Como não se consegue ganhar um concurso de escrita criativa.

Esta coisa dos concursos, tem muito que se lhe diga. De início é difícil perceber o que se é pretendido, que é o primeiro item da lista, depois há aquela dificuldade em se conseguir chegar ao que é pretendido, mais para a frente surge a convicção de que não se está a fazer nada do que é pretendido, olhando para o lado se calhar o mais acertado é não fazer nada do que é pretendido, e andamos nisto, até que se chega à conclusão de que: seja o que deus quiser, se for o que é pretendido, tudo bem, se não for o que é pretendido, tudo bem na mesma.
Afirmar, portanto, que tudo isto não passa de um mero equilíbrio… será cair num lugar comum.
O que até não está nada mal. Dá é um arzinho um pouco palerma à coisa, o que, convenhamos, nesta altura do concurso, não será muito aconselhável. Porque já se perdeu uma data de tempo a pensar… a escrever… a salivar com os prémios, e tudo isso não é de desperdiçar.
Assim sendo, passa-se ao segundo item da lista: a escolha do tema. Utilizando novamente a palavra claro, a escolha não poderia deixar de ser, claro, a pior baboseira. E baboseira porquê? Porque muito sinceramente não interessa mesmo nada, pois isto trata-se de fazer a escolha de um tema para um concurso de escrita criativa, certo? Daí ser certo e seguro que tanto faz falar disto ou daquilo.

Feita, pois, a escolha, passemos ao desenvolvimento do assunto em si, que será o terceiro item da lista e que por sua vez pode, perfeitamente, ser enriquecido com uma verdadeira parafernália de ferramentas. Claro está que a escolha irá recair sobre uma foto. Parece-me consensual que assim seja, até porque fica sempre bonitinho.Enriquecer um texto, quarto item da lista, com uma imagem, é sempre, mas sempre, difícil. Não queria usar novamente a palavra parafernália, porque me parece excessiva, mas há uma data de condicionantes que nos fazem recear pela escolha, por isso, o mais lógico, e neste caso, o mais correcto, é fazer uso de uma imagem que não tenha rigorosamente nada que ver com o tema, pois só assim se consegue obter o verdadeiro enriquecimento.
Chegado a este ponto, a coisa complica-se ainda mais, pois reparo que estou no quarto item da lista. Da lista do concurso de escrita criativa, obviamente. Bem vistas as coisas, está chegada a altura de proceder a um auto-elogio, que será o quinto item da lista. Fica sempre bem, é normal, e toda a gente acha que deve fazer parte e, acima de tudo, não dá grande trabalho, porque ninguém melhor do que nós próprios para nos gabarmos, por isso é imprescindível. É verdade que nem qualquer auto-elogio serve, mas um, assim jeitoso, que dê para as pessoas perceberem o carácter do autor, é o ideal.
Paremos para pensar.
Este é sempre o momento crucial. Ou para a frente ou para trás. Que fazer? Eis a verdadeira questão. Será que está a faltar qualquer coisita? Será que devemos enriquecer mais um pouquito o nosso trabalho? Uma foto engraçada? Com uma forte carga ideológica? Oh Jesus, ajuda neste momento difícil.
Passada a tormenta, devemos pensar em enviar o trabalho. Temos duas maneiras de o fazer. A engraçada e a outra. Como é óbvio, eu escolho a outra. Como sempre, seguirá no último momento, correndo o risco de não ser aceite, devido a dificuldades tecnológicas, que são sempre susceptíveis de suceder, ou por ter ultrapassado a data limite. Em caso de ter sido aceite no limite, corre-se outro risco: o do júri já não ter pachorra para analisar o conteúdo, o que também não está mal.
Posto isto…

2 thoughts on “Como não se consegue ganhar um concurso de escrita criativa.

Leave a Reply