Estou farto de grunhos que não sabem o que dizem!

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Assim, a quente, que é a última arte de dizer asneiras, não posso deixar de comentar o dia de hoje. O dia de greve geral dos professores. Por tudo aquilo que li e ouvi nas televisões, continuamos com o mesmo jornalismo, fraquinho, conivente com o poder instituído. Os jornalistas portugueses, na sua grande maioria percebem tanto de educação como de… agricultura… ou seja, zero. Não sabem como funciona uma escola, como funcionam as vigilâncias aos exames e propõem-se fazer reportagens sobre algo que desconhecem, tal e qual a Alcina Lameiras… é para onde estão virados…

Como qualquer professor sabe, da frente para trás e de trás para a frente, uma vigilância de exame obedece a regras muito rígidas e muito bem definidas. É um verdadeiro calvário ter em atenção todos os pormenores. O nome do aluno tem de ser lido em voz alta. O aluno tem de se sentar com a distância previamente estabelecida. Não pode trazer mais do que o legalmente estabelecido. Telemóveis desligados. Assinam um compromisso de que não vai copiar. O professor vigilante não pode perturbar o normal funcionamento do exame e para tal não deve tossir, deve andar silenciosamente pela sala de exame… e, acima de tudo, deve vigiar. Estar vigilante para que não aconteçam situações ilegais, garantindo a equidade na realização dos exames por parte de todos os alunos. Esta é uma pequena amostra dos cuidados que devem existir durante a realização de um exame e é para que assim seja que todas as escolas realizam uma reunião geral para explicar todos estes procedimentos. Algum jornalista fará uma pequena ideia disto tudo? Penso que não. Se tivessem uma pequena noção de como se processam a realização dos exames iriam achar muito estranho que tivessem acontecido exames em salas de convívio, em auditórios e anfiteatros… Se soubessem como tudo isto funciona, tenho a certeza de que, pelo menos os mais perspicazes, iriam questionar-se sobre a equidade para todos os alunos. Porque não tenhamos dúvidas, uma cantina ou um ginásio não oferecem as condições mínimas de segurança para que um exame se realize sem haver… o quê? Copianço, claro está!  Como é possível manter setenta ou oitenta alunos controlados num espaço que não foi concebido para tal? Convenhamos que uma sala de convívio foi construída com o fim muito específico de os alunos conviverem… nos casos que aconteceram foi um outro tipo de convívio… escrito…

Estas situações são lamentáveis e gostaria de saber a opinião dos pais e dos alunos que ainda não realizaram os exames quando souberem que, muito provavelmente, outros alunos foram beneficiados por situações pouco lícitas… sim, porque se não estavam criadas condições de segurança, as direcções das escola deveriam ter tomado uma posição muito simples: NÃO PERMITIREM A REALIZAÇÃO DO EXAME. Houve direcções de escolas que assim fizeram. Houve outras que não o fizeram. E agora, houve alguma peça jornalística sobre este assunto? Não me parece.

Todos temos que aceitar as opiniões divergentes. Houve professores que não fizeram greve. Uns porque obedeceram  à partidarite aguda. Outros porque acharam que não tinham razões para a fazerem. Outros por uma data de outras razões. Eu percebo porque também não sou muito dado a greves e quando não as faço também gosto que me respeitem por isso. Mas esta greve era muito especial. Foi o canto do cisne de uma classe profissional que nunca foi unida e que tem sido vista como o grande bode espiatório dos males da sociedade portuguesa. Os professores têm sido alvo dos maiores ataques. Qualquer grunho, que mal sabe ler ou escrever, se acha no direito de criticar esta profissão sem saber minimamente do que está a falar. Qualquer grunho acha que tem o direito de entrar por uma sala de aula adentro e desatar às chapadonas ao profissional que lá se encontra. Qualquer grunho é capaz de mandar umas bocas sobre as interrupções lectivas, sem perceber que se fosse mais eficaz na educação dos seus filhos, se calhar, os professores não ficassem tão esgotados por lidarem diariamente com “selvagens” mal educados. Qualquer grunho acha que trinta e cinco horas são coisa pouca e facilmente se esquece que o trabalho de preparação de aulas e a correcção dos trabalhos ou testes ultrapassam largamente as ditas quarenta horas. Qualquer grunho acha que não precisamos de investir na educação. Qualquer grunho acha que devemos é viver das aparências e que não precisamos da escola para subir na vida. Há grunhos variados e para todos os gostos. Há que saber distingui-los. É exactamente como os colegas (e colegas são as putas), também temos de saber distingui-los. Uns são do coração, outros são colegas.

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