Sim, gostava.

Gostava de ter nascido noutro país. Gostava de ter tido outras oportunidades. Gostava de ter nascido mais alto. Com cabelos loiros e olhos azuis. Quis o destino que nada disso acontecesse e que haveria de nascer neste país, neste canto, cá em cima, moreno com olhos castanhos e cabelo preto, com uma altura normal, com esta maneira de estar portuguesa. Muito sanguíneo, pelo menos muito sanguíneo à moda do Porto.

Com a idade, devia já ter percebido que o “coração” ocupa uma parte significativa na minha forma de agir mas que tal não deveria suceder. Que a “cabeça” deveria ocupar um lugar mais predominante. Por vezes consigo, mas não é sempre. Tenho pena.

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