Ufa, que me sinto cansado!

fcfozeu

E como a vida continua, não há nada como dar valor ao que realmente interessa. E o que é que interessa? Para além de continuar a ouvir os The Smiths… interessa-me mesmo a minha família e os meus amigos e amigas. Alguém vê alguma coisinha mais interessante? Está bem que me estava a esquecer da saúde… mas isso é… intrínseco, é a nossa maior benfeitoria… como tal…

Pode parecer um pouco estranho eu estar a falar de família. Dos amigos não acho estranho. Sempre estiveram presentes. Por vezes de uma forma mais chegada, de outras vezes mais distantes fisicamente, mas sempre gravitaram na minha cabeça como meus amigos e a prova disso mesmo é que quando estamos juntos… outros valores se levantam… o que já não é mau… com a idade avançada… (peço desculpa pelo lado brejeiro que, por vezes, assalta a minha condição de cinquentenário…). Mas voltando à família, será uma surpresa para muita gente eu estar para aqui com tretas sobre a família. Mas não estou. Acho mesmo que é importantíssimo termos uma família. Uma família que nos ouça e nos apoie nas horas boas e nas menos boas. Aos cinquenta, e alguns mais, tenho finalmente uma família. Não é só por ter tido duas filhas que eu vou achar que já tenho uma família… Não é nada disso. Sempre tive família que gostou de mim. O problema estava em mim. Nunca senti que deveria acreditar na família. Não me perguntem porquê. Essa resposta só vou conseguir encontrar quando for o “vinte mil e um” a comprar o antidepressivo… com ajuda terapêutica… talvez consiga, um dia, explicar o porquê de nunca ter sentido o conceito de família a entrar-me pelo corpo adentro…

Até lá vou desenvolvendo várias teorias… daquelas teorias que não interessam ao menino, de seu nome Jesus. Como sou de uma geração antiga, posso sempre tentar dizer que foi por causa dos meus pais se terem divorciado quando eu era adolescente. Poderia parecer convincente. Ai e tal, naquele tempo ninguém se divorciava e o menino ficou traumatizado… era muito novinho, coitadinho, sentiu muito aquela divisão do seio familiar. Podia. Mas não foi nada disso. Depois podia construir uma história à volta da minha juventude. Passada e vivida nos gloriosos anos oitenta, cheios de vícios e virtudes… sem rumo certo e com vontade de não pensar no dia seguinte. Também podia, mas tornou a não ser nada disso. Ainda podia tentar justificar-me com um casamento falhado… e depois… outro casamento, novamente falhado… até ter um novo casamento… que perdura no tempo… Eu sei, é muito casamento para servir de explicação… e não é essa a explicação que eu tenho que encontrar. Aliás, eu tenho uma ligeira suspeita da verdadeira explicação… mas só a vou confirmar quando for o tal de “vinte mil e um” … até lá vou vivendo, em família. Por falar em viver, em família, hoje fui ver a Exposição Canina do Porto, com o meu grande amigo Ricardo Guimarães, que para mim é o Jó. Fui sozinho porque a minhoca mais velha, que é doida por cães, está meia adoentada e decidi fugir de casa sem ela dar por isso. Eu também não sou lá muito bem fechado das ideias em relação aos cães. Gosto muito de cães. Temos dois. Fazem parte da família. A tal família, abrangente, que todos nós prezamos por conservar. E sem querer estar a bater na mesma tecla, a minha família também tem canitos, aliás, são vários e estão distribuídos… mas eu não consigo resistir… e tenho de me esforçar mesmo muito para não aumentar a prole… e hoje foi um desses dias. No meio daquela exposição gigantesca, cheia de tudo o que tem quatro patas, com altifalantes aos berros, juízes aprumados, criadores a suarem e uma data de pessoas coladas aos cães… no meio disso tudo e mais alguma coisa… estava uma coisinha linda, fofinha, com um focinho comprido… com barba… lindo de morrer… era um Fox Terrier… daqueles que dão vontade de comer… estava com um senhor grande, grande de mais para mim porque se fosse pequenino… dava-lhe um murro e pegava no canito… trazia-o para nossa casa e apresentava-o à nossa família!

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