Como não se consegue ganhar um concurso de escrita criativa. Recordando.

Já não me lembrava deste post, de 29 de Abril de 2008. Foi no tempo em que ainda me dava ao trabalho de concorrer para perder:)
Esta coisa dos concursos, tem muito que se lhe diga. De início é difícil perceber o que se é pretendido, que é o primeiro item da lista, depois há aquela dificuldade em se conseguir chegar ao que épretendido, mais para a frente surge a convicção de que não se está a fazer nada do que épretendido, olhando para o lado se calhar o mais acertado é não fazer nada do que é pretendido, e andamos nisto, até que se chega à conclusão de que: seja o que deus quiser, se for o que é pretendido, tudo bem, se não for o que é pretendido, tudo bem na mesma.
Afirmar, portanto, que tudo isto não passa de um mero equilíbrio… será cair num lugar comum.
O que até não está nada mal. Dá é um arzinho um pouco palerma à coisa, o que, convenhamos, nesta altura do concurso, não será muito aconselhável. Porque já se perdeu uma data de tempo a pensar… a escrever… a salivar com os prémios, e tudo isso não é de desperdiçar.
Assim sendo, passa-se ao segundo item da lista: a escolha do tema. Utilizando novamente a palavra claro, a escolha não poderia deixar de ser, claro, a pior baboseira. E baboseira porquê? Porque muito sinceramente não interessa mesmo nada, pois isto trata-se de fazer a escolha de um tema para um concurso de escrita criativa, certo? Daí ser certo e seguro que tanto faz falar disto ou daquilo.

Feita, pois, a escolha, passemos ao desenvolvimento do assunto em si, que será o terceiro item da lista e que por sua vez pode, perfeitamente, ser enriquecido com uma verdadeira parafernália deferramentas. Claro está que a escolha irá recair sobre uma foto. Parece-me consensual que assim seja, até porque fica sempre bonitinho.Enriquecer um texto, quarto item da lista, com uma imagem, é sempre, mas sempre, difícil. Não queria usar novamente a palavra parafernália, porque me parece excessiva, mas há uma data de condicionantes que nos fazem recear pela escolha, por isso, o mais lógico, e neste caso, o mais correcto, é fazer uso de uma imagem que não tenha rigorosamente nada que ver com o tema, pois só assim se consegue obter o verdadeiro enriquecimento.
Chegado a este ponto, a coisa complica-se ainda mais, pois reparo que estou no quarto item da lista. Da lista do concurso de escrita criativa, obviamente. Bem vistas as coisas, está chegada a altura de proceder a um auto-elogio, que será o quinto item da lista. Fica sempre bem, é normal, e toda a gente acha que deve fazer parte e, acima de tudo, não dá grande trabalho, porque ninguém melhor do que nós próprios para nos gabarmos, por isso é imprescindível. É verdade que nem qualquer auto-elogio serve, mas um, assim jeitoso, que dê para as pessoas perceberem o carácter do autor, é o ideal.
Paremos para pensar.
Este é sempre o momento crucial. Ou para a frente ou para trás. Que fazer? Eis a verdadeira questão. Será que está a faltar qualquer coisita? Será que devemos enriquecer mais um pouquito o nosso trabalho? Uma foto engraçada? Com uma forte carga ideológica? Oh Jesus, ajuda neste momento difícil.
Passada a tormenta, devemos pensar em enviar o trabalho. Temos duas maneiras de o fazer. A engraçada e a outra. Como é óbvio, eu escolho a outra. Como sempre, seguirá no último momento, correndo o risco de não ser aceite, devido a dificuldades tecnológicas, que são sempre susceptíveis de suceder, ou por ter ultrapassado a data limite. Em caso de ter sido aceite no limite, corre-se outro risco: o do júri já não ter pachorra para analisar o conteúdo, o que também não está mal.
Posto isto…

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