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Mudar de vida
Hoje começa uma nova era, na minha vida, claro está. A minha senhora ofereceu-me uma agenda. Sim, uma agenda. Para eu finalmente começar a anotar tudo aquilo a que tenho direito. Isto porque ultimamente tenho andado tão relaxado, mas tão relaxado, que me esqueço de quase tudo, especialmente aquilo a que tenho direito. Foi com boa intenção e com uma atitude pedagógica que a minha senhora me ofereceu a dita agenda, eu percebo isso, mas agora eu vou poder olhar para trás, ler os registos e saber na hora o que fiz e o que não fiz. O que também é bom.Make peace, not war.
Devemos começar o dia com um pensamento positivo. Hoje, o meu, esteve virado para a ecologia. Devemos ter esse tipo de preocupações e devemos ter atitudes diárias que permitam promover a ecologia. Esta lengalenga está a ser dinamizada, de forma eficaz diga-se de passagem, nos infantários e continua nas escolas primárias. Acho muito bem. Mas também acho que poderiam dinamizar outras actividades, em conjunto com a ecologia, e levar mais longe o contacto com a natureza, isto é, promover uma actividade física mais intensa para as nossas crianças. Serão as crianças que irão arrastar os pais para essas actividades, o que também é bom. É claro que existem variadíssimas formas de prática desportiva e, se todos os seres humanos deste planeta pudessem dar asas à sua criatividade, o mundo seria com toda a certeza bem melhor e bem mais divertido.Sexta feira.
Por vezes, este tipo de núvem negra paira sobre as nossas cabeças, só por cima da nossa mesmo, o que é trágico. Desta vez não é o caso. Consigo pegar no jornal com as notícias da minha vida e o céu é azulinho (sim, eu sei, como o Fêcêpê), tão azulinho que me deixa tranquilo e com a certeza de que sou um priveligiado. Por isto e por muitas outras coisas, desejo a todos um excelente fim de semana, cheio de amor, paixão, troca de fluídos, troca de olhares, diversão e tudo o que acharem por bem fazerem.Felicidade.
Como não se consegue ganhar um concurso de escrita criativa.
Afirmar, portanto, que tudo isto não passa de um mero equilíbrio… será cair num lugar comum.
O que até não está nada mal. Dá é um arzinho um pouco palerma à coisa, o que, convenhamos, nesta altura do concurso, não será muito aconselhável. Porque já se perdeu uma data de tempo a pensar… a escrever… a salivar com os prémios, e tudo isso não é de desperdiçar.
Enriquecer um texto, quarto item da lista, com uma imagem, é sempre, mas sempre, difícil. Não queria usar novamente a palavra parafernália, porque me parece excessiva, mas há uma data de condicionantes que nos fazem recear pela escolha, por isso, o mais lógico, e neste caso, o mais correcto, é fazer uso de uma imagem que não tenha rigorosamente nada que ver com o tema, pois só assim se consegue obter o verdadeiro enriquecimento.Chegado a este ponto, a coisa complica-se ainda mais, pois reparo que estou no quarto item da lista. Da lista do concurso de escrita criativa, obviamente. Bem vistas as coisas, está chegada a altura de proceder a um auto-elogio, que será o quinto item da lista. Fica sempre bem, é normal, e toda a gente acha que deve fazer parte e, acima de tudo, não dá grande trabalho, porque ninguém melhor do que nós próprios para nos gabarmos, por isso é imprescindível. É verdade que nem qualquer auto-elogio serve, mas um, assim jeitoso, que dê para as pessoas perceberem o carácter do autor, é o ideal.
Paremos para pensar.
Este é sempre o momento crucial. Ou para a frente ou para trás. Que fazer? Eis a verdadeira questão. Será que está a faltar qualquer coisita? Será que devemos enriquecer mais um pouquito o nosso trabalho? Uma foto engraçada? Com uma forte carga ideológica? Oh Jesus, ajuda neste momento difícil.
Passada a tormenta, devemos pensar em enviar o trabalho. Temos duas maneiras de o fazer. A engraçada e a outra. Como é óbvio, eu escolho a outra. Como sempre, seguirá no último momento, correndo o risco de não ser aceite, devido a dificuldades tecnológicas, que são sempre susceptíveis de suceder, ou por ter ultrapassado a data limite. Em caso de ter sido aceite no limite, corre-se outro risco: o do júri já não ter pachorra para analisar o conteúdo, o que também não está mal.
Posto isto…
Pretextos.
A primavera.
Ainda não falei com o meu mano. Já chegou das suas maravilhosas férias em Itália, ggggrrrr, que inveja. Deve estar a recuperar… e deixá-lo estar, pois amanhã começam as aulinhas e o pequeno tem de colocar a cabeça no sítio.
Eu também tenho de me preparar para começar novamente a dar aulas, tenho alguma papelada para acabar de tratar referente ao estágio que as minhas alunas vão iniciar amanhã, de resto não há mais nada com que me preocupar.
Tal como a primavera, vou ter um terceiro período tranquilo e risonho… e com os bolsos mais cheios, graças à descida de um por cento, no iva… mas isso não interessa mesmo nada, desde que tenha saudinha…
Vamos lá, vamos.
Conseguir pensar naquilo que somos pode ser difícil. Não é costume as pessoas pararem para pensarem naquilo que são, muito menos pararem, pensarem e escreverem. O registo gráfico, ou escrito, pode-se tornar difícil ou inibidor. Muito sinceramente acho que, salvo raras excepções, todos nós escrevemos malzinho, uns ainda conseguem ser sofríveis mas, tirando os profissionais da escrita (escritores, mesmo), somos o espelho do país.
Há um problema de comunicação. A informação circula num só sentido. Não existe retorno e as pessoas habituaram-se a este esquema mental, acabando por não questionar o que lhes chega. Longe de mim achar que devemos ser todos uns contestatários e que nos devemos organizar, manifestar, etc, isso já lá vai, mas acho que é tudo muito acrítico, não-crítico, passivo, ou o que quiserem chamar. Um país se não desenvolve, alimenta, incentiva, ou o que também lhe quiserem chamar, a sua massa crítica, não pode esperar grande coisa do futuro.
Cansadito.
Decididamente não estou para aí virado. Hoje dormi mal. E dormi mal porque me sinto mal. Estou cansado da vida de treta. Sim. De treta. Porque de treta se trata. Eu consigo levar a vida para a frente, mas aquela vida que tem de ser, porque a minha, não consigo. Não passa de hoje.
