Foi um rico fim de semana comprido.

Este foi o primeiro fim de semana do ano a acampar. As minhocas adoram. A mãe das minhocas faz o sacrifício. A mim tanto se me dá dormir numa tenda como numa cama de hotel. Mais ou menos. Mas o que me interessa mesmo é poder ver as minhocas a correrem de um lado para o outro, a brincarem e a falarem com as amiguinhas. Sim, porque mais uma vez fomos muitos e bons. Uma alegre confusão, portanto. Comemos e bebemos em demasia e na vinda ainda paramos num restaurantezinho italiano, em Seixas, e pela primeira vez na minha vida deixei comida no prato. Não porque a comida estivesse má, muito pelo contrário, mas era muita coisa boa e saí de lá com uma barriga de rei.

Eu fico por baixo…

“Uma vez amei tanto um homem que deixei de existir – só Ele, não havia Eu. Agora amo-me o suficiente para que nenhum homem exista – só Eu, não há Eles. Todos eles costumavam ser Deus e eu costumava ser fruto da minha própria imaginação. Agora são os homens que são fruto da minha imaginação. É o mesmo jogo, com posições diferentes. Não sei jogar de outra forma. Tem de estar alguém em cima e alguém em baixo. Lado a lado é um tédio. Experimentei-o uma vez, durante uns momentos completamente desconcertantes. A igualdade nega o progresso, impede a acção. Mas um dominante e um submisso, bem, eles conseguem ir à lua e voltar enquanto os dois parceiros iguais negoceiam quem paga, quem é fodido e quem é culpado.

Contudo, a minha transformação não foi de baixo para cima mas de baixo para ainda mais baixo. Da minha infelicíssima submissão emocional à minha abençoada submissão sexual. Esta é a história da minha mudança – e do preço que paguei por ela. Muito caro. Incalculável.”

Toni Bentley. Introdução em “Entrega”

Como não se consegue ganhar um concurso de escrita criativa. Recordando.

Já não me lembrava deste post, de 29 de Abril de 2008. Foi no tempo em que ainda me dava ao trabalho de concorrer para perder:)
Esta coisa dos concursos, tem muito que se lhe diga. De início é difícil perceber o que se é pretendido, que é o primeiro item da lista, depois há aquela dificuldade em se conseguir chegar ao que épretendido, mais para a frente surge a convicção de que não se está a fazer nada do que épretendido, olhando para o lado se calhar o mais acertado é não fazer nada do que é pretendido, e andamos nisto, até que se chega à conclusão de que: seja o que deus quiser, se for o que é pretendido, tudo bem, se não for o que é pretendido, tudo bem na mesma.
Afirmar, portanto, que tudo isto não passa de um mero equilíbrio… será cair num lugar comum.
O que até não está nada mal. Dá é um arzinho um pouco palerma à coisa, o que, convenhamos, nesta altura do concurso, não será muito aconselhável. Porque já se perdeu uma data de tempo a pensar… a escrever… a salivar com os prémios, e tudo isso não é de desperdiçar.
Assim sendo, passa-se ao segundo item da lista: a escolha do tema. Utilizando novamente a palavra claro, a escolha não poderia deixar de ser, claro, a pior baboseira. E baboseira porquê? Porque muito sinceramente não interessa mesmo nada, pois isto trata-se de fazer a escolha de um tema para um concurso de escrita criativa, certo? Daí ser certo e seguro que tanto faz falar disto ou daquilo.

Feita, pois, a escolha, passemos ao desenvolvimento do assunto em si, que será o terceiro item da lista e que por sua vez pode, perfeitamente, ser enriquecido com uma verdadeira parafernália deferramentas. Claro está que a escolha irá recair sobre uma foto. Parece-me consensual que assim seja, até porque fica sempre bonitinho.Enriquecer um texto, quarto item da lista, com uma imagem, é sempre, mas sempre, difícil. Não queria usar novamente a palavra parafernália, porque me parece excessiva, mas há uma data de condicionantes que nos fazem recear pela escolha, por isso, o mais lógico, e neste caso, o mais correcto, é fazer uso de uma imagem que não tenha rigorosamente nada que ver com o tema, pois só assim se consegue obter o verdadeiro enriquecimento.
Chegado a este ponto, a coisa complica-se ainda mais, pois reparo que estou no quarto item da lista. Da lista do concurso de escrita criativa, obviamente. Bem vistas as coisas, está chegada a altura de proceder a um auto-elogio, que será o quinto item da lista. Fica sempre bem, é normal, e toda a gente acha que deve fazer parte e, acima de tudo, não dá grande trabalho, porque ninguém melhor do que nós próprios para nos gabarmos, por isso é imprescindível. É verdade que nem qualquer auto-elogio serve, mas um, assim jeitoso, que dê para as pessoas perceberem o carácter do autor, é o ideal.
Paremos para pensar.
Este é sempre o momento crucial. Ou para a frente ou para trás. Que fazer? Eis a verdadeira questão. Será que está a faltar qualquer coisita? Será que devemos enriquecer mais um pouquito o nosso trabalho? Uma foto engraçada? Com uma forte carga ideológica? Oh Jesus, ajuda neste momento difícil.
Passada a tormenta, devemos pensar em enviar o trabalho. Temos duas maneiras de o fazer. A engraçada e a outra. Como é óbvio, eu escolho a outra. Como sempre, seguirá no último momento, correndo o risco de não ser aceite, devido a dificuldades tecnológicas, que são sempre susceptíveis de suceder, ou por ter ultrapassado a data limite. Em caso de ter sido aceite no limite, corre-se outro risco: o do júri já não ter pachorra para analisar o conteúdo, o que também não está mal.
Posto isto…

2010. Um ano bom.

Tentar separar os vários aspectos da minha vida, não faz sentido. Aquela treta de separar o aspecto profissional do aspecto amoroso ou do aspecto individual, não faz mesmo sentido. Pelo menos para mim não faz. Não será nenhuma barbaridade eu achar que estão todos relacionados e que todos eles interferem uns com os outros. Por estas e outras coisas é que me fica difícil fazer um balanço do ano que agora findou. Mesmo assim cá vai.

No trabalho, se a coisa está preta cá por casa, também fica meia cinzenta lá pela escola. Tem altos e baixos, mas  sempre com um denominador comum: a vontade de deixar o ensino, tal é a quantidade de burocracia e de obstáculos para poder dar as minhas aulas tranquilamente que por vezes me dá vontade de fugir daquilo. Valham-me os colegas (eu sei, colegas são as putas…) de trabalho que sempre estão lá, na altura certa, para dizerem aquelas anormalidades/parvoíces/frases fofas, que por vezes temos necessidade de ouvir e que nos levantam o moral. Sorte a minha.

Na minha casa, continuamos os quatro a aprender a viver em conjunto. Não é fácil, mas também não é nada do outro mundo. Pé ante pé, lá vamos construindo a nossa vida, o nosso amor e a nossa amizade, mas sempre com muita vibração, para o bem e para o mal. Haja saúde e tudo o mais vem naturalmente. Com mais ou menos sono, com mais ou menos daquilo, com mais ou menos intensidade de voz, com tudo isso e muito mais, a coisa vai. Sorte a minha.

No meio disto tudo, sobram as minhas coisas. Sempre com pouco tempo e pouco sossego. Mesmo assim ainda desenhei, li alguns livros (mais do que vinha sendo habitual), fumei uns cigarros (coisa que já não fazia há sete anos) e bebi uns copos de vez em quando. Não foi mau, apesar da parte dos cigarros não me estar a agradar nada. A acrescentar a tudo isto ainda consegui manter o blogue, dei umas corridas, acrescentei umas montanhas à minha eterna pista de comboios e saquei uma data de trance psicadélico para ouvir enquanto viajo na minha bela Scarabeo. Sorte a minha.

Axis Viana, Business and SPA.

Este Natal foi diferente. Fomos todos para um hotel passar o Natal. Foi realmente muito agradável e, acima de tudo, muito prático. Sem trabalhinho nenhum. Foi só comer e beber, sem ter de lavar a loiça e arrumar a cozinha… Claro que o resto foi igual, com os exageros gastronómicos do costume. No dia da consoada, levei uma camisolinha de gola alta, preta, justinha, e quando me levantei da mesa mais parecia o Toy, com uma barriga descomunal, mas sempre com aquele ar de jovem energético… uma vergonha, portanto, mas fiquei consoladinho. No dia de Natal, a coisa correu pior para mim, só para mim porque estive com gripe, mas mesmo assim tornei a exagerar na paparoca… de tal maneira que não consegui jantar.

Foi um Natal muito agradável, num hotel muito bom (pelo menos para aquilo a que estou habituado) e quem me dera poder repetir tudo isto para o próximo ano. Já agora, aproveito para aconselhar toda a gente a experimentarem um Natal deste género e depois digam-me alguma coisa.