Fried chicken.

Por vezes, mas só por vezes, gosto de me confessar. Claro que não é ao padre da paróquia, porque esse deve ter mais que fazer do que me estar a ouvir. É mais abrir o coração. Falar das minhas emoções, dos meus desejos, dos meus amores, das alegrias e das tristezas, enfim, desabafar um pouco sobre o que me vai na alma. Quando assim me sinto, costumo deslocar-me até ao centro do Porto, cidade invicta, e vou para o meio da confusão que a baixa costuma ter. É uma experiência única e aconselho a toda a gente, andar no meio das pessoas, que são aos milhares, a falar sozinho, como se alguém estivesse ao nosso lado. O engraçado é que ninguém nos ouve e raramente dão pela nossa presença, o que torna a experiência ainda mais enriquecedora, pois o processo de verbalização dá-se com toda a naturalidade e não temos que ouvir ninguém a opinar, com O, o que nos deixa uma margem muito razoável para conseguirmos perceber o que nos perturba.
Eu sei que estas coisas podem parecer um pouco desajustadas, mas é como tudo, vistas pela perspectiva correcta, até que são perfeitamente ajustadas.

Leave a Reply