Venham mais insultos… que eu gosto…

Culture in North Korea in the late of 1970s (1)

Eu não vou fazer greve aos exames. Já há muito tempo que decidi que seria assim. Não me importa saber que vou ser insultado novamente ou se me vão desdenhar por ter esta postura. Quero lá saber. Respeito quem vai fazer greve. A sério que respeito. E é por respeitar quem pensa que essa é a solução para verem resolvidos os problemas da educação que não posso deixar de ficar chocado com o comunicado de uma confederação qualquer de pais, que fizeram um apelo para que os professores não façam greve. Acho inadmissível que estes pedidos surjam assim, de repente, e que sejam dirigidos a quem tem menos responsabilidades no estado actual da educação. O que se discute, ou deveria estar a ser discutido, não é apenas uma questão salarial. Se os professores vão passar a ganhar menos e a trabalhar mais horas. É também a qualidade do ensino que está em causa. As turmas infindáveis. A burocracia sufocante. Os megamega agrupamentos. E uma data de outras coisas que estão a funcionar mal.

Eu não sou propriamente a pessoa mais e melhor informada deste mundo mas não me parece que ultimamente estas confederações de pais se tenham colocado ao lado dos professores para porem o dedo na ferida… Estas associações de pais são fundamentais para que a escola exista em harmonia, com um sentido e um rumo comum, tal e qual como vem nos livros… mas aquilo a que assistimos é que estas mesmas associações, confederações e eu sei lá que mais… o que querem é poder. Poder reivindicativo. O que se assistiu ao longo de muitos anos foi a uma invasão dos pais nas escolas. Eu não sou salazarento nem nada que se compare mas não me custa nada assumir que os pais devem ter a importância que têm. Nada mais do que isso. Esta invasão está proporcionalmente de acordo com o aumento do número de crianças que são literalmente despejadas nas escolas sem o acompanhamento devido pelos progenitores. Quem nunca assistiu e vivenciou a cenas de negligência familiar? e que são precisamente esses progenitores que se acham no direito de tratar mal, insultando e muitas agredindo os profissionais da educação. Estas situações são fruto do poder desmesurado que estas associações têm nas escolas. Enquanto não forem separadas as águas e os pais confinados à importância que realmente têm… vamos continuar a assistir a pedidos destes, chocantes e que, no caso dos professores, só vão agravar a má imagem social que estes têm de há uns anos para cá.

Quase fico convencido de que este pedido dos pais tem o dedinho do nosso Paulinho das feiras… que quase comoveu meio país… com um pedido idêntico… Só que o Paulinho esqueceu-se de que tem responsabilidades no assunto e os paizinhos é para o lado que lhes dá mais jeito. Agora, agora pensem, como diz o meu aluno!

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