Assim se passou o Natal.

 

E lá se passou mais um Natal. Ao contrario dos dois anos anteriores, em que fomos para o conforto de um hotel, este ano retornamos a casa e ao trabalho de escravo das rabanadas, aletria, bacalhau, batatas, couves e tudo aquilo que se faz e come em exagero durante esta época. Bem, escravo, escravo, não fui porque não foi na minha casa e consegui escapar da trabalheira toda e só tive mesmo o trabalho de comer, o que no meu caso é uma verdadeira canseira. Mas correu bem. As minhocas adoraram. Como todas as crianças, só querem saber é dos presentes e este ano tiveram muitas prendinhas, baratinhas e muito bem escolhidas, para que não se apercebessem que o Pai Natal ainda estava mais em crise do que os seus pais. E correu muito bem. As prendas delas foram um sucesso e só pelo sorriso valeu o Natal. Decididamente, esta época vale pelas crianças e pela alegria que transmitem aos mais velhos. O resto são trivialidades. E exageros. E águas das Pedras. E chás. Desta vez só faltou a água das Caldas, para moer tudo de uma só vez.

Há coisas que nunca mudam.


Estou a apanhar uma grande seca na escola. Estou à espera de uma reunião que vai começar às sete e meia da tarde. Se tudo correr bem, deve terminar por volta das nove e meia. Depois irei para casa para comer qualquer coisa, dar uns beijinhos às minhocas e cair nos braços da minha rica senhora, que também merece a minha atenção. Aliás, eu gosto muito de lhe dar atenção porque ela merece. Nesta aventura de criar filhos, de os educar e de tentar que venham a ser boas pessoas, ela tem sido uma excelente companheira e o meu suporte para continuar equilibrado. Sim, porque eu ainda sou equilibrado. Pode não parecer, mas sou. Adiante. Amanhã vou acordar e vou estar de férias. Vou poder fazer outras coisas. Vou descansar a cabeça das coisas da escola. Não vou querer saber do estado do país. Não vou querer saber  das baboseiras que o primeiro ministro vai dizendo sobre as pessoas que não têm trabalho. não quero pensar se vou ter dinheiro para pagar as contas todas. Não vou perder o meu precioso tempo com tretas más. Vou antes pensar que vem aí o Natal e que as minhas minhocas adoram esta época. É natural, eu quando era pequeno também adorava o Pai Natal. 

Noite memorável.

Finalmente estou a começar a acordar. Que me desculpem todos aqueles que se levantaram cedo para irem trabalhar mas eu estive a dormir até às duas da tarde. Já não me lembrava de ficar até tão tarde na cama. Claro que tudo isto só foi possível graças aos amigos muito especiais que ficaram com as minhocas em casa deles para que nós pudéssemos sair. E foi o que nós fizemos. Fomos jantar a casa de outros amigos, também muito especiais, e foi um jantar magnífico. Já não me ria tanto há muito tempo e foi uma noite super agradável. Claro que não vim a conduzir… e a minha rica senhora levou-me para onde quis…

Daqui a pouco vou ter de me preparar para ir ter com as minhocas e ficar para mais uma noite em boa companhia e excelente conversa. Vai ser um fim de semana em grande.

Sábado à tarde, sem chuva.

Este Natal vai ser diferente. Forçosamente. Ao que tudo indica, eu vou fazer de Pai Natal. Tenho andado a trabalhar a minha imagem para conseguir desempenhar na perfeição o papel. A barba já está a começar a crescer como deve ser, depois de uns valentes dias em que não atava nem desatava. Agora, para além de crescer desenfreadamente, decidiu ficar quase toda branca e eu não percebo porquê… ainda sou um Pai Natal relativamente jovem…

Fim de semana valente.

Tirando as dez horas que passei em frente ao churrasco, o fim de semana correu muitíssimo bem. Bem, a parte de churrasco não foi seguida… foram três refeições para doze adultos e três crianças de cada vez. Foi virar muito frango, febras, barriguinhas e costelinhas mas também nos consolamos a comer. Foi um fim de semana passado em Cabeceiras de Basto numa habitação de turismo rural, gentilmente cedida pelo seu proprietário, num local muito bonito e com umas condições muito boas. Os nossos acompanhantes, alunos da minha escola, foram uma excelente companhia. Só tinham um grande problema: bebiam coca-cola, ice-tea e afins a um ritmo alucinante. Nunca julguei que fosse possível beber tanta porcaria em tão pouco tempo. Acabaram com as garrafas todas e ainda tiveram de ir comprar mais ao mini mercado da localidade. Uma coisa nunca vista. Tirando esse pequeno pormenor, lá fizeram o levantamento das características da habitação, para posterior tratamento, depois deixaram os cadernos de lado e fizeram o favor de se divertirem o mais possível. Até um mergulho na piscina eles tiveram coragem de dar… praticamente em Novembro e na região que é…

Fotografias sobre o assunto, ainda não há!

E esta, heim? Com H!

Levo uma vida perfeitamente aceitável. Não estou a falar de cenas materiais. Essa é uma cena que não me assiste. Acho que vim a este mundo para ter aquilo que posso pagar com o esforço do meu trabalho. Não vou enriquecer à custa de terceiros ou do euromilhões. A parte do euromilhões eu ia adorar, confesso. Ia poder comprar uma data de caixas que não servem para nada, mas que eu gosto. Uma data de comboios em miniatura. Ia conseguir comprar resmas de livros e ia poder cheirá-los a todos. E as ferramentas? Ia comprar as melhores ferramentas para lhes passar as mãos e sentir o frio do aço. E os bonecos? Bem os bonecos iam criar um grande problema cá em casa. As minhocas também adoram bonecos. Não são bem os mesmo bonecos, mas eu acho que elas se iam deixar contagiar pelo meu gosto. E depois, depois, eu gostava de ter as paredes de minha casa forradas a bonecos, com comboios a passarem entre eles, com vários níveis, todos eles a saírem das paredes. Bem. Stop. O euromilhões não vai sair e eu tenho mesmo é de viver com a vida que tenho, que é muito boa. Não me posso queixar. Bem, queixar, queixar, até posso, mas não passam de minudências…

Antigamente é que era…

Ontem foi dia de almoço de antigos atletas. Estive a ver fotografias tiradas há trinta e oito anos! Caramba, trinta e oito anos! Como o tempo passa depressa e como a nossa passagem é tão efémera. Pensando brevemente no assunto, muito brevemente, voltamos ao mesmo de sempre, às mesmas interrogações, às certezas e às não certezas e, acima de tudo, à forma como vamos levar esta nossa vida. Bem, mas este assunto iria levar-me para outras zonas menos consensuais e mais dadas à especulação. Não foi por nada disso que me lembrei de vir aqui escrever, foi mesmo para relembrar aquela malta toda de há trinta e oito anos. Cada um com a sua vida, com as suas taras e manias, como já dizia o nosso Marco Paulo, mas todos com o espírito de há trinta e oito anos. Foi um belo almoço.

Para terminar o dia em beleza, belezura, tive um belo de um jantar, bem comido, bem bebido e bem falado mas que me deixou de gatas… que isto da acumulação… de vapores… deixa as suas marcas… se ainda fosse há trinta e oito anos atrás…

Eu devia estar a trabalhar, mas não estou. É sábado à noite e eu sou um cowboy!

Devo dizer que é useiro. Useiro e vezeiro. Pelo menos da minha parte é. Não gosto de falar para quem não me compreende, mas acabo sempre por o fazer, em todas e muitas circunstâncias. Daí o useiro e o vezeiro. Perguntam-me aqueles para os quais eu não gosto de falar, o que é isto de useiro e vezeiro? Digamos que seria uma boa pergunta mas, se nos debruçarmos sobre os peitos da pergunta, reparamos que também o raio da pergunta é useira, menos vezeira, mas useira. E fico-me por aqui. Porquê? Porque assim ninguém vai perceber nada daquilo que eu estou para aqui a dizer. O que é bom.

Douro.

Pegando numa fotografia roubada à minha rica senhora, quero render a minha homenagem à Casa da Koltura, às manas anfitriãs e a todos os intervenientes nas belas actividades que por lá se desenrolaram. Com uma vista fantástica sobre o rio Douro, fomos degustando belos manjares, sempre regados com preciosos néctares, criteriosamente seleccionados, e desfrutando as vistas maravilhosas. Confesso que não tenho palavras para descrever este fim de semana magnífico.