Cartão do utente 171841008.

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O utente sou eu. Já deu para perceber que eu tenho aquela mentalidade do português utente. Gosto de ser utente e gosto de ser tratado como utente. Não sei porquê! Mas gosto. Aliás, ser utente é um propósito português. Digamos que é um fim, um objectivo a ser atingido nesta vida. O português gosta mesmo de ser tratado como um utente. Ser utente equivale a estar no topo deste mundo. Quer dizer que se conseguiu atingir um patamar em que tudo nos é devido. Em que os serviços nos devem proporcionar tudo aquilo que achamos necessário, nem que não façamos a menor ideia do que estamos a falar ou a pedir. O português não olha para os serviços como olha para a sua casa… Na sua casa é capaz de ter uma atitude mais razoável… como utente exige tudo a que tem direito, nem que seja desperdício… Eu sou utente. Mas também sou prestador de serviços. Sei bem do que falo. A educação não passa de um serviço, com as suas especificidades, mas não passa de um serviço que é prestado aos utentes, muitos utentes… E estes utentes, mais pequenos, mas já imbuídos do espírito do verdadeiro utente português, sabem exigir o que lhe é devido…

Somos um país tão pequenino. Em tamanho. Somos poucos. E numas coisas somos bons. Mesmo bons. Será que não há maneira de encontrarmos uma maneira de nos entendermos todos sem querermos parecer mais espertos do que o vizinho do lado? Sim, porque o português, o utente, acha que se conseguir fazer alguma coisita melhor do que o vizinho do lado já é o maior da rua dele. É ser pequenino, ou não é? Eu acho que é! E conheço tanta gentinha assim.

Tenho vontade de dizer uma barbaridade. Quer dizer, é uma barbaridade para o comum do utente. O serviço que eu presto tem como objectivo principal conseguir que sejam todos os piores da rua deles… mas que tenham mundo, discurso fluído e muita vontade de viver. E viver é aprendizagem. O resto são programas que se cumprem…

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