Bem, agora é que vão deixar de falar comigo…

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Estou curioso para saber quanto vou receber este mês. Muita gente já sabe pois andou a fazer contas e mais contas através de programinhas que foram aparecendo aqui e acolá. Mas, sinceramente, esse nunca foi o meu forte… portanto, dia vinte e três lá saberei o corte que irei ter. É mau pensar assim, eu sei, porque não consigo planear a minha vida e não sei com o que posso ou não contar mas a minha vida sempre foi assim: sem grandes planos. Essa seria outra conversa.

Há outra coisa que eu gostava de saber, não é bem saber, é mais compreender… Porque raio de carga de água é que os funcionários públicos vão ser novamente penalizados em relação aos restantes trabalhadores do país? Ou seja: porque é que eu só vou receber um dos subsídios e os outros recebem os dois? Para além de tremendamente injusto está visto que é inconstitucional pois se já o foi no ano passado, não estou a ver que o deixe de ser este ano. Alguém consegue perceber? Só posso concluir que os governantes actuais são incompetentes porque repetem o mesmo erro apesar de terem sido avisados. A não ser que estejam à espera que suceda o mesmo que sucedeu no ano passado, em que o tribunal constitucional emitiu um parecer, dizendo que a medida era inconstitucional mas que não seria rectificada nesse mesmo ano pois já não haveria tempo útil… Eu não quero crer que seja essa a jogada dos nossos governantes… seria demasiado cinismo e de uma insensibilidade a toda a prova… Acho que são um bando de incompetentes.

Na dita democracia em que vivemos, os nossos governantes são eleitos pelo povo. Da mesma maneira que estes foram eleitos, também podem ser destituídos. Eu espero que estes sejam corridos quando houverem novas eleições. Também estou à vontade para o desejar  pois não votei neles, mas aqueles que o fizeram devem estar com a consciência pesada. Conheço alguns. Andam calados, cabisbaixos e sem aquele discurso exigente da moral e dos bons costumes com que brindavam as políticas do engenheiro que se pirou para fora… Afinal, os grandes problemas que o dito engenheiro criou (as ppps que chupam o dinheiro todo ao país) continuam, nada foi modificado e todos nós já nos apercebemos que os nossos governantes actuais só conseguem fazer o mais fácil, o que está mais à mão e que não implica mexer com os poderes instalados. Dos dez milhões de portugueses, se tivermos cinco mil? economistas (é um número ao calhas…) é uma sorte, mas todos nós sabemos fazer contas (apesar de não ser o meu forte…) e quando o dinheiro é pouco, quando temos uma casa, uma vida, uma empresa ou seja lá o que for, e estamos com falta de dinheiro, o que é que fazemos? cortamos nas despesas, certo? Não há outra forma de fazer esticar o dinheiro porque se eu vivo do meu ordenado não posso andar a pedir dinheiro ao meu patrão para poder comprar isto ou aquilo porque estou sujeito a ser despedido. É muito simples este raciocínio. Tão simples que eu até estou admirado como fui capaz de lá chegar… mas se até eu fui capaz, porque é que os senhores economistas e versados na matéria não aplicam esta regra básica. Devemos gastar aquilo que temos. Ok. Há umas engenharias financeiras para financiar isto e aquilo mas devem ser feitas com cuidado e de uma forma regulamentada… O que acontece é que vamos assistindo a casos de corrupção, vamos assistindo a trapalhadas politiqueiras, vamos assistindo a trocas e baldrocas e, pasme-se, a despesa do estado não tem maneira de descer… Só estão a “endireitar” as contas do país porque não pagam e sacam mais impostos aos portugueses. Assim, até eu, que sou o tal que não entende rigorosamente nada de números. Como trabalho por conta de outrem,  não consigo trazer nada para casa sem ter que pagar antes mas se tivesse uma empresa e comprasse um produto qualquer, a pagar a trinta dias e depois não o pagasse, alegando dificuldades ou dizendo que o produto era muito caro e que devia passar a ser mais barato, a empresa que me tinha fornecido o dito cujo do produto não ia achar muita piada por ter ficado sem ele. Se os donos fossem de gancho, o que é que faziam? Punham-me em tribunal com uma acusação de roubo. Roubo é uma palavra forte. É uma palavra que, nas circunstâncias actuais que o país vive, está associada aos movimentos sindicalistas e aos partidos da esquerda. Esta associação é vista de uma forma negativa por diversas razões. A principal está relacionada com a falta de um discurso adaptado às realidades actuais, que deixe para trás o discurso da cassete, o discurso dos direitos (sim, temos direitos mas também devemos ter deveres e adaptá-los às realidades do país), com a apologia das greves e mais greves que deixam o país mais pobre e as pessoas que são prejudicadas com as greves com os cabelos em pé e com vontade de lhes darem um tiro. Eu digo isto porque vivi de perto, mas ao longe, o que se passou com os professores no tempo da Milu Rodrigues. Continuo com a convicção de que os nossos sindicatos foram os causadores da maior vergonha que a “classe” dos professores passou, com o achincalhamento por parte dos comuns dos mortais que ainda hoje têm a ideia de que os professores são uns privilegiados e que não fazem nenhum. A “revolta” dos professores foi tão forte… tão forte… que hoje estamos bem pior e não se ouve um rato a… piar. Alguém consegue entender porque é que os professores ficaram sossegaditos, de repente? Os professores foram, como “classe”, dos grandes impulsionadores do movimento que levou à queda do engenheiro… Onde é que pára a “classe”? Com as diversas medidas que foram tomadas, o ensino está pior e vai continuar a piorar, mas não se ouve um pio… Onde pára o homem do bigode, parecido com a mãe? Dá-me a impressão que a vergonha foi tanta que ainda estamos a pagar por isso e ninguém consegue abrir a boca, só mesmo para bocejar…

4 thoughts on “Bem, agora é que vão deixar de falar comigo…

  1. admin Autor do artigo

    Hello António 🙂
    Andas por aqui? Até estou admirado 🙂
    Vê lá se me envias o teu número de telelle que o perdi…
    Abraço

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