Já não há ciganos como antigamente!

É o que eu digo. O mundo está muito diferente. No outro dia foi com uma milionária hoje é com um cigano. Já não há nem respeito nem reconhecimento dos estatutos. Passo a explicar: Quaresma, cigano, jogador da bola, português, foi assaltado em Portugal. Não foi na Turquia, foi mesmo por cá! Mais concretamente na zona J, lá para as bandas da capital. Os bandidos eram três, que é a conta que deus fez, e estavam armados com pistolas, se não me engano. O que é que eles queriam? As jóias, claro está! O Quaresma gosta de jóias, como meio Portugal está fartinho de saber, e gosta de as usar (também é para isso que elas servem…). Os bandidos aliviaram aquele corpinho de futebolista de todas jóias que por lá estavam agarradas… pensaram melhor… e vai daí e decidiram dar uma espreitadela na carteira do Quaresma. Melhor pensado, melhor feito. Estavam lá oito mil euros, em notas de quinhentos!!! É muito guito!!! Mas pronto, os bandidos ficaram tão satisfeitos que até se esqueceram de meter o Quaresma fora do carro de alta cilindrada (não era o Panda dos meus sonhos, quase de certeza…) e deixaram-no ir.

Esta é uma daquelas notícias que nos deixam a matutar. Para início de conversa, até me dá arrepios saber que os bandidos se atreveram a assaltar um cigano. Não é que sejam diferentes… gostam é de vinganças… e costumam ir atrás de quem se mete com eles… Depois, também dá que pensar o que faria o Quaresma naquela zona, tão J, ele devia ter cuidadinho com aquelas pernitas, que são o seu ganha pão, e não se meter em locais pouco recomendáveis. Finalmente, e há hábitos que não se perdem, o Quaresma ainda gosta de andar com o rola das notas. É ancestral. Só falta saber se o rolo também estava enfiado no bolso de trás das calças.

Hoje é o dia do Manticora…

As pessoas têm de trabalhar, certo? Se querem ter dinheiro, têm de trabalhar. Eu não fujo à regra. Se quero educar as minhocas cá de casa, tenho que ter dinheiro para as calçar, vestir, alimentar e as levar à escola. Isso tudo mais os livros, as músicas, os computadores, os passeios e tudo aquilo que nos alimenta a alma, custa dinheiro, muito dinheiro. E para ganhar o dinheirinho lá vai o Manticora, na sua bela Scarabeo, todos os dias, faça sol ou faça chuva, para a escola. E aqui é que está o problema. O pobre coitado do Manticora já não gosta de ir para a sua escola. Já não sente o prazer a correr por todo o corpo. Já está cansado das viagens, de chegar e ter de deixar a sua bela Scarabeo cá fora, porque o parque da escola é pago. Depois de três dias de experiência já não aguenta a canseira de ter de andar a correr de um lado para o outro para picar o ponto a toda a hora… O Manticora já não vai ao bar porque aquilo é uma confusão de filas para tirar o raio de uma senha para um café. O Manticora quando vê um isqueiro reza para não pegar nele pois sabe que é um óptimo utensílio para deitar fogo à papelada que se vai acumulando na pasta. O Manticora está sem pachorra. Sem pachorra para as histórias que se cruzam nos corredores. Sem pachorra para preencher tanto papel. Sem pachorra… para nada… só com vontade de pegar na bela Scarabeo e retornar a casa.

Mais um que se aproxima… a passos largos.

Tirando a cena das gajas, que já foi e não me apetece falar mais do assunto, a vida do ser humano é curiosa. Acontecem uma data de coisas mesmo curiosas. Uma delas é desatarmos a desejar um feliz ano novo uns aos outros, com muitos votos de felicidades e afins. Eu não tenho nada contra as pessoas que me desejam um feliz ano novo, até agradeço a gentileza de se lembrarem de mim, mas é estranho que só nos lembremos uns dos outros nestas alturas. E então durante o resto do ano? Bem sei que não tenho razão! As pessoas têm uma vida complicada, com muitos horários, com muitas tarefas, com filhos que não deixam respirar, enfim, é um sufoco. Mas que devíamos cultivar mais as amizades, lá isso devíamos! Por falar nisso, desejo a todos um Bom Ano Novo!

Cesárea Évora. Nunca gostei.

Quando alguém parte, é sempre motivo para ficarmos mais tristes. A tristeza é proporcional ao grau de intimidade que desenvolvemos com a pessoa que parte. Sempre foi assim e sempre será desta forma que as coisas se irão desenrolar. Quando parte alguém que é considerado um vulto da cultura, as pessoas tendem a manifestar-se de uma forma estranha porque só sabem tecer elogios e, muitas delas, nem sequer sabem do que estão a falar. São assim, um bocadinho como eu… Que tenho a mania de botar faladura…

Isto tudo a propósito da morte de Cesárea Évora. A senhora era considerada uma figura da world music. Até aqui acho que é pacífico. Se foi considerada uma figura desse  ”gênero” musical é porque o seu trabalho teria, obrigatoriamente, que ter qualidade para tal. Felizes dos que gostavam de ouvir as suas músicas. Como já deu para perceber, não era o meu caso. Aliás, acho mesmo que nunca consegui ouvir até ao fim uma música da senhora. Aquele gênero de música está, para mim, ao mesmo nível que o fado, ou seja, é para desligar ou mudar de estação quando aparece na rádio. Mas respeito quem gosta. Também não tenho outra alternativa que não seja a de respeitar os milhões de pessoas que, pelos vistos, gostam daquilo. 

Ainda podia achar piada à senhora, como acontecia com a portuguesa Amália Rodrigues que era muito engraçada, mas nem isso eu consigo encontrar na senhora. Também nunca prestei muita atenção à sua vida, mas sempre fui sabendo que detestava os portugueses e que tinha muitos motivos para isso pois, no tempo da outra senhora, esta senhora sofreu bastante às mãos dos portugueses. Será sempre uma personagem que ficará na memória das pessoas como uma cantora de Cabo Verde. E chega.

Palpita-me que este post possa vir a ser confundido com qualquer coisa menos com aquilo que me propus inicialmente. É assim a vidinha.

O fado português, é um triste fado.

Sou rapaz para dizer as maiores alarvidades. Não sou rapaz para cometer as alarvidades que digo. Mas sou rapaz para compreender quem gosta do fado. Também sou um rapaz que detesta o fado. Não sou, portanto, rapaz que se identifique com aquilo das guitarras e uma pessoa a cantar/chorar. Talvez por ter crescido no Porto, onde não há tradição nenhuma de fado, seja a razão porque não gosto de ouvir aquelas canções chorosas. Acho que é uma tradição cultural de Lisboa onde, por aquilo que me fui apercebendo, existem uma série de casas de fado que são muito frequentadas. Sorte a deles porque se gostam, ainda bem que têm sítios para poderem apreciar o fado. Eu confesso que já fui dezenas de vezes a Lisboa e nunca senti a mínima vontade de ir a uma casa dessas.

Agora passando à parte prática da coisa. Para além do guito que foi gasto com esta promoção toda, espero que os inteligentes que costumam estar à frente destas coisas façam o trabalhinho bem feito e ponham os desgraçadinhos dos fadistas a ganharem muito dinheiro e a realizarem espectáculos por esse mundo fora. É que se fizeram tudo isto só para irem à Indonésia e depois deixarem tudo como estava, mais valia que no regresso parassem em Goa e por lá ficassem, sempre podiam frequentar umas festas de Goa Trance, que também é giro.

Uma ideia que não é peregrina, mas é idiota!

Ando a pensar em escrever as minhas memórias. Podiam ser as memórias de outra pessoa. Poder, podia, mas não era a mesma coisa. Também não me parece que tenha idade suficiente para escrever umas memórias… apesar de ter vivido muito, com intensidade e cheio de vontade. Mas é uma ideia engraçada que, pela sua cretinice, é tentadora para muito boa gente. Não seria uma coisa que se resolveria do pé para a mão mas era moçoilo para apontar tudo no… Evernote durante umas férias de Natal, sem as minhocas mais a mãe das minhocas e só com a Lola, que não dá trabalhinho nenhum. Será que oito dias dava para isso tudo? Dava. Eu gosto de trabalhar da seguinte maneira: tenho de ter as ideias, apontar o caminho que devo seguir e não fazer mais nada durante uns tempos. Depois pego novamente no assunto e desenvolvo, tranquila e pacificamente. A parte das ideias é sempre a mais difícil, como facilmente se depreende, mas com umas ajuditas as coisas vão-se compondo. Mas tudo isto parece um pouco estapafúrdio, ao querer escrever umas memórias posso dar a impressão de que sou mesmo uma pessoa super interessante e, na realidade, não sou. Na realidade, nem sequer sou eu o presidente da junta. Apenas tenho estas ideias, que não são peregrinas, mas são idiotas.

Evernote.

Vou ser mauzinho, comigo, claro está. Por vezes tenho ideias. Consigo ter ideias interessantes, muitas ideias interessantes. Assim, de chofre, posso parecer um pouco arrogante. É verdade, mas não sou. Para mim é uma questão que não se coloca, mas também acredito que haja muito boa gente que ache que sou mesmo arrogante. Querem uma resposta arrogante? Não é problema meu, serve? Mas voltando às ideias, que já estou a perder muito tempo com um assunto que não existe, tenho sempre ideias ao longo do dia, ou seja, começo logo o dia com energia suficiente para pensar nas minhas coisas. Que são minhas, é certo, mas que me dão um imenso gozo. Até aqui, tudo vai bem no reino dos céus, o pior é quando me esqueço das ideias que tive e são tantas as vezes que isso me acontece. Sinais dos tempos… que vão passando… por mim. Já andei com um monte de bloquinhos, mas depois esquecia-me das canetas e quando levava as canetas… esquecia-me dos bloquinhos. Uma verdadeira chatice e uma alegre confusão. De há uns tempos para cá mudei de táctica. Como estou muito tempo ligado às máquinas… electrónicas, em casa, na escola, na rua e onde calha, decidi procurar uma maneira qualquer de conseguir anotar as benditas das ideias e ter acesso a elas em qualquer parte do mundo… Tenho utilizado um programinha, de seu nome Evernote,  que me permite criar uma conta e aceder a ela a partir de um qualquer dispositivo. Devo ter sido das últimas pessoas a descobrirem o serviço, mas mais vale tarde do que nunca.

A trabalhar.

Estou em casa. Sentado na minha bela cadeira de pau, duro. Sem almofada, portanto. Estou com os auscultadores de uma das minhocas, são dourados e fui eu que os comprei, favorecem-me. Há uma hora atrás fui cortar o cabelo, à homem, e também me favorece. Estou a escrever com uns óculos escuros enfiados e, neste dia escuro de chuva, não consigo encontrar as teclas certas à primeira. Não me favorece mesmo nada. Estou sempre a carregar no delete e a demorar o dobro do tempo. Fiquei cansado.

A ver vamos!

Antes que dê o sono. O prometido é devido. Este fim de semana vai ser de mudanças. Quem não tem mudanças na sua vida? Pergunto eu e pergunta o bebé. Uma máxima dos reclames portugueses. Reclames à parte, o que eu queria mesmo sugerir é uma mudança radical nas vossas vidas. Mudem a hora. Aproveitem o facto de Portugal mudar a hora para mudarem também a vossa hora. Eu vou mudar a minha hora. Para os mais distraídos quero apenas relembrar que o destino marca a hora. O meu destino vai passar por um chá de mandrágora. Sim, essa planta mágica. Não será bem uma planta. É mais uma raiz. Dizem mesmo que é uma raiz milagrosa. Vou esperar para ver. E se soubessem como eu gosto de ver.

Anda por aqui pouca gente.

Sempre fui um aluno como não se deve ser. Pelo menos não é aquilo que eu gostaria que as minhas minhocas fossem como estudantes. Porquê? Porque nunca estudei como devia ser. Não sei o que é ter um método de estudo. Saber, sei. É o meu, mas não é confiável para transmitir a terceiros. Fiz o secundário todo há muitos anos, tudo direitinho, mas sem estudar como deve ser, confiando na minha capacidade de compreensão nas aulas e na memória prodigiosa que tinha. Foi assim e correu tudo muito bem. O pior veio depois. Se bem que considerar pior uma outra forma de estar é relativo. Quando quero dizer pior, apenas me estou a referir a uma certa falta… de organização… que tenho e que, aliada à perda de memória, me deixa com alguma incapacidade para tratar de tudo como deve ser. Eu bem me tento convencer que o meu lado caótico é organizado e que tudo gira bem ordenado, mas começo-me a convencer que viver comigo pode ser cansativo, pese embora eu só tenha dois espaços onde ninguém deve mexer: a minha secretária e a minha mesinha de cabeceira. São dois espaços assustadores, cheios de papelada, livros e coisas sem nome.

Podia-me dar para outra coisa, mas como estou na Qualific@, cheio de estudantes à volta, deu-me para isto.