Chatinho.

Tenho um certo receio de falar de coisas muito específicas, acho uma seca, então de trabalho faz-me mesmo confusão… e quando dou por mim já estou a escrever duas vezes seguidas sobre o mesmo assunto, enfim… que me desculpem os mais incautos.
Custa-me aceitar o facto de ter que pagar para ter formação. A coisa processa-se mais ou menos assim: os professores são obrigados a terem formação, de dois em dois anos, dessa formação uma percentagem (que não sei quantificar, mas vai dar ao mesmo) tem que estar relacionada com as áreas disciplinares que leccionam. Ora como, na minha área disciplinar, nunca há formação, vou ter de ir à procura de uma treta qualquer, a pagar, para poder ter a formação exigida por lei. Eu sempre fiz formação, quase sempre muito para além do mínimo exigido, mas explorava outras áreas e gostava, agora, agora vai ser mesmo para encher pneus.
O que me revolta é esta coisa do dinheiro. Cortaram a vida das pessoas de cima a baixo quando decidiram mudar as regras do jogo a meio e com isso criaram imensas dificuldades financeiras a quem criou expectativas e planeou a sua vida em função de uma carreira que estava bem definida. Agora sacodem a àgua do capote e atiram para cima dos professores a responsabilidade e a obrigação de conseguirem a formação.
Fico triste por chegar a uma altura da minha vida em que não dá para reformular tudo de novo e começar do zero, só mesmo por causa das minhas filhas, senão a minha vida não iria passar nunca pelo ensino. E o mais engraçado disto tudo é que eu até nem sou materialista, não vivo, nem nunca vivi em função do dinheiro ou do estatuto que ele me pudesse proporcionar, agora quando o necessário escorrega entre as mãos… convenhamos.

2 thoughts on “Chatinho.

  1. manticora

    Pois, mas para além da Né já ter problemas de sobra… as minhas costas já não iam aguentar duas miúdas ao colo, mais a mãe delas em cima, por esse mundo fora:)

  2. Pois, eu acho que ainda estamos a tempo de fazer qualquer coisita…nunca é tarde para arriscar, para tentar… Continuo a achar que devemos pensar seriamente em rumar para outro país, melhor ainda, para outro continente…
    Ou então, sei lá, perguntar à Né se tem vagas para nós…:)

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