Pum… pum… pum… pum… pum… pum…

Hoje acordei sozinho. As mentes mais perversas vão logo dizer que a mulher o deixou. Nada disso, temos pena mas não foi nada disso que se passou. A minha rica senhora teve, muito simplesmente, que estar na escola muito cedo e eu, ao contrário do que costuma acontecer, deixei-me ficar na cama, abandonado. Quando acordei, pus a mão no peito, do lado direito, e estranhei não sentir as pulsações. Estava convencidíssimo que o coração era do daquele lado. Pus-me a pensar no assunto. Lá me convenci que o coração está mesmo do lado esquerdo mas também tive um desejo. Gostava de ter dois corações. Um de cada lado. Por vezes dá-me vontade de ter orgãos em duplicado. Já tive vontade de ter dois fígados, o que me permitiria beber o dobro do que bebo. Quando era atleta, sempre desejei ter quatro pernas, e tenho a certeza que correria tanto que ninguém me apanharia. Há sempre aquele clássico. O de ter duas pilas (os motivos são tão óbvios que me escuso de os referir). Mas os dois corações… iam trazer uma dimensão totalmente nova à minha vida. Queria um só para bater, fazer a irrigação sanguínea e todas essas funções. O outro teria um papel diferente. Só bateria por razões fundamentais para a minha vida. Por paixão, por alegria, por tristeza, por excitação. Só bateria pelo sentimento, mas quando batesse teria de ser intensamente, de uma tal forma que me deixasse em absoluto transe.

6 thoughts on “Pum… pum… pum… pum… pum… pum…

  1. Estela Fonseca

    Duas pilas Rui? 😀 para quê se um homem só funciona com uma coisa de cada vez?

    E dois corações??? Bolas, já me vejo fodida só com um imagina se também eu tivesse dois…

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