Levei em dobro!

Ontem tive mais um jantar com os amigos e amigas da minha infância. Estava tudo a correr bem, o jantar já tinha acabado e a conversa estava a começar a animar. Decidimos ir beber mais um copinho. Tudo bem e tudo normal. O pessoal começa a meter-se nos carros e eu lá vou em direcção à minha bela Scarabeo. Vão indo que já vos apanho, é só apertar o capacete e as luvas… dizia eu… qual quê? Depois de devidamente equipado começo a tentar pegar a motoreta e nada… o sistema de reconhecimento do código da chave tinha pifado e nem sequer deixava passar a corrente… um verdadeiro aborrecimento… Fiquei ali sozinho, sem os contactos do pessoal que já tinha arrancado e com um problema do tamanho da melancia que era a minha cabeça nessa altura. Ainda andei às voltas a tentar daqui e dacolá mas nada. A solução foi deixar a motoreta lá estacionada, direitinha e pensar que nada de mal lhe iria acontecer. Isto tudo com uma chuva miudinha que molharia o tolo mais tolo da face da terra.

Bem, e lá estava eu, sem dinheiro no bolso suficiente para apanhar um táxi e uma longa caminhada até à estação de metro mais próxima, que era a Casa da Música… isto para quem vinha de muito perto da Foz… foi uma bela caminhada, digamos assim. O nosso amigo lá em cima deve ter achado que eu estava mesmo, mesmo, a precisar de fazer exercício, de perder umas gordurinhas…

Lá cheguei à Boavista e só quando lá cheguei é que me veio à ideia que muito provavelmente, assim muito lá ao longe… a estação de metro deveria estar fechada… pois eram três da manhã… No meio da chuva e dos vapores que emanava, lá me surgiu uma nova ideia. Vou direitinho para o Swing, a velha discoteca que fica por aquelas bandas e que eu sabia que tornara a funcionar. Eram só mais dez minutinhos a pé… o que era isso, depois de uma hora a caminhar à chuva?

Bem, a partir daqui, vivi mais uma aventura, por assim dizer… aquele Swing, como será bom de ver, não tem nada que ver com o anterior… Depois de pagar o bilhete de entrada, ter sido passado a pente fino com uma maquineta de detecção de metais, não vá eu ter uma pistola… começo a descer as escadas e também começo a achar tudo muito estranho. As pessoas. Eram as pessoas que eram estranhas. De início nem me apercebi porque a música era ensurdecedora e era tecno, com uma batida muito, mas mesmo muito forte, o que me distraiu das pessoas pois gosto de ouvir um tecno a rasgar (só às vezes…). Depois de sentir o calar da discoteca e de me deixar aquecer um pouco, comecei a perceber onde me tinha metido. As pessoas que lá estavam pareciam que tinham todas saído da bancada do estádio do Dragão, onde estão os superdragões… As pessoas que lá estavam não eram pessoas. Eram gunas! Uma discoteca cheia de gunas e eu lá no meio! Era cada um pior do que o outro. As raparigas ainda conseguiam ser piores do que eles. Eu nem sabia para onde me havia de virar. Só queria um sítio quente para me abrigar e, não há dúvida, ali dentro estava muito quente… os seguranças andavam com umas lanterninhas, pequeninas, mas muito potentes, que apontavam aos bravos dançarinos quando estes começavam a desmazelar-se com as roupas… nada de camisas abertas com o peito a ver-se… era a política da casa… já charros… eram permitidos… faziam-se muitos e às claras, sem que os seguranças apontassem as lanterninhas… Obalhamedeus, onde é que eu tinha ido parar! Eu bem que inspirava com força o fumo que andava pelo ar… na esperança de ficar meio atordoado e de conseguir aguentar aquilo, já que o belo tinto já tinha deixado de estar presente no meu espírito… pudera, com tanta caminhada e com tanta chuva… desanimou e foi-se embora!

Enfim, eu ainda tentei ficar pela discoteca, fui dar uma volta pela pista com a ideia de poder dançar um pouco, (de olhos fechados para nem sequer me aperceber de quem estivesse junto a mim…) mas não consegui. Não me atrevi. Estavam todos cheios de pastilhas até ao tutano, a dançarem freneticamente e com os olhos a revirarem… por isso nem sequer estiquei o pezinho em direcção à pista. Onde foram buscar aquela gente? Devem ter um serviço de camionetas que vão buscá-los, do género daquele serviço que leva as velhinhas para os hipermercados à borla e que depois os leva de volta… É que eu nunca vi tanto guna junto, nunca!

Como seria de esperar, tinha de sair dali e foi o que fiz. Eram quatro e meia e eu no meio da rua, a chover e sem ter para onde ir. A estação continuava fechada, eu recomecei a ficar molhado, de maneira que tinha de me abrigar e foi isso que fui fazer para a parte de cima da estação que é coberta. Tirando os bandos de jovens que iam passando  e que me deixavam sempre a pensar que, pelo menos, me deixassem os documentos e só levassem os trocos… lá fui ficando sentado, naquela imensidão que é a parte exterior da estação. Os carros iam passando e as pessoas iam olhando. Deveriam pensar que eu é que estava a curtir a vida… ali sentadinho, a contemplar o silêncio da noite… cenas do género… que são cenas, mas que são cenas que não me assistem…

Às cinco da manhã, sem eu perceber porquê, lá abriu a estação e lá fui eu para o quentinho. Quentinho é uma forma muito carinhosa de falar da corrente de ar que me fez encolher e daqueles bancos de pedra… mas por lá fiquei e por lá fui dormindo, da melhor maneira que consegui… Lá chegou o metro e quando cheguei à minha estação, levei com mais uma chuvada pela cabeça abaixo… que foi a despedida e para eu não me armar em giro… Eram sete da manhã! Que é que eu fiz para merecer isto?

2 thoughts on “Levei em dobro!

  1. admin Autor do artigo

    Ehehehehehe era o único sítio aberto e depois daquela caminhada toda… oh menino, até podiam vir os chineses:)) Abraço:))

  2. Filipe

    Que bela noite…até fico com inveja, lembrei algumas noites passadas à espera do 1º comboio… duros mas belos tempos com mais juventude. Essa de ires parar ao swing não percebi muito bem, mas ainda bem que eram gunas outrora eram gays. Abraço

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