Arquivo da Categoria: Até fico com pêlos no peito.

O primeiro dos três efes…

Pois bem, anda o país em modo religioso. Nada que me deixe atordoado. Já vem de longe e, pelos vistos, tende a agravar… Benditos sejam aqueles que acreditam nas ditas “visões” como já alguém do meio lhes chamou… Desta vez a coisa tem-se manifestado com mais força porque vem cá o chefe e é preciso recebê-lo a rigor, pese embora o dito representante de Deus na terra não vá muito ao futebol com a história das “visões” e do negócio que anda à volta do assunto… Também há a novidade da tolerância de ponto para os funcionários do Estado Português, sim esse mesmo Estado que patrocina e paga uma parte das despesas que a vinda do chefe acarreta… só em polícias e fronteiras fechadas vai um dinheirão…

Para mim vai ser um fim de semana prolongado, a ver umas séries e a ler mais um pouco porque o tempo não vai estar para passeios ao ar livre… e tenho cá um pressentimento que aquelas velas todas se vão apagar coma chuva e o vento previsto…

Se repararem (como se diz na minha terra), e se estiverem atentos, é de dois em dois.

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Ontem escrevi um textículo (mais parecido com um testículo) minúsculo numa rede social, a da moda dos cotas que a juventude nem sequer lá vai. Mas é a rede social que os mais velhos adoptaram. E eu sou o quê? Um jovem? Não me parece. Por isso acabo por escrever coisas na tal, dita cuja, rede social da moda. Também não posso afirmar que escreva muitas coisas. Não escrevo. Limito-me a partilhar algumas coisas que acho pertinentes ou engraçadas. Claro que o conceito de engraçado ou pertinente…varia muito…

Mas o que é certo é que escrevi.

Escrevi qualquer coisa sobre um personagem que disse uma alarvidade sobre leis e virgens, que é do conhecimento de todo o país.

Cometi um erro.

Dei demasiada importância ao sujeito. E como eu milhares de portugueses que expressaram a mesma indignação.

Esta espécie de gente não pode ter tanta importância porque são maus.

Mas eu cometo muitos erros.

Tenho que o assumir!

Erro por tudo e por nada.

Não sou perfeito, portanto!

Mas convivo bem com isso.

Acho mesmo que sou um verdadeiro exemplo para todas as pessoas que desejam passar a conviver bem com os seus erros!

E desta vez cometi outro erro. Foram dois, juntinhos, num mesmo textículo (mais parecido com um testículo) e que me valeram muitas críticas dos frequentadores da dita rede social da moda.

E qual foi o segundo erro?!

Pois. Essa parte custa muito. Ter que escrever o nosso erro custa muito. Aliás, custa escrever  a qualquer um dos comuns mortais…

Mas, mais vale ir directo ao erro!

Como sou um rapaz capaz, de tudo… associei o reles motorista de táxi ao clube da treta. Sim, aquele clube que tem muita gente.

E porque é que me daria vontade de associar o raio daquele clube a esta manifestação de pura alarvidade?!

Porque o raio do repórter só foi ter com o palerma do taxista porque o reconheceu da televisão e das suas incendárias manifestações de fervor clubístico ao nível de um senhor barbudo ou de um outro que deu uma chapadona num bandeirinha, como se dizia no meu tempo. Se este personagem não fosse conhecido por quem gosta de ouvir/ver as suas anormalidades, o desgraçadinho do repórter nunca teria ido ter com o sujeito para o ouvir?… ou o que quer que seja que uma pessoa deste calibre tenha para dizer…

E foi um erro?

Para me situar.

Claro que foi!

Não tenho nada que generalizar. Não tenho nada que achar que o homenzinho, só por ser daquele clube da treta, é mesmo má pessoa. Não posso dizer uma coisa dessas. Como também não posso dizer que noventa e cinco por cento dos taxistas portugueses são pessoas de má convivência.

Temos de ter dados!

Pois é. Quando o português não tem dados, o que faz?

Inventa!

Pois claro. E eu não fujo à regra. Gosto de pensar que tenho um espírito livre.

Ok. Não tenho!

E depois?

Invento!

Invento muito. Até consigo afirmar que todo o taxista é um potencial adepto do clube da treta…

É uma grande invenção. Infelizmente!

Porquê? Porque seria muito bom para mim saber que qualquer taxista seria um potencial admirador do clube da treta…

Mas a realidade é muito diferente!

Existem energúmenos (Por aqui chamamos-lhes grunhos) em todos os lados e em todos os locais deste belo país à beira mar plantado. E não, não são noventa e cinco por cento de pessoas que cospem para a rua, tenhem o carro num fedor que não se aguentam, falam dos seus problemas ou os do menino Jesus, homofóbicos, religiosos, reacionários, chulos, traficantes e tudo aquilo que sabemos… não, não são realmente novente e cinco por cento.

São noventa por cento!

Porque ainda existem uns desgraçados de uns dez por cento que teimam em ter algum brio e dignidade profissional (agora merecia um ponto de exclamação, mas não posso. Não está no tempo certo!).

E quanto à associação destes tipos com o clube da treta… fica para outro dia, que se faz tarde!

Digo eu.

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Por vezes é melhor não abrirmos o embrulho.

Se o embrulho é bonito, porque é que temos de o abrir?

Quem é que nunca se arrependeu de mexer no embrulho?

Quem?

?

Pois é, todos nós já fomos tentados a desembrulhar uma coisa bonita e apetecível e depois ficamos a olhar para ela com cara de parvos.

Ainda agora me aconteceu.

Estava a ouvir música. Uma música daquelas que só as pessoas como eu gostam…

Não sei muito bem porquê mas o que é certo é que me apareceu o responsável… o responsável pela ocorrência…

E não foi bonito de se ver… tal era o nível de “bronquice” que o responsável emanava do seu belo corpinho…

Fiquei chocado. Não com o nível do “responsável” mas sim com o facto de eu ter gostado do produto que o personagem “amandou” cá para fora… Claro que tinha de reflectir acerca deste problema… e facilmente cheguei à conclusão (muito antiga e com muitas variantes) de que os artistas são todos muito criativos mas o que fazem de melhor (para além do seu trabalho) é estarem calados e sem vontade de esfregarem o amigo que começa por um É e acaba num Ó e, no meio, tem um G.

 

Vivo num país de merda.

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Estes tempos têm sido difíceis de digerir para uma data de pessoas. Pessoas que têm toda a legitimidade em digerirem mal a actual cena política portuguesa. Pelo menos para mim, isso é pacífico. Mas, muito sinceramente, dá-me vontade de rir toda esta encenação acerca do aproximar do fim do mundo se a coligação de direita não conseguir formar governo. Sempre foi essa a imagem, de catástrofe, que foi impingida durante este último ano e, à medida que se vinha aproximando o dia das eleições legislativas, aumentou exponencialmente o seu registo dramático. Normalmente, estes truques costumam resultar, aliados à pouca memória do povo português… só que desta vez a vitória foi de Pirro… e o total de votos foi para o outro lado…

Um verdadeiro desconsolo ver aquelas carinhas, com um sorrizinho amarelo, já a pensarem que a vida não está nada fácil para eles. Independentemente do resultado de todos estes encontros a que temos assistido… já valeu a pena só por ter visto e lido tanta demagogia, raiva e discursos insultuosos para com todos os que acham legítimo que seja formado um governo à esquerda. O que eu mais gosto é da parte “esquerda radical”… A dita esquerda radical apenas defende o oposto das ideias do Paulinho das feiras… logo o Paulinho é um radical de direita, um extremista, ou não? Por esta lógica, tenho mesmo a impressão que o Paulinho até pode ser considerado um perigoso extremista… mas também tenho a impressão de que ninguém se importa muito com isso, só mesmo eu… Aliás, por esta ordem de ideias, se ilegalizassem todos aqueles que pensam diferente do Paulinho da feiras, até que nem seria má ideia. Aqueles ranhosos todos que defendem uma data de coisas que não fazem sentido nenhum… sempre a falarem de direitos, de exploração, de lucros exagerados, de corrupção e mais não sei bem o quê… sim, esses extremistas perigosos, deviam ser mesmo todos banidos. E já agora, acabem com essa malta das artes, que também têm a mania de arrebitar cabelo. Ah, e às mulheres, dêem-lhes filhos e deixem-nas ficar tranquilas, em casa, a cuidar dos rebentos e do jantar a horas certas…

Dá-me vontade de rir. De rir muito. Para espantar os meus males. Mas isto não é normal. Eu não deveria rir por causa da situação do meu país. Tenho para mim que apenas nos devemos rir de nós, da nossa pequenez e da nossa insignificância neste mundo. Se me apanho a rir desta desgraça toda… é porque posso não estar muito equilibrado…

E não, não me vale de nada saber que há por aí muita gente ainda mais desequilibrada do que eu…

Se eu fosse mais novo tinha duas opções: ou ia trabalhar lá para fora ou tornava-me um feirante. Sim, feirante! E sim, sempre teria mais possibilidades de apanhar o Paulinho a jeito de lhe enfiar duas bolas de berlim pela boca abaixo.

Okupa e resiste! Se quiserem partilhar…

Esta cena de ter sido bloqueado na rede social da moda deu cá um jeitaço que o comum dos mortais não consegue sequer imaginar. Estou quase há duas semanas sem poder (com pê) manifestar um carinho… para com os meus amigos. Nem um bom dia ou um gunaite. Nada disso me é permitido. tive de me habituar à ideia, até porque não sei por quanto tempo mais irei continuar bloqueado ou de castigo, para ser mais rigoroso. Tem sido um processo à maneira deles.

Primeiro enviaram-me uma mensagem a informar que alguém me tinha denunciado por ter publicado uma fotografia menos própria. E logo eu, que faço questão de só publicar fotografias próprias para consumo. Mas pronto, algum dos meus amigos/as não achou lá muito bem que no meu mural aparecessem fotografias que eu escolhi para lá estarem. A pessoa lá deve ter as suas razões…

De seguida enviaram-me uma outra comunicação em que me diziam que eu tinha de provar que era mesmo eu o titular da minha conta… e que para tal teria de enviar uma fotografia apropriada… de um documento oficial. Diziam eles que podia ser a da carta de condução… tive pena que a fotografia da carta de condução fosse apenas do rosto… pois não dava muitas alternativas…

E a vida lá continuou. Como tinha muito trabalho de avaliação na escola, fui deixando passar a oportunidade porque realmente tinha assuntos importantes com que me preocupar. Basicamente, deu-me o tempo necessário para eu me concentrar no trabalho sem me distrair com as publicações do costume… mas lá acabei por tirar uma fotografia do bendito rosto que aparece na oficial carta de condução e lá fiz o procedimento de envio que me indicaram.

Passaram dois dias e lá deram notícias. Que sim, que aquele rosto que aparecia na carta de condução era mesmo eu. Confesso que fiquei aliviado, muito aliviado mesmo, pois não fosse o diabo tecê-las e aquele não ser eu.

Daí para cá, continuo de castigo. Não me deixam botar… um like numa qualquer campanha em defesa da existência dos piolhos ou mesmo partilhar uma página de insultos aos nossos queridos seres humanos que nos governam. Nada. Nada disso me é permitido. É uma verdadeira injustiça aquilo que me estão a fazer…

Tenho tantas coisas boas para partilhar com todos vós que até me doi a alma quando penso nisso… e quando digo isto, estou a pensar particularmente no bem aventurado do meu amigo/a que me denunciou… Só de pensar nele/a lembro-me da enorme quantidade de material interessante que consegui reunir e que está enfiado num canto. Uma pena! Mas, pensando melhor, se o amigo/a desejar ter um acesso personalizado e exclusivo, para ser usufruído no recanto do lar, sem interferências e à luz da vela, que não seja por isso: uma simples mensagem particular e, na demora de um click, todo o material que eu tenho disponível chegará em perfeitas condições…

É caso para se dizer: Quem é amigo, quem é?

Estou cansado de… gatunos! Desculpem.

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Os dias dos portugueses têm sido um sufoco. Como cidadão, ignorante dos meandros das leis, de processos judiciais e tudo o mais que esteja relacionado com a justiça, fico apreensivo com o que tem vindo a suceder no país. Todos nós temos assistido, quase ininterruptamente, a detenções, buscas, polícias para cá e para lá, advogados a entrarem não se sabe para onde e a saírem sem abrirem a boca, jornalistas famintos de sensacionalismo e a inventarem histórias… Se acrescentarmos a tudo isto as prisões preventivas que têm sido anunciadas facilmente percebemos que algo de anormal se está a passar em Portugal.

Os portugueses estão habituados, habituadíssimos diria eu, a assistirem a outras cenas policiais. Cenas sangrentas. Cenas de homens a baterem em mulheres. Cenas de atropelamentos em passadeiras. Cenas de pancadaria em bairros problemáticos. E nestas cenas todas, qual é o denominador comum? Impunidade! É isso mesmo, impunidade! Os responsáveis nunca são punidos pelos seus crimes… Claro que pode haver aqui uma certa dose de exagero… e muitos são, realmente, punidos mas a ideia que o português faz da justiça é que esta não é eficaz e, sobretudo, não é igual para todos.

Não estarei a exagerar se afirmar que os grandes tubarões do nosso país se vão safando entre os pingos da chuva… Mesmo nestes casos mais mediáticos já todos nós percebemos que os julgamentos se irão arrastar e os recursos interpostos também serão muitos e quando, finalmente, a hipotética senteça transitar em julgado já o dito cujo do culpado ou morreu ou está demasiado velho para cumprir a pena na totalidade…Isto porque o dinheiro faz toda a diferença. Quem tem dinheiro pode contratar bons advogados, quem não tem dinheiro está… bem arranjado e bate com os costados na choça, por assim dizer…

Há por aí uns senhores que nos querem fazer crer que os tempos são de mudança. Eu não acredito que estejamos a mudar a agulha. É periódico. De quando em vez aparecem uns processos e umas prisões para que tudo continue na mesma. Os portugueses têm alguns costumes engraçados. Um deles é dar uma lavagem na casa no início da primavera ou mais perto da Páscoa… dão um arejo mas continua tudo igual… mas os vizinhos percebem que há “mudança”, “cuidado” e “vontade”… Tudo tretas… tal e qual estes processos mediáticos.

Não é por acaso que este processo decorre uma semana depois do processo dos vistos dourados. E porque é que houve o processo dos vistos dourados? Porque era necessário conter as ondas de choque que o escândalo do BES estava a gerar. Os portugueses perceberam que os responsáveis que originaram os enormes prejuízos do banco nunca irão ser presos.  E não é preciso perceber dos meandros da justiça para achar que, no mínimo, é estranho que o senhor Salgado tenha pago uns míseros milhões de caução para poder estar cá fora e poder preparar melhor a sua defesa. Como é evidente, eu não tenho dinheiro, nem meios suficientes para conseguir fazer uma chamada telefónica para cada um dos portugueses mas se tal fosse possível concretizar, tenho a certeza absoluta que a esmagadora maioria iria responder que o mais justo seria meter o homem em prisão preventiva para, desse modo, não poder atrapalhar ou influenciar o decurso das investigações e do processo. Querem apostar?

Continuando a discorrer como um qualquer português, eu gostaria que estas situações de corrupção e ladroagem desenfreada não ocorressem. Porque é feio roubar o que é dos outros ou, ainda pior, o que é de todos. Acho uma falta de educação tremenda ser ladrão de colarinho branco. Também não estudei para polícia e por isso não me compete andar atrás dos maus mas gosto que sejam apanhados. Não é que sinta qualquer tipo de gozo em ver as caras dos que são apanhados, embora perceba que o maior desgosto daqueles que são apanhados não esteja relacionado com o sentimento de culpa por terem feito algo errado e condenável mas antes pelo facto de terem sido apanhados. Não conseguir enganar como deveriam e teriam obrigação… essa sim, é a verdadeira humilhação… Ehehehehehehe rio-me eu, tal e qual o verdadeiro português que assiste, de cadeira e à sombra do guarda-sol, ao espectáculo mediático que a prisão de um qualquer figurão proporciona. Mas é um ehehehehehe contido, triste, porque bem lá no fundo todos percebemos que ficamos mais enfraquecidos e com menos perspectivas de um futuro melhor.

Assim, conversado na primeira pessoa (comigo mesmo…), até posso parecer minimamente equilibrado. Mas não sou! Sou desequilibrado, mesmo. Não sou faccioso mas consigo ter uma espécie de alter ego fatela que me impele a ser mesquinho (quem não o é?) e a apontar todos os outros casos que também mereciam a nossa atenção. Não é que considere uma ninharia, mas os vinte milhões que o Injiiiinheiro desviou são autênticos “penars” comparados com os milhões a perder de vista que o conjunto de pessoas ligados à família mais conhecida do país conseguiu desbaratinar (para não lhe chamar outra coisa porque somos todos pessoas de bem, tá?). Pegando ainda nos míseros vinte milhões, os do tal injiiiinheiro, e se fizermos uma nova comparação, desta vez com outros milhões. Uns milhões que desapareceram igualmente de um banco, de outro banco (outro denominador comum… curioso…) que era uma autêntica agência de emprego e negócios de um agrupamento de amigos, bem conhecidos de todos os portugueses. Pessoas influentes. Muito influentes. Não se consta que alguma dessas pessoas esteja a passar dificuldades, apesar dos cortes que outros amigos (mais novitos…) fizeram questão de lhes aplicar nas pensões… Todas elas estão de bem com a vida. Bem todas, todas, não será bem assim. Uma dessas pessoas, vai-se queixando regularmente. Tal e qual a maioriia dos portugueses, não consegue viver com o dinheiro que lhe sobra após os cortes… Mas essa pessoa, como todos nós sabemos, é muito fingida…

Às vezes é doloroso e eu queixo-me!

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Vivemos num país fraco. Os nossos dirigentes conseguem ser os mais fracos de todos os Portugueses. Porquê? Porque as elites dirigentes devem ser competentes, corajosas, verdadeiras e com um espírito de servir a causa pública. Somos um país pequeno. Deveríamos funcionar como um todo. É isso que sucede? Não, pois não? Pelo contrário. Os nossos dirigentes políticos só pensam nos seus interesses ou daqueles que os rodeiam. Não estou a acrescentar nada. Grande parte da população portuguesa tem esta ideia formada acerca dos ditos cujos, os nossos queridos dirigentes políticos…

Eu nem sei muito bem porque é que ainda me dou ao trabalho de escrever sobre o assunto. Não me adianta nada insultar os nossos queridos dirigentes políticos! Bem, se valesse alguma coisa berrar e insultar eu até era menino para apanhar a carreira e ir até à porta dos que lá estão, com uma folha A4, na mão, com um valente palavrão ofensivo e escrito a vermelho. Do género: PALERMAS! FROUXOS! VOU ALI E VENHO JÁ! FRAQUINHOS! TENHO VONTADE DE VOS FAZER MAL! SAIAM-ME DA FRENTE! SEGUREM-ME! e um sem número de outros impropérios…

Mas, e como todos nós sabemos, quem acabava preso era eu e os verdadeiros delinquentes continuariam à solta. Enfim, nada de novo, mais uma vez. Aliás, quem tiver tido a infelicidade de ter vindo aqui parar vai ficar com aquela ideia de que a minha vida é uma monotonia e que não consigo acrescentar nada de novo. Mas não é isso que sucede. Consigo ser extremamente inovador.

Desde há três anos a esta parte que iniciei o meu percurso como empreendedor. Ser empreendedor. Os nossos queridos derigentes políticos desejam ardentemente que os portugueses sejam verdadeiros empreendedores. E porque mo pediram, tornei-me num verdadeiro empreendedor. Ok, podem dizer que sou apenas um entre muitos. Poder, até podem. Isso não interessa nada. O que me interessa é que me tornei num empreendedor, num professor-empreendedor. Percebi que teria de iniciar uma nova fase na minha vida. Assim como assim… já passei por tantas fases na minha vida…

Agora passei a acumular. Ou seja: continuo a trabalhar numa escola, a preparar e a dar aulas, avaliar trabalhos e testes, a ter reuniões, a lidar com alunos pouco motivados e a ter que me desgastar para os motivar… nada mais do que se vem passando na minha vida ao longo dos últimos vinte e cinco anos. A novidade (querem ver como sou inovador…) está no facto de ter acumulado funções. Para além do trabalho que fazia e faço, agora sou o tal empreendedor. Não foi do pé para a mão que me transformei. Nada disso! Foram três anos de aprendizagem. Posso até afirmar que foi uma aprendizagem bastante dura. Não foi fácil, portanto!

Mas afinal, qual foi o raio da aprendizagem?

Basicamente foi conseguir perceber como se chega ao dia treze do mês sem dinheiro mas com a dispensa cheia. Volto a afirmar: Não foi fácil! Temos dez dias pela frente com o dinheiro que está no bolso e com a esperança de que ninguém fique doente ou que o carro avarie. Aqui em casa quem mais sofre com esta situação são as minhas filhas porque estão numa idade de descoberta das vaidades pessoais e querem consumir para alimentarem essa vaidade. Também elas já perceberam que as coisas mudaram para muito pior. Amor não lhes falta mas as sapatilhas da cor do elefante do Continente… é que vão ter de esperar…

Podem sempre dizer que estou a falar de barriga cheia. Que temos os dois trabalho e que há muita gente neste país a viver em condições miseráveis. Pois há. Mas eu não sou o culpado por isso. Até consigo perceber que não posso ser aumentado durante alguns anos até o país se endireitar… mas… eu apenas sou um trabalhador que organizou a sua vida em função da sua profissão e que de um momento para o outro ficou a receber menos um quinto do seu ordenado. Agora multipliquem isto por dois! Sim, somos os dois professores-empreendedores. Aprendemos muito, mas à nossa custa. Tivemos de aprender a cortar em tudo e a conseguirmos chegar ao fim do mês com o que é necessário e essencial na mesa.

Eu já sou velho. Vivi muito e espero ainda viver muito mais mas não estou preocupado comigo. Tenho duas filhas pequenas e é com o futuro delas que me tenho de preocupar. Gostava que fossem felizes e que tivessem uma boa vida. Afinal esse é o futuro que todos os pais deste mundo e do outro desejam para os seus filhos. Mais uma vez não saiu daqui nada de inovador. Mas ando preocupado. Gostava também de as ter por perto, que vivessem pertinho aqui do velho. Quando leio nos jornais que em 2012 foram 95 mil pessoas que deixaram Portugal em busca de uma vida melhor e que em 2013 foram mais 110 mil, prevendo-se um aumento do número para este ano… Tenho de ficar preocupado com esta sangria. Tenho de achar que estes dirigentes políticos que temos são uma MERDA e que este país não tem futuro. Como é possível que um país tão pequeno como o nosso se possa dar ao luxo de perder 300 mil pessoas em três anos? Qualquer dia ainda nos vão tentar impingir a ideia de que somos um país paradisíaco, onde não há desemprego e onde se vive com qualidade… pudera, se todos aqueles que não têm trabalho seguirem o conselho oficial de se porem a andar para outros países… que não vai haver desemprego… lá isso… é certinho!

O texto já vai longo. O jantar também já está pronto. Que mais posso querer…?

Quando tenho de pensar no título, tenho de perceber que melhores dias virão!

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Os dias que correm estão-se a tornar patéticos. Para muitas pessoas não passará de uma palavra branda. Para mim tem o sentido da patetice em que o nosso mundo se está a tornar. Uma patetice abrangente, que nos está a invadir lentamente, muito lentamente.

Que conversa é esta?

Ao fim da tarde, num dia de chuva pode parecer um prenúncio de que a minha cabeça não está a funcionar bem. Podia ser. Mas não é.

Estou com esta conversa porque hoje fiquei chocado com uma reportagem, em directo, que passou ao final da manhã. Como foi em directo, não houve a possibilidade das imagens serem editadas… como é prática comum… nas nossas maravilhosas estações de televisão.

Passo a explicar:

Hoje houve um incêndio num apartamento da Amadora. Morreu uma criança de treze anos. Tinha mais um ano do que a minha filha mais velha. Morreu asfixiada. Antes de morrer asfixiada conseguiu trazer os irmãos todos para a segurança da rua e, na última ida ao apartamento em chamas, sabe-se lá fazer o quê, ficou lá. Uma verdadeira tragédia. Uma criança com aquela idade não devia ser a responsável por não sei quantos irmãos. Portou-se como uma verdadeira heroína. Sim, heroína, é a palavra certa para descrever esta capacidade que a criança teve para actuar, salvando os irmãos mais pequenos.

É revoltante saber que estas situações acontecem.

Como se não bastasse a descrição desta tragédia, a repórter de serviço decide entrevistar algumas pessoas que estavam nas imediações do prédio onde tudo aconteceu. Pergunta a uma mulher o que se tinha passado (uma daquelas perguntas combinadas antes do directo…) e a mulher explica que não conseguia descer por causa do fumo e que teve de ir para o telhado do prédio e que entretanto foi ligando para os bombeiros que, por sinal, demoraram algum tempo a chegar… E a repórter pergunta o que pensa de toda esta situação? Se a sua casa também tinha sido afectada? Que sim, diz a mulher, ficou com uma persiana toda queimada e que a sua mãe não pode dormir sem a persiana. Que já falaram com a CMAmadora para lhes resolver o assunto e que “eles” não iam fazer nada para já, que havia outras situações mais importantes…

A repórter não estava satisfeita e vai ter com outra mulher e pergunta-lhe porque estava tão exaltada há poucos minutos atrás? Responde-lhe a mulher que nem sequer mora no prédio mas que estava solidária com uma amiga que lá vive e que também viu as suas persianas serem derretidas pelo fogo e isso seria um problema que a CMAmadora não ia resolver imediatamente…

Foi isto que me chocou!

Eu percebo que a miséria humana existe, que não está relacionada com o facto de ter ou não dinheiro para o dia a dia mas não nos podemos comportar como verdadeiros animais. A criança que salvou os seus irmãos e que acabou por morrer porque foi uma verdadeira heroína já não interessava para nada. Aquelas pessoas não queriam saber do sofrimento daqueles que perderam uma criança. Estavam preocupados com as persianas.

Eu sei que não fui feito para isto.

Não sou mais do que os outros.

Mas não posso aceitar que estas situações aconteçam e que toda a gente ache normal.

É mau de mais para ser verdade!

Cretino!

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Finalmente uma pausa no trabalho. O início do ano lectivo é sempre custoso. A quantidade de papel que é necessário gerir e tratar é desgastante. Respirar fundo e fazer uma pausa, por vezes, torna-se imperioso… para retomar o balanço…

Felizmente, tenho trabalho. Mas isso não me impede de ser crítico. Não me impede de estar atento ao que se vai passando na minha área. Tal como muitos outros profissionais do sector e apesar de estar numa escola que funciona bem, tenho de lidar com imensas dificuldades diariamente. Não me vou alongar sobre o assunto pois são pormenores que os nossos governantes fazem questão de achar como sendo normais…

A minha ideia sobre o actual governante da pasta da Educação está feita. Está feita há muito tempo. É um governante fraco e tenho apenas uma pequena dúvida: será pouco dotado de inteligência ou é apenas cínico? Confesso que estou com esta dúvida porque olho para o primeiro ministro e vejo incompetência, de seguida olho para o vice primeiro ministro e vejo cinismo e não consigo perceber qual dos dois o governante da educação quer imitar. Estou mais inclinado para a falta de capacidade para exercer o cargo. Pode parecer que estou a ser arrogante mas… nada disso… apenas tive mais uma demonstração da incapacidade do governante. Hoje, o senhor foi ao parlamento português “responder” a umas perguntitas de alguns personagens que por lá pairam e acharam por bem fazer-lhe. Ouvi-as todas. Assuntos concretos merecedores de uma resposta simples e objectiva.  O governante limitou-se a fazer de conta que não ouviu e disse meia dúzia de palavras vazias de conteúdo. Impávido e sereno, como se não fosse nada com ele. De seguida veio um jovem turco, seguidor indefectível do cínico, que desatou num botalambismo ensurdecedor (um cão não consegue fazer mais barulho quando lambe ruidosamente os tomates, por assim dizer…). Desliguei o televisor.

Parece que o governante acabou a pedir desculpa pelo erro na colocação dos professores. Eu não vi como foi… mas imagino que não deve ter dito que se iria responsabilizar pessoalmente pelo facto de todos nós, contribuintes, termos de pagar pelo seu erro, já que vai haver dupla colocação de professores… Mas isso não interessa nada. É coisa para uns quantos milhões… Milhões esses que eram capaz de dar jeito para contratar os tarefeiros que são necessários para acompanharem os alunos com necessidades educativas especiais e que estão votados ao abandono em muitas escolas deste país.

São umas bestas, uns cretinos e uns nojentos, mas não lhes consigo desejar mal. Devia, mas não consigo!

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Estas pessoas que sentem uma raiva enorme por outras pessoas fazem-me pena. Estas pessoas que acham que os funcionários públicos são os culpados de tudo, que são os culpados por o país estar neste estado vão perceber que agora também lhes vai calhar a eles. Também agora vão perceber que não podem ser sempre os mesmos a pagar a conta. Essa percepção de que já não podem malhar no sítio do costume… está-lhes a tirar a pouca sobriedade que detinham pois a vergonha nunca existiu. Já se percebeu há muito tempo que estes incompetentes que governam este país não conseguiram fazer reformas nenhumas, e esse foi o seu grande propósito,  apenas se limitaram a sacar dinheiro para pagarem uns juros a uns bancos… maioritariamente… alemães… e a dívida pública não parou de aumentar.

Se me conseguirem explicar em que é que eu fui culpado, talvez eu consiga aceitar que possa haver uma necessidade de continuar por mais uns tempos o sacrifício que tenho vindo a fazer. Sou trabalhador do estado português há quase vinte e cinco anos, sou professor, tenho a carreira congelada há não sei quantos anos, não tenho aumentos há… já lhes perdi a conta… todos os anos me fazem um novo corte e consigo ter no banco ao fim do mês mil e duzentos euros. Não me parece que este ordenado seja uma enormidade para o estado português. Como é que esta corja de gente que não trabalha para o estado português consegue insurgir-se contras esta enormidade… de ordenado? Como é que consegue continuar a vociferar autênticas alarvidades contra os funcionários públicos, como se estes, com o seu trabalho, não contribuíssem para a economia do país? Como é que estas pessoas, muitas delas pequenos empresários, que gerem pequenas empresas conseguem achar que os funcionários públicos ganham dinheiro a mais? Esquecem-se que estes funcionários, para além de contribuírem com o seu esforço para que os serviços necessários à sociedade funcionem para todos, também são consumidores dos produtos que essas pequenas e médias empresas produzem. Esta gente que fomenta esta guerra entre sector privado e sector público não merece viver com dignidade. São uns cretinos, moralmente desonestos e merecem o meu repúdio.

Porque é que estas bestas (e este termo está-se a tornar recorrente) não se preocupam antes com os noventa milhões de euros que a Assembleia da República tem de orçamento anual? Porque é que não se questionam com os dezasseis milhões de euros que o homem que come bolo rei de boca aberta tem de orçamento anual? Porque é que não se insurgem contra as tão famosas rendas excessivas que nos levam milhões de euros todos os anos? E poderia estar aqui a dar uma data de exemplos para onde estes cretinos descarregassem a sua raiva. Mas não ia adiantar nada. É mais conveniente malhar numa “entidade” que não tem um rosto, que é constituída por uma massa, que não se pode queixar… e assim podem arcar facilmente com as culpas…

Se calhar estou a exagerar. Se calhar toda esta minha raiva é fruto de algumas leituras de artigos, comentários e outras coisas estapafúrdias que vão aparecendo nos jornais e nas redes sociais. Se calhar sou eu a deixar-me levar por toda essa anormalidade (e não vou escrever o que tenho lido…) e deveria antes manter a cabeça fria. Esse seria o caminho mas eu também não sou perfeito e custa-me assistir, impávido e sereno à cobertura mediática deste tipo de opiniões…

Que me desculpem os meus amigos porque esses não merecem levar com estas minhas angústias.

Que me desculpem os meus amigos mas estes tipos que nos governam são umas bestas!

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Porque é que tenho de assistir a um bando de cães raivosos a insurgirem-se contra um conjunto de juízes? Porque é que tenho de levar com um bando de ignorantes a insultarem pessoas que têm uma formação muito superior a elas e que mais não fazem do que cumprir com a sua função? Porque é que não vejo essa cambada de facciosos a fazerem um esforço para conseguirem perceber que os incompetentes são aqueles que governam Portugal e que não são capazes de fazer um raio de um decreto lei que obedeça às leis vigentes no país? Será que estas pessoas vão, finalmente, perceber que os culpados desta situação não são as pessoas que trabalham para o estado português?  Será que esta gentinha que culpa os funcionários públicos de todos os males do país algum dia irá perceber que os gastos, os verdadeiros gastos, não vão para os bolsos dos funcionários públicos? Não me parece!

Os seguidores deste primeiro ministro, o mais fraquinho desde que vivemos em democracia, são facilmente manipuláveis. São carne para canhão e não conseguem perceber que estão a ser um instrumento de arremesso contra os funcionários de estado. Não percebem, e quero crer que seja porque são distraídos, que esta guerra contra os funcionários públicos (sim, esses mesmos, os que devem assegurar serviços essenciais ao funcionamento equilibrado de um país) é uma perfeita estupidez e que, a longo prazo, vai trazer custos enormes para o país. Eu tenho ouvido autênticas barbaridades contra os funcionários públicos. Não consigo desejar o mal a ninguém mas… gostava de ver a reacção dessas… pessoas… se um dia tivessem a infelicidade de chegar a um hospital público, com as tripas de fora e tivessem de esperar mais do que o tempo necessário porque os recursos humanos e materiais se esgotaram… e se esse bocadinho de tempo a mais fosse o suficiente para… ficarem incapacitados para toda a vida…? Oxalá isso nunca venha a suceder porque não é bom que tal suceda mas, na hipótese de uma tragédia dessas acontecer, tenho a certeza absoluta que seriam esses mesmos a criticarem a falta de resposta dos serviços.

São cretinos destes que nos governam. Sinto nojo em ser governado por pessoas destas. Percebo que existam formas diferentes de pensar e respeito essa diferença. Sempre respeitei. Mas não consigo entender a falta de sensibilidade social. Não me faz confusão nenhuma que as pessoas lutem por uma vida melhor. Que exista riqueza na mão de uns tantos. Agora, essa riqueza não pode ser obtida a qualquer preço. Já me faz uma certa confusão perceber que haja criação de riqueza à custa da exploração atroz de outras pessoas. Na minha perspectiva, há espaço para todos, ou deveria haver. Felizmente para mim, conheço algumas pessoas que criam riqueza, que trabalham de forma honesta para criarem riqueza para elas e para as suas famílias. São tão dignas como outras pessoas que conheço e que trabalham, também honestamente, para outras pessoas. Qual é o problema? Não percebo nem as queixas de uns nem de outros. Há espaço para todos menos para estas bestas que nos governam!

Fiz uma pausa. Escrevi o título antes de acabar porque tive consciência de que, por estes lados, reina um enorme… prazer em… viver a vida? Custou, mas foi!

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Sou rapaz entradote. É um dado adquirido. Mas sou rapaz para gostar da vida. Sou rapaz para gostar de tudo aquilo que pode parecer mais improvável. Não é por uma questão de querer andar em biquinhos… de pés, para dar nas vistas. Não. É uma questão de feitio. Gosto que ninguém saiba aquilo que eu gosto ou penso. Eu sei que não é fácil. Também sei que umas vezes posso ser bem compreendido e outras vezes posso ser confundido com o verdadeiro energúmeno. O verdadeiro energúmeno português. Mas não sou. Volto a frisar: é uma questão de feitio… Gosto mesmo de dizer o que bem me apetece. Também tenho consciência de que não posso abrir a matraca sempre que me apetece. Por uma questão de educação, digamos assim. Não me adianta nada ser malcriado. Se adiantasse, eu não me ensaiava nada em ser malcriado. Mas não adianta rigorosamente nada.

Apesar de ser entradote, não me considero o dono da verdade. Quero dizer, da verdade universal, porque da minha verdade… nem vale a pena comentar… é uma verdade tipo… de La Palisse…

Isto tudo para tentar perceber o que leva as pessoas a acharem-se donas da verdade. Se me puser a fazer o exercício de tentar perceber como funciono, como reajo face ao elogio ou perante a crítica ou, até e quiçá…, como expresso as minhas ideias quando os outros me estão a ouvir, facilmente me convenço de que posso ser o maior e mais fantástico ser humano existente neste belo planeta. Mas não sou. Nem de longe nem de perto. Lido com tanta boa gente, e gente boa, que têm uma impressão delas próprias tão… nivelada… por cima que só me consigo sentir inferiorizado. E melhor ainda, consigo sentir-me um perfeito idiota, incapaz de perceber o que querem dizer. Incapaz de perceber o que essas pessoas pretendem alcançar com as suas verdades. Sou um perfeito incapaz, por assim dizer. Se fosse a minha rica senhora a escrever esta última passagem (até parece tal e qual a bíblia…) era capaz de utilizar uma cena qualquer, linguística ou coisa do género, para ilustrar aquilo que estou para aqui a tentar… explicar… mas não, sou eu, por isso não vale a pena esperar um grande resultado estilístico, ou coisa que o valha.

Basicamente, eu podia continuar por aqui a encher chouriços. Podia, não podia? Nisso, eu sou bom. Consigo andar às voltas, e mais voltas, sem ter vontade de avançar para o essencial. Posso estar assim tempos infinitos. Mas também me posso cansar. Também posso achar que é chegada a altura de caminhar, rumo ao nosso Portugal do futuro… e deixar para trás o nosso Portugal pequenino… aquele que ainda habita num cantinho de nós. Eheheheheheh. Foi bonito, lá isso foi, mas não chegou. Não chegou para que percebam que devemos construir um Portugal novo. Chegado aqui, tenho quase a certeza que posso ser confundido com um qualquer defensor da nova ideologia reinante neste nosso Portugal. Vou mesmo ser confundido como sendo um qualquer defensor do empreendedorismo… que agora todos acham que deve ser a imagem de marca do novo português… Mas não. Não sou nada disso. Gostava apenas de viver num país melhor. Mais digno. Mais solidário. Com uma outra mentalidade. Mas não foi esse o meu destino. Vivo num país pouco justo, com a mentalidade das sopeiras do antigamente. Vivo num país com um sistema político assente na corrupção e no compadrio. O meu país tem tantas coisas más, que podem desencorajar o ser humano mais optimista que deus ao mundo deitou. Mas também tem muitas coisas boas. E é pela valorização de tudo o que de bom temos que devemos lutar. Para valorizarmos o que temos de bom não precisamos das bestas que nos governam.

Voltando ao início, e como sou rapaz entradote, começo a ficar baralhado das ideias. Por um lado, a minha raiva leva-me a que fique com vontade de intervir, de me manifestar politicamente e de me indignar publicamente. Mas depois, depois sinto uma impotência tão grande que deixo cair os braços. Percebo que as bestas que nos governam não querem saber de nada. Só querem saber do sucesso pessoal que possam conseguir. Que o sucesso pessoal dessas bestas passa única e exclusivamente pela capacidade em conseguirem acumular riqueza. Guito. Influência. Eu não vim a este mundo para ter esse tipo de sucesso. Claro que quero ter uma vida boa. Sempre fiz por isso e vou continuar a fazer. Também não tenho a mínima ponta de inveja daqueles que têm muito dinheiro pois, com toda a certeza, foi conseguido com muito esforço e trabalho. Não tenho qualquer tipo de complexos em relação à distribuição da riqueza. A honestidade ou a falta dela atinge todas as ditas classes sociais. Há muitos ladrões e a função do estado é meter essa gente nas prisões. O que me choca é viver num país fraco, cheio de injustiças e sem perspectivas de futuro. Somos um país pequeno. Deveria ser fácil organizar esta merda, mas não. Tinham de complicar!

Como já tinha o título, limito-me a acrescentar que podia ter escrito esta cena bem melhor… mas foi o que se conseguiu arranjar…

166,01. É um número bonito!

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Não é um número redondo. É o número que me calhou a mim. A mim e a muitas outras pessoas. Aliás, eu nunca tinha reparado neste número. Confesso que nunca lhe tinha prestado a devida atenção. E já que estou em maré de me confessar, também confesso que nem sequer sabia que ele existia. Foi para mim uma grande surpresa.

Este numerozinho, insignificante para uns, importante para outros, é o numerozinho que vai deixar de aparecer na minha folha mensal de vencimento. Este numerozinho é o resultado da conta que fiz quando comparei o recibo deste mês com o do mês passado. Acresce referir que os recibos do ano passado também tinham um outro numerozinho: 69,38. Um número mais redondinho e engraçado mas que também deixou de aparecer lá pela conta bancária… Se me puser a fazer contas de somar, com estes dois numerozinhos… vou chegar a um outro, numerozinho, claro: 235,39. Número grandioso!

É muito número, eu sei. Nem parece meu mas os números acabaram de tomar conta do meu sistema nervoso central. Algum dia tinha de ser. Finalmente, hoje, fiz as contas todas e fiquei a saber que os nossos governantes resolveram tirar-me 832,56 euros em dois mil e traze e vão-me tirar 1992,12 durante o ano de dois mil e catorze. Estas contas foram feitas sem adicionar os subsídios de férias e de natal. E já que estamos a falar de números, o meu vencimento líquido é de 1130,16 euros. É este o número que me calhou para trazer para casa. Faz anos que não me calhava trazer um número desses para casa.

Como eu, muitas outras pessoas devem estar a deitar contas à vida, como se costuma dizer. Essas contas ainda não as fiz mas sei que as vou ter de fazer. Agora fico-me pela raiva. Pela vontade de dar dois tiros em cada um dos incompetentes que governam este país. Que ficam todos contentes por terem baixado o défice em mais um ponto percentual do que o que estava previsto. Já se percebeu como o conseguiram fazer e à custa de quem. Também está bom de ver que este ano o défice ainda vai baixar mais do que o previsto pois a carga de imposto ainda é maior. Para quem? Para os do costume, pois claro. Não tem interesse nenhum saber que as pessoas têm as suas despesas e que não as conseguem pagar. As pessoas que aguentem. Na minha terra, dizem-se muitas asneiras e nem queiram saber as que me passam pela cabeça quando penso nos incompetentes que nos governam…

Posto isto, vou terminar mal, muito mal:

FILHOS DA PUTA!

Sexta feira, dezassete de janeiro de dois mil e catorze. Vergonha!

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Agora, no final do dia, já no sossego das ideias consigo perceber o que se passou durante o dia. É sempre assim. Se calhar é assim com toda a gente. Não sei! Eu gosto de puxar o filme atrás. Gosto de pensar no que sucedeu durante o dia, de positivo e negativo. Que amanhã é outro dia e não vai haver tempo para pensar no dia anterior. Manias.

Nestas andanças, acabamos por pensar em coisas que não devemos. Certo? Todos nós pensamos em coisas que não devemos. Faz parte da natureza humana. Mas também pensamos naquilo que devemos e temos obrigação. Certo? No que não devia, eu não vou estar aqui a divagar. Porque não, porque não interessa ao menino em palhas deitado e porque… simplesmente, não tem interesse.

Não tenho outra alternativa que não seja a da especulação, tal e qual a dos mercados…

E ainda por cima o assunto do dia foi sério. Sério em demasia para estar aqui com especulações… mas eu sou rapaz pouco sério, por isso…

Quem se está a dar ao trabalho de ler o texto e for atento já percebeu que o assunto mais importante do dia foi a votação, na dita casa da democracia…, que aprovou a realização de um referendo sobre a co-adopção. Alguém no seu perfeito juízo acha que este assunto é referendável? Eu acho, muito sinceramente, que a maior parte da população não sabe muito bem o que é esta cena da co-adopção. Aliás, acho que muitos daqueles que sentam a bunda na dita casa da democracia, que têm bigode para ficarem parecidos com a mãe deles, pensam que tudo isto tem a ver com mudanças de sexo ou de homens que engravidam, mulheres com um clitórias paranormal e que se juntam todos à esquina para ver se adoptam uma criancinha. Eu nem sei muito bem como disparatar mais sobre a anormalidade desta votação. Vivemos no século vinte e um e continuamos a ser governados por autênticos cretinos.

Pormenor: o partido mais suspeito de todos, aquele que tem mais dissimulados por bancada quadrada… absteve-se. Cruzou as perninhas e ficou à espera que “elas” se decidam. Não há pachorra.

Agora… pensem…

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Minhas queridas e queridos colegas de profissão. Não no particular. Antes no geral. Já repararam num pequeno pormenor? Já ouviram os comentários que passam nas ruas? Na opinião pública? Sobre os incidentes que aconteceram durante a realização de uma prova que se diz de avaliação de conhecimentos e capacidades. Já perderam um pouco do vosso tempo a ouvirem pessoas que não têm rigorosamente nada que ver com o ensino? Aconselho vivamente o exercício. Sempre acrescenta algo aos nossos conhecimentos e capacidades… Se não querem ouvir as pessoas, leiam e ouçam o que passa nos vários meios de comunicação, dita social.

Custa-me perceber como é possível tamanha inépcia. Tanta falta de argúcia. Estamos a lidar com bandidos. Com autênticos bandalhos que tomaram o poder e que acham que podem fazer o que querem. E CONSEGUEM! Perante esta corja, não se percebe como se cai na tentação de dar o flanco. Não se percebe como centenas de professores insultam e empurram só porque se deixaram levar pelas emoções ou, muito simplesmente, se deixaram manipular pelas agendas políticas de terceiros. Tudo aquilo que passamos diariamente nas salas de aula… respeito pela diferença de opinião… sentido crítico… resolução de conflitos através do diálogo… onde ficou tudo isso?

Já perceberam onde quero chegar, certo? Foi isso que passou cá para fora. Hoje, o ministro da presidência, com um ar desolador, veio expressar a sua preocupação pelo facto de alguns dos manifestantes/pessoas poderem ser os professores dos filhos de um qualquer pai… PERCEBERAM agora a falta de inteligência de quem dirige estas supostas lutas de professores? Quem ficou mal? Isso mesmo! A classe profissional mais humilhada desde que foi instaurada a democracia… E alguém fala no raio da prova? Da completa cretinice desta prova? Não, pois não? O pior ministro da educação sai deste conflito como se nada fosse… e a assobiar…