De vez em quando, volto.

Milly chéri

tenho coisas

para te dizer

de viva voz

cartas de amor

nunca mais

agora só escrevo

cartas comerciais

Não quero

ter filhos

gosto muito

de foder

contigo

e com outros

mas de bebés

não gosto

uma vez

por outra

tem graça

mas sempre

não

os bebés deprimem-me

se engravidar

faço abortos

por muito

que me custe

e custa-me

muito

(um bebé é dom

do Espírito Santo)

Ficas

no castelo de Beja

e eu aqui

no convento

com vento

(as janelas

fecham mal

estão empenadas)

há uma passagem

subterrânea

como nos romances

que liga

castelo e convento

podemos fechá-la

não te quero

no convento

o outro é o Céu

com peúgas

e cuecas sujas

Antes de chegares

pensava assim

mesmo que Milly volte

não quero foder

nunca mais quero foder

o feitio das unhas dos pés

e a implantação dos cabelos

na nuca

do meu Milly chéri

mais tarde

ou mais cedo

vão-me meter nojo

nunca mais danço

nunca mais dou beijos

mas quem não pensa

em foder

está fodido

mas agora

quero foder contigo

Portanto Milly chéri

és muito bem vindo

a mulher (eu)

deixa

pai e mãe

e apega-se

ao homem (tu)

e são ambos

uma carne

in Obra, Adília Lopes

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