Arquivo da Categoria: Deitando pérolas a porcos.

Disse um palavrão, no final do texto. Desculpem.

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Todos nós temos situações embaraçosas.

Eu já tive algumas. Aliás, farto-me de ter situações embaraçosas. Podia passar a noite toda a enumerá-las… mas também situações idiotas. Dessas, tenho muito mais. Não percebo porquê. Eu não sou idiota… mas acabo por me meter em situações perfeitamente idiotas… o diabo que venha e que perceba porquê.

Isto a propósito da minha última publicação no blogue.

Vim eu para aqui gabarolar-me das análises que fiz estarem todas boas… mas a história das análises tem muito que se lhe diga. Sim, porque não faz o meu género ir ao médico para fazer umas análises…

É verdade, eu fui lá por outra razão!

Uma razão perfeitamente válida e que, na altura, me pareceu que fazia todo o sentido.

Eu marquei uma consulta de clínica geral porque tinha um problema para resolver. Achava eu que tinha de arranjar/obter um atestado de robustez física.

Um atestado de robustez física? Para quê?

Pois, aí é que está o busílis da questão.

Como se aproxima o dia do cinco cinco (sim, é verdade, o cinco cinco ganhou uma importância desmesurada na minha vida…), eu meti na cabeça que precisava de um atestado de robustez física…

Outra vez a mesma conversa?

Sim, o raio do atestado era mesmo importante para mim (e eu sei que este tipo de linguagem é um pouco parecida com a da adolescente que tenho cá em casa em que tudo ganha uma importância desmedida…) e fui, a correr marcar a dita consulta de clínica geral.

Cheguei lá, com este ar de pai natal que não se pode, e dirigi-me à da menina da recepção. Confesso que os olhos ainda me caíram mais e fiquei com aquele ar de cão, amigo do dono e pronto para ir buscar tudo aquilo que me ordenassem…

Mas, assim de repente, não sei se vou conseguir uma consulta para hoje…

Pois, mas se conseguir, era fantástico… (fantástico é uma daquelas palavras que eu só consigo mesmo usar em casos extremos…) e… olhinhos de bambi…

Só tem uma consulta para a parte da tarde? Uhm…

Queria mesmo para agora? Perguntava a assistente operacional.

Pois… olhinhos de bambi…

Espere um pouco.

???

Acho que tenho uma vaguinha para o meio dia…

A sério? Isso era fantástico (segunda vez que utilizei a palavra… mas desta vez com a noção de que fui reconhecido…)

Muito obrigado, pela atenção e pelo cuidado, digo eu e dirijo-me para o local de espera, com o livrinho debaixo do braço (que faz parte de qualquer momento mais incerto…) e, como adoro salas de espera de hospitais e clínicas, lá abanquei o rabo numa bela cadeira, pronto para ver quem passa.

O tema do rabo sentado a ver quem passa dava para uma bela conversa…

Não é o caso. Estou a escrever por outros motivos…

Lá estava eu, acabadinho de sentar, e à espera que passasse alguém. Confesso, porque tenho mesmo de confessar o que é evidente, que fui a um hospital privado. Já foi tempo em que andava pelas urgências dos hospitais públicos, com as crianças nos braços, à espera de ser atendido. Também confesso que fui sempre muito bem atendido nesses hospitais mas agora, que as crianças estão criadas e não têm tido problemas de maior, as minhas idas aos hospitais são mais tranquilas. Por isso, quando lá vou, é porque não tenho mais que fazer…

Adiante que o sentido deste texto não é político.

Ia no ponto em que abanquei. O rabo. No banco.

Não é que seja um grande rabo. Não é. Mas é um rabo cinco cinco. De alguém que pousa o rabo num sítio e não quer ser perturbado até que o rabo esteja em condições de se voltar a mexer. Sou assim. Há quem goste de outras coisas. Eu gosto de alapar o rabo num banco de hospital sossegadamente. Detesto que me venham com tretas, do género: Senhor Rui Mendes Oliveira? O ponto de interrogação deixa-me nervoso. Põe em causa a minha existência. Só para começar! Então o médico ou a médica não percebe logo que existe um Rui Mendes Oliveira que está à espera de uma consulta? Para quê o ponto de interrogação? Eu existo! Estou com um rabo de cinco cinco alapado numa cadeira da sala de espera, caramba!

Se fosse princesa, e não uma contênsa que me põe tensa, ficava possessa!

Mas pronto, ou prontos, como diz a outra!

Lá respondi: Sim?

Faça favor!

Caramba. Ainda não tinha, sequer, conseguido meter o rabo de cinco cinco no sítio certo e a porta já estava aberta… à minha espera.

Pronto, vamos lá fazer um ponto da situação.

Eu lido muito bem com o meu rabo de cinco cinco. Ok, já teve melhores dias, eu sei, muito melhores dias, mas não me é muito difícil movimentá-lo no meio de uma sala de espera de um hospital.

Segundo ponto da situação.

Eu não sou um ser humano sexual.

Quer dizer. Eu sou sexual. E também sou humano mas não vivo para manifestações sexuais exarcebadas… (basicamente gosto daquilo mas não faço muito alarido…).

Ufa, que o raio do texto parece que nunca mais vai acabar!

E lá fui eu.

Bom dia, posso entrar?

Faça favor, sente-se.

Entrei, sentei-me e pus-me a observar o que me tinha calhado.

As coisas são mesmo assim. Acabamos sempre por tentar fazer uma ideia de quem está do outro lado e também acredito que a pessoa que está do outro lado pense exactamente a mesma coisa… ora vamos lá ver que passarinho me calhou…

A mim, calhou-me uma passarinha. Uma passarinha seis zero mas competente. Ora, então, o que o tráz por cá?

Eu. como sou um rouxinol, disse logo ao que vinha.

Venho cá por duas razões, senhora doutora (eu adoro doutoras) e a primeira é porque preciso de um atestado de robustez física.

Ai sim? E porquê?

Eu estranhei! Pus-me fino! Duas perguntas? Sem saber ler nem escrever? Hum…

Ora… porque tenho de renovar a carta de condução, digo eu…

Ah, então vou ter de lhe pedir a carta de condução e o seu cartão de cidadão.

Concerteza!

E lá fomos preenchendo os papeis (quer dizer, eu só ia respondendo…) até que me passa para a mão o dito atestado de robustez física.

Fiquei feliz!

É certo que tinha sido auscultado, pela frente e por trás, tossido e, finalmente, disse trinta e três, e por isso estava em plena forma física… mas tinha que explicar que a minha visita tinha outro motivo. Um segundo motivo.

Pelo sim, pelo não, achei conveniente referir que era um cinco cinco e, como tal, estava pronto para me submeter a uma verdadeira bateria de exames… qual comando pronto para tudo o que desse e viesse…

Ah!

E quando foi que fez as últimas análises?

Senhora doutora, foi quando fiz cinco zero.

Ah, pois, já foi há uns anitos.

Sim!

E lá me passou a requisição para ir fazer as benditas das análises.

E lá fui eu. Com o papel na mão e porque estava em jejum (sim, eu sempre confiei que o meu olhar de bambi que me ia trazer alegrias…) consegui tirar três tubos de sangue. Ok, poderia começar um outro texto sobre o facto do meu sangue ser de um vermelho como não há igual… mas esse texto seria uma outra conversa… e este, texto, já vai enorme…

O que eu queria mesmo dizer é que as análises foram feitas por causa do raio do atestado de robustez física e depois, quando fui tratar da papelada necessária para a renovação da carta de condução, descobri que, afinal, só vou precisar de renovar a filha da puta da carta quando fizer seis zero, tal e qual a idade da senhora doutora…

Fartinho, fartinho, fartinho!

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Fartinho, fartinho, fartinho!

Quando o título coincide com o início do texto… não há muito mais a acrescentar.

Todos nós temos de fazer o que tem de ser feito. É a vidinha. Cada um vai procurando encontrar os seus momentos de prazer. Os momentos de prazer são essenciais para que a vida continue para a frente. Parece uma daquelas evidências que se tornam ridículas quando fazemos questão de as… evidenciar…

Provavelmente. Muito provavelmente. Amanhã já não vou estar assim. Amanhã é dia vinte e três… Com muito ou pouco, vai ser um dia diferente do de hoje. Até lá, só me dá uma vontadinha enorme de desaparecer.

Falta-me esfolar o rabo. É sempre o mais difícil!

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Não gosto de me queixar. Prefiro beber uns copos valentes. Geralmente, costuma passar. Passa-me mesmo a vontade do queixume. Mas ando tão cansado que já nem com copos me consigo esquecer. Nada de interessante para o mundo. Só mesmo para o meu mundo.

Estou atolado em papeis. E não gosto. Mas tem de ser. E é uma valente seca. Por vezes sinto uma vontade enorme de rasgar a papelada. Rasgar a papelada toda. Por vezes…

Não é um comentário político. É mais um desabafo!

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É verdade que já decorreram uns dias mas ainda vou muito a tempo. No passado domingo, houve eleições, certo? Também houve uma data de distraídos que não sabiam que havia eleições e não puseram lá os pés. Foi pena. Sou de opinião que todos deveriam lá ir, passar por lá, como quem não quer a coisa… e expressar a sua opinião… Eu fui de duas maneiras… Fiz parte da mesa eleitoral e, claro está, fui votar na minha vez. Já são as segundas eleições em que faço parte de uma mesa eleitoral. A primeira vez foi nas eleições autárquicas e fiquei como vice-presidente. Desta vez custou-me imenso lá estar. Na véspera tinha estado naquele encontro maravilhoso com os amigos do CAP e aquilo durou até tarde… com os respectivos excessos… Acabei por dormir apenas três horas pois tinha de comparecer no local das eleições às sete da manhã… e lá fui eu, meio a dormir, meio acordado, meio sorridente e outro tanto a cambalear… porque era necessário executar todos os procedimentos para que as eleições decorressem com toda a normalidade e dentro dos parâmetros legais. E assim aconteceu. Não houve um único incidente e no final ficou tudo em conformidade.

Mas desta vez custou. Calhou-me ser escrutinador. Para quem não sabe, é a pessoas (no caso duas) que dá “baixa” nos cadernos eleitorais das pessoas que vão votando e que vai somando o número de votos para que as contas batam certo no final. Não é uma tarefa complicada mas é necessário estar atento. E desta vez custou porquê? Porque não apareceu quase ninguém! E como o ritmo era muito lento… o sono ia fazendo a sua aparição… até que… lá aparecia uma pessoa para votar… Foi quase sempre assim e, por conseguinte, muito aborrecido. É um trabalho cansativo, realizado a um domingo, super mal pago (cinquenta euros por catorze horas de trabalho) mas que tem de ser feito. E se é um trabalho que tem de ser feito é porque se pressupõe que será um trabalho para beneficiar alguém… E é triste verificar que foram poucas as pessoas que por lá apareceram… nem que mais não fosse para escrever uns insultos divertidos nos boletins de voto (e ainda tivemos uns quantos…).

Esta cena faz-me lembrar aquelas gajas que, quando estão com as amigas, dizem à boca cheia que sexo anal nem pensar e depois chegam a casa e “anda cá meu lindo” que é um ver se te avias. Só que ao contrário e devidamente contextualizado, ou seja, criticam, criticam, mas depois quando chega à hora da verdade, não saem do sofá e não aparecem nos locais de voto…

Por isso, não se queixem!

Os amigos da rede social da moda.

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Quem nunca aceitou um pedido de amizade, na rede social da moda, sem conhecer a pessoa de lado nenhum? Quem nunca o fez, que atire com o monitor à cabeça de quem já o fez. Eu confesso que tenho muitos amigos desses. Aceito tudo o que me vem parar à rede. Tudo, tudo, não é bem assim porque não tenho crianças (pelo menos que eu saiba) a verem aquilo que eu escrevo ou partilho. Achei que seria melhor não estar a sujeitar uma pobre criança às minhas palermices… De resto aceito todos os pedidos de amizade. Sou assim, uma alma bondosa e crente…

Como eu, há muita gente assim e, também como eu, o grau de arrependimento cresce exponencialmente quando caímos no erro de perder algum tempo com aquilo que essas pessoas acham que têm para dizer ao mundo. Como é evidente, toda a gentinha tem o direito de expressar as suas ideias, os seus sentimentos e mais qualquer coisita que achem por bem partilhar. Ninguém duvida disso. Aliás, é saudável que assim seja. Nem sequer vou pensar que, pelo facto de poder não estar de acordo, sou melhor ou pior do que essa pessoa. Isso não faz sentido.

O que me faz pensar que algo está mal é a quantidade de opiniões idiotas, mesquinhas, de gente cretina, racista e homofóbica que começam a fazer “lei” entre os entusiastas do raio da rede social da moda. Por aquelas bandas, os fenómenos estranhos tornam-se verdade num instantinho e as opiniões e os comentários brotam tal e qual cogumelos… venenosos. Confesso que não tenho assim tantos amigos ou amigas paranormais… muito menos perco tempo a ler o que escrevem. Já os identifiquei quase todos. Com uns, ainda perdi algum tempo, para ver até onde a coisa ia. Outros, nem me dei ao trabalho, confesso.

Já que parece que me estou a confessar, confesso ainda que continuo com todos os que fui aceitando ao longo da minha existência como ser humano integrante da rede social da moda. Não vejo necessidade de os empandeirar. São inofensivos. Aliás, gosto de os ter como espécimes de estimação, ali, sempre presentes, para me poder rir quando me apetecer. Gosto assim. Também gosto de pensar que, nos momentos em que estou mais desanimado e descrente, posso sempre dar uma vista de olhos pelos “conteúdos” desses “amigos” para não me esquecer daquilo que não devo ser… nem pensar…

Há sempre qualquer coisa positiva que se consegue encontrar no meio do lamaçal.

Assim correm os dias…

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Apesar de não estar em horário de trabalho, estou na minha escola. Porquê? Porque tenho que fazer horas até tornar a entrar e não dá lá muito “jeito” tornar a ir a casa para voltar novamente. Lá fora está um tempo muito fraquinho e a vontade em sair é pouca, de maneira que fico pela sala de professores. Este ano lectivo calhou-me ter de ficar na escola durante todo o dia três vezes por semana. Vou tentando não ficar muito desmoralizado por ter tantos buracos no horário e ter de passar tanto tempo na sala de professores. Normalmente trago um livro. Já pensei em trazer o material necessário para ir desenhando mas fico sempre com a impressão de que vou ser interrompido muitas vezes e, assim, não consigo trabalhar. Ler um bom livro está muito bem. Dormir nos sofás também é uma alternativa, mas só para descansar os olhos. Tem de ser uma soneca muito breve porque os sofás são de péssima qualidade e, se ficar muito tempo na posição torcida em que tenho de descansar… corro o risco de não me conseguir levantar…

Mas são horários de professores e quem anda nesta vida sabe perfeitamente que este tipo de horários podem acontecer. No entanto, ao fim de umas horas enfiado numa escola é necessário  sair do espaço físico, arejar um pouco e quando tal não sucede, corre-se o risco de atingir um grau de saturação que não é nada desejável para um bom desempenho.

Quem está por fora do sistema de educação vai logo achar que são queixas de barriga cheia. Vai afirmar a pés juntos, de preferência com uma jura… que conhecem muitos professores que não fazem nenhum… que todos eles ganham rios de dinheiro e que são verdadeiramente privilegiados. Argumentos deste género, próprios de quem não faz a mínima ideia do que está a falar, não devem ser levados a sério por quem for minimamente… sério. Mas estes argumentos são, pasme-se, para serem levados a sério. Sim, sério. Porque são os argumentos da maioria dos portugueses. Este tipo de argumentos foram construídos e alicerçados na cabeça das pessoas desde o tempo em que Maria de Lurdes tomou conta do escritório… Começou por tomar algumas medidas que visavam disciplinar uma classe que sempre foi corporativista e que sempre se deixou representar por um homem de bigode que nunca esteve muito interessado noutras questões para além das relacionadas com o… guito… direitos… e, acima de tudo, com a sua agenda política. Não me custa nada ser confundido com um reacionário qualquer por não concordar com os sindicatos, quero lá saber dessas minudências… Não sou contra os sindicatos. Devem existir para discutirem as questões laborais. Nada mais do que isso. Se me conseguirem explicar qual a competência que um sindicalista tem para discutir a avaliação do desempenho docente… Ok, poderão e terão, com toda a certeza, o direito de expressar a sua opinião mas não me parece que poderão ser os principais e, praticamente únicos, interlocutores de discussão destes assuntos. Mas foram e têm sido os sindicatos os representantes de peso… dos professores. Com os resultados que estão à vista: uma opinião pública, em uníssono, contra a cambada de privilegiados que andam pelas escolas. Quer queiramos quer não, esta é a realidade. Há uma grande, para não dizer colossal, animosidade contra os professores.

Há quem me ache meio parvo e se calhar sou mesmo parvo de todo mas não sou burro, apesar de ter umas orelhas grandes para ouvir melhor, uns olhos enormes para ler melhor e uma boca grande para poder falar melhor… consigo perceber que, nos tempos que correm, difíceis, com muito desemprego e gente a passar por dificuldades, existe uma ideia generalizada de que os professores não querem trabalhar e só querem receber os seus altos ordenados…

Consigo passar por cima da inveja. Pessoas que invejam uma classe pelos seus ordenados… não me parecem boas pessoas, principalmente porque não é uma profissão cuja finalidade seja ganhar dinheiro. Vejamos. Eu trabalho há vinte e poucos anos como professor. Trago para casa mil trezentos e poucochinhos euros. Não me parece que seja um ordenado principesco, Ok. Há muito boa gente a ganhar seiscentos, quinhentos e muitos outros não ganham nada. Pois há. Mas eu não tenho culpa disso. Faço o meu trabalho. Esforço-me por ser um bom profissional. Esforço-me por conseguir acrescentar alguma coisa positiva à vida dos meus alunos. Esse é o meu trabalho e devo ser pago por isso. Não tenho complexos em relação ao trabalho. Diferentes tarefas implicam diferentes remunerações.

Quem conseguiu chegar até aqui… é uma pessoa corajosa… mas que deve estar a ficar com uma noção errada da minha pessoa… (os meus conhecidos já sabem o que a casa gasta…) e a achar que eu só penso no guito… Não é bem assim. Claro que penso no guito, como toda a gente que tem contas para pagar, filhos para criar e comida para colocar na mesa. Tenho mesmo de pensar no guito e tornei-me num perito em contas de cabeça. Esse é um lado da questão mas não é o mais importante, pelo menos para mim. O que me custa mais na actividade que desenvolvo profissionalmente é sentir-me completamente menosprezado. Sentir que o meu esforço não é reconhecido. Saber que o papel de um professor não é respeitado. Saber que em muitas escolas um professor pode ser insultado e agredido sem que nada se faça para o proteger. Perceber que a opinião, o espírito crítico e o pensamento divergente estão cada vez mais afastados das salas de aula. Verificar diariamente o monte de papelada… Contar o número interminável de alunos na sala de aula… enfim…

É difícil continuar a acreditar que é possível ensinar, que é possível acrescentar qualquer coisa de positivo ao universo de um aluno, que seja, mas essa é uma luta diária, que merece ser vivida por todos aqueles que se deslocam para as escolas deste país…

Se pudesse, pegava na bela Scarabeo e ia dar uma volta.

Hippopotamus and Performer. Great Rayman Circus, Madras, India, 1989

Mas não posso!

Há vários dias que não escrevo nada no blogue. Para ser sincero, não tenho tido sossego. O sossego suficiente para me concentrar e escrever. Não é que precise de estar muito concentrado mas quando não tenho tempo, acho que a concentração é fundamental. São quatro da manhã. Hora imprópria para quem tem de se levantar às sete e meia para tratar de pôr a mexer esta casa. Vai ser bonito mas isso, agora, não interessa nada…

A minha rica senhora está a ficar nas últimas. Não tem parado e, de sessão em sessão, de feira em feira, de arruada em arruada ou mesmo de debate em debate, vai-se esgotando e está a ficar cansada, magra e cada vez com menos energia. Vai ser bonito quando tiver que ir trabalhar sem ter tempo para descansar. Bastavam dois diazitos, a dormir, e ela ficava como nova.

A minha campanha é muito mais tranquila. Aliás, eu sou um candidato tranquilo… ciente de que vai subir a votação para a Junta de Freguesia… Este meu envolvimento político veio-me trazer uma nova consciência cívica. Como muito boa gente, também eu deixei de acreditar nos políticos que nos governam há anos e anos. Como muito boa gente, também eu deixei andar, deixei de pensar se as decisões tomadas eram as mais acertadas ou não. Como muito boa gente, também eu insultei os políticos que nos governam sempre que surge mais um escândalo. Como muito boa gente, também achei que podia mudar o mundo. Não posso. É ponto assente que a minha voz e as minhas ideias não vão mudar o mundo. Não vão acabar com as injustiças. Não vão acabar com o egoísmo das pessoas em detrimento dos outros. Não vão acabar com a estupidez nem, tão pouco, com a mesquinhez de quem tem o poder. Provavelmente não vão mudar rigorosamente nada. É o mais certo! Mas, dentro da minha vontade, posso sempre tentar dar o meu contributo. À minha escala, é certo, mas de uma forma verdadeira.

Passando por cima da prosa, continuam a ser altas horas da madrugada e eu sem sono. Três irlandeses já tiveram uma conversa comigo. Os irlandeses são tipos divertidos. Pode ser que me convençam a ir dormir.

Ser humano de elevado potencial.

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É assim que eu gosto de me sentir. Um ser humano de elevado potencial. Porquê? Simples! Porque sou mesmo um ser humano de elevado potencial. Parece mal dizer isto, assim, desta maneira, crua?

Parece, eu sei!

Quem está desse lado vai pensar isso mesmo e ainda bem. É sinal de que são saudáveis. Quem está desse lado tem sempre que parecer saudável!

Por outro lado, quem afirma que é um ser humano de elevado potencial não tem que ser saudável, basta parecer.

E eu pareço. Mas não sou. Na verdade não sou. Sou apenas um ser humano de elevado potencial.

É melhor ficar por aqui porque estou naquela parte do texto em que “ou ata, ou desata” e ainda não vai ser hoje que eu vou explicar aos mais incautos o porquê, como se consegue perceber que se é, realmente, um ser humano de elevado potencial. Fica para a próxima.

Para compensar, quem quer que seja que ache que deve ser compensado, deixo aqui este belo sheik. Aquele sheik que só um ser humano de elevado potencial sabe apreciar.

 

Acontece frequentemente e é uma pena…

Todos os anos, a história se repete. A época de exames vem sempre acompanhada… de vigilâncias. Estar dentro de uma sala de aula, de pé, durante pelo menos duas horas e meia, sem poder ler ou trabalhar, é uma daquelas experiências que não são mesmo nada recomendáveis. Não é que seja a pior experiência ou o fim do mundo, porque não é e há coisas bem piores nesta vida, mas que é uma valente e monumental seca, lá isso é.

No meu caso, existe ainda um factor que me deixa mais desesperado. É que durante as ditas cujas duas horas e meia, vou pensando (que é a única que me é permitido fazer) em diversos assuntos, muitos dos quais gostava de vir aqui escrever umas bacoradas. Acontece que, não podendo sequer escrever, não tiro apontamentos para mais tarde recordar e as ideias vão fluindo e desaparecendo exactamente com a mesma velocidade…

A vida é feita de pequenos nadas.

O Herman é um clássico em Portugal. Toda a gente o conhece, julgo eu. Há quem goste muito e quem goste pouco. Eu sempre gostei dele, embora já não o veja há muito tempo. Há muitos anos, não sei bem em que programa dele, ouvi uma daquelas máximas que ele tem o condão de proferir e que era a seguinte: “A vida é como os interruptores. Umas vezes está para cima e outras vezes está para baixo”. A partir do momento em que ouvi esta frase fiquei crente nela e, sempre que julguei conveniente, lá vinha a frase do interruptor. Não no sentido de ser engraçado, porque não o sou, não consigo contar uma anedota que seja nem consigo aguentar com mais de duas pessoas a olharem para mim ao mesmo tempo… é uma cena que me assiste…

Hoje, e ao fim destes anos todos, julgo que posso acrescentar que a vida é, realmente, como os interruptores, só que não tem só um interruptor. Tem vários. E uns estão para cima e outros para baixo. O pior mesmo, é quando estão todos para baixo.

Se estivesse cansado, dizia aqui uma valente asneira. Mas não estou!

Apesar de só agora ter acabado com a papelada que tenho de entregar amanhã, estou descansadinho. Fiz o que tinha de fazer e, quando assim é, fico com a sensação de dever cumprido… pura estupidez, eu sei, mas eu sou à antiga portuguesa… é preciso não esquecer que eu tenho cinquenta e um anos e fui educado nas escolas da antiga senhora, por isso é natural que haja por estas bandas muita coisinha que não bate certo…

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que as escolas da antiga senhora, que até tinham algumas coisas boas, deixaram muitos resíduos tóxicos nas pobres cabecitas de quem por lá passou. Basta olharmos para o país, para o estado em que está… foi a geração acabadinha de sair das escolas da antiga senhora que pegou no país logo a seguir ao vinte e cinco de Abril… e já todos percebemos no que deu… no país de corruptos em que nos tornamos… na cambada de incompetentes que decidem a vida de milhares de pessoas… ou seja, o oposto daquilo que nos queriam impingir nas escolas do tempo da outra senhora…

No meu caso, como não sou nada importante nem sequer tenho o poder de decidir sobre a vida de alguém pois sou um mero professor, ou seja, um zé ninguém, não tenho de me preocupar com cenas de grandeza material, de carros xpto, de casarões maravilhosos ou mesmo de ter que andar rodeado de belas mulheres. Nada disso é uma prioridade. Essas cenas são para os tubarões da política portuguesa. A única prioridade do dia de hoje foi sentir o dever cumprido. Foi sentir que não há mundo amanhã e que tinha de acabar a papelada hoje… o que me vale é que ainda estou todo aceso… é só luzinhas à minha volta!

Desabafo, enviado pelo meu amigo F.R.

Na fila do supermercado, o homem da caixa diz a uma senhora idosa:
– A senhora deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
– Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
– Esse é exactamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente!
– Você tem razão – responde a senhora idosa – a nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava-as de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de as tornar a utilizar, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até ao comércio, em vez de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos de caminhar dois quarteirões.
Mas você tem razão. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Naquele tempo, as fraldas dos bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 2200 Wts. A energia solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos uma televisão ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha um ecrã do tamanho de um lenço, não um ecrã do tamanho de um estádio; que depois será descartado, e como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo à mão porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para enviar pelo correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico com bolhas ou pellets de plástico que duram quinhentos anos para se degradarem. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário e natural, e não precisávamos de ir a um ginásio e usarmáquinas para fazer de conta que caminhamos e que também funcionam a electricidade. Preferíamos caminhar na cidade ou no campo.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora envenenam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas (afiáveis), e agora deitamos fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lâmina deixou de cortar.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam oautocarro e os meninos iam de bicicleta ou a pé para a escola, em vez de usar a mãe ou o pai como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos apenas uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é engraçado que a actual geração fale tanto no meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?