Qual foi a parte que o rapaz não percebeu?

Cristiano Ronaldo é madeirense. Não quer dizer nada, mas é madeirense…

Chama anormais aos que o assobiam e aos que berram pelo outro, o pequenino Messi. Dizem os comentadores futeboleiros que lhe falta maturidade futebolística. Eu não acho nada disso. Acho que é mesmo falta de chá e pouca educação. Já custa ouvir o bacano dizer que é bonito, giro, boa pinta, rico e um excelente jogador. Depende dos gostos, mas até consigo aceitar que tudo isso possa ser verdade, mas havia necessidade de o afirmar a toda a hora? Não me parece que, se eu começar a repetir a toda a gente minha conhecida, que sou um ser humano lindo e maravilhoso, as consiga convencer disso mesmo. Muito pelo contrário, quando me virem ao longe já estão a dar meia volta ou então começam a arranjar defesas mentais para não ouvirem nadinha daquilo que eu tenha para lhes dizer. Passo a ser o verdadeiro cromo, do gênero do Cristiano Ronaldo. E não sou madeirense…

Triste, muito triste.

Acabei de ler uma notícia sobre um tipo de cinquenta e dois anos, que pelos vistos é cirurgião vascular, mas que gosta de abusar sexualmente das suas pacientes. Foi constituído arguido e vai ser julgado. Foram quinze mulheres que foram abusadas. Quinze pessoas que deviam sofrer de problemas de varizes e que foram à consulta do tipo para depois serem molestadas. É muita gente a ser abusada e o mais incrível é que o tipo fazia o serviço em qualquer altura. Era quando estivessem mais à mão. Ele era antes das cirurgias, após as cirurgias, durantes os tratamentos e até durante as consultas na clínica privada. Foi um verdadeiro ver se te avias.

Não gosto muito de ser moralista, mas este tipo merece passar uns anitos enfiado numa prisão de alta segurança, apinhada de seres necessitados sexualmente, que lhe dediquem alguma atenção, mesmo que ele não queira…

Não é por ser médico, porque anormais deste gênero há-os em todas as profissões, o que choca (para além do acto em si) é o aproveitamento do estatuto, da debilidade das pessoas e da impossibilidade de se defenderem. Acho repugnante.

Os dois estarolas.

JJ e JJ. Jorge Jesus e João Jardim. Há aqui qualquer coisita em comum. Ambos são boçais e ambos falam de uma forma esquisita. Quando abrem a bocarra, deitam cá para fora uma data de disparates, mas acham que estão a dizer coisas importantes. A pior coisinha que têm em comum, é que ambos são peritos em gastar o dinheirinho que é dos outros. E neste aspecto há diferenças. Se um gasta o dinheiro em jogadores que nunca jogam (e são às pazadas) o outro gasta em obras e mais não sei o quê. Se um dos JJ leva à falência um clube de futebol (o das gaivotas, mais conhecido pelos coisinhos) eu não quero nem saber pois sou do fêcêpê… e quem tem mesmo que se preocupar são os tais seis milhões de portugueses… Já o outro JJ, com os gastos descontrolados que sempre escondeu, pode levar  todo o país pelo cano abaixo. São, portanto, JJs diferentes. O dos coisinhos tem a importância que tem e nada mais, agora, o Bokassa da Madeira pia mais fino porque vamos todos ter de pagar pelas asneiras que fez e, pelos vistos, vai continuar a fazer.

Eu não sou muito bom a dominar as potencialidades do facebook, mas gostava de saber fazer um grupo/oulácomosechama a reclamar a imediata independência para a Madeira. Mas tinha de ser um referendo feito por todos os que não vivem lá… senão… está-se mesmo a ver o resultado. Até lá, vamos todos continuar a ficar sem subsídios de Natal e com os impostos a subirem e o senhor PPC a sacudir a água do capote e a assobiar para o lado, tal e qual o senhor Silva. Há mesmo quem diga que este é o nosso fado. Azar o meu, que detesto fado.

Papa – léguas.

Ouvi uma coisa e li outra coisa. Ambas no mesmo sentido. Vamos por partes. Na televisão ouvi uma reportagem (também vi… enquanto estava na cozinha a preparar uns pimentos…) sobre os tumultos em Espanha. Dizia um rapaz novo (são sempre rapazes novos) que esta visita do Papa ia ficar caríssima aos cofres do estado espanhol e que as dificuldades do povo são uma realidade, que não há dinheiro para nada e os cortes são mais que muitos. Perante isto, a solução que o tal rapaz adiantava seria a Igreja Católica pagar a despesa ou os fieis custearem a dita visita, já que são eles os principais interessados e a Espanha é um país laico, tal e qual o nosso… Se pensarmos bem no assunto, não será difícil dar razão ao rapaz novo.

A outra coisa, que li, foi uma entrevista que o antigo Bispo de Setúbal deu ao Expresso. A páginas tantas, e não serão as palavras exactas, defendia que a igreja deveria vender o ouro dos andores das procissões (e apetece-me dizer que esse seria uma parte ínfima do ouro que a igreja possui…)  para canalizar o lucro para acções de ajuda a quem necessita de ajuda, pois esse é que é o verdadeiro sentido da igreja.

Duas opiniões que se encaminham para o mesmo lado e que já me fazem “espécie” há muito tempo.

Não devia ligar a televisão.

A vida em Portugal, e não só, está difícil. O dinheiro está ficar curto e vai ficar ainda mais curtinho, assim, tipo, rastilhinho que se queima num abrir e fechar de olhos. São cortes e mais cortes nos serviços a que estamos habituados. São mais impostos, de todos os géneros e feitios. Enfim, a coisa está a ficar preta. Ainda estou de férias (pelo menos ainda temos direito a férias…) mas, de vez em quando, lá vou assistindo a uns telejornais. Hoje acabei por ver um telejornal. Dizia o senhor jornalista (principescamente pago…) que não percebia porque é que a aplicação do iva tinha tantas disparidades. Como é possível que as piscinas para os miúdos aprenderem a nadar paguem iva à taxa máxima e os bilhetes do futebol paguem a taxa mais reduzida (e eu gosto de futebol e tenho as minhocas na piscina…)? Como é possível o golfe só pagar a taxa mínima? Como é possível as touradas (esse espetáculo hediondo e primitivo) ser taxado pelo mínimo? Há uma data de exemplos que  não fazem sentido e não se percebe a falta de coragem para os responsáveis pelo país alterarem as coisas. Eu percebo que existem muitas razões para não mexer nisto ou naquilo, mas numa altura em que o país está a atravessar uma grave crise, deveriam ser dados sinais claros de existe moralidade e, apesar da receita que estas atividades  geram ser pequena, seria muito moralizante saber que os interesses do país estão em primeiro lugar. Mas parece-me que vai ser mais do mesmo… a eletricidade e o gaz dão mais guito…

Dedo do meio bem levantado.

Não sei muito bem porque carga de água é que me deparei a ver os penalties da selecção de futebol dos sub20. O que é certo é que acabei por assistir ao sofrimento que aquela treta foi. Bem, sofrimento é um pouco exagerado. Não interessa. Lá estive a assistir e gostei do resultado final. No meio daquilo tudo, deu para reparar na atitude do capitão da equipa portuguesa, com uma exagerada vontade de incentivar os colegas, dando pancadas no peito (suponho que no emblema das quinas…), levantando os braços e berrando para os colegas e para os adversários. O que é que o rapaz dizia, não deu para perceber… Até aqui tudo normal. É a tribo do futebol, com os seus códigos e as suas manias, por assim dizer. Depois de tudo acabar, ou seja, depois de terem ganho na marcação dos ditos penalties, deu para reparar nesse mesmo capitão. Estava completamente possuído de alegria e fartou-se de correr de um lado para o outro, a saltar e a berrar. Tudo normal, portanto. O que já não é muito normal é que o rapaz tenha feito isto tudo com os dois dedos do meio bem levantados e em direcção aos pobres dos argentinos (que também não são flor que se cheire…), provocando-os e mostrando-lhes o nível e a massa de que somos feitos. A emissão acabou logo a seguir mas pareceu-me que os argentinos não estavam a achar lá muita piada e alguns deles queriam andar à bofetada. Não sei como é que o assunto se resolveu, mas se o portuguesito levou dois pares de estalos… para a próxima que respeite os derrotados e pode ser que nada lhe aconteça. É a mentalidade desportiva que temos em Portugal.

Falta generalizada de juízo.

Bem. Vou começar pelo princípio, para variar. Quando um aluno é apanhado a copiar, o que é que lhe acontece? Todos nós sabemos o que lhe acontece. Acho eu. Para os mais distraídos, eu relembro. O teste é anulado. Se for em exame, levanta-se um auto de ocorrência e a coisa fica por ali. Parece normal? A mim parece e talvez à maioria dos portugueses habituados à escola também pareça. Só que há uma raça de portugueses diferentes. Raça foi o nome que me veio à ideia. Podia ter pegado num adjectivo qualquer para os qualificar. Falamos de quê? De alunos candidatos a juízes. Sim, não passam de alunos que vão fazer um curso de magistrados. Futuros juízes? Pois é. Foram apanhados num copianço colectivo durante a realização do exame. A notícia está aqui. Independentemente dos resultados práticos (que são chocantes, por ter sido atribuído um dez em vez de um zero…) fica a ideia de um grupo de rapazolas batoteiros vir a ser o futuro da justiça portuguesa. Como diz o meu amigo Nuno: Medo, muito medo.

Avaliação dos do Padre Inácio.

Suponho, e este suponho ainda está para ser melhor avaliado, que a minha vida profissional vá entrar em total colapso. Hoje tive uma ligeiríssima amostra daquilo que me espera para a segunda metade do ano lectivo. Vem aí uma avaliação de desempenho docente e só de pensar na quantidade astronómica de papelada que vou ter de apresentar… fico esgotado. É um processo extremamente burocrático e dispendioso, porque são centenas de folhas que tenho de apresentar… em papel… logo eu que tenho um portefólio electrónico que funciona às mil maravilhas. Mas assim querem os arautos do progresso e defensores das novas tecnologias. Enfim. No meio disto tudo, a única parte divertida acaba por ser o facto de ter aulas assistidas. O resto é puramente cretinice, com evidências para a frente, evidências para trás, justificações para tudo e mais alguma coisa, reflexões sobre o trabalho desenvolvido e eu sei lá sobre que mais. Ainda não me apercebi da totalidade do problema que vou ter de resolver, mas lá chegarei e das duas uma: ou fico tolinho ou mando tudo à merda. A ver vamos.

Presidente da República.

Não devemos aproveitar as dificuldades dos outros para tirar partido de determinadas situações. Por outras palavras: não devemos utilizar os defeitos dos outros para gozarmos com eles. Parece pacífico que assim seja. Mas, há sempre um mas. Quando o personagem é alguém que nos tira do sério tudo se torna diferente. No caso, o personagem, é o PR, reeleito com a menor maioria de sempre, após o 25 de Abril. Quando o senhor aparece na televisão até me dão “ouras” e instantaneamente lembro-me do bolo rei e daquela dificuldade em pronunciar determinadas palavras. Depois acalmo e penso na sorte que nos calhou, que neste caso é mais azar. Mário Soares classificou o discurso de vitória da Cavaco Silva como sendo rancoroso. Ora nem mais. Foi um discurso vergonhoso mas ao nível de quem o fez e já não é a primeira vez que tal acontece. É um padrão da personalidade do senhor. As pessoas são livres de escolherem quem muito bem entenderem. Ponto. Mas, francamente, levar com este senhor por mais cinco anos… vai doer… numa altura em que o país precisa de mudar mentalidades e de formas de actuação, o povo português vai logo escolher a personagem que está intimamente ligada a tudo aquilo que de pior existe na sociedade portuguesa. Para além de tudo isto, é um personagem sem mundo, com um discurso limitado e adorava saber quem é que gostaria de ir jantar com ele, se tivesse oportunidade disso. Eu não era, com toda a certeza!

São políticas.

Gosto de ler notícias atrasadas, se bem que atrasadas são todas as notícias… mas desta vez foi uma notícia que saiu no Público, aqui há uns tempos, sobre os custos do software utilizado em Portugal, em tudo o que é serviço do Estado, escolas incluídas. A páginas tantas diz o seguinte: “… Estado tem gasto 160 milhões de euros por ano em software e o Orçamento do Estado para 2011 prevê subir este valor para 190 milhões de euros.” Como é isto possível? Eu percebo que existam alguns sectores em que o Open Source não é considerado suficientemente desenvolvido para executar determinadas funções, mas posso afirmar que noutros sectores (escolas) a utilização de software livre é perfeitamente viável, assim como os sistemas operativos livres. É uma velha discussão, é certo, mas porque raio de carga de água devemos todos nós pagar um serviço que poderia ser grátis? Eu funciono diariamente com Linux, venho de uma geração que está a milhas da actual no que diz respeito à utilização das novas tecnologias e não é por isso que não consigo fazer as coisas e tirar partido dessas mesmas tecnologias. É que esse dinheirinho que se poupava sempre dava para abater na dívida pública, digo eu.