Eu fazer, faço, que remédio! Mas que não gosto, não gosto!

As pessoas devem potenciar os seus talentos. Se por acaso, só por acaso, são trabalhadores por conta de outrem a coisa pode mudar de figura. Se é uma empresa pequena poderá ser mais fácil perceber os talentos de cada colaborador, como hoje é moda dizer. Se a empresa é assim para o grandona, a coisa fica mais difícil porque a chefia acaba por diluir-se e o contacto com os ditos cujos dos colaboradores é mais ténue, pelo menos é que costuma acontecer… Se estamos a falar de uma escola pública, as limitações são mais do que muitas e a distribuição das pessoas pelos mais diversos cargos e funções pode não obedecer a essa lógica de potenciar as capacidades e talentos de cada colaborador…

Ao fim de vinte anos de trabalho como professor, já consegui perceber onde sou melhor… e digo isto porque tenho consciência das minhas limitações mas também das minhas virtudes. Se parecer pretensioso, paciência, não é essa a minha intenção e por isso posso afirmar que sou relativamente jeitoso na minha relação com os alunos. Consigo desenvolver relações de proximidade e cumplicidade que me permitem transmitir os meus conhecimentos muito mais facilmente. Podia ser uma pessoa completamente diferente? Podia, mas não era a mesma coisa. Esta já está gasta, mas aplica-se porque quando me sobrecarregam com trabalho burocrático, chato, meticuloso e sem sentido, é como se me sugassem (salvo seja) a energia toda. Energia essa que deveria ser canalizada para os alunos. É claro que ninguém gosta (há pessoas que gostam…) de desempenhar um cargo  que exija muito trabalho de secretária, como uma direcção de turma, por exemplo, e esse trabalho tem de ser feito por alguém (calhou-me a mim…) e eu acabo por desempenhar a função com o maior empenhamento, agora, se me perguntam se eu gosto…

2 thoughts on “Eu fazer, faço, que remédio! Mas que não gosto, não gosto!

  1. admin Autor do artigo

    Olá Ricardo:))
    Assim ainda vou ficar mesmo piegas e com a lágrima no canto do olho 🙂 Os alunos são o que realmente de bom tem esta profissão e foram muitos e bons os que me passaram por estas mãozinhas :)) Obrigado pelas palavras simpáticas e não posso mentir, por isso tenho de reconhecer que fiquei muito feliz por ler as suas palavras:))
    Abraço grande:))

  2. Ricardo Campos

    Sem duvida que o stor tem um dom para a coisa, adorava as suas aúlas porque ia para la fazer o que gostava, acompanhado por quem gostava e ia ser ensinado por quem gostava. Era a verdadeira “palhaçada”, no melhor sentido da palavra, ninguem se sentia reprimido, havia bom ambiente, e agora que penso, deve ser muito bom mesmo olhar para a cara de cada aluno e não havia um que não estivesse com um sorriso de orelha a orelha. Sem energias para serem canalizadas para os alunos deve ser complicado, mas acho que e capaz d´isso e muito mais, deixe de ser piegas hehehe e se for a ver….quem me dera que o stor Rui fosse o meu director de turma na altura, o contacto seria muito mais facil e o stor conseguia “trocar bem por miudos” tudo o que pretendia dizer aos alunos. Trago muito boas recordações das suas aulas, foram 3 anos muito bons, lembro-me que me apelidou de criancinha rebelde e acho que nunca me vou esquecer das frases “Ana Rita Batata frita e da Renata tata…”, de certa maneira foi quase como um modelo a seguir…o adulto que vinha de vespa para a escola trazia uma gabardine comprida cinza com um pin de uma pin-up com um sentido de humor gigante. Stor ate tenho saudades, leia este comentario e anime-se…pode ter a certeza que o talento e todo reconhecido, se não for agora vai ser mais tarde, mas por quem “realmente importa”, e reconhecido todos os dias, a cada aula por cada aluno. Desde ja os meus parabens e um grande abraço.

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