Arquivo da Categoria: Genuflexões. Amen!

Golo?

20111106-186162-9

Dá-me a impressão que anda meio Portugal completamente tresloucado com o futebol. Eu não sou rapaz de rupturas. Não gosto de ser desmancha prazeres. É uma coisa que me aborrece. Se as pessoas gostam disto ou daquilo e eu não gosto… que se há-de fazer? Eu não vou ser o ranhoso que vai achar que é mais do que os outros só porque não tenho nada a ver com o assunto. Não vou ser eu que vai alimentar a coisa… nem para o bem nem para o mal. Para ser sincero, quero lá saber do futebol nacional, ou mais concretamente, da selecção nacional. Não quero mesmo saber! Aliás, quero é que eles vão dar uma voltinha ao bilhar grande (de preferência àquele em que o fêcêpê foi campeão nacional…). E é muito fácil para mim sustentar esta ideia. A de que estamos a sobrevalorizar uma data de jogadores da bola que, basicamente, nunca ganharam nada e que têm a mania que são os reis e senhores deste belo país à beira mar plantado.

Não consigo perceber este histerismo todo à volta de vinte e três personagens, mais uma espécie de tecnológico que errou na profissão e uma verdadeira procissão de personagens que nunca souberam fazer mais nada…

E isto não rigorosamente nada que ver com o primeiro resultado dos rapazes portugueses que queriam dar uns chutos na bola. Não consigo compreender as entrevistas, os repórteres fora deles, as aberturas de telejornais, as continuadas capas de jornais, enfim, um exagero! E depois pensamos melhor no assunto e percebemos que os tipos da bola nunca ganharam nada. NADA! E depois continuamos a pensar sobre o assunto e percebemos que temos campeões no atletismo. ATLETISMO? Sim, é verdade, no atletismo! Todos nós sabemos que o atletismo é a modalidade desportiva em que Portugal obteve mais êxitos. Não tem a mínima comparação! E andamos nós (salvo seja, que eu não dou para este peditório…) a idolatrar futebolistas… dirigentes desportivos do gabarito de um João Pinto… ou seja lá o que for…

Não tenho paciência e quero que eles venham já para casa. Sempre ficam reduzidos à sua insignificância e… mais baratinhos ao país…

Podia ter sido uma história. Podia. Mas tal, não foi possível!

PixMix715-img010

Muitas das vezes começo os textos que por aqui vou enfiando… com referências ao facto de me achar um ser humano à antiga portuguesa. Demasiadas vezes, até… e se me puser a pensar sobre o assunto, consigo chegar à conclusão de que é ridículo pensar assim. Pensar que sou feito de uma massa antiga e portuguesa… Nos tempos que correm não faz sentido pensar assim. O novo português está diferente. Nem melhor nem pior. Diferente. Não perceber esta diferença seria sinal de perfeito alheamento da realidade. E eu ainda não estou nesse estado mental…

Mesmo assim, entendo que não devo mudar algumas coisas. Não posso, nem devo, ser inflexível com as novas formas de estar no mundo. Mal seria de mim, com a profissão que tenho, que não conseguisse perceber essas novas posturas. Estaria internado, com toda a certeza (o que não é nada de especial para quem por cá anda…), a sofrer e a achar que a vida não valia a pena ser vivida. Mas, felizmente, consigo encontrar algum bom senso na minha cabeça para lidar com todo o tipo de situações. E nem sequer sou um superhomem… Agora imaginem se eu fosse mesmo um superhomem…

Isto tudo para dizer que gosto de lidar com todo o tipo de pessoas mas que não abdico de algumas ideias. Nem que chovam canivetes e eu esteja com vontade de cortar os pulsos.

Ok, se calhar, somos todos assim, ou não? As pessoas vão construíndo as suas ideias ao longo da vida. E eu, repito, tenho algumas ideias fixas. Também, repito, ao longo da minha vida fui construíndo um interface que me permitiu lidar com outro tipo de situações. Que me permitiu ficar chocado mas que me foi controlando a vontade de partir tudo… Construir este interface não foi fácil. Por vezes, ainda consigo confundir tudo e fico a achar que me tornei num ser insensível e que não quero saber daquilo que não esteja directamente ligado comigo. Depois, mexo nuns botõesinhos, para a esquerda e para a direita e a coisa vai ao sítio. É que, se estiver desorientado, com toda a certeza não vou conseguir resolver nada. Nem sequer vou conseguir perceber o que se passa. Por isso, ajuda, e muito, rodar os botõesinhos com toda a força, para o lado que for preciso e as vezes que forem necessárias.

E lá vou indo, cantando e rindo.

Que a vida são dois dias.

E, de vez em quando, surgem notícias que me deixam boquiaberto. E hoje até apareceu uma daquelas… de um ministro… mais umas bofetadas… enfim, uma perfeita cretinice para quem não tem mais nada que fazer. Estas cenas são boas para quem sofre de prisão de ventre e tem que se entreter com alguma coisa enquanto espera… Fico mais escandalizado quando me aparecem umas imagens de dois sujeitos, na televisão sem som, que surgem em situações de destaque (até sem som dá para perceber isso) e, quando aumento o volume, percebo que a notícia está relacionada com dois personagens da Polícia Judiciária que, alegadamente, estariam envolvidos em cenas pesadas, de tráfico de drogas, dinheiros e mais não sei o quê, nem me interessa.

Fico chocado. Não consigo tolerar que determinadas pessoas ultrapassem todos os limites inerentes às suas responsabilidades. Todas as pessoas, nas suas vidas e nas sua profissões cometem erros. Eu já cometi muitos e vou continuar a cometer erros, tenho a certeza disso mesmo porque ninguém é infalível. Mas não consigo perceber como é que pessoas que enveredam por uma profissão com as características de uma Polícia Judiciária consigam deitar para trás das costas todo um percurso e façam este tipo de coisas. Por dinheiro? Pelo poder? Nem quero saber.

São fracos!

Nos tempos actuais ou nos tempos antigos, são pessoas fracas.

Só vai para a Polícia Judiciária quem quer!

Com toda a certeza que as pessoas que decidem concorrer a um lugar na Polícia Judiciária sabem ao que vão. Eu saberia! E nem sequer digo isto com ironia. A Polícia Judiciária representa uma ideia de justiça que todas as sociedades modernas sentem que é necessário existir. Penso que é pacífico. É uma polícia que actua dentro dos padrões da lei. E eu estou à vontade porque defendo que as drogas não devem ser ilegais. O acesso e o consumo deveriam ser legalizados. O tráfico, e todos os problemas relacionados, acabariam se o esquema fosse legalizado. O enriquecimento ilícito, os roubos e a miséria humana dos dependentes acabariam. Estamos fartinhos de saber que é uma hipocrisia toda esta conversa da repressão. Quem quer vender, vende e ganha muito dinheiro. Quem quer consumir, consome e acaba a roubar para sustentar um vício imparável. Eu não sou, de maneira alguma, um especialista nestes problemas, mas percebo que a prevenção é a melhor aposta. E a prevenção pode-se fazer de muitas maneiras e feitios. Apesar de serem muito importantes, não basta gastar rios de dinheiro em campanhas de prevenção. É necessário que as nossas crianças cresçam saudáveis, com amor e com perspectivas de vida positivas. São elas que vão perpetuar as nossas memórias. Não somos nós, os mais velhos que corremos riscos de nos enfiarmos num mau caminho…(quer dizer, eu estou sempre pronto para um pedaço de mau caminho…) mas se, porventura, tal sucedesse seria de vontade própria e não fruto de um qualquer impulso…

PixMix678-img003

Ela vai ganhar e eu vou chorar, de impotência!

PixMix689-008

As nossas vidas são o que são. Penso que é pacífico. Cada um tem a sua. E cada um não é mais do que o outro. É uma regra básica da existência. Quem não percebe isto… mais vale ir dar uma volta ao bilhar grande.

Eu procuro perceber.

Umas vezes chego lá. Outras tenho que ouvir um sheik mais mexido. Ainda tenho umas outras em que tenho mesmo que beber uns copos para perceber o assunto. Enfim, sou como todos os seres humanos. Cheio de defeitos e de manias. Já se fosse de taras e manias… ficava mais preocupado. Mas não sou um rapaz de taras, só de manias.

E são as manias que me afligem.

Ainda há pouco estava eu com a televisão ligada. Em fundo estava o nosso irrevogável a falar. Tive uma curiosidade. O que será que o irrevogável está a dizer? Será que vem aí mais uma novidade daquelas de suster a respiração? Não, nada disso, apenas uma data de sugestões que se vão tornar verdades absolutas daqui a uns tempos. O costume. Mas não foi isso que me chamou a atenção. Foi o facto do irrevogável ainda ter muito apurado o sentido jornalístico de como se lida com uma entrevista… ainda por cima para a televisão…

Tive de lhe tirar o chapéu. O irrevogável continua dono e senhor dos mecanismos da comunicação. Num simples movimento conseguiu anular uma jornalista, que é fraquinha, e passou a distribuir as cartas. Quem não quiser perceber isto, não vai a lugar nenhum. O irrevogável sabe muito bem para onde tem que ir. Esta é a diferença entre os bons e os fracos. Depois há outras diferenças. Os que são considerados bons nem sempre são os bons do filme. Neste filme, o de Portugal, este bom actor é um péssimo personagem. Por outras palavras, é tudo aquilo que eu acho que não deveria existir à face da terra. Mas é ele que manda. Quem sou eu?

Apenas posso gritar a minha indignação.

 

Bem, eles que se entendam!

FlexibleGirls01-img006

Ainda bem que hoje à tarde demos um saltinho à praia. Em família. Não é que estivesse um grande dia de praia mas deu para relaxar um pouco. Até passei pelas brasas, imagine-se… Só não demos uns mergulhos porque as praias por aqui são perigosas e hoje o mar estava agitado. Mas foi bom. A alternativa teria sido ficar em casa a trabalhar e, nos intervalos, a ir espreitando as notícias. Não foi difícil a escolha… ainda por cima, se quisesse mesmo espreitar as notícias só ia levar com a maratona farfalhuda da troca de sepulturas… do rei da bola português… Mais um motivo que me levou direitinho para a praia.

Não é que eu tivesse alguma coisa contra o rei da bola português enquanto foi vivo (muito menos agora que está morto…) mas nunca consegui perceber qual a sua relevância para o país. Ok, foi o rei da bola, cá em Portugal mas isso não justifica uma ida para o Panteão. O Carlos Lopes e a Rosa Mota tiveram uma carreira despotiva prestigiante para Portugal pois ganharam muitas competições importantes e têm um palmarés invejável, mas quando, um dia (esperemos que seja daqui por muitos e muitos anos) morrerem, de certezinha absoluta que não irão dar com os costados no Panteão. Querem apostar? Eu não sei se estarei por cá porque eles são rijos e estão em forma… mas tenho quase a certeza. E porque é que não irão lá parar? Porque não dão uns pontapés na bola. É simples, não é?

O Panteão banalizou-se. Se repararem bem, já lá temos uma fadista. Primeiro EFE. Agora temos um futebolista. Segundo EFE. Fica a faltar o terceiro EFE. Qualquer dia ainda se lembram de ir desenterrar a freirinha de Fátima e ficava o ramalhete completo… Enfim, eles não têm culpa. Já não estão por cá para poderem exercer o seu direito de recusa… a culpa é mesmo dos decisores que temos, nomeadamente de todos aqueles que estão sentadinhos na casa da democracia… todos estiveram de acordo por uma simples razão: os que se atrevessem a votar contra teriam que prestar contas a seis milhões de adeptos do clube da gaivota… e isso, faz toda a diferença…

Mas essas, são contas de outro rosário.

Como também são outras contas o número de dias que os serviços técnicos da sic demoraram a preparar e a produzir três episódios sobre a vitória do clube das gaivotas no último campeonato de futebol. O bendito do campeonato que permitiu ao dito clube conseguir ganhar, finalmente, o tão desejado bi (já nem sei se foram trinta ou trinta e um anos ou mais…) já acabou há mais de um mês, por isso não se entende que tenham demorado este tempo todo para mandarem a cena para o ar. A não ser que tenha sido coincidir com a troca de sepulturas de hoje… terá sido? Hunhm, estou desconfiado!

Confesso que fui espreitando. Não vi tudo porque tenho mais que fazer mas lá fui vendo quando calhava. E fiquei com uma ideia do que se pretende. Construir uma imagem de uma organização credível, com um líder eficaz e sabedor. Ponto. Um homem simples, do povo mas seguro dos seus valores… e dos seus propósitos…

Foi uma boa produção, dividida em três episódios, cujo culminar aconteceu hoje. Se fizer uma analogia com as pessoas que nos governam actualmente, facilmente chego à conclusão que ambos as sabem fazer. Manipulam a seu belo prazer a opinião pública. Nada que me espante!

O que me espanta mesmo é o outro gordito e seboso presidente, daquele tal clube de marqueses, ainda não ter reagido. Ou ainda não se apercebeu que estão a tomar o partido do outro clube da capital ou está a ganhar balanço…  Vou ficar à espera das novidades. É que sempre são três milhões de almas que não se podem, nem devem, sentir prejudicadas por quem decide estas coisas…

Espero bem que não se deixem ficar para trás porque tenho mesmo curiosidade em ver que imagens é que apareceriam do gordito. Se pudemos todos assistir ao presidente do clube das gaivotas a ver televisão, de calções, com os pezinhos descalços em cima de um banquinho, a comer uns snacks de fruta… também devíamos ter a possibilidade de assistir a alguns momentos íntimos do gordito. Não têm que ser parecidos. Podem ser os momentos de pausa: gordito passa duas horas a trabalhar numa folha de cálculo, como está cansado dos olhos vai comer uma bola de berlin; gordito está no banco durante um jogo, como as emoções são muitas senta-se e come uma bola de berlin que tinha trazido; gordito sentado na secretária à volta dos cartões dos sócios todos do clube para ver qual iria expulsar, como é uma decisão difícil de tomar, manda vir um sumol e uma bola de berlin… e podíamos estar por aqui com matéria para três episódios, tal e qual os outros.

Vamos ficar a aguardar as cenas dos próximos episódios…

Conversas para outras andanças…

286

Nestes dois últimos meses devo ter envelhecido mais do que em vinte anos. O meu cabelo ganhou mais brancas do que algumas vez eu tinha visto na minha vida… A minha pele encarquilhou e começou a ficar seca. Olho para a minha cara no espelho e reconheço vagamente a pessoa que lá aparece… Enfim, sinais dos tempos que estou a viver.

1961. Agora virem o raio do número de pernas para o ar. Curioso. Lê-se exactamente da mesma maneira! Porque será?

cu

Hoje é dia sete. Sete de Novembro. De dois mil e catorze. Não é mais do que isso. Um dia do calendário. E um calendário tem muitos dias. Pelo menos o meu calendário tem muitos dias. Dias importantes e dias menos importantes. Se calhar, como todos os calendários das outras pessoas. Isso eu não sei. Não posso responder sobre assuntos que desconheço. Apenas conheço o meu calendário, que tem muitos dias importantes. Muitos dias mesmo.

Tenho dias para nascimentos. Para comemorar os nascimentos das pessoas que são importantes para mim. Se pensar no assunto, consigo perceber que também posso comemorar o nascimento de pessoas que foram importantes para mim e que já cá não estão. Normal. Toda a gente celebra aqueles que, de uma ou outra forma, foram marcantes e que já partiram. Esses, no meu calendário ocupam um lugar especial.

E nos dias destinados aos nascimentos também tenho um cantinho especial para todos aqueles que nasceram no meu ano. É verdade. Mas essa é outra cumbersa…

Mas o calendário não se fica pelos nascimentos, ou fica? Quem é que só comemora os nascimentos? O ser humano gosta de comemorar tudo. Tudo o que tem o mínimo de interesse e tudo aquilo que é mais desinteressante… possível. É impressionante como se comemoram tantas coisas. Eu sou um ser humano perfeitamente normal. Quando era mais novo, há sensivelmente quarenta anos, comemorava todas as vezes que fazia o amor carnal. Aquilo era uma festa. Sempre a comemorar. Aliás, acho que nunca comemorei tanto na minha vida. Comecei por fazer umas estrelinhas de cada vez que fazia aquilo. Muitas estrelinhas desenhei. Eram outros tempos… não havia a tecnologia dos nossos dias… para nos deixar mais sossegados… Hoje em dia, uma folha excel faria milagres.

O assunto já está a ficar demasiado nostálgico para o meu gosto.

Como as comemorações.

Aliás, o termo, por si só é deprimente.

Devemos comemorar.

A vida.

Estas coisas nunca são boas para o equilíbrio familiar. Por isso, façam o favor de não ler! Obrigado.

IMG_7929

Chegar a esta altura da vida e perceber que existe, em mim, um grave problema de comunicação não é fácil. Não é nada fácil. Eu não gostava nada de ter um problema de comunicação. Comunicar é o que de melhor podemos conseguir. Tinha logo de vir calhar a mim, o problema da comunicação. Não é justo. Não é nada justo. Sou um ser humano que gosta de comunicar… isso já se percebeu… mas devo ter uma forma muito diferente de comunicar com os demais seres humanos pois ninguém me entende. Ninguém consegue perceber onde eu quero chegar.

É triste ser assim.

Ou não é?

É!

Claro que é!

Está por aí alguém que ache o contrário? Também pergunto: está por aí alguém que tenha problemas de comunicação? Não, pois não? Claro.

Tinha de me calhar a mim! Este problema!

Faço uma pausa. Uma pausa para ouvir isto. Demasiado relaxante, quase zen… não resulta. A sensação mantém-se. A sensação de perfeito incapaz de comunicar como deve ser!

A pausa mantém-se mas a ouvir isto. Nem me atrevo a achar que fico mais animado…

E agora isto. É um ritmo que eu consigo dançar. Digamos que é próprio para senhores da minha idade…

Mas a preocupação mantém-se. A música ajuda a não querer pensar na vida. Mas ela está lá. Acordamos todos os dias, tomamos banho todos os dias, o pequeno almoço é uma refeição diária,  levamos as crianças à escola diariamente, vamos trabalhar todos os dias, regressamos a casa ao fim da tarde, e o jantar? Ah! O jantar tem que ser feito porque toda a gente chega com fome. E o que se faz durante o jantar? Bem, para além de comermos… também falamos. Ou há por aqui alguém que não fale durante o jantar? O jantar é a refeição mais importante numa casa de família. Numa verdadeira casa de família… para quem não vive sozinho. É o final do dia. E o dia, em princípio, foi preenchido com alguma coisa de interessante, digo eu. As crianças falam da escola e dos seus problemas, problemazinhos… para um adulto como eu…. Mas ouço. Os problemas das crianças devem ser, sempre, ouvidos. E eu ouço, pelo menos quando não são atirados cá para fora, aos berros. As crianças são o que de melhor nós temos (vem nos manuais) e devemos valorizar as ditas cujas.

E tudo continua. A refeição. O vinho que acompanha a refeição é servido. E a conversa continua.. Os adultos conversam. Também conversam com as crianças. Aliás, os adultos conversam com quem estiver à mão. À mão de semear. Faz parte da forma de estar dos adultos… falar com quem está à mão de semear. Apesar de adultos, somos todos iguais. Todos… é uma forma de generalizar… Eu vou sempre achar que não faço parte… Que sou diferente. Que se vai fazer? Nasci e cresci noutros tempos. Tenho lá eu culpa? Não tenho! A única culpa que eu tenho… é outra. A culpa que me levou ao início. O problema da comunicação. Estão lembrados…

Eu não consigo comunicar como os demais. Foi assim que tudo começou.

Peço desculpa! É um texto autobiográfico! Quem achar que sim, passe à frente!

PixMix627-img005

Quero crer. Quero acreditar. Que o que me vai na alma não é uma crise existencial… com os cinquenta já lançados. Os momentos de reflexão sempre existiram na minha vida. Quero mesmo acreditar que este será mais um. Reflectir sobre a nossa vida é um acto soberano. Só nos diz mesmo respeito a nós, se o conseguimos levar avante ou se nos encolhemos e deixamos andar. Para mim são sempre momentos solenes… porque tenho a mania que tudo é muito sério… uma palermice tão grande como as que vou por aqui escrevendo. As reflexões não têm nada que ver com o grau de seriedade que queremos impor aos assuntos da nossa vida. Adiante.

A minha vida é igual à de tantas outras. Cheia de altos, baixos, altos e mais altos e baixos novamente. Se eliminarmos um dos cinco picos anteriores, sobram quatro, tal e qual a minha vida, que é feita de quatro polaridades. Ou seja, sou mesmo quadripolar. E consigo ser diferente em todas as variantes da quadripolaridade: Ser humano que vive em família; ser humano que trabalha; ser humano que ama e tem prazer; ser humano que vive em sociedade. Assim à primeira vista, o que ressalta mesmo é a parte do ser humano… é muita necessidade em afirmar que se é um ser humano… Adiante.

E estas quatro polaridades são todas independentes. Há quem afirme a pés juntos que não senhora… que estão todas interligadas… que fazem todas parte do mesmo ser humano… venha o diabo e escolha porque eu não quero saber do que andam para aí a dizer, não digo das minhas polaridades, mas das dos outros… Das minhas sei eu. Quero dizer, eu bem que tento reflectir sobre elas para ver se consigo chegar a uma conclusão mas… às vezes… não é fácil! Adiante.

E algumas destas polaridades andam mal. Andam pela rua da amargura. Posso escolher uma delas e começar a desbobinar. Ou posso pegar numa ponta e levar tudo à frente. Tanto faz ou tanto se me faz. Vou ouvir Supertramp, sim Supertramp, e depois decido. Foi uma cena nostálgica que me apareceu à frente. Não tenho culpa. Sou um ser humano.

Adiante.

Começando por uma ponta, só porque eu gosto de pontas. Família. O núcleo duro é como o algodão, não engana. O sangue fala sempre mais alto. Umas vezes, o sangue, pode correr aos soluços, parecendo que as veias estão entupidas e com a perspectiva de que o fluído vai mesmo bloquear. Que o sangue vai deixar de correr e que cada um vai seguir o seu caminho. É verdade. Quem nunca passou por momentos em que não reconhece o sangue que está do lado de lá? Quem nunca achou que o sangue que está do lado de lá tem um gosto diferente do nosso? Mas que é igual ao nosso. Será que só acontece comigo? Não me parece. A família é isto mesmo. Sangue. Umas vezes esguicha por tudo quanto é lado e outras vezes corre tranquilamente nas veias, sem sobressaltos. E nos entretantos, o ser humano, o verdadeiro ser humano que eu sou, tem vida própria. Tem de continuar a viver. Tem de continuar a lidar com o sangue que lhe corre nas veias. E um diz assim. O outro diz assado. Mas não pode ser assim? Ou assado? Tanta pergunta e tanta resposta por dar. Porque é que isto tudo não é fácil? Pelo menos um bocadinho mais fácil. O bocadinho necessário para que eu consiga encontrar o meu equilíbrio. A minha paz e possa correr nas veias tranquilamente.

Adiante.

Trabalho. Porque será que, depois da família, tinha de vir o trabalho? Se pensar bem, família e trabalho deveriam ser duas polaridades positivas. Mas não são. O trabalho, como meio de subsistência tornou-se uma frustração. Eu sou professor há mais de vinte anos. Não quero saber ao certo se são vinte e dois ou vinte e três. Não me adianta. O mais importante são os meus alunos. Cada vez mais. Quero acrescentar alguma coisa de positivo à vida dos meus alunos. Se conseguir plantar uma sementezinha, de pensamento divergente na cabeça dos meus alunos já me posso dar por muito feliz. O ensino está transformado numa coisa esquisita… e eu não vou perder muito mais tempo a discutir o assunto. Isso fica para os entendidos… eu quero que eles vão todos à MERDA, que eu vou continuar como até aqui, a trabalhar, a dar o meu melhor para que os meus alunos cresçam, para que a minha escola continue a crescer.. O resto, e como não posso dizer palavrões, quero que vá dar uma volta ao bilhar grande.

E depois tenho outro tipo de trabalho. Não, não ando a fazer horas extras. É antes aquilo que é o meu trabalho. Os meus desenhos. Aquilo que me dá prazer. Um prazer que não me traz sustento. E esta polaridade não pode ser confundida com a do prazer, a do corpinho… Nada disso. Este prazer tem sido inesperado mas muito intenso. Foram as ilustrações de dois livros. Dois livros de sangue. Dois livros que mexeram muito comigo. Escritos por quem me corre nas veias para aquelas que são as minhas veias. Pronto. Ok. É demasiado rebuscado. Mas hoje vai ser assim. Ponto. Não quero saber.

Se perguntarem. Rui Manuel, tu gostavas de deixar de dar aulas para abraçares uma carreira ligada à ilustração e ao desenho? Eu era capaz de responder… “depande”… Se me tirarem vinte anos de cima do corpo e não me puserem duas crianças à guarda… eu sou capaz de aceitar. Aliás, tenho a forte convicção de que era mesmo capaz de aceitar. Outro aliás. Pegava nos lápis, olhava para as veias, para o sangue que por lá corre e era moçoilo para piscar o olho, em jeito de convite: vamos?

Como nada disto é possível. Vou continuar com uma vida dupla. Trabalho como professor para tentar, e trata-se disso mesmo, tentar, pagar as contas ao fim do mês e depois vou fazendo uns trabalhos que me tragam reconhecimento emocional. Pode parecer pouco. Pode. Mas para mim, o facto de ter uma mão cheia de amigos, que gostam do meu trabalho e que me percebem, basta-me, chega-me, e não poderia querer mais.

Adiante, que isto está a ficar complicado e nem sequer a meio chegamos…

Amor e prazer. Se não fosse o raio da música dos Supertramp… a coisa seria muito mais fácil. Mas há sempre qualquer coisa que vem atrapalhar o raciocínio… Ainda para mais esta polaridade é aquela que suscita mais curiosidade. Ou seja, por outras palavras: o que vai o ser humano dizer sobre o seu prazer? Sobre o amor? Eheheheheheheh. É tentador ficar à espera. Ler tudo isto até aqui… Será que vão aparecer pormenores sórdidos?!? Huhm! Quem me conhece?!? Sabe do que eu sou capaz. E eu sou capaz de tudo. Sou capaz de dizer que gosto de sexo em cima das mesas de cozinha… mas isso, esse pormenor, não acrescenta nada de novo. Milhares de cenas porno passadas na cozinha. Quem as não viu? Que sou capaz de afirmar, aqui e agora, de que sou rapaz para fazer o amor de pé… mesmo aos cinquenta  e três anos de idade… contra uma parede qualquer da casa. Quem anda desatento? É o que mais há na filmografia porno. Ou ainda que gosto de sexo anal. O sexo anal está-se a tornar um bocejo que já não se aguenta. Portantos… o que é que se pode acrescentar à polaridade do amor e do prazer? A meu ver, e isso sou eu a falar, nada! Todos nós, que somos seres humanos e andamos neste mundo, gostamos de fazer o amor. Pode ser que esse tal de amor possa ser escorreito, anal ou, vá-se lá imaginar, o que mais… nos pode acontecer… é tudo uma questão de imaginação. Também pode ser uma questão de amor. Ou não?

Sociedade. Ufa. Que isto nunca mais chega ao fim. Também concordo. O raio da vida de um ser humano tem que se lhe diga. É isto e aquilo. Ah e tal, temos que pensar que não somos todos iguais. Que somos todos diferentes. Eu gosto mais por cima e tu gostas de lado… é uma grande porra… termos que pensar sempre nos outros. Por vezes dá aquela vontadinha de mandar tudo às urtigas. Urtigas? Não, não pode ser assim. Temos de achar que a palavra certa é: coexistência. Pacífica? Com facas atrás das costas? Pacífica? Com vontade de esganar toda a gente? Pacífica? Vamos ficar com uma vontade. Uma vontade ENORME de vivermos todos juntos neste mundo. No caso. No nosso caso. De vivermos todos juntos em Portugal, que é um sistema político corrupto, nada edificante, merecedor do nosso desprezo, mas que seja o catalizador do nosso esforço. O esforço para não sermos iguais. Para conseguirmos ser genuínos. E, já agora, se pudermos todos ouvir Supertramp… a coisa pode melhorar… mas também pode… piorar, “depande”.

PixMix627-img004

Óbalhamedeusdezoitovezes!

decostas

É o que faz começar a ver fotografias de pessoas de outros tempos.

As pessoas são de outros tempos mas as fotografias são de hoje. Bah, de ontem.

Eu não deveria visionar este tipo de fotografias. Todos nós preservamos nas nossas memórias imagens. Imagens que são imaculadas. Que devemos manter intactas. De acordo com a época.

Quem é que não se pôs a ver imagens de pessoas de outros tempos nos tempos actuais? Hoje em dia é fácil, muito fácil. Com estas redes sociais, da moda e sem ser da moda, é normal encontrarmos pessoas que já não víamos há anos, muitos anos.

E depois? Depois, é um choque. Um valente choque. Passamos a perceber a real dimensão da nossa vida. Passamos a perceber que os anos passaram e a nossa vida não é mais aquilo que foi. Não é fácil lidar com estas novas realidades. Mas também não é difícil. É tudo uma questão de… perspectiva, certo?

E todos nós temos uma perspectiva… da vida, certo?

Fica a ideia…

20110131-162737-6

Influenciado por uma publicação na rede social da moda, de um candidato desconhecido do grande público, tive uma ideia que era capaz de resultar para a campanha do dito cujo. Podia o pretenso candidato a Presidente da Junta juntar… toda a sua equipa e, numa acção de rua, uma feira ou qualquer outro ajuntamento, dirigirem-se todos à população com um discurso muito sério, com muitas medidas concretas. Assim, uma coisa à político responsável, com bandeiras e tudo. A única particularidade é que toda a equipa devia falar à sopinha de massa. Eu não tenho nada contra os sopinha de massa, muito pelo contrário, dá-me vontade de lhes comer a língua, sofregamente. Mas seria interessante ver até que ponto a população iria perceber o discurso.

portuguesas+do+rabo+grande.

PixMix545-img009O título é sugestivo vírgula não é? Eu acho. Muitos de vocês também acharam, tenho a certeza! Alguém que paira pelo mundo virtual também acha. Essa é uma verdade absoluta, disso tenho eu a certeza. Apetecia-me fazer um sorrisinho, daqueles com uma bolinha, mas acho que não ficaria bem. Este é um blogue sério, cheio de referências sérias e um sorrisinho iria destoar. Mas voltando ao início. Ao título, portanto. Quem escreveu isto inicialmente não fui eu. Foi alguma alma caridosa que acha que as portuguesas têm um rabo grande e vai daí fez uma pesquisa sobre o tema. Veio parar aqui ao blogue. Fiquei a pensar no assunto. Alguém, português, de bom senso e conhecedor do assunto acha que as portuguesas têm um rabo grande? Alguém acha isso? Ninguém! Ninguém acha isso, a não ser uma pequena minoria. São aquelas pessoas que conhecem de perto, privam de perto, têm intimidade de perto com uma raça portuguesa muito especial. De uma zona de Portugal, muito especial.

Queriam saber qual será a zona? Certo?

Eu já lá vou. Entretanto, muito entretanto, podem sempre fazer uma pesquisa na internet sobre o tema “portuguesas+do+rabo+grande” e se vierem cá parar de novo… quer dizer que está a resultar. Seria a altura certa para espetar aqui um novo sorrisinho.

Voltando ao assunto principal, à raça especial, com características muito especiais, só me compreende quem já viajou pelos montes de Portugal, por essas terras onde as mulheres ouvem estas coisas e têm bigode. Um bigode lindo que nos encanta e que nos dá vontade de viver. Viver para sermos felizes. Viver para lutarmos. E viver para… viver…

Um viva à educação.

20120422-201520-9

Entre falar do homem da chicla e o homem do bigode, venha o diabo e escolha. São ambos representativos de tudo aquilo que eu não gosto. Conseguem movimentar a cabeça das pessoas para onde eles querem. Cada um à sua maneira, é certo, mas ambos com uma noção oportunista da coisa… porque ambos sabem que têm a grande maioria dos seus aficionados nas palminhas das mãos. Mas a vida é como tem de ser e cada come a sobremesa que gosta mais. O que me aborrece mesmo é que as pessoas se magoem com disputas imbecis. Cada um deve ter a possibilidade de pensar o que quer. Não faz sentido insultar ou maltratar outra pessoa só porque esta pensa diferente de nós. Não somos melhores nem piores por pensarmos diferente. Somos todos a mesma merda e vamos todos para o mesmo sítio. Espero que segunda feira tudo decorra com elevação e que não surjam conflitos entre colegas (já sei, colegas são as putas, como se diz em trás os montes). Vai ser um dia memorável, que vai ficar marcado pela positiva e em que todos os intervenientes poderão e deverão ficar de bem com a sua consciência.

Arco-Madrid.

madrid

Fui à ARCO, com os meus alunos. Acho que eles gostaram. Eu também gostei de ter ido com eles. Quanto à feira, em si, achei que desta vez tinha pouca fotografia, pelo menos comparando com a última vez que lá estive, que foi há dois anos… e a pintura que por lá vi não me encheu as medidas. Desta vez não encontramos ninguém conhecido e, pode ser impressão minha, achei que estava muito menos gente a visitar a feira. Efeitos da crise? Não sei o que se passa na cabeça dos organizadores para colocarem um bilhete a quarenta euros… Eu acho que é caro, muito caro, em qualquer parte do mundo e… Madrid… não é propriamente o centro do mundo! Mas apesar de tudo valeu a pena ter lá ido, não por mim e sim pelos alunos, que assim tiveram uma excelente oportunidade de tomarem contacto com outras realidades.

madrid-paint