Na primeira pessoa.

Escrever um texto, e não interessa o assunto, é sempre um momento único. Único porque irrepetível. O pleonasmo é por si evidente, mas no caso aplica-se perfeitamente. Quando escrevo, se me viro para o lado e retorno à escrita, a coisa passa a fluir noutra direcção. Isto é. A minha ideia inicial vai ser, forçosamente, alterada por determinados pormenores, ruídos, visões, ou o que quiserem chamar, que podem surgir no momento. Provavelmente estarei a exagerar e, por vezes, consigo manter um fio condutor daquilo que quero escrever, mas já fui muito assim. Também muito frequentemente interrompo um texto e desato a escrever outro que não está minimamente relacionado com o anterior. Às vezes misturo tudo e começo num assunto e acabo noutro, completamente diferente. É o caso. Comecei por escrever uma data de tretas, sabe-se lá bem porquê e que podem nem sequer interessar ao menino Jesus, mas como estou num café a comer uma torrada com uma meia de leite, acabo por ouvir o que me rodeia. No caso são dois arquitectos a discutirem a posição de uma porta e de umas tomadas eléctricas. Assunto minucioso, portanto. O que me leva de novo a pensar que os detalhes fazem toda a diferença. Mas isso agora não interessa nada.

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