Cansadinho, cansadinho, mas tão cansadinho…

Caramba, que nunca mais cá vim. Está-se a tornar recorrente. E repetitivo. Mas os estágios dos meus alunos e a avaliação do desempenho docente não me deixam muito tempo livre e com cabeça para pensar direito… e até ontem, com o fêcêpê a jogar, me senti sem energia para berrar quando o Falcão meteu aquele belo golo. Foi uma vitória que me passou ao lado. E nem sequer foi por achar que já são muitas e que a história se repete… pois nunca são de mais as vitórias do fêcêpê. É mesmo cansaço.

Como moro perto do aeroporto, ainda pensei numa terapia de choque. Ir receber os jogadores do fêcêpê, estar no meio daquela multidão de fanáticos, levar uns empurrões para conseguir tocar num braço de um dos craques da bola ou, muito simplesmente, chorar de alegria. Seria, realmente, uma excelente ideia eu pegar na minha bela Scarabeo e ir ao encontro dos campeões… mas é precisamente desse pequeno pormenor que eu não vou. É que a multidão vai ser de tal maneira que ainda me riscavam a minha bela Scarabeo… e isso eu não quero.

Barcelona.

Apesar de não ter visto o jogo todo porque fui levar as minhocas à piscina… (confesso que se fosse o fêcêpê não havia piscina para minhoca alguma…) ainda tive tempo para ver uma boa parte da vitória do Barcelona sobre o Madrid. Que me desculpem os xenófobos que só gostam de tudo é que mexe e é português, mas nunca gostei do Madrid e não vai ser agora que vou passar a gostar só porque lá estão não sei quantos portugueses a trabalhar. É que o Madrid sempre foi o clube do nosso outro amigo… um tal de Franco, que à semelhança daquele que por cá reinou durante uma data de anos, também achava que o Madrid é que era e os outros faziam parte da província…

Pode-se sempre dizer e argumentar que são complexos de crescimento tardio, e eu digo que sim, que são complexos. Pode-se também dizer que são complexos da pequenez bairrista, e eu digo que sim, que são complexos. Pode-se ainda dizer que são complexos da falta de mundo, e eu digo que sim, que são complexos. Mas como eu adoro ser complexado, principalmente quando o resultado do trabalho, da perseverança, da genialidade, da lucidez e da vontade resultam num espectáculo deste calibre. Bem sei que devemos ser humildes (no sentido oposto à gabarolice) mas apetece-me comparar (salvaguardando a devida proporcionalidade) este Barcelona à máquina portuguesa de jogar futebol. Como devem calcular, estou-me a referir ao fêcêpê, não vão os mais distraídos pensar que estou a comparar com uma equipa qualquer de coisinhos.

Esta custou.

Depois de o ouvir a minha vida muda. Acontece sempre a mesma coisa. Já é a quarta vez que tal sucede. Começo a interrogar-me se isto é normal? Claro que não quero “acradetar” que a culpa é dele. Tenho mesmo de “acradetar” que o mérito é todo do nosso menino. Menino é uma forma carinhosa de o tratar. Em contraponto ao outro, o que “acradeta”, o nosso menino pode ter só trinta e três anos mas é de uma competência e de um rigor muito acima daquilo a que o português está habituado. Quando falo em português… tenho uma leve tendência para o associar ao adepto do clube das gaivotas, mas depois ponho-me a pensar, a pensar, e chego a uma outra conclusão, também ela muito leve, mas autêntica. É que Portugal não é só Lisboa, é todo um mar de gente que pensa, trabalha e  luta por ideal. Está bem, podem dizer que acabei de fazer cinquenta anos e que estou a ficar mentamente obstruído, ou o que acharem mais adequado para a minha pessoa, mas depois de constatar tudo aquilo que os outros não querem ver, só me apraz dizer: um grande bem haja para o Vilas Boas, ele merece-o. Ponto. E os outros que continuem a “acradetar”.

Para acabar de vez com a conversa.

Ele há coisas que começam a enervar. A primeira é que já chega de tentarem tirar o brilho à vitória do fêcêpê. A segunda é eu andar a perder tempo com semelhante treta. Portanto, duas coisas distintas, mas que estão intimamente ligadas. E como gosto da parte do intimamente, lá estou eu de novo a escrever sobre o assunto. É caso para se dizer: Irra, que é de mais! Voltando ao primeiro assunto, já muita coisa foi escrita, muitas anedotas circulam por aí e a galhofa está para durar. Estou-me a referir, claro está, ao apagão e à respectiva rega. Apesar disso esforço-me por encontrar qualquer coisita inovadora sobre o assunto mas apenas encontro um sorriso e um ainda bem que tal sucedeu. E digo ainda bem porque assim ficamos todos a saber de que massa são feitos os lampiões. Posto isto, que não foi muito porque andamos todos esgotados com os festejos, apraz-me dizer que não perder mais tempo com este assunto. Para o ano há mais (também já ouvi algumas gaivotas com esta treta…) e cá estaremos para o que der e vier, com a certeza de que a máquina já estará montada e pronta para o churrasco.

Chega um homem cansado a casa…

Nem de propósito. Depois de um dia cansativo e com o jantar a acabar às dez e meia, dou de caras com uma notícia hilariante. O clube das gaivotas inaugurou uma casa do clube… onde? Adivinhem lá? Uma pista. No local onde nunca tal deveria acontecer. Mas há muitos locais onde tal não deveria acontecer. Certo, mas este também foi e é um símbolo do regime… Estão mais perto? Nem por isso? Andam distraídos… Então eu vou dizer. Foi na sede da TAP. Sim, da TAP, aquela transportadora aérea pública, que é pertença de todos os portugueses, já que somos todos nós que a subsidiamos com os nossos impostos. Já nem me questiono como foi possível deixarem que tal acontecesse, mas fico de boca aberta como ninguém diz nada, como se fosse a coisa mais natural do mundo….

Assim, visto de baixo para cima.

Pois é, quando menos se espera vem a vontade de escrever. E logo duas vezes seguidas. Já não é normal… para mim, claro está. Desta vez é sobre a bola, a redondinha. Já nem me lembro quando foi a última vez que abordei a saltitona. Também, depois da forma como o fêcêpê perdeu o último campeonato, andava meio farto das coisas da bola. Meio farto é uma forma de me expressar porque andei sempre de olho na redondinha. Este ano a coisa tem andado melhor. E de tal maneira tenho gostado do que vou vendo e assistindo que nem sei muito bem por onde começar. É que o fêcêpê está imparável, tal é a superioridade que tem vindo a evidenciar dentro das quatro linhas. Claro está que esta superioridade nunca é reconhecida e sempre que podem, os senhores do costume, tentam desvalorizar as capacidades desta equipa, deste treinador e, para não variar, da força deste clube. Basta olharmos para o tratamento que é dado ao fêcêpê quando vence, cá dentro e lá fora, para percebermos que vamos ser sempre encarados como um clube regional (como eles gostam desta palavra) cujos títulos são obtidos de forma fraudulenta sem reconhecerem o mérito que lhe é devido. É a vidinha, dizem os mais amargurados. Pois é, mas enquanto essa gentinha assim vai pensando, o fêcêpê vai ganhando, vai-se organizando cada vez mais e melhor e quando repararem… já nem aos calcanhares lhe chegam…

Ideias peregrinas…

De vez em quando lá venho eu para aqui falar de futebol. Faz parte. Desta vez é muito rápido. Quem viu o jogo de ontem do fêcêpê, ou pelo menos o resumo, ficou com a noção clara que foi mais uma grande exibição da equipa e que podíamos ter ganho por muitos mais, não tivesse estado o árbitro “distraído”. E quando digo distraído, quero mesmo dizer despassarado de todo e sem a mínima categoria para dirigir um jogo daquele calibre. Penso que está na altura do nosso Presidente tomar medidas duras. Árbitros destes nunca mais os queremos ver ou então vamos boicotar os jogos no estrangeiro. Que nenhum adepto portista assista ao jogos realizados no estrangeiro. E queremos ser recebidos pelo Presidente do Parlamento Europeu. E vamos fazer uma petição pública para que a uefa nos dê uma avião blindado, à prova de pedras. And so on…