Sem título.

Às vezes dá-me para ser sério. Do género: tenho um problema nas unhas, que descolam, e tenho de fazer uma pesquisa intensiva na net para conseguir encontrar solução para isto. Outras vezes sou mais comezinho: aborrece-me o facto de a minha classe profissional ser tão mal vista e, acima de tudo, ser vista como a geradora de todos os problemas da educação. Claro que no meio deste maralhal todo há de tudo e muitas das manifestações verbais que fui ouvindo, só me deixaram envergonhado, mas isso é meter tudo no mesmo saco. Claro que estou de acordo com a existência de avaliações e outros mecanismos de controle da qualidade do ensino, pela simples razão que também sou pai e, sem hipocrisias, vou escolher muito bem a escola para onde quero levar as minhas filhas. Ponto final.
Mas o que me aborrece não é isso. O que me aborrece mesmo é a cruzada que está a ser feita contra os professores. Por acaso somos os causadores desta sociedade portuguesa ser uma merda? Porque não fizeram uma cruzada idêntica contra os funcionários das finanças? São eles que são incapazes de cobrar, controlar e punir os que fogem aos impostos, por exemplo. Ou porque não fazem outra cruzada contra os juízes, advogados e funcionários da justiça? Que está num estado miserável e que leva à descrença nas instituições. Ou porque não se lembraram de fazer outra cruzada contra os médicos, que só pensam no lucro, dinheirinho, cash, mesmo. Que jogam emocionalmente com o medo mais básico do ser humano, a morte.
Claro que, hoje em dia, as cruzadas se fazem quando há a certeza de que serão bem sucedidas e, para que tal aconteça, as opções são muito claras: ataca-se o lado mais fraquito, aquele que está mais de flanco, que tem umas boas nalgas e no qual se pode acertar uma valente palmada que faça, de preferência um belo de um shlappss. Para inglês ver.
Bater no ceguinho chateia-me, pronto, que é que eu hei-de fazer?

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