Mais do mesmo.

Eu acho que a imagem não tem rigorosamente nada que ver com o texto, mas isso já é normal. Todos os dias fico chocado com as notícias que vou ouvindo e, por vezes, vou lendo. Desta vez foi uma noticiazinha sobre as reformas de alguns portugueses. Soube-se que o estado gasta vinte milhões por ano em reformas acima dos quatro mil euros. Tornámos ao mesmo. Como é possível existir tamanha disparidade entre as reformas portuguesas. Como é possível que haja uma grande maioria a receber duzentos e cinquenta euros enquanto outros recebem principescamente? A coisa vai estourar, mais dia menos dia. É claro que há sempre aquele argumento dos descontos efectuados e coisa e tal, mas se não houver um tecto atribuído, o guito não vai chegar para todos. Também não se percebe como é possível que as pessoas vão para casa aos cinquenta e tal anos de idade só porque fizeram não sei quantos anos de carreira. Estão na força da idade, da experiência, e com um conhecimento que não deve ser desaproveitado. Contra mim falo pois não percebo os argumentos de muitos professores que dizem que trabalharam os tais trinta e seis anos da carreira (pelo menos era esse o limite) e que não é justo terem de ficar mais tempo. Mas não é justo porquê? Por terem começado a trabalhar mais cedo? A ganhar bom dinheiro mais cedo? Mas esse mesmo dinheiro deu muito jeito quando o começaram a ganhar. Pelo menos a mim dava, se o tivesse ganho em determinada fase da minha vida. Não foi o caso porque só entrei para o ensino já trintão. Numa escola há muitas outras funções que podem ser desempenhadas sem ser a de dar aulas a alunos cada vez mais indisciplinados. Sim, porque dar aulas com sessenta e cinco anos, a turmas complicadas e desmotivadas, não deve ser nada fácil. Enfim, vivemos numa sociedade atolada. Atolada de injustiças. Atolada de oportunistas. Atolada de falsos profetas. De tal maneira estamos atolados na merda que somos um perfeito banquete para moscas, moscardos e varejeiras. Há dias assim, em que me apetece pegar no mata-moscas e começar a esbracejar, mas elas são tantas…

1 thought on “Mais do mesmo.

  1. Telmo

    Fazeres analogias na imagem colocada como que a dizer que o Renato é uma gaja flingstoniana, gorda e peluda, está mal! Em memória do Carlos Castro, ou das cinzas dele, deixo aqui o meu repúdio por tão infeliz ilustração publicada. Atchiiimmmm…

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