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E amanhã?

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Hoje, o que está a dar, é vermos uma data de referências à mulher… Ele é na rede social da treta, ele é nos jornais, ele é nas televisões… É um ver se te avias… Até eu, pela manhãzinha, comecei com uma publicação alusiva ao dia internacional da mulher… ao que isto chegou! Não é que eu seja machista… mas se adivinhasse que ia levar com uma injecção deste calibre… não tinha publicado nada pois os outros encarregar-se-iam de o fazer. Também aceito que esta minha afirmação possa parecer um tanto ou quanto fatela… mas o que eu não aceito de bom grado é que ainda seja necessário estarmos a celebrar um dia dedicado à mulher, em pleno século vinte e um. Numa sociedade livre e justa tal não seria necessário pois as mulheres estariam em igualdade de circunstâncias. Bem sei que não vivemos, nem nunca iremos viver (pelo menos a mim não me vai tocar) na bendita da sociedade ideal e que por isso são estas pequenas “comemorações” que nos alertam para as realidades mas tenho a impressão que amanhã voltará tudo ao normal… É apenas um pressentimento meu!

Há dois dias fez nove anos.

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Pois o tempo passa, não é verdade?

Para todos!

O meu tem voado… e cada vez mais sinto que devo fazer aquilo que me dá prazer. Mas nem sempre pode ser… por variadíssimas razões. Apesar de não ter dinheiro para fazer o mínimo dos mínimos de actividades que me dão gozo… consigo perceber que existem muitas outras para as quais não são necessários grandes meios. O problema está em conseguir manter um nível de lucidez e vontade minimamente decente e saudável. E acreditem que não é nada fácil encontrar o equilíbrio quando estamos atolados…

Adiante.

Isto tudo porque o blogue já está no ar há nove anos e eu cada vez menos… escrevo…

Não digo que seja uma pena para… quem o costuma visitar… mas gostava, mesmo, de ter disponiblidade mental para continuar a escrever.

Vamos ver.

É o que tenho.

Sem título

E se eu morresse hoje.

Alguém sentiria a falta?

Quem?

Não percebi.

Quem?

Ah, o senhor dos bolos lá no fundo!

E quem mais?

Quem?

Pois…

Mas conhecia o senhor donde…?

Bem, eu não o conhecia pessoalmente. Aqui, no bairro, todos diziam que era um rapaz bem disposto e muito boa pessoa…

Ah. Mas falava com os vizinhos? Dizia bom dia e boa tarde?

Bom dia nunca dizia porque, segundo o que por aí dizem, ele nunca estava acordado da parte da manhã… por isso, quando o viam… era da parte da tarde…mas era muito educado. Bebia o seu café e a sua cerveja no café do bairro e mais nada.

Muito obrigado.

Era para ser uma coisa e acabou numa outra coisa… Peço desculpa!

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Tenho a mania de me repetir. Tenho a mania de afirmar que sou um ser humano. E sou! Por isso mesmo tenho algumas virtudes e muitos defeitos. Pelo menos é assim que eu entendo o ser humano. O meu patamar ainda está nivelado por baixo. Quando chegar mais altinho um bocadinho, eu aviso o people. Para já, é o que se pode arranjar!

Não é que me faça confusão. Viver com as minhas limitações é natural para mim. Sei com o que conto. Faz-me pensar e acreditar que um dia posso estar melhor! E não, não estou a resvalar para um discurso religioso, no sentido da alienação total… Gosto de pensar que posso vir a ser um ser humano um pouco melhor. Não é caminho fácil mas acho que o posso ir fazendo.

Ao longo da minha vida fiz algumas maldades. Continuo a fazê-las. Tenho um ar cândido mas, volto a afirmar, não passo de um ser humano. As minhas são maldades específicas…  Não são maldades daquelas de arrancar os cabelos. Nunca matei ou roubei. Também nunca prejudiquei quem quer que fosse de uma forma deliberada. As maldades que fui fazendo ao longo da minha vida foram, todas elas, motivadas pelas emoções. Pelos sentimentos. Pelas relações interpessoais. Também estas maldades foram ao sabor do vento. Não foram premeditadas.

E o que é que adianta? não terem sido premeditadas? Não deixaram de ser maldades por causa disso! Pois não! Essa é a minha mágoa. Não consigo deixar de pensar que magoei pessoas e que, no meu dia a dia, continuo a magoar outros seres humanos. O meu passado está tranquilo e vou convivendo pacificamente com a culpa. Mas o presente. O presente deixa-me amargurado. Não consigo conviver com o meu desatino. Com a minha falta de capacidade para lidar com as situações do dia a dia. Sinto-me como se estivesse a deslizar por um rio, numa corrente, que me leva para um qualquer lugar que eu não conheço.

Decididamente não estou bem!

Antigamente, há muitos anos atrás, quando chegava a este estado conseguia encontrar o meu ponto de recuperação através da alienação total. Era capaz de andar uma semana a beber muito. Alienação total. E a sequir ressuscitava, para a vida e com uma energia sobrenatural. Sempre fui assim.

Também consigo perceber que nunca fui exemplo para ninguém!

Mas esse estádio de alienação total era como se fosse um carregar de baterias. Era básico e essencial. Nunca estive muito preocupado com o que as pessoas pudessem pensar acerca do assunto. Sempre vivi a minha vida e deixei que os outros vivessem a vida deles.

E era tão bom andar nos copos a ouvir música e a dançar até à exaustão.

Hoje é tudo muito diferente. Não consigo ter tempo sequer para encontrar o meu silêncio. Tenho demasiado ruído à minha volta. São outras responsabilidades para as quais eu não estava preparado. Enfim.

Enquanto fui escrevendo este monte de tretas estava a ouvir Pink Floyd, um clássico portanto, e o meu estado de espíirito foi evoluíndo… e se no início do texto estava a viver um verdadeiro drama…agora estou a reler e a pensar no ridículo de tudo isto. Mas é o que nós temos neste país: pessoas a queixarem-se da vidinha “desgraçada” que vão vivendo. Enfim. Somos uns tristes que, de vez em quando, conseguimos ter uns rasgos de lucidez, que nos deixam envergonhados… de tudo o resto.

Setediassete…

Não há nada como ser denunciado na rede social da moda, dita para velhotes pelos mais novos. Pensando bem, a dita cuja é mesmo para velhotes pois os mais novos não se dão ao trabalho de denunciar fotografias menos próprias… só mesmo velhotes sem mais nada para fazer. Mas é assim a vida e o que interessa é que fui mesmo castigado… durante setediassete… e tive de responder a uma data de tretas para avaliarem se mereço continuar na rede social da moda deles…

De qualquer maneira vou ficar no limbo… sem poder ver nem ser visto… pode ser que me habitue e deixe, de uma vez por todas a rede social da moda para velhotes… sempre posso mudar de paradigma e passar a escrever mais por estas bandas, quem sabe?

Os sapatos brilham.

A lady reading newspaper, 1932

Já repararam que as pessoas que se dedicam à música são especiais?

São pessoas que gostam de aparecer.

Pensando bem, toda a gente tem aquela coisa… a de aparecer… mas as da música são mais afincadas. Gostam mais do que os outros.

A música é uma das artes. É pacífico. Não é músico qualquer um! É preciso trabalho e talento, como qualquer outras das artes. Certo?

Conhecem alguém que viva decentemente sem música? Não? Bem me parecia! Eu não conheço. Não me querendo repetir, posso sempre afirmar que é pacífico!

Aliás, e fazendo um belo de um parentesis, consigo pensar em mim a cantar no meio de não sei quem.  Acho que não interessa mesmo quem! Como também acho que não interessa mesmo nada para quem tem a mania de cantar para os outros estar no meio deles…

Existe um ego. Por vezes, temos um ego grandito. No caso dos músicos, o grandito é insuficiente. Aliás, grandito é uma palavra desconhecida do grande público e dos músicos. A fama é o objectivo.

Estou a ser exagerado?

Não creio.

Porquê?

É muito simples. Se olharmos para o consumo cultural dos últimos tempos facilmente vamos perceber que a única imagem que fixamos foi a de um músico qualquer. Porquê? Porque apenas os músicos fazem questão de enfiar a cara deles nos panfletos que levamos para casa. Já pensaram que um escritor não tem a sua fotografia na capa do livro que lançou? As pessoas do cinema ou do teatro não têm a carinha laroca delas estampada nos cartazes! Os escultores… quem são esses? Os pintores…? E por aí fora… não aparecem como protagonistas…

Quem tinha de aparecer?

Quem?

Isso mesmo!

O pessoal da música!

Com uma necessidade enorme de aparecerem com uma fotografiazita qualquer. Nem que seja de lado… mal amanhada, mas fashion…

Aquelas em que não aparecem os protagonistas são, geralmente, de grandes iniciantes.

A pergunta.

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Tinha a sua piada eu vir aqui todos os dias queixar-me da minha vida. Tinha, não tinha? Lá isso tinha, mas não era a mesma coisa, por isso só cá venho queixar-me de dois em dois dias. E hoje é o dia dois… Ainda por cima estou a escrever sem óculos… o que torna a coisa muito mais difícil.

Ehehehhehe!

Parece-me que, por ser dia dois, o queixume pode parecer que vai ser muito mais acentuado mas, na realidade, eu não sou um queixinhas. Aliás, esse é o meu verdadeiro problema. Eu não me queixo. E como não me queixo, não mamo! Um velho provérbio português… (fora de mão, para não dizer horrível…).

Um raio de uma expressão que cada vez acho mais que se aplica a pessoas que eu não faço questão de conhecer…

Também não faço questão de conhecer pessoas como eu que começam um discurso e depois não sabem lá muito bem como o devem finalizar. São pessoas desorientadas. Acontece muito.

Também acontece as pessoas acharem que não devem fazer isto ou aquilo.

Não fazerem fretes.

Só fazerem aquilo que lhes vai na mona.

Essa é a parte melhor. O que lhes vai na mona! Se for o que lhes bainamona, ainda melhor!

Geralmente, acontece pouco.

O que acontece muito é a pessoa, aquela pessoa que pretende que lhe aconteça qualquer coisa ensurdecedora, ficar a pensar que o mundo é uma cena linda e encantadora.

Será?

Para que conste.

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Ok. Este não será o sítio ideal para falar sobre a minha vida profissional.

Também não vou desvendar nenhum segredo.

Nem sequer pretendo abordar a relação que tenho com a entidade patronal e que regula a minha actividade.

Sou apenas um professor. Cansado. Não quero saber de mais ou menos razões. Apenas quero que me deixem fazer o meu trabalho. Tranquilamente.

Sou um entre muitos.

Eu não devo nada a ninguém. Apesar de me sentir cansado, levanto-me diariamente com a mesma vontade que tinha há vinte e cinco anos atrás, quando comecei a trabalhar nesta área. Estar com os alunos ainda é bom, ainda me faz sorrir e ainda me faz sentir especial. Continuo a ser um priveligiado, sem dúvida.

O meu cansaço é outro.  O que me cansa é ter que fazer contas de cabeça. Contas para isto e para aquilo. Contas para mais isto que não estava previsto e para aqueloutro que terá de ficar para outras calendas. Cansa-me e desgasta-me não poder usufruir da vida que me resta. Cansa-me e desilude-me a vida que vou tendo. Ter duas crianças em idade de descoberta, que não podem descobrir tudo aquilo que achamos que elas poderiam… descobrir… não é nada bom. E não estou a falar de bens materiais, embora as viagens tenham um preço, mas estamos a falar de vivências básicas que não lhes podemos proporcionar, como uma ida ao teatro, um espectáculo, um concerto ou um mero jantar num local mais especial e encantador. Não temos dinheiro para este tipo de acontecimentos…

 

Ok! Podemos sempre pegar numa manta e numa bola e fazer um picnic no meio da mata, comer o belo do arroz de frango, beber dois litros de vinho e dormir uma sesta enquanto as crianças jogam às cartas… mas acabamos de sair da estação invernosa… e nem isso conseguimos fazer…

Isto não é viver. É cansaço. Cansaço puro.

O que nos vale?

As pessoas que nos rodeiam!

Era aqui que eu queria chegar.

Porque as pessoas são o mais importante que podemos encontrar nesta vida.

E não! Não estou numa qualquer seita psicoincubadoradequalquercoisa… deusmelivre…

Acho mesmo que as pessoas são o que de melhor podemos encontrar neste mundo. Eu tenho tido a sorte de encontrar boas pessoas. Sou um felizardo. Não me canso de o afirmar!

Por esta razão é que foi extremamente difícil para mim concorrer. Ao fim de vinte anos na mesma escola. Não estou lá há dois anos. São mesmo vinte anos! Tenho raízes na minha escola. Não no sentido de controlar seja lá o que for, muito pelo contrário, nunca sei as novidades… e apenas tento ser um bom profissional, mas criei as minhas raízes com as pessoas boas que a minha escola tem. E agora custou. Pese embora a ideia que não vou sair porque apenas concorri para uma escola e não vou conseguir vaga mas foi uma decisão muito custosa. Tinha que tomar esta decisão porque estou cansado de não ter dinheiro e se mudasse para mais perto sempre conseguia gastar menos uma pipa de massa em transportes. Também tinha de tomar esta decisãom porque estou a ficar velhote e com menos capacidade para me meter em cima de uma mota, em pleno inverno, para ir trabalhar para conseguir gastar uma outra pipa de massa, mais pequena mas não menos importante. Isto é cansaço, puro cansaço.

Ah, e tal, até parece que se está a tentar justificar perante as pessoas de quem gosta para o facto de ter concorrido… Não, não estou. Essas pessoas sabem que eu vou continuar o mesmo, como também sabem que eu não devo nada a ninguém e se sair da escola vou estar sempre presente.

E para quem teve a paciência de chegar até aqui, já agora, se carregar aqui poderá usufruir de duas horas de um belo sheik, admoestado por um velhote, menos velhote do que eu, mas que faz muito mais sucesso do que eu.

A todos, um bom Natal!

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O tempo passa muito rapidamente. Nem damos conta que ele passa, assim, de repente. E de quando em vez lá nos lembramos de pensar no assunto. Eu confesso que tenho a mania que penso em assuntos. É oficial: tenho a puta da mania. Não devia escrever palavrões, certo? Eu sei! Fica mal! Um professor a escrever palavrões… Pronto, para além de assumir que tenho a puta da mania, também vou assumir que um palavrão por dia, nem sabe o bem que lhe fazia! Não quero saber. Não estou a trabalhar e este local… mal frequentado… é de livre acesso e só vem cá espreitar quem quer, por isso, quem achar que eu tenho mesmo a puta da mania e não conviver graciosamente com o assunto… já sabe…

Mas voltando ao início, que eu sou rapaz para me deixar levar por futilidades e por isso tenho de me manter atento, o tempo passa muito rapidamente e a nossa vida vai ficando para trás. Todos nós achamos que as nossas vidas têm um valor inestimável. Que as nossas vivências são um património… da humanidade… Achamos isso e muito mais. Somos até capazes de achar que para além da nossa vida… não existe qualquer tipo de vida interessante neste planeta…

Quando chegamos a este ponto ou quando começamos a ouvir umas vozes estranhas que nos dizem ao ouvido que os outros são todos uns malvados e que não nos compreendem, aí é preciso refocalizar. Refocalizar é uma daquelas palavras que, com toda a certeza, têm uma designação qualquer na língua portuguesa ou, pura e simplesmente, não existem, o que vem a dar no mesmo.

Tudo isto para constatar que a minha vida está a caminhar para uma outra realidade. Não será bem uma twilight zone… Será, talvez, um patamar de escada com vista privilegiada… Começo a perceber e a procurar o que é, realmente, importante nesta vida.

Também não me vou esticar muito sobre o que é importante… pois cada um saberá lá chegar pelo seu próprio pé… mas sempre posso adiantar que ter saudinha é importante… E não, não estou a ficar com a mania de me tornar saudável. Apenas tenho, e só, a puta da mania, mais nada! Que fique bem claro!

Para quem ainda não se apercebeu ou não sabe, este post é sobre o Natal. O verdadeiro espírito natalício.

Como assim? Espírito natalício?

Não se percebe a relação…

Pois não.

É a partir daqui…

Sim, eu sei que se aproxima o Natal. Aquela data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo. É uma data complicada (sim, tal e qual as relações de adolescentes e menos adolescentes que se dão a conhecer na rede social da moda). Eu não gosto de festejar aniversários. Não gosto de festejar o meu aniversário e muito menos o de uma pessoa que eu não conheço pessoalmente e com quem nunca tive a oportunidade de falar ou de trocar umas impressões. Pronto, consta-se que era um homem às direitas, cruzes canhoto, que sabia o que era importante na vida. Tudo bem, eu até consigo perceber a sua importância mas… não gosto de aniversários… é uma coisa que me aborrece. (Por acaso, tenho de torcer o rabo da porca (que sou eu) porque festejei um aniversário meu (o quinquagésimo) e adorei mas foi caso único). Tirando esse, festejo os aniversários das minhas filhas porque são crianças e assim tem de ser mas também “festejo” todos os dias que passo com elas. Aliás, os progenitores de crianças acabam sempre por levar uma vida muito diferente daquela que tinham em vista… digamos que as crianças ocupam um espaço enorme na vida das pessoas que cuidam delas e as amam. O Natal ocupa a mente das crianças e o espaço dos progenitores.

Saber dosear esta ocupação toda é o verdadeiro segredo da felicidade…

Por estas e por outras, este ano, o Natal vai ser diferente. Vai ser espartano. Digamos que nos vamos limitar ao essencial da quadra festiva. Uma ceia da Natal saborosa, com boa disposição e no quentinho da lareira. Nos tempos que correm é um privilégio. E por aqui me fico.

Pois! A vida continua!

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Passamos metade da nossa vida a tentar agradar a não sei quem. Nunca conseguimos! E depois sentimos que andamos a perder tempo. É uma pescadinha com rabo na boca.

Brincadeirinha.

Quem corre por gosto não se cansa, logo, quem tenta agradar por gosto não se pode queixar. Eu não me queixo de cenas parecidas. Queixo-me de outras coisas. O quê? Coisas sem interesse. Porquê? Porque se me queixar de coisas sem interesse vou parecer perfeitamente normal. Afinal de contas, não são as pessoas normais que passam a vida a queixarem-se de coisas sem interesse? Nada melhor do que seguir os padrões normais para uma boa socialização…

Era para escrever uma coisa mas, depois, surgiu um espelho. Espelho meu…

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No meio de tanto trabalho no final de ano ainda me sobra tempo para me olhar ao espelho. Eu gosto de olhar no espelho e ficar, ali, a olhar para o que vejo. Ao longo dos anos, sempre fui olhando para o espelho. Porquê? Bem, essa não é a pergunta que me apetecia ter de responder. Alguém sabe explicar porque é que se olha ao espelho? Sim, porque toda a gente se olha ao espelho! Se for gaja… o tempo em que se olha para o espelho é… a dobrar. Eu, e eu não sou propriamente uma gaja… mas gosto de ficar a olhar para o espelho. Não tenho registados esses momentos. Esses momentos em que fico a olhar para o espelho (assim, lido devagar e com tempo, até parece que estou a escrever para pessoas que não estão a perceber patavina do assunto) não estão registados em filme como toda a gente vai fazendo hoje em dia. Aliás, esse é um problema meu. Não registo aquilo que é importante registar e depois fica tudo só na minha cabeça. É uma pena, com tantos meios electrónicos ao dispor e eu continuo a gostar que seja à moda antiga. É, realmente, uma pena. Não que seja muito importante para as outras pessoas. É mesmo importante para mim. Registar para memória futura o dia presente…

Final da parte introdutória.

Seguimos no espelho.

Quando o espelho está numa divisão da casa em que as luzes estão apagadas, dá-me a impressão que a coisa é pacífica… não se consegue perceber, no pormenor, o que está do outro lado… Quando a luz da divisão abunda… é melhor esconder a bunda… Falando com rigor, olhar para a bunda no espelho, é coisa de gaja, convenhamos. Eu sou sincero. Não fico a olhar para a minha bunda no espelho. Seria demasiado decadente.

Porquê? Isto não tem nada que ver com cenas de hesitações sexuais, para não lhes chamar cenas de identificações sexuais… Não é por aí. O problema é mesmo real. Já não tenho aquela bunda de atleta, de há trinta anos atrás, potente. Agora, a minha bunda, é uma outra cena…

Mas o espelho não existe para eu me olhar no corpo. Pelo menos, para mim, não é a parte mais interessante. O que me interessa mesmo é o meu olhar. Estar no espelho, a olhar para o meu olhar, não tem preço. Parece uma verdadeira chinfronice, para não lhe chamar paneleirice, mas eu gosto mesmo de ficar a olhar para os meus olhos, no espelho. Não tem nada que ver com cenas mais rebuscadas. É mesmo uma necessidade que eu sinto. Consigo perceber o que me vai na alma. Consigo perceber o quanto sou pequenino e insignificante, neste mundo.

Temos o país que merecemos. JJ tomo vinte e três ponto cinco.

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Por vezes temos de fazer opções nas nossas vidas. E tanto faz ser um assunto sem importância nenhuma como sendo um assunto da maior importância. A vida é feita de escolhas, de decisões e não há nada a fazer. As pessoas tomam mesmo decisões que têm repercussão nas suas vidas. Neste preciso momento, encontro-me num verdadeiro dilema. Não sei se escreva alguma coisa sobre a minha vida sexual, as minhas vontades sexuais, os meus desejos secretos… ou se, pelo contrário, escreva uma data de coisas sobre Jorge Jesus, o treinador do clube dos coisinhos… Não deveria ter qualquer tipo de dúvida. Tudo o que se possa escrever sobre o treinador dos coisinhos é bem mais interessante do que a minha vida sexual. Sim, porque… será que a  minha vida sexual interessa a alguém? Será que a minha vida sexual faz rir alguém? Ou ainda: será que alguém poderá ficar curioso em saber como eu me dispo e me preparo para aquilo? Não me parece… Tudo isto me parece uma conversa de adolescente tardio… Mas também me pode parecer que tudo o que diga respeito ao Jorge Jesus, treinador da chicla e dos coisinhos, será sempre motivo para boa disposição…

A escolha está feita, portanto, e sem muitas hesitações.

Se a escolha está feita, sem mais hesitações, poder-se-à questionar a oportunidade do assunto. Porque é que eu me lembraria de escrever sobre o homem da chicla e treinador dos coisinhos? Logo agora? Em que o fêcêpê não conseguiu ganhar quase nada? Até parece que estou a contribuir para o “eudeusamento” de Jesus…

É precisamente por isso. Se a dita comunicação social entrou numa espiral de um verdadeiro culto da personalidade… Deus no céu e Jesus na terra… eu também acho que posso dar o meu contributo para que o homem da chicla possa ser ainda mais conhecido de todo o comum mortal…

Sim, porque eu também acho que Jesus é o melhor treinador do mundo. Tal e qual o próprio, eu não estou a ver mais ninguém acima dele e até acho que ele está a desperdiçar aquele enorme talento a treinar o clube dos coisinhos… deveria ir para o clube dos coisinhos espanhóis, que essa cena dos clubes italianos… uhmm, não me parece que esteja a dar… e aqui ao lado sempre se ia sentir mais aconchegado… sempre podia contar com a delegação de uma televisão portuguesa qualquer a fazer uma reportagem semanal, dando conta do seu trabalho de excelência… ou então, de vez em quando, podia ser que aparecesse aquele repórter que se cospe todo quando faz uma reportagem sobre o clube da gaivota.

Já estou a imaginar:

O que se cospe todo – Jorge, qué tal? Como habiemos feitó el trieino?

O que trinca a chicla de boca aberta – Entonces, si tu chiegas aqui, a esta plataforma de intreinamiento, tiens de sabier contar com os pontos fracos dels atlietas.

O que se cospe todo – Jorge, sin palabras!

O que trinca chicla de boca aberta – Sin palabrias porque não as tenho à boca de semear. Tu, se quieres ser o melhor entreinador del mundo no tienes que saber todas las palabrias del mundo. Basta que las sabias meter na altura cierta. É como los pinceles da otra, a que pinta e que é de lo bienfica, ninguien pircebe nade mas ela sabe… coiso…

O que se cospe tode – Jorge, sin palabras!!!

Não tem piada, pois não? Bem me parecia mas é o que temos. O homem da chicla também não tem piadinha nenhuma mas faz um sucesso do tamanho da segunda circular… vá-se lá saber porquê…

Não sei se me ria ou se chore…

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Quem nunca se sentiu como o tolo no meio da ponte? A minha vida está assim. Nem para a frente nem para trás. Parece que não ato nem desato. Ainda por cima os amigos com quem estou mais regularmente ou são mais velhos ou mais novos. Não tenho referências da minha idade. É muito triste ter esta idade. Podia ter outra. Talvez menos dez anos, que tal? A mim parecia-me bem. Ficava com a idade da minha rica senhora e aí… seria a loucura… Claro que estou a exagerar. Ninguém gostaria de ter menos dez anos. Aliás, ninguém no seu perfeito juízo gostaria de ter menos anos. Só mesmo eu para pensar uma coisa dessas… e principalmente dar um salto novamente para os quarenta… podia ser dose. Para mim os quarenta não foram dose. Não tive tempo para levar com dose de coisíssima nenhuma. Foram muitas mudanças na minha vida. Quase não tive tempo para respirar. Mas conheço muito boa gente que se deu mal com o facto de fazerem quarenta.

Cá para mim, está-me a parecer que estou a levar a pancada que deveria ter levado quando fiz os quarenta. Será que ando com a mania que tenho quarenta anos? Será isso? Bem, eu ainda acho que levo o mundo atrás de mim, tal e qual como quando tinha quarenta anos… só que o corpinho já se vai queixando…

Sinceramente, acho que estou a começar a ver a vida com outros olhos. Não há como fugir aos cinquenta e três anos que já vivi. Bem tentei… mas não dá mesmo para fugir. O tempo ainda não está a escassear mas já passei metade do meu tempo útil e o prazo de validade aproxima-se do seu final. Não é que pense muito no assunto mas ele vem à baila e leva-me a pensar na minha vida, no que ando a fazer e na forma como a vou vivendo.

Passamos todos uma boa parte do nosso tempo com obrigações sociais. É o trabalho, a família, os amores e os afectos, são os amigos e as pessoas conhecidas, é o governo e o desgoverno e mais um não sei quê de situações com as quais devemos ter o cuidado necessário para conseguirmos viver em paz… Com a idade vamos aprendendo a valorizar o que é mais importante e vamos deixando para trás alguns receios. Receios que nos foram moldando a outras realidades e nos foram tornando outras pessoas. Pode parecer meio idiota estar para aqui a afirmar que as pessoas vão mudando… eu sei, tenho a mania de generalizar… mas pronto, eu fui-me tornando noutra pessoa. Está bem assim? Cada um saberá de si e da sua vida!

A minha vida é igual a tantas outras. Umas vezes corre de feição e outras vezes parece que estou a atravessar o maior deserto de que há memória. Mas não me posso queixar, muito pelo contrário, tenho sido um sortudo com o que a vida me tem oferecido. Só me posso queixar quando, por vezes, não sei dar o devido valor ao que realmente importa mas essa falha é recorrente a muitos outros seres humanos… e fico mais descansado por saber disso…

Mas tenho as minhas falhas. Muitas. Falhas que, muito provavelmente, nunca vou conseguir ultrapassar. Falhas assim e outras falhas assado. É bom ter consciência delas mas não me atrapalho muito com elas pois já as conheço de gingeira… Pode ser que as consiga resolver quando for um verdadeiro sexagenário… já não falta muito…

Até lá vou estando por cá, umas vezes bem, outras piorzinho. Podia arranjar uma frase jeitosa e agradável para terminar. Poder, podia, mas não seria, com toda a certeza, a mesma coisa.

Noites mal dormidas.

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A noite de ontem ficou em branco. A de hoje foi melhor. Consegui dormir até às quatro da manhã. Ontem tomei café depois do jantar, hoje não. Amanhã não vou tomar café depois do almoço… Acho que o café me deixa muito excitado… Tanto ontem como hoje, deu-me vontade de pegar nos calções e nas sapatilhas e ir correr mas pensei melhor e percebi que iria acordar toda a gente cá de casa. Estranhas vontades.

Ontem fiquei, literalmente, às voltas na cama. Hoje, sabendo o que a casa gasta, levantei o rabinho e vim até ao escritório. Liguei o portátil, meti os auscultadores na cabeça, preparei duas bebidas (uma de cada vez…) e estou por aqui, a divagar e a fazer horas para ir trabalhar.

Tenho de ver o lado bom da coisa. Assistir ao nascer do sol é muito tranquilo e eu preciso de tranquilidade. Ouvir a passarada a começar o dia. Os primeiros carros a passarem na rua com pessoas que vão trabalhar… ou que se vão deitar. Sentir que todos cá em casa dormem sossegadamente. Até ouvir as pombas que param no meu telhado pode parecer um momento agradável… Por volta das seis, ouço o primeiro avião. Aqui há uns anos, esse avião ia para Paris. Chegamos a ir nele. Hoje não sei se será a mesma rota mas o horário mantém-se. Quem me dera poder estar no aeroporto, a apanhar um voo para um sítio que me fizesse novamente sonhar. A última viagem que fizemos foi para a Disney e foi um momento mágico, único, pela envolvente do local mas, sobretudo, porque podemos ter, os quatro, um bocadinho de mundo. Isto foi há quatro anos. A partir daí, tal e qual milhares de portugueses, deixamos de poder ter estes “luxos” e passamos a viver de outra forma.

O que me entristece, e pensando de uma forma egocentrada… (se a presidente da assembleia inventa palavras, eu também posso inventar…), é o facto de sentir que as minhas expectativas estão a sair completamente furadas. Eu nunca fui rapaz para querer à viva força ter um vida de abundância e muito menos de ostentação. Não tenho nada contra mas esse não é, de todo, o meu caminho. Apenas queria viver com o resultado do esforço do meu trabalho. E chegava para realizar os meus sonhos. Chegava para proporcionar às minhas filhas algum conforto. Chegava para procurar ter acesso ao mundo. Nunca dei uma passada maior do que a minha perna. A minha, nossa, vida foi organizada em função das realidades existentes. Basicamente, fizemos as contas. Hoje em dia, nada disto é possível. O dinheiro não chega para pagar as contas que fizemos. Falar em contas que fizemos é muito lisonjeiro… essas contas estão muito acima daquilo que inicialmente previmos. Tudo está muito mais caro. Se juntarmos o facto de que recebemos muito menos… é fácil fazer as contas…

Sempre contas e mais contas! Arre! Que o sono podia ser mais amiguinho! Acho que vou fazer uns ovos mexidos…