Sábado à noite e eu a recordar… com Bushmills…

Lembro-me de uma vivência, há muitos anos atrás, em que fui almoçar fora com o meu pai, a minha mãe e a minha irmã. Fomos a um restaurante na baixa do Porto. Já não me lembro do nome. Foi há quarenta anos atrás… mas lembro-me muito bem da cara do senhor que nos estava a servir. Era de uma simpatia e de uma postura como eu nunca tinha visto. Devia ter uns cinquenta anos, o que para mim era muito… naquela altura… foi impecável no atendimento. Ria-se um bocadinho e tinha uns olhinhos brilhantes mas não deixou faltar nada, como se costuma dizer aqui pelo norte do país. O meu pai lá pagou e, já cá fora, disse-nos que gostava muito de ir àquele restaurante por causa do empregado que servia às mesas. Sabia a história de vida dele. Tinha uma família como tantos outros e tinha de trabalhar para a sustentar. Eu não percebia qual era o problema… tanta gente assim, que tinha de trabalhar para sustentar a família… Então o meu pai explicou-me direitinho o que se passava. O senhor era alcoólico. Trabalhava sob o efeito do álcool. Mas conseguia fazer tudo direitinho, pelo menos até à hora de terminar o serviço. Aquilo marcou-me. A ideia que eu tinha (e eu tinha tantas ideias…) de um alcoólico era completamente diversa, achava mesmo que era uma desgraça ser um bebedolas. Nunca tinha presenciado nenhuma cena com pessoas alcoolizadas mas era a ideia que eu tinha e fiquei a matutar naquilo, até hoje…

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