Arquivo da Categoria: Na lida da casa.

Podia ser diferente, mas não foi. Foi mesmo assim.

tumblr_miyegi6mNi1qghznao1_500

Domingo. Aquele dia santo em que é suposto não fazer nada. Suposto… Hoje começou cedo, às sete e pouco da manhã, como de costume. Pequeno almoço e café. Regresso à cama, que no ninho é que se está bem. Entretanto, a minha rica senhora acorda e ficamos numa conversa animada… que invariavelmente acabou naquilo… é que conversa puxa conversa… e como as minhocas agora dormem até mais tarde um bocadinho… Só faltou o cigarrinho… mas como já não fumo há uns anitos, ficou a lembrança.

Passado algum tempo começa o alvoroço do costume, com as minhocas no seu melhor… Ainda consegui dar uma vista de olhos nos sítios habituais e toca a levantar, tomar banhinho e seguiu-se uma sessão de arranjos domésticos: duas persianas que não funcionavam e que passaram a funcionar; duas portas que não fechavam e que passaram a fechar; Uma porta que embarrava no chão e que, depois de desmontada, deixou de embarrar. Pelo meio fui preparando o almoço de família. Também convém referir que tudo isto foi conseguido porque as moças cá de casa foram ao centro comercial fazer umas compritas… Bendito sossego. A trabalhar mas sossegadinho no espírito.

Depois foi uma canseira. Foi um lauto almoço e fiquei sem forças para fazer o que quer que fosse. A tarde foi passada em ritmo muito lento e a arrumar algumas tralhas… Feita a digestão, fui correr mas apenas trinta minutos para me manter activo… (confesso que também não iria conseguir correr muito mais). Seguiu-se um banhinho quente e que mais? Isso mesmo! Preparar qualquer coisinha que se coma… Vai ser uma canjinha, uns pasteis de Chaves genuínos e uns queijos que chegaram do outro mundo. Claro que, depois de correr, há que repôr os líquidos e vamos ter de abrir uma garrafinha de vinho branco…

Depois, seja o que deus quiser.

O culto do corpo.

Vintage Brides (5)

É bom pensar no corpo. No corpo que nos pertence?, claro está, que o corpo dos outros… é outra história. Cada um com o seu, que é muito bonito. Eu acho que tenho falado no assunto, uma vez por outra, quando me aparecem exemplos que me fazem pensar que estou dentro de um corpo. Ou não estou? Eu acho que sim. É o meu corpinho.

Claro que o “meu corpinho” já não é o que era. Acontece. Acontece que o corpinho vai envelhecendo. Parece-me normal, não? Ou há alguém que ainda não percebeu isso? Não interessa! O meu está a envelhecer. Ponto! Se me perguntarem se eu gosto… a resposta nem precisa de ser escrita…. balhamedeus… ninguém gosta de um hospedeiro fragilizado…

Mas é a vidinha. E eu gosto da vidinha. Gosto de pensar que a vidinha não é só o belo corpinho… aquele que não existe mais… isso é passado. Agora, a vidinha é outra. Também não vou cair na tentação de afirmar que a vidinha, agora, é mental… nada disso. O corpinho está mais descaído, é certo, mas ainda mexe… ainda sente o fio da navalha a passar… ainda sente a emoção carnal, a emoção do desejo. Uma palermice portanto, que nem os adolescentes de hoje acham viável…  porque as vivências, hoje, são muito diferentes das minhas.

Bem, a conversa está a ficar palerma de todo.

Apenas queria perceber o porquê de muitas pessoas da minha idade não lidarem bem com o seu corpo. Quero dizer, as da minha idade (eu sei, sou quase sexagenário…) lidam bem com as inclinações. Os que estão a seguir, abaixo de mim, é que parecem que a vida vai acabar amanhã e que é preciso fazer… tudo hoje. (Os mais ingénuos, como eu, iam achar que, viver com intensidade, é bom, muito bom. Mas essa é outra conversa porque não é nada disso que se passa.). Não vale a pena viver infeliz só porque o nosso belo corpinho sofreu uma transmutação…

Está tudo na nossa cabeça. Essa é a parte mais importante do nosso corpinho, seja ele belo, ou não!

Depois disto tudo, só tenho mesmo é de pedir desculpa. O texto pode parecer complicado, rebuscado ou o que lhe quiserem chamar, mas, para mim, é tão clarinho…

A segunda feira nunca mais acaba.

images

Três vezes destilado. Vezes três. E vou no terceiro para ver se fico completamente destilado. Aliás, três é um número que alguém fez. Hoje de manhã fiquei com a minhafilhaquegostadehiphop em casa, a enfiar-lhe xaropes pelas goelas abaixo de tantas em tantas horas. A meio da tarde, por volta das três, tive que ir buscar a minhoca pequena à escola para também lhe começar a enfiar os ditos xaropes. Quando chegou a mãe das crias, a minha rica senhora, portanto, mais uma que se enfiou na cama mas, como já é mais crescida, toma umas pastilhas para o mesmo mal. Está uma casa alegre, não haja dúvida. Não posso mesmo ficar doente mas posso ficar destilado. E vai mais um.

A partir daqui… não tenho mais nada a dizer!

tumblr_m2udsp5cHw1qh1b3lo1_500

Eu queria, mas queria mesmo, escrever umas palavras. Também, palavras, leva-as o vento. E depois há ventos de toda a espécie. Não sendo entendido em metereologia nem em fenómenos do género, só me apraz dizer que não quero saber da ventania que ocorre por esse país fora.

Ouvi e vi a reportagem sobre o bpn… caramba (que é uma palavra simpática) aquele esquema todo foi… indescritível? Pode ser essa a palavra? Sim, porque estamos a trabalhar com palavras. Quando digo indescritível, quero dizer… não tenho palavras… pode ser? Só consigo dizer que estamos entregues à bicharada!

Eu queria continuar com o assunto… mas a minha rica senhora… não me deixa, acha que é muito mais importante estar na cama com ela do que o raio do bpn e dos ladrões que por lá andaram… E eu, como ser obediente, fui para a cama!

Vamos lá ver o que se consegue fazer no dia de hoje.

20110417-169249-3

Parece que o pior já passou. O vendaval, por estas bandas, está a amainar. Às sete e meia, quando me levantei para pôr as cadelitas no jardim, e abri a porta da cozinha (que dá para o referido jardim) fiquei a olhar para o estado em que se encontravam as árvores. Nada mal, tirando uns galhos quebrados e um número considerável de limões que estavam espalhados pelo chão, nenhuma foi arrancada. É claro que o chão ficou repleto de folhas e vou ter que apanhá-las todas mas isso é o menos porque já estou habituado…

Que canseira…

Domingo à tarde é sempre… domingo à tarde. Como não nos atrevemos a sair, seja lá para onde for, aproveitamos sempre para trabalhar na casa. A mim calhou-me uma tarefa ingrata. Dei início ao corte da cerejeira que está no jardim. Custa-me imenso ter que cortar uma árvore, a sério que custa, mas tinha mesmo que ser. Já foi várias vezes podada e continua a crescer desenfreadamente. Tem um tronco grossíssimo e as raízes estão a levantar o chão do jardim. É uma pena. Lá peguei no serrote e fui cortando, cortando, até ficar completamente esgotado. Nem sinto as mãos nem os braços e ainda vou a metade. Para o próximo domingo há mais… porque agora tenho de ficar de molho para logo conseguir acariciar a minha rica senhora, que ela bem precisa…

Para variar.

Só aqui estou a escrever porque não posso estar na praia. É triste, muito triste, mas desde que cheguei de Chaves ainda não apanhei um único dia em condições, para ir para a praia, portanto. Tenho andado em arrumações e a reparar pequenas coisas. No meio disto tudo, reparei num pormenor interessante. Tenho uma planta cá em casa que já me acompanha há dezassete anos… Nunca tinha pensado no assunto e confesso que foi uma surpresa saber que já somos compinchas há tantos anos… e também não sabia que uma planta poderia durar estes anos todos… e pelos vistos… vai continuar a saga pois ela está para as curvas… Ainda vou eu primeiro…

Coisas de uma casa de família.

São mais ou menos onze da noite. Só agora parei para me sentar um pouco, em frente ao computador. Não sinto as mãos. As pernas já eram. Digamos que estou todo partidinho e que começo a sentir o peso da idade. Estive a montar quatro armários na cozinha. Bendito Ikea que tem soluções para tudo. Conseguimos montar a dispensa que nunca tivemos. Com estes quatro armários o espaço duplicou e vou conseguir enfiar a tralha toda lá dentro. Mudamos a posição do frigorífico, a posição da cama da Lola e parece que a cozinha ficou maior e mais funcional. Agora só lá faltava um LCD dos pequeninos para ficar um verdadeiro luxo mas não tem crise, continuaremos com a televisão quadradinha que tão bem tem funcionado e que me permite ver o telejornal enquanto faço o jantar. Agora, que estas coisas cansam… lá isso cansam… e só penso num belo de um banho para ver se relaxo um pouco…

Depois justifico-me, a sério. Agora é a brincar!

Já deu para reparar que tenho aqui ao lado uma coisa estranha. Muito estranha, mesmo. Um banner, ou lá como se chama, a fazer publicidade. Está aqui à experiência. O meu desejo era ser patrocinado por uma empresa, em regime de exclusividade, e que me pagasse uma pipa de massa (pelo menos para os meus critérios). Como ninguém me conhece, tenho de me resignar à minha insignificância e vai daí, toca a meter uma publicidade do google. Cheira-me que vai ser uma publicidade ranhosa, daquelas em que vai aparecer de tudo um pouco. Digo isto porque este blogue também é meio ranhoso e o que aqui vou colocando é do gênero… para onde estou virado, que é o que eu gosto mais. Por isso e mais outras coisas, também acho que vou acabar por ser expulso do esquema de publicidade do google. A ver vamos. Já agora, se alguém souber de uma empresa que me queira patrocinar em regime de exclusividade, avisem.

Estes dois davam jeito, lá por casa.

Ser um feliz proprietário de uma habitação (a meias com o banco, é certo, mas proprietário…) tem que se lhe diga. Passo então a dizer que a manutenção da habitação é uma dureza. Em todos os aspectos. Quando não pode passar pelas minhas mãos, tenho de recorrer a alguém que saiba da poda (sem ph) e pagar-lhe, situação que me aborrece porque basta qualquer desviozito e lá se vai a estabilidade do orçamento familiar. Mas adiante. Quando calha a ter de ser eu a fazer, pois que remédio, faz-se. Ontem calhou-me ter de subir ao telhado. Limpar as caleiras. Rotina anual e que me deixa sempre satisfeito pois a vista para a pista do aeroporto é ainda mais poderosa. Gosto de por lá ficar uns bons momentos, sossegado, antes de passar à limpeza das caleiras, propriamente dito. Subo sempre com um balde vazio e retorno com ele cheio de paus dos ninhos das pombas, penas, ovos e terra que as filhas da mãe vão acumulando durante um ano. Já estou farto de as aturar e, se pudesse, traçava-as de cima a baixo. Que me desculpem os amigos das pombas, mas aquelas criaturas são uma autêntica praga que dão cabo de tudo. Por isso, se alguém souber de uma forma pacífica de as enxotar do meu telhado para sempre, eu agradeço imenso todas as dicas. E assim foi passada a manhã do meu domingo.

Pegar nas panelas.

tumblr_kq916anzCM1qzcac7o1_500

Gosto da ideia de cozinhar. Ficar na cozinha a fazer qualquer coisa para todos comerem. Cá em casa sou eu que, normalmente, cozinho. Não sei muito bem porque assim é ou porque assim foi decidido. Não me lembro nem faço intenção de perder muito tempo com isso. É pacifico e acho que assim está muito bem. Não que a minha rica senhora não saiba cozinhar, pelo contrário até acho que tem muito mais jeito do que eu, mas foi a forma de dividirmos tarefas cá em casa. Ponto final. Voltando à cozinha. Gosto de inventar e vou sempre misturando coisas novas. A experimentação, quando não é demasiado extravagante, é sempre de louvar pois acabamos por descobrir outros sabores que não estão escritos em lado nenhum. Claro que não sou nenhum mestre da culinária mas, dentro daquilo que vou sabendo, acho que faço bem. Por falar em fazer bem, convém estar atento à quiche que estou a fazer para levar a uma feira de sabores de uma escolinha em que as minhocas vão estar presentes. É uma quiche simples, de espinafres, queijo e fiambre, a preferida delas e, espero eu, das outras crianças presentes. Como estou com a mão na massa vou aproveitar para fazer de seguida uma outra quiche, para o jantar, de bolinhos de bacalhau, cebola e queijo, porque vamos chegar tardito e assim já fica meio caminho andado. Coisas de vidas familiares.

O dia esteve para ser diferente.

20090123-94929-3

Pois é de um rico banho que eu estou a precisar. Hoje acabei por não ficar o dia inteiro na caminha, nem sequer fumar um cigarrito, porque tive mesmo muito que fazer e, ainda por cima, estive a fritar uns filetes de pescada, que estavam muito bons, fiquei a cheirar a peixe que não se pode. E é esta a minha vida. Por isso, vou tomar uma banhoca e vou para a caminha. Finalmente.

Ummhhhmmm.

sharpei

Ando cá com uma vontadinha de ficar um dia inteirinho na cama, que vou-te contar. Este tempo está bom para isso, nem muito quente nem muito frio. Só que, para isso, tinha que ter companhia, para estar à conversa e a fumar cigarros, que é outra das coisinhas de que sinto falta. Como nada disto vai acontecer hoje, acho que vou até à lavandaria pôr uma roupinha a secar, que o tempo está bom para isso.

Pois sim.

Diariamente vejo dezenas de aviões a levantarem voo para muitos destinos. É normal, pois moro mesmo ao lado da pista do aeroporto. Já só viro a cabeça para os ver levantar em circunstâncias muito especiais. O que também é normal, senão já teria um pescoço anormalmente desenvolvido. Como tal, hoje, por volta das oito e meia da manhã, fui para a janela ver um avião muito especial a levantar voo. Era o que levava a minha senhora para terras que não lembram ao diabo. Disse adeus para o avião e fiquei a vê-lo descolar. Coisas de pai de famíla, que se há-de fazer.

Por volta das dez e meia recebi um telefonema da minha rica senhora, a dizer que tinha chegado bem, que o avião foi direitinho, aquelas coisas… e pergunto eu: E viste-me a dizer-te adeus? Que não, que estava muito nevoeiro… que nada, não estava nevoeiro nenhum, contrapus eu… pois, fechei os olhos, estava com medo…

Confesso que fiquei desconsolado. Passados cinco anos e tal, desde que estamos nesta casa, tive a primeira oportunidade de lhe ficar a dizer adeus, na varanda de minha casa e… népias? nem sequer me viu? Não, assim não está certo! As mulheres já não são o que eram.