Escrever, ajuda. Ajuda a endireitar as ideias.

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Já deu para perceber que tenho andado meio apalermado. Tenho trabalho até às orelhas e não há maneira de o conseguir empussrar para a frente, nem que seja com a barriga… Estou completamente desmotivado mas… assim não pode ser. De repente fiquei sem energia. Completamente alheado da realidade. Por outras palavras, a querer fugir à realidade. À triste realidade. Mas a vida é mesmo assim e sempre será como tiver que ser… não há volta a dar e por muita desilusão que possa invadir a nossa vida… há que continuar. No caso, irá decorrer durante mais um período de quatro anos e depois logo se verá. Vai ser um longo ciclo, em que irá ser necessário manter algum sangue frio porque… eu fervo em pouca água. Não parece mas sou capaz de dizer as maiores barbaridades a quente… É mau, eu sei, mas agora já não há muito a fazer… com esta idade…

Deixando os particulares… e partindo para o geral, ou seja, precisamente o contrário do que se deve fazer… acabo por fazer um balanço muito positivo da greve dos professores do passado dia dezassete. Logo eu, que não sou dado a greves mas que me decidi a fazê-la por achar que devia ser solidário com muitos outros professores que estão em risco de perder o seu posto de trabalho. Cada um tem as suas convicções, é certo, e apesar de ter sido o homem de bigode (parecido com a mãe) a convocar a greve, decidi que a minha posição não era mais do que isso: minha! Respeito quem pensa de maneira diferente. Não respeito quem foi mais papista do que o papa. Como também não tenho pachorra para tentar encontrar algum ponto de paciência para todos aqueles que criticaram a greve dos professores só porque… sim, utilizando argumentos tão básicos que me escuso de os reproduzir aqui. E a maioria da opinião pública portuguesa continua com a opinião de que somos uma verdadeira cambada de inúteis, causadores do buraco orçamental em que o país se encontra. Com esse tipo de gente, não vou perder mais tempo do que aquele que já me dei ao trabalho de perder.

Se pararmos para reflectir um pouco (se for muito… também não é lá muito conveniente…) verificamos que afinal o governo do país também consegue perceber que há caminhos que mais vale não insistir em percorrer. Claro que vou dar novamente às negociações com o ministério da educação. Ninguém percebe porque é que os senhores que lá estão não entenderam logo que as quarenta horas não poderiam abranger o horário lectivo (os básicos não entendem que não se aguentam mais horas a dar aulas…) ou que a mobilidade especial também tem que ter os seus limites (os mais básicos continuam a não perceber que a carreira dos professores já tem no seu início um largo ciclo em que estes saltam de terra em terra durante anos e anos e, quando estabilizam, é justo que por lá criem as suas raízes…). Parecem dois aspectos insignificantes, mas não são. Aliás, na questão das quarenta horas, seria bom que os inteligentes que governam o ministério da educação pensassem melhor no assunto e nos explicassem a nós, professores, e aos básicos que não entendem nada do assunto, onde vão enfiar os professores todos. Todos os professores sabem que a grande maioria das escolas não dispõe de gabinetes de trabalho, salas de trabalho ou como lhe quiserem chamar, onde se possam enfiar os professores todos que por lá vão estar a trabalhar… na preparação de aulas… a corrigir testes… a visionar trabalhos… a ler relatórios… a fazer pautas de avaliação… e toda uma data de burocracias que, hoje em dia, entopem as secretárias de todos os professores. Os básicos, sim, aqueles que não entendem nada do assunto mas que insistem em mandar uns bitaites, não devem ter pensado no assunto… pudera, se até os inteligentes dos nossos governantes não pensaram no tiro que estavam a dar no pé… quanto mais um bando de ignorantes…

Pela via das dúvidas, permito-me perguntar: será que alguém pensa que os professores vão continuar a trazer o trabalho para casa, como vinham fazendo até aqui?  Não me parece. Parece-me mais que, chegadas as quarenta horas, o trabalhinho vai ficar ali, paradinho, à espera das próximas quarenta horas…

Ah, e só para que conste. Amanhã? Amanhã vou trabalhar, que tenho muito trabalhinho para acabar.

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