Não vamos, não.

Curioso. Ontem fiquei até às tantas a ver, ouvir e sentir um debate com a ministra da educação e alguns professores. Não é normal em mim, pois nunca perdi muito tempo na minha vida com debates em que se discute o sexo dos anjos. Por falar em anjos, esta ministra parece-me ser um daqueles que os tem no sítio, nada de assexualidades. E é por isso que ela, no final do debate, sai mais do que vitoriosa. É muito acertiva e dá-se ao luxo de gozar com os professores, o que me parece evidente e que, se eu estivesse no lugar dela, faria igual ou bem pior. O que se passa é que os professores são vistos como uma cambada, que fazem uso de um discurso de cambada e que não conseguem ser objectivos nas suas críticas, o que me parece um contrasenso. O que se presenciou foi um certo histerismo (que se vem repetindo) nas críticas (muitas delas com evidente razão por parte dos professores) e para as quais o nosso anjo da guarda, com aquilo bem em riste, se limitou a bater umas bolas tranquilamente. Custa-me ver, na televisão e que chega a todo o país, espectáculos pouco conseguidos, para não dizer degradantes, em que uma classe profissional é completamente vulgarizada porque o discurso, a forma de comunicação, ou lá o que quiserem chamar, é completamente inadequada e ineficaz. Para toda esta ingenuidade, o anjo da guarda, que continua com aquilo bem em riste, riu-se, comeu uns amendoins, deu uma golada no fino, só não arrotou porque a educação é o seu forte, e de seguida diz duas ou três coisas completamente acertivas que não deixam margens para dúvidas de quem tem razão. Eu acho um piadão enorme à forma calma como responde às maiores barbaridades e, até, insultos. Tenho pena porque os professores, no seu dia-a-dia, conseguem ter uma postura que não condiz com certas manifestações públicas e, perante situações divergentes, ou até mesmo adversas, orientam o seu discurso para o debate das ideias. Mas nesta situação não conseguem controlar a raiva, e esse é o termo adequado quando vejo pessoas descontroladas, quase a espumarem, e a perderem uma oportunidade de ouro para poderem fazer passar uma imagem verdadeira daquilo que são.
Pessoalmente tenho alguma mágoa com estas reformas. Sinceramente acho que eram necessárias mudanças, mas não houve um período de transição, foi tudo feito à bruta, e a minha vida ficou seriamente prejudicada. Por outro lado, a coisa como foi feita à bruta, no caso com o anjinho à canzana, decidiu-se fazer um concurso para professores titulares – concurso, leram bem – e serão esses que não foram, sequer, sujeitos a uma avaliação que irão avaliar os outros. Parece-me evidente que esta situação é geradora de conflitos entre a classe docente, em que a tal raiva se vai acumulando e depois dá nisto, professores corados e esbaforidos, quase a arrancarem os cabelos, e uma “classe” sindical parada no tempo e no discurso, que está estafado, tal como quem conseguiu ler este texto até ao fim.
Assim não vamos lá!

4 thoughts on “Não vamos, não.

  1. manticora

    Mais uma vez corrigiu, e corrigiu muito bem.
    Deixei-me levar pela correnteza, mas o que me vale é esse olho certeiro, tão zeloso da classe, que me leva a bom porto.
    Para todos os defensores da Língua Portuguesa, um bem hajam.

  2. Anonymous

    Tirando essa &&%&$”&% do assertiva, concordo com o conteúdo do post. E que figurinhas fazemos, aqui e ali … cheguei mesmo a mudar de canal por uns segundos, por não conseguir aguentar esses descontrolos, sobretudo quando se tornam em correntes de asneiras.

  3. Anonymous

    Mais uma vez vou ter de o corrigir …
    Não é acertiva mas sim assertiva.
    Peço desculpa mas a classe não se coaduna com erros ortográficos.
    Mais uma vez peço desculpa pela invasão.

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