Anda um pai a criar uma filha para isto…?

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Digam-me onde é que eu falhei. Façam um esforço e ajudem-me a encontrar o caminho, o caminho da verdade. Só peço uma pista, uma pequena pistinha… que eu depois chego lá… Vá lá, não quero estar nesta incerteza toda a vida.

Só de pensar no que me espera… fico num estado de letargia absoluta… e com vontade de encontrar respostas… porque eu posso ser tudo o que me quiserem chamar, tudo, mas sou esforçado e acredito que posso mudar o mundo… mas isto é de mais.

Mas afinal o que é que se passa? Porque é que estou assim, nesse tal estado de absoluta descrença?

Vou abrir o meu coração.

Para quem não sabe, eu tenho duasfilhasduas. São dois seres humanos em crescimento. Como todos os pais deste país e deste mundo, tenho por elas um amor incondicional. Parece um discurso sério, sisudo, mas é mesmo isso que eu sinto, não há volta a dar. Também há outra volta que se dá, aquela em que reparamos que não nascemos ensinados e preparados para educar uma criança. É um constatar de uma realidade dura, que nos faz pensar nos nossos erros diários e na forma como devemos ultrapassar esses mesmos erros e as nossas dificuldades em lidarmos com os “imprevistos”. Não é que eu seja muito complicado a lidar com situações, digamos, inesperadas… mas, por vezes, fico realmente surpreendido.

Há pouco, a minha filhamaisvelhafilha veio até ao escritório excitadíssima para que eu ouvisse uma música. Pronto está bem, disse eu, com vontade que a coisa fosse rápida, que a musiqueta cor de rosinha acabasse rapidamente para poder continuar a fazer o que tinha iniciado. Paiiiii. Tira os phones… Está bem, bota lá o sheik… Conversa morna entre pai e filha.

Quando a música começa… arregalei os olhos e, de seguida, rodei a cadeira para ver o que raio estava a passar no youqualquercoisatube. Fui ver e pensei: será vento? Cheio de medo que fosse o ovário, desviei o olhar e concentrei-me na música. Era um hip-pop. Muito mal amanhado, mas para mim, todos os hip.pops… são mal amanhados. Strat G era o nome da banda, estás a ver, meu? A “lírica” era como todas as “líricas” que se ouvem por aí… e sempre que ouço uma delas… dá-me vontade de desatar a insultar toda a gente e a achar que o mundo é mesmo muito injusto e que estão todos contra mim e que eu merecia melhor vida. Basicamente, não tenho pachorra. Aliás, tenho saudades do meu tempo de adolescente, em que eramos todos, ou quase todos, muito contestatários e com vontade de mudar o mundo mas sem as mordomias que esta geração do hip-pop tem. Mas isso é outra conversa.

O que me deixou baralhado, no meio disto tudo, foi o facto da minha filha mais velha, que até às oito da noite eu tratava por minhoca…, estar agora num patamar diferente… Não imaginava que ela fosse capaz de ouvir hip-pop e, sacrilégio dos sacrilégios, soubesse a letra ou “lírica” ou o raio que a parta toda de cor… Um pai não aguenta isto…

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