Isto tudo sem querer parecer um paspalhão dum moralista!

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Domingo, ao fim da tarde, a ouvir The Smiths… é um pouco estranho, eu sei, mas há umas musiquinhas que por vezes se ouvem por… pura nostalgia… Mas adiante. Estava a preparar umas torradinhas e um chá verde quando calhou de ver uma notícia na televisão da cozinha (que é o meu sítio preferido da casa para ver notícias…). Dizia a notícia que no ano de 2012 foram vendidas vinte mil embalagens de antidepressivos por… dia… É muito remédio (e agora parecia o Paulinho das feiras a falar dos remédios dos velhotes…) a ser comprado. Quando ouvi a notícia, fiquei de boca aberta, sem saber se devia chorar ou se deveria rir. Se por um lado é trágico existirem tantas pessoas a comprarem antidepressivos, o que quer dizer que passaram por um processo difícil e com uma eventual perda de qualidade de vida, por outro lado temos de ver a coisa pelo lado positivo. Quero com isto dizer que todas essas pessoas que atravessaram esse período menos bom das suas vidas conseguiram encontrar a força necessária para se tratarem. Querem melhor? Nem todas as pessoas conseguem perceber que precisam de ajuda e, mais difícil ainda, perceberem que têm que dar um passo em frente e procurarem ajuda médica ou a terapêutica adequada. Se pensarmos um pouco no assunto, conseguiremos perceber que cada pessoa que entra num processo depressivo terá os seus “motivos” e as suas “razões”. Não é fácil perceber o que leva muita gente a entrar num processo desses. Pessoas que, aparentemente, têm uma vida equilibrada, normalíssima, com família, trabalho e vida social normal, e de repente ficam num estado muito complicado. Não conseguimos encontrar uma explicação aparente. Alguém consegue explicar? Não! Só os profissionais que trabalham directamente com estas pessoas é que conseguem lá chegar. E ainda bem que assim é. São eles que têm as ferramentas certas. É por estas e por outras que devemos sorrir para estes números assustadores. Devemos pensar que serão pessoas que voltarão ao seu equilíbrio, à sua vida, depois de passado e ultrapassado o pesadelo em que se viram envolvidos, é que todos nós temos um espelho do lado de lá que, por vezes, se pode quebrar.

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