Cenas do quotidiano.

Como se costuma dizer: cada um sabe de si. Posto isto, convém acrescentar que existe o princípio de cada um ser responsável pelos seus actos. Passando ao prato principal, apercebi-me de uma notícia que tem andado no ar, mas que não tem tido grandes reacções. Estou-me a referir ao números apresentados hoje sobre a interrupção voluntária da gravidez. Pelos vistos, o total do ano de 2010 foi menor do que o anterior (perto de quatrocentos a menos) e, ao contrário daquilo que foi apregoado pelos defensores da vida, não houve nenhuma escalada de ivêgês por esse país fora. Sempre fui favorável à lei em vigor, mas também estou admirado, embora por outra razão. É que em tempos de crise costuma acontecer um fenómeno inexplicável, que é o aumento do número de pessoas grávidas, precisamente nas camadas mais desfavorecidas pela crise e que poderiam rejeitar levar a gravidez até ao fim. Acabo como comecei. Cada um sabe de si, mas fico muito mais tranquilo por ficar a saber que estas decisões continuam a ser tomadas conscientemente, pelo menos na sua grande maioria.

2 thoughts on “Cenas do quotidiano.

  1. admin Autor do artigo

    Não sei se será bem assim. No excerto que li tinha alguns centros hospitalares (penso que é assim que se chamam…) pequenos e com números grandes, por exemplo, na Póvoa fizeram cerca de trezentos e tal, numa terra onde todos se conhecem. De início é que houve aquela onda de médicos que se recusaram e que normalizou e as pessoas sabem onde estão esses médicos e vão para outros sítios. Por outro lado, a grande maioria é feita por via medicamentosa, o que por si torna o factor risco mais esbatido. É um problema que vai existir sempre, mas que agora tem consequências bem menores, penso eu de que:))

  2. boss

    Raras vezes comento os teus posts, agradam-me e ponto final. Cá vai, estão, uma raridade que, naturalmente, começa a ser isso cada vez menos. Coloca a seguinte hipótese de trabalho: desde a legalização que os abortos se realizam nos hospitais públicos e o estudo dos clandestinos deixou de ser pertinente.
    Agora, acrescenta a esta premissa este dado: os hospitais públicos não estão completamente disponíveis para concretizar esta vontade, sobretudo dos mais pobres (porque afirmam não ter condições, porque os médicos declaram ser objectores de consciência, porque os processos são demorados e passa o nº de semanas em que o aborto se pode fazer, escolhe tu uma outra razão).
    Considera a consequência – as pessoas voltam aos abortos clandestinos, que deixaram de ser objecto de estudo … percebes porque não festejo e, antes pelo contrário, fico bem mais preocupado?

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