Este blogue é indecente.

Gostaria de pensar que sou um tipo decente, mas não posso. Também não sou um tipo indecente. Mas estou muito longe de ser um tipo decente. Por vezes deixo de errar porque do nada faz-se luz e encontro o caminho. É difícil viver assim! É mais fácil fazer queixinhas. Queixar-me que são os outros os culpados das minhas asneiras, dos meus erros. É muito mais fácil. Mas a vida não pode ser vivida assim. E os erros devem ser assumidos. As consequências devem ser assumidas. Só assim construímos a nossa decência. Não me interessa, aqui e agora, estar a perder tempo com aquilo que as pessoas pensam da decência. Eu não sou um moralista. A minha decência não é mais decente do a do meu amigo nem é mais indecente do a da minha amiga. Acredito que as pessoas vão construíndo a sua decência ao longo da vida, suportada pelos valores que lhes foram transmitidos pela família, pelas circunstâncias e vivências que foram experenciadas ao longo dos anos e com muita reflexão, muito sentido crítico interior, porque para o exterior… não vale… a coisa vai-se compondo, vai assentando arraiais e fica a fazer parte da nossa vida.

Este discurso todo pode ser encarado, por quem cá vem espreitar, como sendo redondo, como sendo um discurso alicerçado em devaneios. Muito provavelmente é essa a imagem que fica, a de um cinquentão que já deveria ter idade para ter juízo mas que não cresce e continua a inventar teorias sem sentido. A devanear, portanto. Acredito que sim, que seja esta a imagem final que passo para as pessoas, mas também acredito que sei do que é que estou a falar e isso, isso, é uma questão de decência para comigo.

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