Confesso que não fiquei à rasca.

Fazendo uma pausa na minha deambulação por terras marroquinas, e apesar de não gostar mesmo nada de andar a par da actualidade, senti um apelo de algo parecido com a minha consciência… que me levou a pensar no desfile de ontem, promovido pela tal de geração à rasca. Sabendo que à partida posso correr o risco de ser mal interpretado, de ser mesmo visto como um autêntico reaccionário, acho que vale sempre a pena ver o outro lado da questão. Parece-me, e isto é apenas um parecer…, que não se sabia muito bem o que se queria. Que a tal geração não apresentou grandes soluções para os problemas reais do país. Os tempos mudaram e o trabalho já não é para toda a vida, ao contrário dos da minha geração que ainda conseguiram entrar para o Estado. Sim, porque eu entrei para o Estado, para a Educação, mas que não deixa de ser o Estado a pagar o meu ordenado. Percebo que os jovens se cansem de serem precários. Mas isso também acontece em muitos lados do mundo. Preocupa-me muito mais saber que possam existir entraves ao livre empreendedorismo. Alguém sabe das dificuldades que existem se um de nós quiser montar uma empresa? Eu confesso que não sei, mas também confesso que se quisesse montar uma empresa teria de me informar muito bem sobre todos os passos que teria de dar. Está complicado de perceber? Só queria mesmo entender porque é que tenho a nítida sensação de que se fossem oferecidos empregos a toda esta gente que se manifestou ontem, assim de repente, toda a contestação morreria. As mensagens de consumo excessivo, dos tachos só para alguns, dos desgraçados e dos desgraçadinhos terminaria logo ali e, como bons portuguesinhos, tratariam de aproveitar a melhor maneira de se orientarem por uns anitos. Quero com isto dizer que a oportunidade faz o ladrão e, como tal, não achei nada genuíno tudo aquilo que para lá vi (que foi pouco, confesso). Agora, insultem-me, que eu gosto.

5 thoughts on “Confesso que não fiquei à rasca.

  1. admin Autor do artigo

    Pois, também concordo. Para além do aproveitamento político que houve, também houve muita falta de ideias, ideias concretas. Em contrapartida, houve muito ipad, telemóveis de última geração, cervejolas, máquinas digitais topo de gama e toda uma verdadeira parafernália de gadgets imprescindíveis…

  2. Nuno Monteiro

    Amigo, concordo e deixo-te uma frase de um outro amigo:
    “será que os jovens manifestantes não compreendem que num médio prazo sem criação de emprego, só a precariedade e os contratos a prazo lhes garantem uma hipótese mínima de conseguirem emprego? e que o emprego seguro e para a vida que defendem é precisamente o que lhes tapa todas as hipóteses ao manter muitos inúteis e incompetentes nos lugares que deviam ser deles?”

  3. admin Autor do artigo

    Ehehehehe
    Um não não gosta da fotografia, outro chama-me berbere… estamos fraquinhos:))

  4. Boss

    Tenho alguma dificuldade em perceber o post … parece que não vives por cá … acho que essa forma de estar e (não) ver o que se passa ainda está muito embebida de berberes (ou bérberes, nunca sei como se diz/escreve).

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