Por vezes mais vale não pensar no futuro.

As comemorações do meu quinquagésimo primeiro aniversário deveriam prolongar-se por uma semana. Uma semana de verdadeiro espírito pascal, onde a partilha e a farta mesa deveriam ser o denominador comum. Gosto de partilhar e ser partilhado. É uma cena que me assiste desde a minha juventude. Depois da cena da partilha, deveria chegar o exagero da comida, da bebida e da lúxúria. Sim da lúxúria, que é três vezes melhor do que as duas anteriores. Um cena de números, portanto. Mas, mas, mas, a lúxúria é assim tão fundamental, tão afirmativa da nossa identidade? Para mim é. Mas isso sou a pensar. Como quando penso em luxúria só me consigo imaginar com um blazer branco, justo, com o cabelo empastelado, uma calça que não lembra ao diabo, um microfone na mão e uma vontade desenfreada de cantar. Mas isso sou eu a pensar porque a realidade é outra, diferente e muito melhor. Melhor para todos porque eu não canto. Melhor para todos porque não dá para imaginar um blazer branco justo neste corpinho cinquentão. Pronto, o cabelo empastelado… é sofrível e a calça também pode ser uma desgraça… que isso não interessa nada. O que interessa mesmo, no meio desta confusão toda, é a minha vontade de viver e, como diz o nosso ministro das finanças, de estar cá em dois mil e treze, que é o ano consequente a dois mil e doze. Para ele o meu perdão fiscal.

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