico. Não me parece normal. Como também não me pareceu normal a noite que passei. Foi um “sono” completamente obsessivo compulsivo… intermitente e sempre que despertava vinha dar ao mesmo assunto (não o vou revelar porque é íntimo, pessoal e intransmissível…) e devo ter dormido à volta de três horas. É fim de semana, porra, não havia necessidade disto. Agora, que não há mais nada a fazer, vamos ao cigarro electrónico. Sim, porque foi ele o causador de tudo isto. Para os que desconhecem como a coisa funciona, passo a explicar (os outros passem à frente): o kit vem com dois cilindros brancos, a imitarem o a parte onde está o tabaco, no cigarro normal. Esses dois cilindros mais não são do que duas baterias que se carregam, numa ficha de electricidade ou, imagine-se o cómodo que é, no portátil via usb. Aquilo traz uma caixinha com filtros, que têm diversos graus de nicotina, e que se vão acoplar (sim, é parecido…) no cilindro. Quando se mete aquilo tudo à boca e se puxa, o resultado é a bateria produzir um aquecimento no filtro que envia vapor de água, misturado com nicotina, para os pulmões. Aqui reside a grande vantagem, pois os belos dos pulmões deixam de receber, de braços abertos, o alcatrão, cianeto e todos os outros componentes que fazem parte dos cigarros tradicionais. Até aqui parece-me tudo muito bem. Agora, tudo isto padece de um período de habituação. Ao dar umas passas neste tipo de cigarro, não se sente aquele esticão tradicional e parece que não estamos a meter nada cá para dentro. Mas estamos. No caso, nicotina em estado bruto, acelerador nato dos neurónios, pelo menos dos meus. E é aqui que se tem de ter cuidado para não haver exageros. Dar menos passas e comprar filtros light, muito light. De resto, só encontro vantagens, pelo menos acordo sem aquela tosse de fumador, com o consequente espectáculo desolador que constitui a materialização dessa mesma tosse…