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A vontade é como as unhas. Crescem todos os dias!

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Cinco cinco.

Foi há uns dias que entrei nos cinco cinco.

Não foi doloroso porque a diferença entre os cinco quatro… não é assim muito grande.

Acho mesmo que o cinco seis vai ser mais doloroso. É o caminho para o seis zero…

Oh balhamedeus!

Mas essa é uma outra conversa.

O que me interessa agora é viver os cinco cinco.

Tenho andado meio desmoralizado.

Bem que tento animar a vida com uns amigos irlandeses.

Mas não está fácil.

E não, não estou a entrar naqueles crises da meia idade!

Apenas ando desmoralizado.

Com a falta de dinheiro. Ter de pensar sempre duas vezes antes de gastar um cêntimo, que seja. E eu nem sequer sou pessoa (sim, já sou uma pessoa e não um ser humano… vá-se lá saber porquê…) para pensar no dinheiro como primeira prioridade. Não sou. Podia ser, mas não sou! Conheço muitas pessoas que pensam que o dinheiro deve ser a primeira oportunidade e sou amigo delas. Não confundo a amizade com as opções das pessoas. Porque é que haveria de o fazer? A amizade passa por outros valôres.

Mas ando cansado e muito perto de tomar uma decisão radical. Apesar de gostar muito de ir para a minha escola todos os dias, acho que passo por lá muito tempo e que poderia fazer outras coisas.

Todos os dias eu penso no desenho. No meu desenho. Não quero saber daquilo que as pessoas pensam acerca do meu desenho. Não me interessa. Apenas queria desenhar. E não tenho tempo, nem sossego para desenhar. E eu não sou nada de especial a desenhar, mas gosto de desenhar. Que se vai fazer?

Texto solto de uma quinta feira.

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São poucos os resistentes. São poucos aqueles que ainda têm alguma paciência para virem aqui espreitar.  Só tenho que lhes agradecer e desculpar-me pela falta de novidades. Não é que eu traga propriamente novidades daquelas do género das gajas boas só em Ermesinde…

De vez em quando venho trazer algumas novidades da minha vida. Só que, ultimamente, não tenho tido nada de especial para partilhar. Basicamente tenho levado nas bentas. Tenho tido uma vida muito saturante, cheia de problemas e sem resolução à vista. Não tenho, por isso, levado uma vida plena de felicidade. Muito pelo contrário, estou a atingir um ponto de insatisfação e frustração muito elevado. Eu sei que é nestes momentos difíceis da vida que se encontram as grandes personalidades…mas eu estou-me a marimbar para as ditas cujas… apenas queria um pouco de tranquilidade na minha vida.

Estou saturado. Saturado de obrigações. Com falta de prazer.

Não consigo perceber como é que ainda consigo manter um rumo. Durmo seis horas por dia, vou trabalhar. Regresso a casa. Não sei como hei-de lidar com duas adolescentes. Durmo mais seis horas e tudo recomeça.

E tenho lido. Leio sempre que posso. Queria ler muito mais mas não tenho tempo. É o único prazer que vou tendo. Não me custa dinheiro. Tenho ainda muitos livros em lista de espera. Sei que um dia vou morrer sem conseguir ler todos aqueles livros que eu desejo muito ler. Mais uma palermice… acumular materiais que não vão ser aproveitados…

Vivemos numa sociedade de consumo. Não é novidade para ninguém que o ser humano gosta de consumir e acumular… Eu acumulo livros. Adoro livros e tenho um fascínio enorme por todos aqueles que conseguem criar uma história e me transportam para outro planeta… literalmente.

Eu adorava ter a capacidade de escrever uma história. Limito-me a escrever umas palermices, que me dão algum gozo e fico-me por aí. Nada que se compare a um livro. Nem de longe nem de perto. Até consigo pensar num enredo e nos pormenores mas é tudo muito desgarrado e sem técnica. Poderia antes dizer que “eu é mais bolos”…

E é nisto que a minha vida está a andar para trás.

No processo criativo.

Não gosto nada quando me sinto a embrutecer. Quando não tenho a possibilidade de fazer qualquer coisa que me faça sentir produtivo. Ok, a minha função educativa tem de ser encarada como produtiva pois estou a contribuir para a formação dos jovens do amanhã… Isso é tudo verdade e não estou em remissão na relação que tenho com a minha profissão… mas eu estava a falar da minha vida pessoal, dos meus anseios e dos meus desejos mais íntimos.

Eu gosto de desenhar. Gosto mesmo muito de desenhar. Tenho a minha linguagem e ando às voltas dela. Não quero saber de explicações. Elas estão lá. Só não as vê quem não quer e, muito sinceramente, quero lá saber dos mal entendidos. Os meus desenhos são básicos. Abordam funções básicas. Punções sexuais. Não são mais do que desejos e visões pessoais do desejo sexual e do prazer proporcionado. Querem alguma coisa mais básica? Mais básico do que eu?

Não é pedir muito.

Apenas conseguir encontrar o equilíbrio entre a vida miserável que temos de levar e o nosso prazer.

É muito?

Continuo a dizer que não é pedir muito.

Porque será que nunca consigo acabar um texto?

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A vida, a minha vida, vai tendo altos e baixos.  Desconfio que não será só a minha vida que terá altos e baixos… Também não interessa nada. Não estou aqui para falar da vida dos outros e não… por isso, cada um que pense na sua vidinha…

Eu costumo pensar na minha vida à quinta feira. É um dia bom para mim. Tenho algum tempo disponível para dedicar às minhas coisas. Não é que faça alguma coisa de especial. Nada disso. Fico quase sempre por casa. Hoje, estou a ouvir isto. Não é nada de especial mas estimula-me os sentidos. E as ideias.

Também mexe com o meu corpo. Acabo sempre por dançar quando ouço estas musiquinhas. Fazem-me lembrar aquelas festas divertidas de há uns atrás…

Foram outros tempos.

A vida mudou. A minha vida mudou.

Hoje em dia não faço nada daquilo que gosto de fazer. Tal e qual.

O meu grau de frustração está a atingir níveis muito elevados. As pessoas vivem a sua vida com expectativas. Constroem as suas expectativas. Eu construi as minhas. Normal, não? O que acontece é que as minhas expectativas foram completamente destruídas. Não consigo encontrar uma motivação maior que me permita encarar o futuro com vontade.

E não, não estou a entrar numa depressão como muitos outros seres humanos, de nacionalidade portuguesa. Apenas me limito a constatar o que se passa com a minha vida.

Assim, de repente, posso parecer uma daquelas pessoas que só pensam apenas nelas… Mas não sou.

Sou apenas… mais um frustrado.

Sou um daqueles que quer abandonar a profissão que tem, daqueles que têm de aguentar porque as contas são demasiadas e ainda não existem as condições necessárias para dar o salto. Ou se calhar até existem e sou eu que estou para aqui com salamaleques excessivos… Se calhar é cagaço…

Pronto, é o que vocês quiserem!

Para mim é uma enorme tristeza.

Uma tristeza que me devora e me deixa sem forças.

Uma tristeza.

E eu, que só queria falar de prazer… vejam só no que isto deu.

Não consigo começar um texto… quanto mais acabá-lo…

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Assim, de repente, não consigo identificar um único amigo que seja político. Político na vertente profissional… daqueles que nunca fizeram nada, para além de serem políticos. Animais políticos. Para mim é uma felicidade muito grande não ter amigos desses. É uma afirmação que não me faz confusão nenhuma. Eu só consigo entender a vida política como serviço público. Entrega à causa pública. Está visto e comprovado que os jovens que vão para os partidos políticos portugueses o fazem com o intuito de subirem na hierarquia e, um dia, quem sabe, poderem vir a ser ministros… Temos muitos exemplos desses. Não é a competência que os promove, é o facto de serem capazes de desenvolver capacidades… ocultas… que os fazem subir, e subir, na esfera das decisões do partido.

Para mim, continua a ser uma felicidade não ter amigos desses.

Tenho outro tipo de amigos.

Amigos politizados. No sentido de estarem a par do que se vai passando e terem uma opinião crítica. E tenho amigos em todos os quadrantes políticos. Não é por isso que deixo de ser amigo deles e eles de mim.

E isto não tem nada que ver com a idade… Há aquela falsa ideia de que com a idade as pessoas se vão tornado mais flexíveis e tolerantes. Pelo contrário. Os burros vão ficando cada vez mais burros e os radicais vão-se tornando insuportáveis. E depois existem os outros.

É como o Constantino “A fama que vem de longe”. Quem é equilibrado vai ser sempre assim. É desses que eu gosto. É criticável ser assim? É! Mas eu não quero saber. Sou equilibrado e gosto de pessoas equilibradas. Quer dizer, também gosto de desequilibrados, dos dois géneros, e lido bem com eles mas gosto de me esforçar por ser equilibrado, pode ser?

Bem, esta conversa do equilibrado já me está a deixar enjoado…

Vou só virar a agulha…

A política é uma actividade muito nobre. Na Grécia era esse o seu estatuto. Hoje somos mais comezinhos. A política é uma cena para alienados. Já alguém se deu ao trabalho de perguntar aos poucos rapazes e raparigas que ainda temos por aí espalhados pelo país se têm opinião política? Sobre o que pensam acerca dos políticos que nos governam? Quem se der ao trabalho de o fazer vai ficar sem respostas. Por muito que tentem fazer as perguntas de uma forma minimamente comestível… a realidade que as respostas irão traduzir irá ser sempre confrangedora… revelando uma total… ignorância… pode ser esta a resposta…?

Eu ouço e vejo cada coisa. Diariamente.

E se eu não fosse uma pessoa equilibrada?

Por acaso, já pensaram que, se eu não fosse uma pessoa minimamente equilibrada, já poderia ter passado para o outro lado ou, então, fazer como muitos outros e ter ido dar uma volta ao bilhar grande cósmico? Ok, eu sei! Mas quem é este badameco que se acha o centro do universo? É isso mesmo! Um badameco! Não passo de um badameco. Que gosta de usar uns óculos graduados desnecessários para conseguir ver tudo desfocado…

É suposto que este texto seja um texto corrido…

Daqueles em que se começa numa ponta e se acaba numa outra…

Que não tem rigorosamente nada de comum com o início…

E não me perguntem porque é que eu sou assim. Tão inconstantemente equilibrado…

Discutível, mas…

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Estive a ler este artigo. É um assunto melindroso para quem já passou por uma situação destas ou para aqueles que já perderam familiares e amigos. No entanto, se pensarmos tranquilamente no assunto, conseguimos perceber que esta forma de terminarmos a nossa vida pode ser, realmente, um apaziguamento para quem parte e para aqueles que ficam.

A fotografia era para outro texto, mas como eu quero ser banido, ficou esta.

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O lar.

Para começar, quem quizer falar sobre o lar, o seu lar porque o dos outros não sabemos lá muito bem como será, convém ter música. Música em volume apropriado. Eu pelo menos não consigo escrever sobre o meu lar se não tiver um belo de um sheik em altos berros nos meus ouvidos. Manias.

Depois temos os óculos. Passado o momento da escolha do sheik, há que botar os óculos para ver se consigo acertar com as teclas. Outra mania.

A seguir convém ter um belo de um irlandês por perto. Poderiam ser outros. Mas, no meu caso, se conseguir chegar perto de um irlandês dourado e cheiroso já fico muito satisfeito para não dizer mesmo contente. Esta não é mania. É mais uma forma de estar na vida.

Pois é. Como fico completamente isolado do assunto, isto é, do lar a coisa tende a melhorar. Não ouço nenhum dos intervenientes porque os phones são da sony e são mesmo bons. A casa ou melhor, o lar, bem que pode arder que eu não vou perceber. São momentos inesquecíveis. Quem começar a ler o texto neste parágrafo vai achar que eu não gosto do meu lar. Não é verdade! Eu gosto do meu lar, muito. O resto são outras histórias. E eu adoro histórias.

Mas virando a agulha para o lado do lar porque as histórias podem ocupar muito tempo, sempre posso adiantar que o meu lar é um lar perfeitamente normal. Igual a tantos outros. A única diferença é que eu não sou normal. Eu explico. Quando pensamos num lar, pensamos em quê? Pois. Ninguém consegue responder a esta simples questão. Vá lá, pensamos em quê? Numa família? Num homem e numa mulher? Com crianças ao redor? Todos sentados num sofá, numa sala? Por sua vez, a sala estará devidamente organizada e apetecível a um visitante? E as roupas dos intervenientes? No caso da mulher, do homem e das crianças? Está de acordo com aquilo que se exige?

São perguntas do outro século. Poderia estar aqui a encher páginas e páginas com indiicações de ideias, do que era considerado um belo lar. Hoje, os lares são diferentes. Eu, que nasci e cresci num lar do outro século, chego a este mundo e sinto dificuldades. Não foi para isto que os meus pais me educaram… Não sei como lidar com o assunto! O meu lar não tem nada de semelhante.

Pois é, chegado aqui… vou ter de explicar porque é que o meu lar é diferente dos outros… essa é uma questão que ainda não está resolvida… porque posso sempre correr o risco de achar que o meu lar é melhor do que os outros… à boa maneira do JJ… mas, a verdade, é que o meu lar é mesmo diferente. O meu lar tem uma mulher. Uma mulher forte. Que me orienta as ideias. Se eu fosse um ser humano fraco, não saberia perceber as ideias que me são indicadas. Assim, posso levar dois raspanetes e duas bofetadas mas acabo sempre por perceber o caminho. Cada um tem o que merece. E eu mereço.

Pelo meio tem o belo do sheik, que não abranda e que não me deixa ouvir o que quer que seja que se esteja a passar no meu lar. Sim, porque eu tenho um lar.

Depois, tenho um lar com duas crianças. Bem, não são duas crianças, são dua gajas em ponto pequeno (se fosse do clube dos marqueses diria “piquenas”, mas não sou, felizmente) e que não são nada daquilo que eu imaginei…

A verdade é que ningém imagina o que lhe vai sair na rifa quando decide constituir um lar, na verdadeira acepção da palavra. Claro que eu não poderia querer melhor. São seres humanos com as plenas faculdades mas, mas, mas, poderiam ser um poucochinho diferentes…

Pois é. Eu sei que os filhos são a cara dos seus pais. Não consigo pensar noutra coisa. Na escola, farto-me de dizer isso… e depois, no meu lar, calham-me duas crianças que falam alto… (eu falo sempre entre dentes…) que acham que devem sempre dar a sua opinião… (eu nem sei o que isso quer dizer… ouço e calo-me…) que passam a vida a pensar na roupinha que vão usar no dia seguinte, nem que seja para ir à praia… (eu limito-me a vestir um calção, uma tshirt e fico à porta à espera de ir para a praia…) e não vou continuar a enumerar a sequência de episódios que me deixam crente na vida para além da… vida terrena…

E porque é meia noite, termino com um desejo. De que, um dia, eu consiga acabar este texto… porque o meu lar tem muito que se lhe diga…

Okupa e resiste, versão saudade!

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Com estes castigos todos que me foram infligidos… dou por mim com um desejo, um desejo muito grande. Gostava de voltar a viver no Porto, na cidade do Porto. Ao fim destes anos todos fora, gostava de voltar para onde nunca deveria ter saído. Há uns anitos atrás, antes de virmos viver para o sítio onde nos encontramos actualmente, fizemos uma busca desesperada por uma casa, onde pudessemos assentar arraiais… mas a coisa tornou-se inviável… devido aos preços proibitivos. Se tivessemos esperado mais um tempo, procurado com mais calma, estou convencido que encontraríamos uma casita para restaurar, de acordo com as nossas possibilidades…

Não aconteceu e agora, passados estes anos todos, deu-me para a saudade. Saudade de viver numa cidade que está a dez quilómetros de distância do sítio onde vivo… Quer dizer, é um bocadinho palerma sentir saudades de viver numa cidade que está mesmo aqui ao lado. Lá isso é. Basta apanhar o metro e quatro ou cinco estações depois… estou na baixa… Mas, lá está, não é assim nada de estranho porque eu sou mesmo palerma… por isso…

Já a minha rica senhora é de opinião diversa e radical. Está farta de pagar um dos “IMIS” mais elevados do país, uma das taxas do “lixo” mais elevadas, a água caríssima e, imagine-se, um município cercado por SCUTS!!! De bom, temos acessos radicais, cheios de lombas e buracos, que nos permitem treinar a condução. Praticar desporto… só se for mentalmente… Enfim, vivemos no fim do mundo e, se não fossem as pessoas que fomos conhecendo, seria uma perfeita infelicidade viver aqui. Mas voltando à minha rica senhora, diz ela que deveríamos ir para uma terra estrangeira, longe deste Portugal.

Que não, digo-lhe eu, que já não tenho a energia necessária para me mudar de armas e bagagens para um qualquer país que não tem nada a ver comigo. Se ainda tivesse sido há vinte anos atrás… nem seria novidade para mim pois já andei lá por fora a trabalhar e não me faz confusão nenhuma ter de mudar a minha vida. Quer dizer, não fazia! É que me ponho a pensar e logo percebo que a idade está a avançar… eu achava que não… mas parece-me que é mesmo verdade… daí até me convencer que devo aproveitar o que de melhor a vida nos vai trazendo é um passinho muito pequeno. E aqui chegado, tenho obrigatoriamente de pensar no dinheiro, guito, pilim. Será o carcanhol o objectivo máximo a atingir nas nossas vidas? Há quem pense que sim. Eu penso assim assim… E não, não estou a desenvolver um espírito de judeu… apenas estou cansado das dificuldades e dos sonhos perdidos.

A minha rica senhora é mais radical e acha que devemos partir se “a corja que nos governa ganhar as próximas eleições”, dixit. Eu começo a fazer contas à minha vida porque tenho a sensação de que vai sobrar para mim…

Passo a explicar.

Estes tipos que nos governam são bons nas lides politiqueiras. São bons nas lides parlamentares. São bons no marketing político. Eu até acho que os episódios caricatos que foram acontecendo ao longo do mandato foram propositados… tiveram o sentido de criar uma imagem de alguma inexperiência mas com muita vontade de fazer o melhor pelo país… Agora estamos a assistir ao TAKE2, em que são apresentados os resultados que lhes são mais convenientes e tudo o que de mau foi feito é, pura e simplesmente, esquecido. Vem nos manuais. Não estou a inventar nada. Eles são bons nisto. Já o tinham demonstrado quando tomaram o poder de assalto, a cantar e a rir…

Também já percebemos que o povo tem uma atracção fatal pelo abismo. Já não bastava termos um presidente da República inculto e, praticamente, um ignorante funcional como ainda tivemos de gramar com um autêntico cardume de boys, cheios de brilho mas pouco tino. E eles vão continuar por cá, a amassar o pão que alguém há-de comer.

Perante toda esta conjunctura, está-se mesmo a ver que vai sobrar para mim…

Como é que eu vou conseguir resolver o problema com a minha rica senhora? Como é que eu vou conseguir viver com a minha rica senhora descontente lá em casa? A querer ir para um país estrangeiro? Assim, de repente, surgida do nada, pode aparecer a oportunidade e a casa fica mais vazia. Não vai ser fácil.

Mas também não me adianta nada perder tempo a tentar perceber quais serão as realidades futuras… Não há muito que possa fazer. Até podia tentar mobilizar todas as pessoas que eu conheço para não votarem nestas abéculas… mas dá-me a impressão que me iam dizer para ter juízo… por, a ver vamos…

E isto tudo porque me deu para ter saudades! Mais valia estar caladinho!

Quem sabe se a mudança não se ficará apenas por voltar à bela cidade?!

Pois, esqueci-me do título… nem percebi muito bem porquê… também não interessa.

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Tenho medo de muitas coisas. Não fosse eu um ser humano.

Tenho medo de me repetir. Conheço tanta gente que se repete. Conheço tanta gente que ainda nem sequer começou a falar e eu já sei o que elas vão dizer. Não é nada de especial, muito menos um “dom” que nasceu comigo, dentro de mim… pois, muito provavelmente, acontece com muito boa gentinha mas o que é certo é que elas têm uma atracção muito forte por mim… e eu tenho medo de me tornar numa dessas pessoas, que se tornam repetitivas. Digo isto porque ninguém merece aturar uma pessoa assim. Já bastam as obrigações diárias. As do ganha pão. Quem não as tem? No trabalho temos mesmo de lidar com todo o tipo de pessoas. Qualquer organização laboral tem um conjunto variado de pessoas, com diferentes personalidades, diferentes formas de sentir, pensar, falar and so on… e cada um vai-se encaixando no “sítio” que acha mais indicado para si.

Posto isto, e como estou a ouvir Antony and the Johnsons posso correr o risco de me repetir… porque gosto de o ouvir de óculos escuros. Não sei muito bem porquê. Aliás, não percebo porque é que gosto de o ouvir. Só costumo ouvir música electrónica… enfim. Mas pronto, não estou de óculos escuros porque tenho que estar com os outros, os de ler… para conseguir escrever… um aborrecimento, portanto.

E o sossego só chega a uma certa hora da noite.

Eu ainda não percebi de que zona… da cidade… sou!

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O ser humano é mesmo estranho. Para não estar para aqui com meias tintas vou começar o texto com “nós” os seres humanos. De uma vez por todas, assumo-me como um verdadeiro ser humano e não se fala mais nisso.

Gostamos de coisas estranhas. Eu, para além de ser humano, sou homem. E os homens gostam de coisas estranhas. Também gostam de outras coisas menos estranhas. Mas o que me faz confusão são as coisas mais estranhas. Há homens que gostam de mulheres. Isso é estranho? Quem me sabe responder? Pronto, cada um sabe da sua estranheza. Para mim, gostar de mulheres não é estranho. Estranho, estranho é conviver com uma mulher.

Porque é que os homens convivem com mulheres? É estranho pensar nisso? Não me parece! Os homens e as mulheres convivem porque acham que o mundo gira à volta daquela zona. Sim, é verdade! Todos nós temos uma zona. Há quem lhe chame a zona apetecível. Aliás, existem diversas designações para o raio da zona. Sim, porque não passa do raio de uma zona que está espalhada pelo raio do planeta. Ou seja. É muito raio junto e muita zona junta! Ainda por cima o planeta, inteirinho, está repleto de zona apetecível. Então se existe zona apetecível por todo o lado, o que leva o homem e a mulher andarem à procura da dita cuja? Estranho, no mínimo! Mas o que é certo é que o homem e a mulher gostam de organizar as idas à tal zona, aquela que se designa de apetecível. Conseguem organizar as idas de diversas formas… Temos de tudo. Temos uns, e umas, que acham que o mundo vai acabar depois de amanhã de manhã e não conseguem parar de falar na zona. Não lhe fazem nada mas lá que falam sobre ela… lá isso falam. Outros têm a mania que a zona deve ser tratada com delicadeza. Andam às voltas pela zona, para a frente e para trás mas sempre muito preocupados com o que poderão pensar…

Há ainda os que aparecem na zona de chapéu! Outros de óculos escuros… Ainda aparecem alguns de bigode, parecidíssimos com a mãe deles… E agora, qual nouvelle vague, andam por aí uns de barba a inspeccionar a zona apetecível. Eu, se fosse zona, era capaz de gostar de uma barba cerrada a inspeccionar a minha zona…

Parou!

A descrição está a sair dos parâmetros considerados normais.

Voltemos pois à conversa inicial.

A conversa do ser humano que gosta da zona apetecível e que acha estranho tudo isso.

Alguém no seu perfeito juízo vai achar que a zona apetecível está relacionada com um chumaço que poderemos ter entre as pernas ou numa curvatura acentuada, com duas pequenas saliências, que desembocam não se sabe muito bem onde? Alguém pensa isso? Se o pensam e não o dizem, pode-se considerar que não é nada estranho. Mas, se o dizem, podem ter a certezinha absoluta que alguém: um vizinho, um conhecido, um patrão ou mesmo um colega de  trabalho daqueles que passam a vida a coçar as hemorróidas com a unha mindinha vão achar que há qualquer coisa de errado. E será que existe mesmo qualquer coisa de errado?

A mim, não me parece.