Porque é que fui fazer o lanche?

Estava eu em amena cavaqueira com as minhocas, no jardim, quando lhes deu um ligeiro apetite. Toca a arranjar o lanche. Enquanto preparo o leitinho, o pão e faço um chá preto para mim, vou ouvindo as notícias. Espanto dos espantos quando ouço um senhor de cabelo curto a falar, muito zangado, sobre os cortes que fizeram nas forças armadas portuguesas. Era um militar. E o militar entendia que os cortes prejudicavam o serviço público que as forças armadas prestam ao país. Pois, pensei eu para comigo. E o militar continuava a desfiar um rosário de queixas. Ainda falou na dignidade dos militares, na operacionalidade que estava em causa, até que foi dizendo, assim como quem não quer a coisa, que congelaram as promoções e que assim não podia ser. Enfim, pôs a boca no trombone e, afinal, os militares acham que os cortes nas forças armadas podem ser para tudo menos para as promoções, porque essas têm de continuar sob pena da operacionalidade e a dignidade e mais um não sei quê de tretas porem em causa a instituição militar… Não percebo. Mas as promoções não estão congeladas para todos os assalariados do estado? Parece-me que sim mas, pelos vistos, os nossos militares acham que são especiais. Que devem ser tratados com mais carinho e isso… não pode ser… porque eu é que mereço mais carinho.

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