Ser humano.

O ser humano é cricas. Não confundir com a vulgar crica. É cricas no sentido de ser complicado, de conseguir tornar difícil uma coisa que poderia ser simples. Como sou um ser humano, logo sou cricas. Não posso, pois, escapar à criquice, embora me considere um cricas light. Moderado, portanto. Quantas vezes já não olhei para trás e verifiquei o quão cricas fui a lidar com situações que agora acho tão fáceis de serem resolvidas. É como o ovo de Colombo. Mas a vida é assim mesmo, feita de criquices e ninguém nasce ensinado. Por falar em ensinar. Apesar de estar muito desiludido e saturado com a minha carreira profissional, acho que é, e sempre foi, a melhor melhor maneira de eu aprender a desencricar. Quem está enfiado no sistema de ensino sabe, tão bem como eu, que todos os dias são diferentes. Todos os dias se encontram pessoas, dentro de uma sala de aula, com os seus humores, com as suas histórias, os seus problemas e as suas diversas formas de reagir. Gerir isto tudo não é fácil e, com o tempo, fui aprendendo a desencricar. É uma aprendizagem que se vai alicerçando dia após dia e que me vai permitindo conservar alguma sanidade mental, pelo menos a suficiente e necessária que me permita chegar a casa e ter energia para lidar com duas minhocas que me deixam a cabeça em água.

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