Será que, um dia, me vai dar um clique… com… “que” no fim?

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Por natureza, não sou moço para ser muito interveniente. Aborrece-me ser interveniente. E não pensem que tem que ver com a idade. Ah, está a ficar velhote, e tal… e já está acomodado… Nada disso. Nunca gostei de seitas. Nunca gostei de ajuntamentos e afins. Nunca gostei de ir para onde os outros iam. Manias. Porque pessoas como eu, com manias, são as mais tenrinhas… acabam sempre por fazer o que os outros querem. Se calhar, vai ser esse o meu destino. Pensando melhor. É essa a minha realidade. A minha rica senhora diz: Senta! E eu sento! Diz: deita! E eu deito! Diz: Rebola! E eu rebolo! Diz: Lambe! E eu lambo! Diz: Dá a patinha! E eu dou a patinha! Diz: Outras coisas! E eu faço outras coisas! Sou, porventura, um moço que se deixa endrominar pelos outros, por aqueles que são mais sabidos do que eu. Cada um terá o seu destino, digo eu!

Isto tudo porque tive a felicidade de poder ver uma reportagem na televisão que me deixou a respirar forte. As minhocas foram cantar as janeiras e acabei por jantar tranquilamente, sem a agitação própria de uma mesa com crianças. Enquanto descascava umas nozes, que acompanhava com doce de abóbora, ia ouvindo a dita reportagem. Era sobre várias pessoas. Pessoas que mudaram de vida. Pessoas que tinham uma vida de sucesso e que mudaram radicalmente de vida. Pessoas que acreditaram naquilo que queriam fazer. Pessoas que passaram de um estado confortável para um estado de incerteza. Claro que a reportagem foi buscar aqueles que tiveram sucesso, que arriscaram, é certo, mas que tiveram sucesso. Gostei muito de ver a reportagem. Gostei tanto, que até parti as nozes com as mãos para não fazer barulho e conseguir ouvir claramente tudo o que era dito. Foi na sic-notícias. É uma pena que o nosso povo (as nossas crianças… porque os pais já não têm remédio…) não seja obrigado a ver reportagens destas, nas escolas, para saber estruturar os seus gostos, as suas prioridades e as suas necessidades, Ponto! è que estou naquela fase em que me custa imenso saber que a maior parte das crianças, adolescentes, jovens e universitários sabe de cor o nome de todos os concorrentes daquela casa que tem segredos. Pior do que saber os nomes, é saberem tudo o que eles dizem e fazem. Enfim…

Voltando à reportagem. Fiquei comovido. A sério, fiquei comovido e não fosse a minha senilidade e fixaria o nome das empresas dos aventureiros portugueses para comprar o que eles fazem. Passada a emoção, pus-me a pensar no assunto. Será que há viabilidade em mudar de vida. Ora bem, nestas coisas não podem existir as palavras “há viabilidade”. Deixava de ter graça! Ter que pensar em tantos ses! Colocando a situação de outra forma: se existe uma grande vontade, uma ideia incontinente, que se deseja desenvolver, pressupõe-se que as leis do mercado sejam favoráveis e que a viabilidade da coisa seja evidente. Mas essa, é uma cumbersa… que já não consigo ter… quero antes acreditar que tudo será feito e realizado por amor.

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