Pilotos e pilatos da TAP.

Falar do que não se sabe, ou só se sabe pela rama é fácil. É fácil e rende facilmente a admiração de muita boa gente. Sempre foi assim e assim irá continuar a ser. Como tal, também eu me permito falar daquilo que sei, muito vagamente, sobre alguns assuntos. Faz parte da consciência portuguesa de estar na vida, por assim dizer. O assunto do dia é a desconvocação da greve dos pilotos da TAP,  que estava agendada para estas férias da Páscoa. Imagine-se a confusão que não iria ser. Diz a empresa que iriam ser causados prejuízos na ordem dos trinta milhões de euros. É muito guito. Mas voltemos atrás. Os pilotos, que dizem não serem aumentados há sete anos, queriam um aumento de nove por cento, salvo erro, e uma participação/distribuição dos lucros da empresa. Por aquilo que li, os pilotos abdicaram dos aumentos, mas conseguiram sacar uma percentagem dos lucros. A empresa deu-lhes a participação nos lucros porque como é raro terem lucro… e assim livraram-se de ter de aumentar o resto do pessoal, que muito certamente também iria querer um aumentozito. Independentemente dos pilotos estarem bem pagos, de terem muitas regalias sociais ou outro tipo de benesses, estes homens que cumprem uma função de extrema responsabilidade deveriam pensar que vivem em Portugal, numa empresa do Estado português e onde mais nenhum funcionário público vai ter aumento. Claro que quem está à frente destes sindicatos são pessoas instituídas nas carreiras vigentes e que não querem nada saber dos mais novos, daqueles que só vão apanhar os ossos. Como se costuma dizer, quem vier a seguir, que feche a porta.

No meio disto tudo, ninguém pensou nas vidas alteradas que milhares de pessoas iriam ter se a greve fosse mesmo para a frente. Tenho uma ligeira impressão que muitos portugueses têm uma péssima impressão da TAP, da imagem de descontrolo que por lá se vive. Se perguntarmos às pessoas que conhecemos se lhes causaria qualquer tipo de desconforto se a TAP fosse privatizada, acho que as respostas seriam prontas e breves. Mas isso, isso, sou a dizer, que não sei da missa a metade.

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