Dica da semana

“A imensa maioria dos especialistas canónicos falam do prazer feminino como «resposta sexual» e situam o orgasmo como a sua «culminação». Nesse processo, o corpo feminino é afectado pela vasocongestão (as veias dilatam-se e enchem-se de sangue, especialmente na pélvis e na vulva) e pela miotonia (contracção dos músculos). O orgasmo libertará essa congestão pélvica e a tensão muscular. Apesar de, segundo os especialistas, cada orgasmo repetir os mesmos modelos fisiológicos, cada mulher sente-o especificamente. A manifestação do orgasmo vai desde o leve estremecimento até ao êxtase com perda momentânea de consciência.
Masters e Johnson dividiram o processo de «resposta sexual» em quatro fases consecutivas: excitação, plataforma, orgasmo e resolução. Na excitação a vagina lubrifica-se (os vasos sanguíneos dilatados segregam uma espécie de «suor» nas paredes vaginais) e expande-se (os dois terços internos duplicam o seu diâmetro); os lábios internos incham; o clitóris (motor da excitação) endurece e fica sensível ao tacto; o útero aumenta e eleva-se dentro da cavidade pélvica; a respiração acelera e os músculos da zona genital contraem-se. Na plataforma a excitação aumenta até alcançar os níveis máximos para que o orgasmo se efectue. O orgasmo tem início, em geral, com uma contracção de dois a quatro segundos que se repete ritmicamente (entre três e quinze vezes) em intervalos de maior duração (oito segundos), afectando os músculos em redor do terço exterior da vagina. Também o útero e o recto se contraem, provocando o fluir do sangue retido nas veias da pélvis. A resolução consistiria no paulatino regresso ao sossego da não excitação. Este processo, sancionado cientificamente, exclui o mito da divisão de orgasmos em clitoridianos e vaginais.”

in “Cunnus – Repressão e insubmissões do sexo feminino”

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