Com um tractor assim, ninguém enjoa.

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Fazer convenientemente o luto é importante. Pode demorar o tempo que for preciso e necessário, mas deve ser feito. Eu demoro sempre muito tempo a fazê-lo, não tenho como negá-lo, mas também é um processo íntimo e, como tal, tem o seu próprio ritmo. Hoje conclui mais um processo de luto, que se iniciou há uns meses atrás e que só agora ficou completo. Não, não foi ninguém que morreu, apenas foi uma luz que se apagou na minha cabeça. Quando tal sucede é sempre saudável acender uma outra luz, noutro lado da cabeça. Sim, eu sei que posso parecer uma árvore de natal, com tanta luz, mas eu sou mesmo um (subtil, este um) iluminado e quero ter sempre esta capacidade de conseguir carregar mais uma vez no interruptor. Um texto com tanta figura de estilo fica meio palerma, mas também não faz mal, porque nestas alturas em que o luto termina, o sentimento é mesmo de palermice, por isso cá estou eu a dizer palermices. Quando era sensivelmente mais novo, o processo do luto era mais rápido, era só uma questão de chegar ao bar mais perto e apanhar uma bebedeira de caixão à cova… infeliz esta comparação… mas o que é certo é que a coisa descomplicava e eu sublimava o que tinha a sublimar e a vidinha voltava ao normal. Hoje, como tenho sempre duas minhocas para levar à escola, não convém pegar nelas de manhã e ir aos sss. Iam enjoar, de certezinha e vomitavam-me o carro todo e isso chateia-me, pronto. De maneira que se torna tudo mais lento e a coisa demora a ser ultrapassada, mas com jeito, a coisa vai, ou foi.

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