Começar o dia às seis da manhã é bom. Tenho tempo para tudo. Começo por ler as notícias, esticadinho na cama, com o idevice e a minha caneta especial… que eu tenho os dedos muito grossos e não acerto onde mais desejo… Isto tudo antes da confusão geral se instalar cá por casa. Hoje é sábado, como já todos devem ter reparado, e não se trabalha por isso… é mais agitado. As minhocas hoje não vão à piscina. Vou levá-las a uma festinha de aniversário, mais propriamente do Zé e do Henrique, manos gémeos, e depois vou apanhar ar. Enquanto se vão preparando, ao ritmo delas, a minha rica senhora dorme, como se não houvesse amanhã, apesar de estar com um belo de um tecno aos berros… Nos entretantos, as minhocas vão-se vestindo, pegando, pintando, penteando e calçando, mas não necessariamente por esta ordem. Está na hora de arrancar e vão conforme estiverem. Espero que bem. Fui.
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Nem para mim sou bom…
Há dias assim. Em que é tudo um pouco cinzento, para não dizer negro. Geralmente, nestes dias, não devemos tomar grandes decisões sobre assuntos importantes pois dá asneira, quase de certeza absoluta. Felizmente para mim, hoje não aconteceu nada de muito importante ou algo que exigisse de mim uma decisão. Foi um dia sem grandes sobressaltos, portanto. Excepto um episódio, que me roeu o juízo e me deixou aborrecido para o resto do dia. Como não podia deixar de ser, acabei por fazer asneira. Uma pequena asneira mas, para todos os efeitos, não deixo de a ver como uma asneira. Lá está, são as tais decisões que se tomam em alturas más. O assunto não interessa para aqui mas a asneira está bem vincada. Ora reparem lá na negatividade da fotografia que coloquei junto do título do blogue. Não é a cara deste blogue mas, por vezes é a minha cara, só que ninguém precisava de saber…
Eu tinha uma ideia inicial, tinha…
Quando tenho muito que fazer, mas mesmo muito que fazer, é quando durmo melhor. Também é nesta altura que me dá para o devaneio. Gosto de devaneio, aliás, sempre gostei. Hoje, o que acompanha o meu devaneio, veio do Douro, essa região mágica que me deixa com vontade de regressar. É uma descoberta recente, apesar de por lá ter passado muitas férias grandes em pequeno, mas agora os olhinhos que a terra há-de comer são outros, mais experimentados e mais cientes da beleza que aquela região encerra.
Posto o acompanhamento, voltemos ao devaneio. Fui ver ao dicionário online o que queria dizer devaneio. Basicamente, tem tudo a ver comigo porque diz lá que ter devaneios é fantasiar; divagar com o pensamento. Nascemos um para o outro, portanto. Mesmo assim, eu consigo domar e orientar o pensamento fantasioso que há dentro de mim. Se estiver a ouvir um deep house é uma coisa, mas se estiver a ouvir goa trance é outra. É tudo uma questão de orientar o caminho, o que pode ser mau, porque implica uma limitação à fantasia, mas se for encarado como um princípio básico de orientação, não me parece chocante.
Parece uma despedida do chat.
Agora vou mesmo.
Antes do fim de semana!
Estou aqui e já não penso na escola. Já arrumei a pasta até domingo à noite. Cada vez mais acho que deve ser assim. O trabalho não é a minha vida. Faz parte dela mas não é, de forma alguma, a minha razão de existir. A minha carreira profissional lá vai, cantando e rindo, com o devido esforço e empenho mas só isso. Não tenho vontade de me sacrificar para além do que me é pedido. Salvo raras excepções, como vai ser o caso de hoje, não perco o meu tempo particular com assuntos da escola. Preparo as aulas e avalio os trabalhos em casa, é certo, mas sempre dentro de um horário que eu acho mais conveniente para mim. Pedir mais do que isso… é achar que vivemos num mundo perfeito e numa escola perfeita. A minha escola está muito longe de ser perfeita, aliás está cada vez mais longe da perfeição, mas desconfio que não é só a minha… por isso, faço aquilo que tenho de fazer e, literalmente, mainada!
Não se trata de ser mau profissional. Muito sincera e honestamente, acho que cumpro com as minhas obrigações profissionais e continuo a gostar de estar dentro de uma sala de aula, mas tenho tido tantas desilusões que me custa ir para além do que me é pedido. A maior parte das pessoas que não estão ligadas ao ensino acha que somos isto e aquilo, uns privilegiados, que ganhamos rios de dinheiro e que não fazemos nada para o merecermos. São geralmente aqueles que depositam os filhos nas escolas e que não querem saber mais deles. São quase sempre aqueles que acham que é mais importante fazer dinheiro, seja lá como for, do que proporcionar aos filhos um crescimento equilibrado e enriquecido por uma real vivência escolar. Não é pelo facto de cada vez mais me aparecerem alunos completamente ignorantes que eu vou deixar de gostar da profissão. Muito pelo contrário. É um estímulo que eu necessito e se o meu contributo for o suficiente para mudar a vida de um aluno, um só aluno que seja, então já valeu a pena todo o meu esforço.
E depois, falar em dinheiro e em privilégios, é uma coisa que me dá ouras. Eu não ganho nada de especial. Dou aulas há vinte anos. Tive uma formação específica de cinco anos mais dois de estágio e ganho menos de mil e quinhentos euros. Tudo bem se compararmos com o salário mínimo, que não chega aos quinhentos euros, mas estamos a falar de funções diferentes e responsabilidades diferentes. Todas as profissões têm a sua dignidade mas começo a ficar um pouco farto da treta de que os professores são um bando de calaceiros que recebem autênticas fortunas. E pronto, era isto. Amanhã vou mudar de vida, por isso, que se lixe!
Talvez consiga jantar lá para as nove da noite.
O corpinho que já foi belo.
Enquanto o mundo gira, eu vou vendo fotografias de gente gira. Ficou foleiro? Também achei, mas foi mais forte do que eu. Foi como que um apelo do ser violento que está dentro de mim. Pouca gente o conhece. Ao tal ser violento, mas eu conheço-o bem. É ele que me leva ao trabalho. Todos os dias acordo e penso naquilo que ele poderá estar a pensar. Trabalho e mais trabalho. Infelizmente acabo por tomar banho, vestir-me e vou para o emprego. Coisa mais chata. Por falar em coisas chatas. Lá vou vendo a gente gira. Gira da internet. Normalmente cenas de sexo. Sexo sem nexo. Para matar o tempo. E vou pensando que devo fazer uma tatuagem. Vou fazer um desenho para uma tatuagem, que isto de andar com desenhos dos outros no belo do corpinho… não está com nada.
Não é bem ver, é mais espreitar.
Desgraçadamente, não tenho tido vontade de escrever. Ando sem energia. Talvez seja o período a acabar. Não, não estou a referir-me àquele, o do gostinho especial. É mesmo o período lectivo, da escolinha, portanto. Chega a esta altura e é o queixume do costume. Assim foi e assim será. Por isso ando mais arredio destas coisas. Tenho andado a ler O PRIMEIRO HOMEM DE ROMA II – A COROA DE ERVA de Colleen McCulough. Finalmente ganhei balanço para pegar nesta empreitada (eu já tenho cinco volumes, mas são sete…) e estou a adorar. Uma coisa como eu nunca li. Bendita senhora que dedicou o seu tempo a escrever desta maneira. Tirando esta emoção toda, a vida decorre pacificamente, com umas jantaradas bem regadas e em boa companhia. Vamos lá ver como param as modas.
Isto tudo, sempre com óculos.
Está a ser uma bela tarde. Enquanto vou desenhando o que me falta para acabar (finalmente) o belo livro da minha rica senhora, vou ouvindo o belo do sheik, bebendo qualquer coisita (que não digo o quê), faço uma pausas para fumar uns cigarritos (sim, não fumo em casa) ao mesmo tempo que vou lendo uns suplementos de jornais que tenho para aqui pousados à espera de vez. Entretanto, para não deixar muita coisa para trás, vou pensando na estruturação do trabalho de ilustração que vou fazer com os meus alunos (eles merecem). É uma vida difícil, conseguir fazer tudo isto ao mesmo tempo. Fui.








