Balanço III.

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No balanço seguinte deveria abordar a restante família, e coisa e tal, mas não o vou fazer, apenas referir que está tudo bem, com as vidas a decorrerem com normalidade. Posto isto, passo directamente para mim, o que também não está mal.

Escolhi esta fotografia porque estou com ar de tótó, na praia é certo, mas com ar de tótó, mais concretamente de professor tótó, que é como eu me sinto. Como já deu para perceber, vou começar pelo meu lado profissional? e pelas vicessitudes da profissão que escolhi há quase vinte anos. Aviso já que não tenho pachorra para pessoas que acham que eu sou livre de procurar outra profissão se não estou satisfeito com a que tenho, são opiniões muito básicas e de quem não percebe nada do assunto, ponto final. Muito sinceramente, não estou muito incomodado com estas mudanças todas (quando digo incomodado, quero dizer que não deixo de dormir por causa disto, nem tão pouco me deixo enervar) apenas registo o facto de tudo isto não passar de uma autêntica e verdadeira encenação (como existem outras, noutros sectores da vida nacional). Não consigo deixar de salientar o elevado grau de profissionalismo de quem está à frente do markting do governo, pois conseguiu manipular a opinião pública contra uma classe profissional, como se fossem todos uma cambada, responsável por tudo o que de pior existe.

A única coisa que me desmotivou, ligeiramente, foi o facto de saber que nunca irei chegar ao topo da carreira, ou a professor titular, como agora se diz. Chateou-me o facto de dividirem a carreira em duas partes distintas, como forma de premiarem o bom desempenho, mas na prática é apenas uma forma de pouparem uns tostões e que pode originar grandes injustiças pelo facto de nem todos os bons professores conseguirem chegar ao topo da carreira.

De resto, o meu trabalho decorreu como sempre: tranquilo, com uma atitude positiva para com os alunos, sempre à procura de novas propostas de trabalho que agradem aos alunos. Nada de especial, portanto. Claro que tive dificuldades financeiras durante quase todo o ano porque fiquei no mesmo escalão remuneratório de há cinco anos, com perda de poder de compra e, como tal, deixei de investir em alguns materiais necessários para as minhas aulas. Mas isso parece-me plenamente normal.

Para o próximo ano parece-me que vem aí mais do mesmo e por isso vou continuar a viver a minha vidinha sem grandes stresses. Pode parecer uma atitude um pouco passiva (se calhar até é, e depois?) mas procuro estar informado e procuro construir uma opinião (no meio da confusão em que nos encontramos) e o máximo que me atrevi a participar colectivamente foi na greve dos professores que, apesar de não concordar com ela, achei que deveria ser solidário com todos os colegas de trabalho. Só por isso. Claro que gostaria de ver o assunto resolvido a contento de todos, mas parece-me que não vai ser assim.

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